segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Chile - 11 Setembro de 1973 - PARA NÃO ESQUECER


11 de Setembro de 1973
Golpe militar no Chile - 44 anos depois

Em 11 de Setembro de 1973, as forças armadas chilenas, comandadas pelo general Augusto Pinochet e com o apoio e financiamento dos Estados Unidos e da CIA, bem como de organizações terroristas chilenas, como a “Patria y Libertad”, derrubaram o governo de Unidade Popular de Salvador Allende, democraticamente eleito 3 anos antes.
No dia 10 de Setembro de 1973, a esquadra chilena zarpou, como estava previsto, para participar nos UNITAS, um tradicional exercício naval entre as marinhas dos Estados Unidos e as marinhas latino-americanas.
A armada chilena regressou ao Chile na manhã de 11 de Setembro e tomou rapidamente a cidade de assalto, enquanto os navios de guerra dos Estados Unidos ficaram de prevenção no limite das águas territoriais chilenas.
Se tivesse havido resistência armada ao golpe de estado, o plano previa que os “marines” invadissem o Chile, a pretexto de "preservar a vida de cidadãos norte-americanos".
Um avião WB-575 - um centro de telecomunicações - da força área norte-americana, pilotado por militares norte-americanos, sobrevou o Chile. Simultaneamente 33 caças e aviões de observação da força aérea norte-americana aterraram na base aérea de Mendonza, na fronteira da Argentina com o Chile.
"Estas são as minhas últimas palavras…
Certamente, esta será a última oportunidade em que poderei dirigir-me a vocês. A Força Aérea bombardeou as antenas da Rádio Magallanes.
As minhas palavras não têm amargura, mas sim, decepção. Que sejam elas um castigo moral para quem traiu o seu juramento (…)

Colocado num transe histórico, pagarei com a minha vida a lealdade do povo. E digo-lhes que tenham a certeza de que a semente que entregamos à consciência digna de milhares de chilenos, não poderá ser ceifada em definitivo.
Eles têm a força, poderão subjugar-nos. Porém, os processos sociais não se detêm nem com crimes nem com a força. A história é nossa e é feita pelo povo.
Trabalhadores da minha Pátria: quero agradecer-lhes a lealdade que sempre tiveram, a confiança que depositaram num homem que foi apenas intérprete de grandes anseios de justiça, que empenhou a sua palavra no respeito à Constituição e à Lei, e assim o fez.
Neste momento definitivo, o último em que posso dirigir-me a vocês, quero que aproveitem a lição: o capital estrangeiro, o imperialismo, unidos à reação criaram o clima para que as Forças Armadas rompessem a sua tradição, que lhes fora ensinada pelo general Schneider e reafirmada pelo comandante Araya, vítima do mesmo sector social que hoje estará à espera, com mão alheia, de reconquistar o poder para continuar a defender as suas mordomias e os seus privilégios.
Dirijo-me a vocês, sobretudo à mulher modesta da nossa terra, à camponesa que acreditou em nós, à mãe que soube da nossa preocupação pelas crianças. Dirijo-me aos profissionais patriotas que continuaram a trabalhar contra o levantamento popular estimulado pelas associações de profissionais, associações classicistas que também defenderam as vantagens de uma sociedade capitalista.
Dirijo-me à juventude, àqueles que cantaram e doaram a sua alegria e o seu espírito de luta. Dirijo-me ao homem do Chile, ao operário, ao camponês, ao intelectual, àqueles que serão perseguidos, pois no nosso País o fascismo já esteve presente várias vezes: nos atentados terroristas, explodindo pontes, cortando linhas ferroviárias, destruindo oleodutos e gasodutos, perante o silêncio daqueles que tinham a obrigação de tomar providências.
Eles estavam comprometidos. A história irá julgá-los
Certamente, a Rádio Magallanes será calada e o metal tranquilo de minha voz já não chegará até vocês. Mas isso não é importante. Vocês continuarão a ouvi-la. Ela estará sempre junto de vós. Pelo menos a minha lembrança será a de um homem digno que foi leal com a Pátria.
O povo deve defender-se, mas não se sacrificar. O povo não pode deixar-se arrasar nem se deixar balear, mas tampouco pode humilhar-se.
Trabalhadores de minha Pátria, tenho fé no Chile e no seu destino. Outros homens hão-de superar este momento cinza e amargo em que a tradição pretende impor-se. Prossigam vocês, sabendo que, bem antes que o previsto, de novo se abrirão as grandes alamedas por onde passará o homem livre, para construir uma sociedade melhor.
Viva o Chile! Viva o Povo! Viva os Trabalhadores!
Estas são as minhas últimas palavras e tenho a certeza que o meu sacrifício não será em vão. Tenho a certeza de que, pelo menos, será uma lição moral que castigará a deslealdade, a covardia e a traição."

Estas foram as últimas palavras de Salvador Allende, em Santiago do Chile, na manhã do dia 11 de Setembro de 1973. Pouco minutos passavam das 9 horas...

Cercados no palácio presidencial e bombardeados pela Força Aérea, Allende e alguns colaboradores leais resistiram de armas na mão. Foram todos mortos em circunstâncias até hoje desconhecidas.
O exército chileno - liderado por Augusto Pinochet - não teve qualquer humanidade com os militantes do Partido da Unidade Popular. A repressão militar foi vingativa e intolerante.


Pinochet instaurou uma ditadura que durou 17 anos em que foram brutalmente assassinadas 3.197 pessoas (este número inclui 49 crianças de 2 a 16 anos e 126 mulheres, algumas delas grávidas) e mais de 100 mil pessoas presas e torturadas.

Pinochet morreu em Dezembro de 2006 sem nunca ter sido julgado pelos seus crimes.


Homenagem ao Povo do Chile

Foram não sei quantos mil
operários trabalhadores
mulheres ardinas pedreiros
jovens poetas cantores
camponeses e mineiros
foram não sei quantos mil
que tombaram pelo Chile
morrendo de corpo inteiro.

(...)

José Carlos Ary dos Santos
(Fragmento do poema "As Portas Que Abril Abriu")




José Gomes

11 Setembro 2017


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