sábado, 19 de outubro de 2013

Che vive... a luta continua


1967:

Che Guevara morreu no dia 9 de Outubro de 1967 na aldeia boliviana de Higueras. Foi assassinado, com apenas 39 anos de idade, por "Boinas Verdes Quíchuas", tropa de elite do exército boliviano, treinada pelos Estados Unidos especialmente para esse fim. 

Che Guevara morreu como queria, lutando por um ideal que considerava justo.



Dois anos antes, em Outubro de 1965, Fidel de Castro leu a carta que Che Guevara escrevera:


A Fidel de Castro
Havana. “Ano da Agricultura”

Fidel,

Neste momento lembro-me de muitas coisas – de quando te conheci no México, em casa da Maria Antónia, de quando me propuseste juntar-me a ti; de todas as tensões causadas pelos preparativos...

Um dia vieram perguntar-me quem deveriam avisar em caso de morte, e a possibilidade real deste facto afectou todos nós. Mais tarde soubemos que era verdade, que numa revolução ou se vence ou se morre (se a revolução for autêntica). E muitos companheiros ficaram-se pelo caminho em direcção à vitória...

Hoje, tudo tem um tom menos dramático, porque estamos mais maduros. Mas os factos repetem-se.
Sinto que cumpri com a parte do meu dever que me prendia à Revolução Cubana no seu território e despeço-me de ti, dos camaradas, do teu povo, que agora é meu.

Renuncio formalmente aos meus cargos no Partido, ao meu lugar de ministro, à minha patente de Comandante e à minha cidadania cubana. Legalmente nada me liga a Cuba, apenas laços de outro tipo, que não se podem quebrar com nomeações.

Fazendo o balanço da minha vida passada, acho que trabalhei com suficiente integridade e dedicação para consolidar o triunfo revolucionário. A minha única falha grave foi não ter tido mais confiança em ti desde os primeiros momentos da Sierra Maestra não ter compreendido com a devida rapidez as tuas qualidades de líder revolucionário.

Vivi dias magníficos e, ao teu lado, senti o orgulho de pertencer ao nosso povo nos dias brilhantes, embora tristes, da crise do Caribe (a questão dos mísseis soviéticos em Cuba). Raramente um estadista fez mais do que tu naqueles dias; orgulho-me também de te ter seguido sem vacilar, identificando-me com a tua maneira de pensar, de ver e avaliar os perigos e os princípios.

Outras terras do mundo requerem os meus modestos esforços. Eu posso fazer aquilo que te é vedado devido à tua responsabilidade à frente de Cuba, e chegou a hora de nos separarmos.

Quero que se saiba que o faço com um misto de alegria e pena. Deixo aqui as minhas mais puras esperanças de construtor e os meus entes mais queridos. E deixo um povo que me recebeu como um filho. Isso fere uma parte do meu espírito.

Carrego para novas frentes de batalha a fé que me ensinaste, o espírito revolucionário do meu povo; a sensação de cumprir com o mais sagrado dos deveres: lutar contra o imperialismo onde quer que esteja. Isso consola-me e mais do que isso cura as feridas mais profundas.

Declaro uma vez mais que liberto Cuba de qualquer responsabilidade, a não ser aquela que provém do seu exemplo. Se chegar a minha hora debaixo de outros céus, o meu último pensamento será para o povo e especialmente para ti, a quem digo obrigado pelos teus ensinamentos e pelo teu exemplo, aos quais tentarei ser fiel até às últimas consequências dos meus actos; que estive sempre identificado com a política externa da nossa revolução e assim continuarei; que onde quer que me encontre sentirei a responsabilidade de ser revolucionário cubano, e como tal actuarei.

Não lamento por nada deixar, nada material, para os meus filhos e para a minha mulher. Estou feliz que seja assim. Não peço nada para eles, pois o Estado lhes dará o suficiente para viver e se educarem.

Teria muitas coisas a dizer-te e ao nosso povo, mas sinto que não são necessárias palavras elas não podem expressar o que eu desejaria; não vale a pena rabiscar apressadamente mais qualquer coisa num bloco de notas.

Até à vitória sempre! Pátria ou morte!
(Hasta la victoria siempre! Pátria o muerte!)

Abraço-te com todo o meu fervor revolucionário.

Che”


1997:

Trinta anos depois do assassinato de Che Guevara, os seus restos mortais foram descobertos numa vala comum na cidade de Vallegrande, na Bolívia, por antropólogos argentinos e cubanos.

Em 17 de Outubro de 1997, Che Guevara foi enterrado com pompa na cidade cubana de Santa Clara (onde liderou uma batalha decisiva para o derrube de Fulgêncio Baptista), com a presença da família e de Fidel de Castro. 

Embora os seus ideais sejam românticos aos olhos de um mundo globalizado, ele transformou-se num símbolo na história das revoluções do século XX e num exemplo de coerência política. 

A sua morte determinou o nascimento de um mito, até hoje símbolo de resistência especialmente para os países latino-americanos e mais recentemente na juventude  dos nossos dias.

Pesquisa, tradução 
José Gomes

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