domingo, 16 de junho de 2013

Vasco Gonçalves

Hoje, 16 de Junho de 2013, aqui lembro Vasco Gonçalves. Por dificuldades várias não consegui postar no aniversário da sua morte e assim lembrá-lo.


Vasco Gonçalves


O General Vasco Gonçalves nasceu a 3 de Maio de 1921 em Lisboa e faleceu no Algarve, a 11 de Junho de 2005

Apareceu no Movimento dos Capitães na reunião alargada da Comissão Coordenadora que se efectuou na Costa da Caparica.

Integrou a Comissão de Redacção do Programa do Movimento das Forças Armadas, sendo o elemento de ligação com o General Costa Gomes.

Foi membro da Comissão Coordenadora do MFA e mais tarde primeiro-ministro dos II, III, IV e V governos provisórios.

Durante o seu governo iniciou-se a reforma agrária, criaram-se as condições para as nacionalizações dos principais meios de produção privados (bancos, seguros, transportes públicos…), foi estabelecido o salário mínimo, o subsídio de férias e o subsídio de Natal

Vasco Gonçalves tinha 52 anos quando a Revolução irrompeu. Por ela havia esperado e para ela se havia preparado. Foi a maior alegria da sua vida «participar no 25 de Abril e viver aqueles momentos como primeiro-ministro»
“ (…)
Mas a História não se desenvolve às avessas, como se o passado pudesse ser determinado a partir do futuro. A inviabilidade da Revolução Portuguesa numa Europa da qual a URSS desapareceu não pode servir de justificação política à contra-revolução.
Para quantos se situam na perspectiva de Vasco Gonçalves — entre eles me incluo — a Revolução Portuguesa foi uma revolução assassinada. Assim a devemos tentar compreender, contemplada deste início do século XXI, quando alguns dos principais responsáveis civis pela contra-revolução, pequenos políticos caricaturais, se pavoneiam pelo mundo mascarados de campeões da democracia.
No inverno da vida, Vasco Gonçalves está consciente de que «as maiores conquistas que o povo português alcançou ao longo dos seus oito séculos de história, se verificaram em 74-75 e nelas desempenharam um papel fundamental os militares do MFA».
O projecto revolucionário, como o concebera, não se concretizou. Mas não há calúnia nem agressão à história que possa apagar o significado da participação decisiva na Revolução de Vasco Gonçalves, cidadão, soldado e patriota.
Ele foi com Álvaro Cunhal um dos grandes portugueses do século XX.
(última parte do artigo “Vasco Gonçalves – O general do povo que fez história”, da autoria de Miguel Urbano Rodrigues, sobre o livro “Vasco Gonçalves – Um General na revolução”, entrevista de Maria Manuela Cruzeiro).


Aproveito um extrato da última entrevista que deu a Viriato Teles (transcrita em “Resistir”) e assim lembrar este grande vulto da nossa História recente:

 (...)

VT: – Se pudesse voltar atrás, o que é que fazia de diferente? Alguma vez se arrependeu?

VG: – Penso que nas suas linhas gerais, definidoras, o ordenamento constitucional de 1976, que consagra as conquistas democráticas alcançadas no período mais criador da revolução, era correcto. Foi a falta do seu cumprimento, a política deliberadamente destruidora desse ordenamento, coberta por sucessivas revisões constitucionais que conduziu à situação actual. Mas devemos reconhecer que não houve base de apoio social e político para garantir o cumprimento do ordenamento constitucional, o que tem permitido as sucessivas revisões constitucionais que alteraram, profundamente, a organização económico-social institucionalizada na Constituição de 1976. Nas suas linhas mestras, definidoras, não voltaria portanto, atrás em matéria de conquistas democráticas e revolucionárias.

VT: – No seu discurso de tomada de posse como primeiro-ministro, em 74, citou Almeida Garrett, dizendo que a liberdade só se aprende com a prática. O que lhe ensinou a prática da liberdade?

VG: – A liberdade não se define ou não se consubstancia, apenas, nos direitos políticos, no direito de poder falar livremente, no direito de opinar e contestar ou de se organizar colectivamente sem ser preso. A liberdade não existe de per si. São necessárias estruturas políticas, económicas, sociais, culturais que garantam o exercício das liberdades consagradas na Constituição. O desemprego, a miséria, a fome, a falta de instrução, a falta de habitação, as relações sociais de exploração são contrários ao exercício livre da liberdade. Porque a liberdade não diz respeito, apenas, à liberdade política. Mesmo esta tem condicionamentos económicos e sociais, culturais e até, ambientais. Por exemplo, o novo código de trabalho, as novas leis aprovadas em 2004 nos domínios da segurança social, da saúde, da educação, do arrendamento urbano, limitam claramente as condições de vida das pessoas, a sua formação e independência material e espiritual, a sua formação cultural, o acesso à justiça social. Têm uma influência decisiva sobre a igualdade de oportunidades, condição indispensável para o exercício das liberdades. Outro exemplo: o domínio dos meios de comunicação social de maior difusão pelo sistema do capital. A desinformação deliberada influencia negativamente a formação cultural, a formação da consciência social e política dos cidadãos, e, consequentemente, o exercício do direito à liberdade.

Até sempre, Camarada Vasco.

José Gomes



1 comentário:

  1. Querido amigo,
    Gostei de ler.
    Os bons devem de ser sempre recordados, para que possamos entender com sentido o verdadeiro valor da liberdade, da igualdade, da justiça, que muitos usurparam em prol de pretensões pessoais, descaradas, corruptas e desumanizadas.
    Bji

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