domingo, 4 de outubro de 2015

António Gomes Leal - NPVermoim - 3 Outubro 2015

António Gomes Leal - Poeta


António Duarte Gomes Leal (6 Junho 1848 / 29 Janeiro 1921) foi um poeta, jornalista e crítico literário português.


Nasceu em Lisboa, filho natural de João António Gomes Leal, funcionário da Alfândega, e de Henriqueta Alves Cabral Leal.

Frequentou o Curso Superior de Letras, mas não o concluiu, empregando-se como escrevente de um notário de Lisboa. Durante a sua juventude assumiu-se como poeta boémio e janota, mas com a morte da sua mãe, em 1910, caiu na pobreza. Vivia da caridade alheia, chegando a passar fome e a dormir ao relento, em bancos de jardim, tendo uma vez sido brutalmente agredido. No final da vida, Teixeira de Pascoaes e outros escritores lançaram um apelo público para que o Estado lhe atribuísse uma pensão, o que foi conseguido, apesar de diminuta.

Foi um dos fundadores dos jornais "O Espectro de Juvenal" (1872) e “ O Século” (1881), tendo colaborado também em vários outros jornais e revistas da época. 

A sua obra insere-se nas correntes ultra romântica, parnasiana, simbolista e decadentista.


Carta ao Mar

Deixa escrever-te, verde mar antigo,
Largo Oceano, velho deus limoso,
Coração sempre lyrico, choroso,
E terno visionario, meu amigo!

Das bandas do poente lamentoso
Quando o vermelho sol vae ter comtigo,
- Nada é mais grande, nobre e doloroso,
Do que tu, - vasto e humido jazigo!

Nada é mais triste, tragico e profundo!
Ninguem te vence ou te venceu no mundo!...
Mas tambem, quem te poude consollar?!

Tu és Força, Arte, Amor, por excellencia!
E, comtudo, ouve-o aqui, em confidencia;
A Musica é mais triste inda que o Mar!

António Gomes Leal, in 'Claridades do Sul' 




Pesquisa: José Gomes

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