domingo, 24 de março de 2013

Lançamento do livro SENSUALIDADES - Maria Mamede


Em 23 de Março 2013, no Sindicato dos Bancários do Norte, na Rua Cândido dos Reis, 100, Porto, a Maria Mamede apresentou o seu mais recente livro de poesia a que chamou SENSUALIDADES.


A Sessão decorreu com palavras da mesa - constituída por José Gomes (moderador), Ana Ribeiro (direcção do SBN), Maria Mamede (autora do livro a ser lançado), Dra. Conceição Lima (autora do prefácio e apresentadora da obra) e Jorge Castelo Branco (Editora Versbrava).


   

Perante uma auditório cheio de admiradores e amigos da Maria Mamede, Ana Ribeiro da direcção do SBN saudou, em seu nome e no de César Campos presente nesta sala, os presentes e a autora, mostrando o interesse que o Sindicato dos Bancários do Norte tem na colaboração com os seus associados nestas acções de cultura.

Seguiu-se a intervenção do editor Jorge Castelo Branco, editor e representante da editora Versbrava, que mostrou como está apostado na divulgação das obras dos novos autores e traçou o seu percurso na vida literária da poetisa Maria Mamede.

A Dra. Conceição Lima, coordenadora do programa Hora da Poesia na Rádio Vizela e dos Saraus de Poesia na Biblioteca da Fundação Jorge Araújo em Vizela e autora do prefácio deste livro (ver na parte final deste artigo)fez a apresentação da autora, da sua obra e da empatia que rapidamente se gerou entre as duas graças ao amor pela poesia e aos trabalhos da Maria Mamede.

Maria Mamede agradeceu a todos os intervenientes nesta sessão de lançamento do seu livro SENSUALIDADES.


Domingos Azevedo, da Orquestra do Grupo Dramático e Musical Flor de Infesta, animou, ao piano, esta tarde de poesia com músicas do nosso tempo.

Maria Mamede e Conceição Lima declamaram poemas do livro SENSUALIDADES.

José Gomes deu por terminada esta Sessão de Poesia agradecendo o carinho com que o SBN, nas pessoas da Ana Ribeiro e do César Campos, acolheu todos os presentes; a amizade e a sensibilidade com que a Dra. Conceição Lima acolheu este livro e a autora; à editora, na pessoa do Jorge Castelo Branco, na sua constante aposta na divulgação da cultura escrita e pela amizade com que nos tem acarinhado; à Maria Mamede agradeceu este livro... e que venham mais cinco!!! (disse!): a todos os presentes um obrigado muito especial por acarinharem mais esta criação da Maria Mamede.



Seguiu-se a habitual sessão de autógrafos, terminando esta tarde de poesia com um "miminho" oferecido pelo Sindicato dos Bancários do Norte.


Prefácio da Dra. Conceição Lima:

O NOSSO “pássaro azul”, que se “alimenta de esperanças e sonhos”, até agora “encolhidinho no peito”, arrisca novo voo, ousa partir em busca de outra luz!
Não lhe faltavam as asas, o fôlego, mas tão-somente, a dose de arrojo que lhe permitissem sair do conforto de um ninho seguro, para ousar novas paragens! Quem conhece a sua obra, estava à espera deste corolário natural e desejado… SENSUALIDADES vem cumprir a promessa: a liberdade de “cantar” o corpo, o sol de Agosto, a inquietação das esperas, a insegurança das noites vazias, onde o desejo se expõe na solidão de lençóis frios...
Na sua obra há tanto afago, tanta doçura, tanta tranquilidade, que não esperávamos “torrentes”. Nada mais errado: a leitura, atenta, de todo o seu longo trabalho anterior, não nega esse olhar, mas leva-nos a outro cais, para outro desembarque: a paixão sempre esteve lá, a paixão está lá!
O corpo, (”serra”, “cume”), o desejo (“lava”, “fonte”), a volúpia, (“chama”, “sol de Agosto”) escorrem lânguidos, em versos contidos, mas, inundam, alagam, lenta mas completa e profundamente… Os seus poemas, ora nos levam na fúria de tornado, nas torrentes de lava, ora nos embalam sob o arco-íris ou à luz do ocaso… Nascem, no silêncio consentido e / ou opressivo de memórias nítidas ou diluídas; vigorosas ou fugidias, memórias de caminhos vividos ou desejados…

Não há raiva, não há angústia, não há a embirrenta auto–complacência… há percurso feito, vida vivida, intensamente vivida, maduramente explorada… É uma poesia apetecível, condimentada, saborosa, onde a palavra, sem enfeites, só se transporta a si mesma, carregando apenas a sua própria simbologia.
Esse, o segredo de quem subjuga as palavras: da palavra depurada, burilada, limpa, surgem a força, o sobressalto, a perplexidade, a expectativa, meandros ternos e / ou amargos da paixão.
 “Lavro e semeio neste chão que sou, preparando a colheita”. Espalhou, no nosso chão, SENSUALIDADES...

Saibamos colher e saborear os seus frutos!


Um abraço,
José Gomes

terça-feira, 5 de março de 2013

Avenida dos Aliados, em 2 de Março 2013
                                                                     Manifestação "Que se lixe a troika"
                                                FOTOGRAFIA DE PAULO DUARTE (AP) - Publicada em El País


Quero agradecer à Helena Guimarães este seu poema que, penso eu, ilustra a mensagem da fotografia acima.



      ERAM MILHARES

Eram milhares, na tarde soalheira
caminhando, tristes, pela calçada
a escrever nas pedras a canseira
de uma Nação amordaçada.

Eram milhares em onda de protesto,
em mar a rua transformada
a descrever a dor e a raiva em gesto
qual procissão desesperada.

Eram milhares em lenta cadência
Palmas sincopadas, lábios deslaçados
numa “Grândola” de advertência
aos poderes e grupos instalados

Eram milhares, Senhores, eram milhares
e de nada, mas de nada, vos adianta
mostrarem-se surdos aos cantares
de um Povo que na rua se agiganta.

Eram milhares, caminhando pelas rua,
inocentes vítimas da insensibilidade,
gastos pela austeridade crua
a exigir de novo a Liberdade!

Maria Helena Guimarães


Obrigado, Helena Guimarães por mais este Hino à Liberdade.

Um abraço,
José Gomes