domingo, 4 de dezembro de 2016

"Noites de Poesia em Vermoim" - a Reportagem (3 Dez. 2016)


Mais uma "Noite de Poesia em Vermoim" realizada. Foi a última "Noite de Poesia" deste ano. Foi pena que a presença dos poetas estivesse reduzida, por outro lado tivemos concerto dado pelos alunos da Filarmonia de Vermoim. Nem por ser o 23º aniversário do Movimentum - Arte e Cultura foi o suficiente para os Poetas e Amigos festejarem esta data na nossa companhia. 

Mário Jorge deu as boas vindas aos presentes, desejou um Bom Natal e um Novo Ano cheio de coisas boas e lembrou o 23º aniversário do Movimentum, seguido de um caloroso Parabéns a você interpretado por André Rodrigues e cantado por todos. O nosso muito obrigado.

Tivemos a colaboração dos seguintes poetas:
José Ribeiro, Jaime Gonçalves, Manuela Miguéns, Silvino Figueiredo, Maria Mamede e José Gomes.
Na "Poesia na Net" tivemos a colaboração de João Diogo e Leonel Olhero.

Para levantar a nossa disposição tivemos a colaboração dos Alunos da Filarmonia de Vermoim:

  • André Rodrigues que interpretou "Take Five" de Paul Desmond.
  • José Miguel (primeira actuação em público) que interpretou "Prelúdio Op. 28 nº 20" de Frederik Chopin e "Banda de Música em Movimento" de Charles World.
  • Francisco Campos que interpretou "Surfboard Boogie" de Martha Mier e "Beach Buggy Boogie de Martha Mier.
  • Ana Raquel que interpretou "Wild honey suckle Rag" de Martha Mier e "El dia que me quieres" de Carlos Ghardel.

Cá estaremos em 7 de Janeiro de 2017 e o tema escolhido é EU SOU O PRIMEIRO MÊS.


Um grande abraço, um Bom Natal e um Bom Ano Novo.
José Gomes

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

23º Aniversário do Movimentum - Arte e Cultura




Movimentum – Arte e Cultura
Vinte e três anos, é muito tempo...

Maria Jerónima (Jó) e Maria Mamede
(foto de Ângela Velhote – in “O Comércio do Porto”, 30 de Novembro de 1993)

Movimentum – Arte e Cultura nasceu no dia 30 de Novembro de 1993, data em que O Comércio do Porto publicou a primeira entrevista dada pelas suas fundadoras: Maria Jerónima (Artesã) e Maria Mamede (Poetisa). Na entrevista publicada naquele jornal diário, Maria Mamede referiu “(…) que a realização desta iniciativa nasceu a partir da reunião de cinco pessoas ligadas, de algum modo, à Arte e que se dispuseram a organizar este certame. Pretendeu-se, sobretudo, cativar as pessoas da Maia, levando-as a ver aquilo que de melhor se produz no concelho tanto no campo do Artesanato como no da Cultura”.

O primeiro evento desenvolvido por este grupo foi “Manusmaia – Mostra Cultural e d’ Artesanato da Cidade da Maia” que decorreu de 1 a 8 Dezembro de 1993, no Fórum da Maia.
De 1 a 8 de Dezembro de 1993, a par das exposições de Artesanato (cerâmica, bonecos de folhelho, patchwork, miniaturas de alfaias agrícolas, rendas e bordados tradicionais) passaram pelo Fórum da Maia o Grupo Regional de Moreira da Maia, o Grupo de Cavaquinhos do Rancho Típico de S. Mamede de Infesta e o Rancho Infantil de Milheirós, que nos trouxeram a versão folclórica deste certame.
A História do Linho e o Namoro à Carreira, foram apresentados pelo etnólogo Manuel Gens ao público presente como se vivia no concelho da Maia no início do século passado.
O Teatro, a Poesia, a Música Celta, a Música de Intervenção (esta tendo como cabeça de cartaz Francisco Fanhais), o lançamento de um livro de poesia e o leilão de quadros dos pintores Armanda Passos e Agostinho Santos, trouxeram a vertente cultural ao certame.

Durante estes 23 anos o Movimentum – Arte e Cultura desenvolveu e dinamizou— em paralelo com as Noites de Poesia — acções de cariz cultural nos concelhos de Matosinhos, Porto e Maia, das quais saliento Uma Noite Recordando Zeca Afonso (Fevereiro de 1994) e Uma Noite Recordando Adriano (Abril de 2001) - ambas no Salão Nobre da Junta de Freguesia de S. Mamede Infesta, exposições de Tapeçaria, Cerâmica, Pintura e Artesanato, além do lançamento de livros de um grande número de poetas que assim viram os seus poemas compartilhados com um grande número de amantes da Poesia.
Todas estas realizações do Movimentum - Arte e Cultura movimentaram centenas e centenas de pessoas que as acolheram com agrado e carinho.

Com o início das Noites de Poesia em Vermoim em Abril de 1999, o grupo sentiu a necessidade de se alargar. Desde essa altura passamos a contar com a colaboração de António Mandim e poucos meses depois entrava a poetisa e escritora Teresa Gonçalves.
Além de promover mensalmente uma Sessão de Poesia, primeiro no Salão da Residência Paroquial e depois no Salão Nobre da Junta de Freguesia de Vermoim (agora Junta de Freguesia da Cidade da Maia), várias acções culturais foram desenvolvidas pelo Movimentum - Arte e Cultura, nomeadamente lançamentos de livros e de um CD com poemas de Maria Mamede que foram musicados e interpretados pelos Sons do Vento (Ivone Salgado e Bruno Pedro).

O Movimentum - Arte e Cultura deu, ainda, toda a colaboração a Vercultura – Semana Cultural de Vermoim, iniciativa conjunta da Junta de Freguesia e da Paróquia de Vermoim. Foi uma amostra cultural que durou uma semana e que teve a participação do Grupo Coral da Justiça (Sarau na Igreja de Vermoim). No Salão Nobre da Junta, além de sessões de poesia e música, teve lugar uma Exposição Permanente de Artes Plásticas juntamente com uma Mostra de Artesanato.
A Sessão de Fados e Guitarradas de Coimbra que deveria ter decorrido na escadaria da Residência Paroquial foi transferida, devido à forte chuvada dessa noite, para o interior do Salão Nobre da Junta. Mas foi interessante, especialmente pelo acolhimento e o carinho demonstrado pelo público que encheu o Salão e não se cansou de dispensar fortes aplausos ao Grupo de Fados e Guitarradas de Coimbra.
Para terminar esta Semana Cultural nada melhor que a recriação duma Desfolhada Tradicional, com a colaboração do Rancho Folclórico de S. Mamede Infesta que a encenou e fez desfilar pelas ruas de Vermoim os trajes, as canções e os chistes próprios desta festa da lavoura.
Em Uma Noite Recordando Zeca Afonso o público encheu o Fórum da Maia, vibrando e emocionando-se com as interpretações do Grupo Coral da Justiça e Danças e Cantares do Grupo Coral da Justiça.

Levamos, ainda, a Poesia a Gueifães e na Cripta da Igreja desta freguesia estivemos com Zeca e Adriano – dois símbolos de Abril.

Gostaria de lembrar todos os amigos que, ao longo destes anos, acompanharam musicalmente não só as Sessões de Poesia mas também todas as restantes realizações do Movimentum, nomeadamente Carlos Andrade, José Silva, João Teixeira, Ivone e Bruno Pedro (Sons do Vento), Jorge Rodrigues e Rui Covas que se tornaram numa espécie de “cantores residentes”.
Lembro ainda, entre outros, a participação de Maria Teresa Alves Costa, Virgílio Oliveira, Maria João Cameira, José António Gonçalves, Prof. Alexandre Kutsyy, Francisco e João Gusmão, Fernando Fernandes, Fernando Ribeiro, Pedro Sá, alunos e professores da Escola de Música da Filarmonia de Vermoim, Verónica Rodrigues, Tuna do ICM, Manuel Bastos, Manuela Santos, António de Sousa, Ivo Machado e Grupo de Violas e Cavaquinhos da USRM que acompanharam musicalmente as nossas Sessões.

Em 2 de Julho de 2005 foi lançada a I Antologia das “Noites de Poesia em Vermoim – 1999 a 2004, seguindo-se em Julho de 2009 a II Antologia das “Noites de Poesia em Vermoim – 2004 a 2009 e em Julho de 2013 a III Antologia das “Noites de Poesia em Vermoim – 2010 a 2013, livros editados pela Junta da Freguesia da Cidade da Maia e com a selecção e coordenação do Movimentum – Arte e Cultura que “premiaram” o trabalho dos poetas que desfilaram até pelas Noites de Poesia em Vermoim durante todos estes anos.

Lembramos, com saudade, Vítor Correia, Bernardino Encarnação, Alice Barreto, João Homet, Manuel Machado (Pantanero), Castro Reis, Rui Covas, Manuel Gens, Adérito Morais, Dionísio Leitão (Ognid), Paivas Canhão, Dra. Maria da Luz, Eurico Teixeira, nossos companheiros de sempre, que já partiram do nosso convívio:


Movimentum – Arte e Cultura acabou de fazer 23 anos, sem qualquer alarido, sem pompa e circunstância, sem discursos, sem festas…continuamos pé ante pé a calcorrear o nosso caminho, sem pressas, ancorados na vossa companhia e cimentados na vossa amizade. Fizemos muitos amigos e criamos muitas raízes! Conseguimos entusiasmar cada vez mais poetas e músicos, jovens e menos jovens, que trouxemos para o nosso meio…
Se conseguimos fazer passar a mensagem para fora das quatro paredes do Salão Nobre da Junta, isso já é outra história... Mas vinte e três anos é já muito tempo!...mas olhem, sinto que valeu a pena!

Parabéns, Movimentum!


José Gomes
30 de Dezembro de 2016

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Noites de Poesia em Vermoim - 3 de Dezembro de 2016

O tema da próxima Noite de Poesia em Vermoim é NASCIMENTO.


Segue-se o convite. Agradecemos a sua divulgação.
Um abraço,
José Gomes


sábado, 24 de setembro de 2016

terça-feira, 13 de setembro de 2016

domingo, 28 de agosto de 2016

Chuviscos... 100000 visitas

Sem mais comentários agradeço a todos aqueles que visitaram o Blogue Chuviscos. 
Agradeço à Sónia Gomes, de uma maneira muito especial, pelo apoio e ideias que me tem dado.
Um abraço,

José Gomes



quarta-feira, 22 de junho de 2016

S. João no Porto - minhas recordações

O S. João no Porto



O Sagrado


S. João Baptista foi o Santo que anunciou e mais tarde baptizou Jesus Cristo nas águas do rio Jordão, na Palestina. Iconograficamente é representado como um menino com um cordeiro ao colo ou um adulto vestido com uma pele, a baptizar Jesus.

No dia 24 de Junho é comemorado o nascimento de S. João Baptista. A cidade do Porto está intimamente ligada à figura de S. João, mas o santo (ou melhor, um dos santos João) não é o padroeiro da cidade, distinção que foi atribuída há nove séculos a Nossa Senhora da Vandoma). Este dia foi escolhido para feriado municipal na cidade do Porto.
S. João Baptista é o padroeiro das doenças mentais, da amizade, dos comerciantes de vinho, de muitas profissões ligadas às peles e lãs e das diversões.

A origem da Festa de S. João está ligada ao culto do Sol como fonte de vida. Há muitos séculos que a Festa religiosa em homenagem ao S. João foi acompanhada por festividades pagãs, inicialmente combatidas pela Igreja mas depois a mistura do sagrado com o profano foi consentida pela mesma.
Santo Elói, já no século VII, proclamava do seu púlpito aos fiéis que o ouviam: “Eu vos peço... Que na festa de S. João e em outras solenidades dos santos, se não faça uso do solstício; que não se entreguem a danças, a jogos, a corridas, a coros diabólicos…”.

Em 1639, nas Constituições do Bispado de Lamego, na legislação religiosa desta época sobre superstições populares escreveu-se “…pode-se também pôr em exemplo (de superstição) no que se tem introduzido em dia de S. João Baptista, que se colham as ervas e levem a água da fonte para casa, ou se lave a gente e os animais nela, antes do sol nascer, metendo a gente de pouco saber que redunda em honra e louvor do Santo”.

No séc. XIX há referências a três Festas de S. João no Porto: - o de Cedofeita, miguelista; o da Lapa, constitucional e o do Bonfim, republicano.

Os meus pais diziam que pelos anos quarenta: “Nessa época, não havia ainda plásticos, o S. João estava limpo de martelos, o que não significava que essa não fosse a noitada de muitas marteladas… Fazia parte do ritual desta festa, que remonta aos cultos pagãos da fertilidade, a compra do alho-porro inteiro (raiz, folhas, caule e flor) e dependurá-lo na principal parede da casa para dar sorte e afugentar o mau-olhado, ali ficando até ser substituído por outro no ano seguinte".
Foi esta a prática, ainda hoje recordo, na casa dos meus pais até, mais ao menos, à minha adolescência.

Pelo Santo António os moradores dos bairros e das ilhas espalhadas pela cidade ornamentavam terreiros improvisados que eram engalanados e aqui se dançava e cantava pela madrugada fora. Estas quermesses estendiam-se até ao dia de S. Pedro (29 de Junho).

Pela tardinha do dia 23 de Junho (véspera de S. João) saía-se a pé dos bairros e das ilhas em direção às Fontainhas. Pelo caminho comprava-se o alho-porro, vasos de manjerico, ramos de cidreira e de cravos.

A batalha com o alho-porro foi introduzida no S. João depois dos anos quarenta. Até esta altura não era hábito bater com o alho-porro na cabeça das pessoas. Na rua de Santa Catarina, à porta do Grande Hotel, a gerência colocou cadeiras de lona no passeio junto à portaria do hotel para que os hóspedes pudessem assistir à passagem das rusgas e dos foliões que se dirigiam para as Fontainhas, oferecendo a cada um dos hóspedes um alho-porro. As velhotas estrangeiras (atrevidas como sempre!), sentadas à porta do hotel começaram a dar com a flor do alho-porro delicadamente na cabeça dos passantes numa atitude amistosa. E o pessoal gostou!!! Depois começaram a imitá-las e em pouco tempo toda a gente batia com o alho-porro uns nos outros, ou passavam com a flor do alho pelo nariz das raparigas/rapazes, que retribuíam este “cumprimento” com um sorriso ou um chiste. 
Esta batalha campal pacífica, divertida e alegre em breve se estendeu desde a baixa do Porto até às Fontainhas, fazendo da noite de 23 de Junho mais um ícone do S. João do Porto.

O Profano

A relação mágica “terra/céu” assume um papel muito importante na vida das comunidades. A Festa de S. João Baptista, festa do solstício de verão, é a marca do apogeu do curso solar e herda, assim, todos os símbolos que caracterizam uma festa de origem pagã. O culto das pedras, das ervas, da água, das plantas e do fogo há muito que estão integradas na celebração religiosa em honra deste Santo, com benefícios destes elementos no amor, na amizade, na saúde, na felicidade e na beleza.

A Festa de S. João no Porto – nos nossos dias

São João santo bonito,
Bem bonito que ele é.
Com os seus caracóis de oiro,
E seu cordeirinho ao pé.

Não há nenhum assim,
Pelo menos para mim
Nem mesmo São José.

Santo António já se acabou
O São Pedro está-se acabar
São João, São João
Dá cá um balão para eu brincar.
(…)

As Festas da Cidade realizam-se durante o mês de Junho. A noite de 23 para 24 deste mês, na cidade do Porto, é o tempo de todas as folias, a noite menor (é o solstício de Verão) e mais alegre do ano, em que multidões de pessoas vêm para as ruas festejar o S. João.


A cidade vive manifestações de cariz popular, cultural e recreativas, nomeadamente a corrida de São João, bailaricos, fogueiras, quermesses, música, concursos de cascatas, montras e quadras populares e largadas de balões (feitos de papel de cores variadas que são cuidadosamente lançados para o ar, proporcionando um espetáculo de centenas de pontos de luz a correrem pelo céu confundindo-se com as estrelas).

Um pouco por toda a cidade vendem-se manjericos, cravos, erva-cidreira, "alho-porro" e, mais recentemente, os martelinhos de plástico, as “armas” indispensáveis para a “guerra” dos foliões na Noite de S. João.

As fogueiras e as alcachofras




As fogueiras de S. João são ateadas, ainda, em algumas ruas do Porto. Por cima delas saltam, cantam e riem os foliões demonstrando, assim, a sua coragem e a sua crença nas virtudes purificadoras deste fogo na saúde, no casamento e na felicidade.

As fogueiras são acesas nos bairros, nas praças e demais locais de diversão S. Joanina. Os rapazes e as raparigas dançam e cantam à volta das fogueiras. Os mais atrevidos saltam por entre as chamas purificando assim o corpo e a alma.

A história da alcachofra é contada assim: 
As raparigas e os rapazes que quisessem saber se o seu amor era correspondido, chamuscava a flor de alcachofra na fogueira e quando chegassem a casa atiravam-na para o telhado. Se passado alguns dias esta voltasse a florir era então o sinal que o amor era correspondido e que ia dar em casamento”.

O Fogo de artifício


À meia-noite do dia 23 de Junho há o “fogo de S. João”. Este fogo-de-artifício faz com que o povo se concentre na baixa da cidade e na Ribeira. Aqui se juntam-milhares de pessoas em ambas as margens do rio Douro, para assistirem a este espetáculo pleno de luz, cor e som.

A água e as orvalhadas

A água tem uma particular função nesta festa enquanto elemento do Baptismo de Jesus por João Baptista, trazendo consigo semelhanças com os cultos e rituais pagãos. Na sabedoria popular a água dorme todas as noites, excepto na noite de S. João. Nesta noite, acredita-se, que a água das fontes, dos rios e das orvalhadas são mágicas e têm o poder e a força para curar doenças, dar beleza aos jovens e favorecer os amores.


Na Alameda das Fontainhas há uma fonte para onde o povo se desloca na noite de S. João para beber da sua água ou lavar-se nela e assim obter as bênçãos e as suas propriedades mágicas.

Para alguns foliões esta noite só termina na Foz do Douro, com muita gente a rumar em direção ao mar e por aqui esperam, deitados nas areias das praias (alguns deles depois de um banho de mar refrescante…), o Sol nascer.

O alho-porro e o manjerico

As ervas aromáticas, também chamadas “ervas de S. João”, assumem nesta festa uma particular importância, tanto pelos benefícios que se julga trazerem à saúde, como pelas manifestações que se lhes atribui (virtudes mágicas e terapêuticas, resquícios de rituais antigos, derivados das festas romanas e célticas), tornando-as num símbolo do S. João.


O alho-porro, ou “alho de S. João” é usado democraticamente na noite mais longa do ano para “esfregar”, “dar pancadas suaves” ou dar a cheirar a quem passa nas ruas, desejando ao mesmo tempo muita saúde, boa sorte e fortuna.

O manjerico é a erva aromática mais popular nesta festa, comprada em qualquer parte da cidade, quer para decoração, quer para oferta. Os vasos de manjerico são enfeitados com uma bandeirola colorida, presa por um arame, com uma quadra popular alusiva à Festa, ao Santo ou ao povo. Os vasos de manjerico devem ser “cheirados” só com a mão (dizem as más línguas que sempre que se cheira com o nariz, esta planta murcha logo, acabando por morrer).

Os martelinhos de S. João


Os “martelinhos de S. João”, de cores vivas, tamanhos e formas variadas, são uma das “armas” mais recentes do arsenal de S. João. Vendem-se por toda a cidade, ao lado dos tradicionais manjericos, cravos, erva-cidreira e “alho-porro”. Servem para “bater” nas cabeças dos passantes, numa espécie de saudação, sem que esta demonstração provoque qualquer incómodo (só quando batem com demasiada força!), apenas o riso, um cumprimento e um agradecimento…

(O martelo de S. João foi inventado em 1963. Tem o aspecto de um fole ao qual se adicionou um apito e um cabo dando-lhe assim a forma de um martelo. Foi encomendado por estudantes e testado na queima das fitas desse ano. Foi um sucesso a utilização destes instrumentos na Queima das Fitas e um sucesso de tal ordem que os comerciantes do Porto abastecerem-se de martelinhos para a festa de S. João onde foram adoptados por todos os foliões.

Ao fim de 6 anos de utilização dos martelinhos o Vereador da Cultura e o Presidente da Câmara do Porto decretaram que estes brinquedos ia contra a tradição do S. João e queixaram-se ao Governador Civil do Porto que veio a proibir a venda destes martelos. Quem fosse apanhado com martelinhos na noite de S. João seria multado em 70$00 (muito dinheiro para a época!), e mandaram retirá-los das lojas onde eram vendidos.

O povo do Porto não acatou esta ordem e continuou a usar o martelo nos seus festejos populares, principalmente no S. João. A partir de 1973 os martelinhos de plástico voltaram a ser vendidos livremente tornando-se assim tradição popular não só no S. João do Porto, como no S. João de Braga, Vila do Conde, no Carnaval, nas Passagens de ano, etc.).

 As cascatas


As Cascatas e os Presépios estão relacionados com os solstícios de Verão e de Inverno. A água, elemento imprescindível das cascatas sanjoaninas e a imagem de S. João Baptista a baptizar Jesus, são os elementos centrais do conjunto, cujo cuidado na sua construção nos mostra a devoção dos portuenses ao seu Santo. Algumas cascatas são verdadeiras obras de arte e imaginação. Na sua construção aparecem verdadeiras aldeias com casas minúsculas e caminhos traçados com areia, pedras e musgos, fazendo a reconstituição de lugares da cidade, costumes e ofícios de outros tempos.

As figuras de barro pintadas com cores vivas, são verdadeiras obras de arte popular criadas pelos mascateiros (vendedores ambulantes) que representam as pessoas no seu dia-a-dia, trabalhando nas suas profissões (muitas delas já desaparecidas) e vários animais.

Algumas das cascatas são enfeitadas com luzes de várias cores, com folhagens e pelas verduras, algumas delas com movimento. Variam de tamanho, obedecendo à imaginação de quem as constrói.

As crianças, com as suas modestas cascatas e os seus “santinhos” na mão pedem: “um tostãozinho para o S. João!” (diziam! Mais recentemente ouço-as a pedir “um euro para o S. João”…a evolução e actualização da moeda actual!).

As cascatas mais conhecidas que ainda hoje subsistem, são as da Alameda das Fontainhas, local de romaria e oração, a cascata frente aos Paços do Concelho, da iniciativa da Câmara Municipal do Porto e ainda algumas bem interessantes espalhadas um pouco por toda a cidade e arredores, nomeadamente em Vermoim, S. Mamede Infesta, Vila Nova Gaia, Braga, etc.

A gastronomia


Na noite da Festa ou no dia de S. João come-se caldo verde com broa, carneiro, anho, um bom vinho, sardinha assada, salada de pimentos e, como sobremesa, leite-creme.

A origem desta tradição é pouco precisa. Há quem diga que o uso do anho ou do cabrito se deve à presença deste animal nas imagens de S. João, numa alusão ao cordeiro de Deus.

A sardinha foi introduzida há já bastantes anos nesta tradição dos Santos Populares por ser mais barata e muito abundante nesta altura do ano. (ultimamente este petisco passou a ser um verdadeiro artigo de luxo e vendido como tal!).

Recentemente está a ser recuperada a tradição do “Bolo de S. João” (lembro-me que, por esta altura, em casa dos meus pais, tinhamos no dia de S. João esta iguaria na nossa mesa), que desapareceu por volta dos anos 50.
A receita oficial deste bolo (que faz lembrar o “bolo-rei” mas menos doce e com mais frutos secos) leva farinha, fermento, frutas cristalizadas, nozes, amêndoas, licor, rum, cognac a gosto e leite para amassar.
É acompanhado com Vinho do Porto.




Recordações da minha infância e pesquisas na Net.
Fotos nossas (Milú, Sónia e José Gomes) e da Net.
Algumas notas do Gaspar Martins.


José Gomes - Junho 2016

domingo, 5 de junho de 2016

Quantas Cores Tem o Amor - apresentação deste livro na Biblioteca da Maia

Ontem, dia 4 de Junho 2016 (por acaso aniversário da Maria Mamede - até teve direito a que lhe cantassem os parabéns!), foi a apresentação na Biblioteca da Maia do seu mais recente livro de Poesia, que foi ilustrado pelo pintor Vítor Hugo de Freitas.

Segue o desenvolvimento da Sessão e no fim os vídeos da actuação de Aswin Barros:






Aswin Barros - Amazing Grace

Aswin Barros - My Voice

Aswin Barros - Saving all my love for you

Aswin Barros - I wanna dance with somebody

Aswin Barros - Happy Birthday

Aswin Barros - Colours of my life

Um grande abraço,
Obrigado a todos os participantes e a todos os amigos que apareceram ou que tiveram o cuidado de telefonar ou deixar uma mensagem.

Um abraço,
José Gomes


terça-feira, 31 de maio de 2016

Apresentação na Maia do livro "Quantas Cores tem o AMOR?"

Sábado, 4 de Junho 2016, a Maria Mamede vai apresentar, na Biblioteca Municipal da Maia, o seu mais recente livro de poesia.
Segue o convite:

Um abraço,
José Gomes

sexta-feira, 22 de abril de 2016

42º Aniversário do 25 de Abril

(…) De tudo o que Abril abriu
ainda pouco se disse
um menino que sorriu
uma porta que se abrisse
um fruto que se expandiu
um pão que se repartisse
um capitão que seguiu
o que a história lhe predisse (…)

Excerto de “As Portas que Abril Abriu

Poema de José Carlos Ary dos Santos


Esta é a minha maneira de homenagear esta data e as pessoas que a tornaram possível.


Um abraço,
José Gomes

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Parabéns "Noites de Poesia em Vermoim"!



Em 9 de Abril de 1999 o Movimentum - Arte e Cultura, a convite da Junta de Freguesia de Vermoim deu início às "Noites de Poesia em Vermoim”… e já lá vão 17 anos.
Parabéns a todos nós!

Um abraço,
José Gomes

sexta-feira, 18 de março de 2016

17º Aniversário das "Noites de Poesia em Vermoim"

Passo a passo vai-se fazendo a CAMINHADA.
Parabéns ao Movimentum, à Junta de Freguesia da Cidade da Maia e aos Poetas e Amigos que nos têm acompanhado nestes 17 anos...
Um abraço,
José Gomes

Vejam este vídeo em écran inteiro... e liguem o som!

segunda-feira, 7 de março de 2016

domingo, 6 de março de 2016

"Noites de Poesia em Vermoim" - a reportagem


Mais um primeiro sábado do mês, mais uma "Noite de Poesia em Vermoim" no salão nobre da Junta de Freguesia da Cidade da Maia.
Esta noite a Maia esteve em grande. Uma cidade com imensos eventos:
  • Centenas de atletas de todo o mundo trouxeram rigor e beleza ao Complexo Municipal da Maia;
  • Um concerto de música com os Trabalhadores do Comércio no Fórum da Maia;
  • Um concerto no Fórum Jovem da Maia;
  • O Grupo de Teatro Pé no Charco em actuação em Gondomar:
  • E, claro, as Noites de Poesia em Vermoim aqui, na Cidade da Maia.
Pois, já podemos classificar a MAIA como a Cidade do Desporto, das Artes e do Espectáculo.


A mesa, como habitualmente, foi composta pelos habituais do "costume": José Gomes, Maria Mamede, Mário Jorge e Dra. Olga Freire ("desaparecida" na fotografia pois foi ela a fotógrafa de serviço...).

Maria Mamede abriu a sessão com a leitura de um poema enviado pela poetisa Fernanda Maia, ausente por motivo de doença. Seguiu-se a leitura dos poemas pelos poetas Leonel Olhero, Carla Sofia Caldas, Pedro Cabral, Teresa Vaz, Jaime Gonçalves, Inocêncio Vidal (que continua doente mas que foi recordado com um seu poema por Jaime Gonçalves), Verónica Rodrigues, Margarida Rodrigues (irmã da Verónica que com 5 anitos nos brindou com dois bonitos poemas), José Gomes, Manuela Miguéns, Marília Teixeira (que nos recordou a data do falecimento - 5 de Março de 1984 - do poeta Pedro Homem de Mello, com dois poemas deste autor) e Maria Mamede.

Na rubrica "Poesia na Net" foram lidos poemas dos poetas Fernanda Maia, José Oliveira Ribeiro, José Carlos Moutinho e João Diogo.



Foi uma Noite, também, de música e canto e, porque não, de encanto?



1 - Grupo de guitarras da Escola da Filarmonia de Vermoim, composto por Marta Guedes (17 anos), António Guerra (14 anos), Mariana Pereira (12 anos) e o Prof. Paulo Oliveira que interpretaram:
  • Three Pieces from the Mulliner Book
  • Pink Floid
  • Foi Feitiço, de André Sardet, na voz de Maria França Ferreira, de 10 anos.


2 - Uma peça executada pela Verónica Rodrigues (Piano) e José Alexandre Tedim (Violoncelo):
  • Outono Portenho de Astor Piazzolla.


3 - Um delicioso momento musical interpretado pela Maria França Ferreira e Verónica Rodrigues, acompanhadas ao Piano, com a peça :
  • Gatos de Rossini.
E assim se passou um agradável serão nesta boa companhia.

Voltaremos no dia 2 de Abril de 2016 e o tema proposto é ESPERAMOS UM NOVO ABRIL.

E já agora, vamos pensar em alguma coisa para se festejar os 17 anos destas "Noites de Poesia em Vermoim" (Abril de 1999).

Um abraço, e até lá!
José Gomes