terça-feira, 23 de junho de 2015

Na passada sexta feira (19 de Junho de 2015) fui à habitual Noite de Poesia do Flor de Infesta. De tarde, a Irene, responsável por este Sarau, pediu-me um trabalho sobre Virgínia Moura, uma vez que nesta noite seria inaugurada, no Grupo Dramático e Musical Flor de Infesta, uma Exposição Evocativa Do Centenário do Nascimento de Virgínia Moura.

Foi este o trabalho que preparei para essa noite:



                              VIRGÍNIA MOURA – 1915-1998

Virgínia Moura nasceu em 19 de Julho de 1915 na freguesia de S. Martinho do Conde, em Guimarães.
Com 15 anos de idade participou numa greve estudantil, na Póvoa de Varzim, em protesto contra o assassinato, pela polícia, de um jovem estudante.

Três anos depois deste episódio ligou-se ao Partido Comunista Português, ao integrar o Socorro Vermelho (uma organização de apoio aos presos políticos portugueses e espanhóis). Foi aqui que conheceu o seu companheiro António Lobão Vital, estudante de Arquitetura, com quem viveu durante 42 anos.

Virgínia Moura foi uma das primeiras mulheres a tirar o curso de Engenharia Civil (1943-1948) em Portugal e a segunda licenciada pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.

Foi-lhe negado o acesso à Função Pública, pois as autoridades de então não lhe perdoaram o facto de ela ser uma reconhecida activista antifascista.

Tirou o curso de Matemáticas na Faculdade de Coimbra e de Letras na Faculdade de Letras do Porto.
Na cidade do Porto, durante os anos 40 e 50, desenvolveu grande atividade cultural. Sob o pseudónimo de Maria Selma colaborou em diversas publicações periódicas, promoveu a Revista Sol Nascente e organizou conferências que contaram com a participação de intelectuais como Teixeira de Pascoaes, Maria Lamas e Maria Isabel Aboim Inglês.

Participou intensa, firme e corajosamente em actividades políticas contra o regime fascista. Destacou-se, em 1949, com a sua participação e empenhamento no comício de apoio à candidatura de Norton de Matos à presidência da República. Neste mesmo ano foi julgada por "traição à Pátria" e em 1951, por ter assinado uma declaração que exigia a Salazar negociações com o governo indiano relativamente a Goa, Damão e Diu.

Esteve ligada à candidatura de Humberto Delgado, às movimentações populares estudantis de 1962 e aos congressos da oposição democrática de Aveiro (1969 e 1973). Foi presa dezasseis vezes pela PIDE (a primeira das quais em 1949), nove vezes foi processada, três vezes condenada e foi várias vezes agredida pela polícia em actos públicos.
Integrou o Movimento da Unidade Antifascista, o Movimento da Unidade Democrática Juvenil, o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas e o Movimento Nacional Democrático.

Depois o 25 de Abril de 1974 manteve a sua atividade política como militante do PCP e continuou a luta em defesa e consolidação do regime democrático.

Com o 25 de Abril veio o reconhecimento público da sua ação cívica. Foi agraciada com a Ordem da Liberdade e com a Medalha de Honra da Câmara Municipal do Porto e do Movimento Democrático de Mulheres.

Em 1998, com 82 anos de idade, visitou Cuba.

A 19 de Abril de 1998 faleceu no Porto. Ao funeral da “Passionária Portuguesa”, como era conhecida na Oposição, comparecerem milhares de pessoas, entre as quais o então Secretário-geral do Partido Comunista Português, Carlos Carvalhas, e o dirigente da Intervenção Democrática, Raul de Castro, seu amigo de longa data, que usaram da palavra para lhe prestar uma última homenagem.

Esta é a minha homenagem, recordando Virgínia de Moura, como Mulher e grande Lutadora, neste ano em que se celebra o 100º aniversário do seu nascimento.

José Gomes
Flor de Infesta – 19 de Junho de 2015-06-22
(Consulta do livro “Virgínia Moura, mulher de Abril – Álbum de Memórias” – Edições Avante).

Na passagem do 100º aniversário do nascimento de Virgínia de Moura está a decorrer, no Grupo Dramático e Musical Flor de Infesta, em S. Mamede de Infesta (de 19 de Junho a 4 de Julho 2015), uma exposição evocativa do centenário de Virgínia de Moura.



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