sábado, 20 de abril de 2013

Os "amanuences" da troika

Ontem, na Noite de Poesia no Flor de Infesta, fomos "brindados" com este poema da Helena Guimarães, dito na maneira característica da autora, e que eu não resisto de deixar aqui, com uns bonecos tirados de Net.
A Helena que me perdoe esta ousadia... mes este poema tem de ser partilhado!





Os “Amanuenses” da Troika

Chegam sempre lá de longe
parecem os três Reis Magos.
Não sabemos se são gagos,
nunca lhes ouvimos um pio.
Não trazem ouro nem mirra,
apenas cara de ”birra”,
mas são incensados cá.
Eles são nosso desdouro!
O Baltazar escurinho,
da Etiópia oriundo,
é quem comanda a viagem,
o roubo e a agiotagem
este sacar, sacar sem fundo.
No Ritz instalado esquece
o famélico povo seu.
Trás com ele o Melchior
com a careca a brilhar,
que vem do norte nevado
e nos chama mandriões.
Ao lado, em passo alargado
o teutónico Gaspar,
que tem por cá um homónimo
que passa a vida enganado.
E dão-se ares de mandões!
Estes três Reis dos mercados
que de Magos nada têm,
são os amanuenses da Troika
que nos couberam em sorte,
os leva-e-trás de Bruxelas
sem poderes, enfim, coitados,
a quem, nas reuniões secretas,
este regime em desnorte
de tal maneira se curva
que até rasga as cuecas.


Helena Guimarães




Um abraço,
José Gomes



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