quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Centenário de Álvaro Cunhal - G. D. M. Flor de Infesta



Estamos a dois dias do encerramento desta iniciativa do Grupo Dramático e Musical Flor de Infesta.

Vamos fazer uma "forcinha" para encher por completo o Auditório do Flor de Infesta.

Então, até sexta e sábado.

Um abraço,

José Gomes


quarta-feira, 20 de novembro de 2013

No Horizonte da Utopia
Fantocheiro – Grupo de Teatro

Esta sexta-feira, 22 de novembro, às 21h30 horas
no Auditório do G. D. M. Flor de Infesta


(…) Portanto, a melhor maneira que encontramos de homenagear Cunhal foi construir um espetáculo em que dizemos! Mas também dançamos!
E cantamos! Ao vivo, em cena, sem artifícios nem rede, de encontro à essência do teatro! Nele, poesia e música entrelaçam-se e interpelam-se,
num namoro que tem tanto de encantatório como de emancipação. Este é um espetáculo multidisciplinar que homenageia, também, a palavra
(falada e cantada) e que recorre à expressão corporal, ao movimento dramático, ao canto, fotografia e cinema de animação. Escolhemos palavras
para dizer, que são ditas de forma apelativa e determinam a cadência coreográfica das propostas musicais. As notas musicais, que também são
palavras, respiram uma atmosfera utópica, por isso mesmo necessária e exigente.

Estamos na cidade da utopia, na cidade sem muros nem ameias onde se ouve, ao longe, cantores que denunciam a corja, recusam os vampiros,
relembram os que lutaram e os que tombaram pela liberdade e anunciam rumores de um coro em primavera. Sim, estamos em Abril. Nesta cidade
cabem todos os que vierem por bem, porque ela foi desenhada pelo poeta, o obreiro ou, se quiserem, o operário da palavra. Esse ser que é maior do
que os homens, guardador de sentimentos e criador de emoções. Esse fingidor que é, afinal, o verso do seu próprio poema.

É por aqui que vamos, sabendo que no horizonte, a utopia não é um lugar, mas uma direção. Não é um destino, mas um sentido que dá existência à vida!
O mesmo sentido que Cunhal tanto perseguiu para este povo! (…)

(in Programa a ser distribuído à entrada deste espectáculo).


APAREÇAM!  Ajudem a divulgar este evento.

Um abraço,

José Gomes


sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Comemoração do Centenário de Nascimento de Álvaro Cunhal

Na próxima sexta feira, dia 15 de Novembro de 2013, o Grupo Dramático e Musical Flor de Infesta vai começar com as Sessões Culturais Evocativas do Centenário do Nascimento de Álvaro Cunhal.

E vai começar com as habituais sessões de Poesia, com os temas:


Saudade
Homenagem a Álvaro Cunhal


A seguir  inserimos o convite para estas Sessões.

Agradecemos que apareçam e nos ajudem a divulgar esta iniciativa do Flor de Infesta.



Um abraço,
José Gomes




sábado, 19 de outubro de 2013

Che vive... a luta continua


1967:

Che Guevara morreu no dia 9 de Outubro de 1967 na aldeia boliviana de Higueras. Foi assassinado, com apenas 39 anos de idade, por "Boinas Verdes Quíchuas", tropa de elite do exército boliviano, treinada pelos Estados Unidos especialmente para esse fim. 

Che Guevara morreu como queria, lutando por um ideal que considerava justo.



Dois anos antes, em Outubro de 1965, Fidel de Castro leu a carta que Che Guevara escrevera:


A Fidel de Castro
Havana. “Ano da Agricultura”

Fidel,

Neste momento lembro-me de muitas coisas – de quando te conheci no México, em casa da Maria Antónia, de quando me propuseste juntar-me a ti; de todas as tensões causadas pelos preparativos...

Um dia vieram perguntar-me quem deveriam avisar em caso de morte, e a possibilidade real deste facto afectou todos nós. Mais tarde soubemos que era verdade, que numa revolução ou se vence ou se morre (se a revolução for autêntica). E muitos companheiros ficaram-se pelo caminho em direcção à vitória...

Hoje, tudo tem um tom menos dramático, porque estamos mais maduros. Mas os factos repetem-se.
Sinto que cumpri com a parte do meu dever que me prendia à Revolução Cubana no seu território e despeço-me de ti, dos camaradas, do teu povo, que agora é meu.

Renuncio formalmente aos meus cargos no Partido, ao meu lugar de ministro, à minha patente de Comandante e à minha cidadania cubana. Legalmente nada me liga a Cuba, apenas laços de outro tipo, que não se podem quebrar com nomeações.

Fazendo o balanço da minha vida passada, acho que trabalhei com suficiente integridade e dedicação para consolidar o triunfo revolucionário. A minha única falha grave foi não ter tido mais confiança em ti desde os primeiros momentos da Sierra Maestra não ter compreendido com a devida rapidez as tuas qualidades de líder revolucionário.

Vivi dias magníficos e, ao teu lado, senti o orgulho de pertencer ao nosso povo nos dias brilhantes, embora tristes, da crise do Caribe (a questão dos mísseis soviéticos em Cuba). Raramente um estadista fez mais do que tu naqueles dias; orgulho-me também de te ter seguido sem vacilar, identificando-me com a tua maneira de pensar, de ver e avaliar os perigos e os princípios.

Outras terras do mundo requerem os meus modestos esforços. Eu posso fazer aquilo que te é vedado devido à tua responsabilidade à frente de Cuba, e chegou a hora de nos separarmos.

Quero que se saiba que o faço com um misto de alegria e pena. Deixo aqui as minhas mais puras esperanças de construtor e os meus entes mais queridos. E deixo um povo que me recebeu como um filho. Isso fere uma parte do meu espírito.

Carrego para novas frentes de batalha a fé que me ensinaste, o espírito revolucionário do meu povo; a sensação de cumprir com o mais sagrado dos deveres: lutar contra o imperialismo onde quer que esteja. Isso consola-me e mais do que isso cura as feridas mais profundas.

Declaro uma vez mais que liberto Cuba de qualquer responsabilidade, a não ser aquela que provém do seu exemplo. Se chegar a minha hora debaixo de outros céus, o meu último pensamento será para o povo e especialmente para ti, a quem digo obrigado pelos teus ensinamentos e pelo teu exemplo, aos quais tentarei ser fiel até às últimas consequências dos meus actos; que estive sempre identificado com a política externa da nossa revolução e assim continuarei; que onde quer que me encontre sentirei a responsabilidade de ser revolucionário cubano, e como tal actuarei.

Não lamento por nada deixar, nada material, para os meus filhos e para a minha mulher. Estou feliz que seja assim. Não peço nada para eles, pois o Estado lhes dará o suficiente para viver e se educarem.

Teria muitas coisas a dizer-te e ao nosso povo, mas sinto que não são necessárias palavras elas não podem expressar o que eu desejaria; não vale a pena rabiscar apressadamente mais qualquer coisa num bloco de notas.

Até à vitória sempre! Pátria ou morte!
(Hasta la victoria siempre! Pátria o muerte!)

Abraço-te com todo o meu fervor revolucionário.

Che”


1997:

Trinta anos depois do assassinato de Che Guevara, os seus restos mortais foram descobertos numa vala comum na cidade de Vallegrande, na Bolívia, por antropólogos argentinos e cubanos.

Em 17 de Outubro de 1997, Che Guevara foi enterrado com pompa na cidade cubana de Santa Clara (onde liderou uma batalha decisiva para o derrube de Fulgêncio Baptista), com a presença da família e de Fidel de Castro. 

Embora os seus ideais sejam românticos aos olhos de um mundo globalizado, ele transformou-se num símbolo na história das revoluções do século XX e num exemplo de coerência política. 

A sua morte determinou o nascimento de um mito, até hoje símbolo de resistência especialmente para os países latino-americanos e mais recentemente na juventude  dos nossos dias.

Pesquisa, tradução 
José Gomes

sábado, 7 de setembro de 2013

Recordações da minha praia...

Nestes tempos em que estive sem computador (e continuo com alguns problemas!!!) dei por mim a lembrar-me dos meus tempos de menino, das praias na Foz do Douro (Praia da Luz e Gondarém) que me receberam durante os meses de Agosto e Setembro. Lembrei-me também dos banheiros Sr. Francisco (e da D- Agostinha, sua mulher) e do Sr. Joaquim, sempre pronto para a brincadeira. Veio-me à memória o nosso grupo que durante anos, no mês de Agosto e parte de Setembro, fazia questão de marcar presença: a Fátima “ruiva” e as suas irmãs, o Jaime de Lordelo e as suas irmãs, a Berta, as irmãs “Catatuas” (infelizmente apenas o apelido ficou!) a Marly, o Luís, o Rui, o Malheiro, o Henrique, o António, e muitos outros.-- E o que é que fazíamos? Embrenhávamo-nos na nossa cumplicidade e amizade, nos nossos banhos, nas nossas brincadeiras…


Foi assim que dei por mim a lembrar jogos de outros tempos como o Jogo do Prego e o do Jogo do Anel.  A memória já não é a mesma mas vou exercita-la com a ajuda de algumas imagens que encontrei na Net, e assim tentar dar novamente vida a esses jogos.


O Jogo do Prego

Este jogo era tão simples, que podia envolver vários jogadores. Constava de um prego comprido, mais ou menos com 20 cm, normalmente cada jogador tinha o seu e o local do jogo era na areia da praia seca ou molhada, conforme o acordo dos jogadores.

Estes sentavam-se na areia, em círculo e cada um, na sua vez, atirava o prego ao ar, de maneira a que este ficasse espetado na areia, na vertical.
Cada jogador tinha que fazer uma sequência de 6 lançamentos diferentes (vejam as figuras abaixo): mão aberta virada para cima, mão aberta virada para baixo, mão fechada, mão a fazer corninhos, uma meia volta para a direita, um meia volta para a esquerda (com o prego entre os dedo indicador e médio) e terminava com uma cambalhota e, pelo menos, com uma volta no ar.

O prego, depois de atirado, deveria ficar espetado na areia, de preferência na vertical. Se não ficasse espetado o jogador perdia a sua vez e começava a jogar o jogador seguinte.





Jogo do anel

Conheci e brinquei com duas versões diferentes deste jogo. Uma, a mais simples, jogada por vários jogadores dispostos em círculo e que precisavam apenas de um anel.

Escolhia-se entre os jogadores um que ficava no meio da roda com o anel escondido nas mãos. Depois ia por cada jogador que, de palmas das mãos juntas “recebia” o anel (atenção, só um dos jogadores recebia realmente o anel).

Finda a “distribuição” perguntava aos jogadores onde estava o anel. Quem adivinhasse iria para o centro do círculo e seria este a fazer a próxima distribuição. Quem apontasse um dos jogadores como tendo o anel e errasse, este seria “punido”. Esta punição era combinada no início do jogo. O visado poderia ir perguntar as horas a uma pessoa na praia, ir dar um mergulho, fazer o pino, cantar, fazer macaquices, enfim, segundo a imaginação do grupo.

(vejam imagem abaixo).




Jogo do anel (versão Praia de Gondarém)


Na praia de Gondarém joguei outra versão deste jogo. Para ele era preciso um cordel grande e um anel. O pessoal sentava-se na areia, numa roda e entre os jogadores escolhia-se um deles para ir para o meio, que era chamado “babão” ou “babona”, conforme fosse rapaz ou rapariga.

Sem que o do meio se apercebesse o anel era passado através do cordel pelos diversos jogadores enquanto se cantava a seguinte “ladainha”:

Babona (babão) que estás no meio,
ó babona (babão).
Estás feita uma toleirona (um toleirão),
ó babona. (babão)
Estás vendo o anel passar,
ó babona (babão),
sem nunca o poderes achar,
ó babona (babão).
Ele aí vai, ele aí vem,
ele por aqui passou,
passou, passou, passou...

Quando acabava a cantilena todos se calavam e quem estivesse no meio tinha de adivinhar onde estava o anel, batendo na mão em que julgava estar escondido o anel.

Se conseguisse acertar, trocava com aquele o seu lugar. Senão, continuava na mesma no meio e voltava-se a correr o anel pelos jogadores, até o do meio acertar e ser substituído por outro.

Nós, “mauzinhos” como éramos costumávamos dar “castigos” ao “babão/babona” que não tivesse acertado com o anel, normalmente teria que beijar todos os jogadores, fossem eles rapazes ou raparigas, saltar à corda, saltar ao eixo, dar um mergulho nas águas frias do mar, enfim, cumprir as multas que tínhamos estabelecido no início do jogo.


E foi assim que, durante horas, todos nós nos entretínhamos sem incomodar ninguém nas redondezas. Foram bons tempos em que todos nós, independentemente da idade, nos divertíamos em conjunto e conseguíamos fazer e manter durante muito tempo grandes amizades.

Com estes dois jogos consegui reviver outros tempos em que fui feliz, em que criei amigos que, infelizmente, com o desenrolar dos anos se foram perdendo no tempo e no espaço, ficando apenas “saudades” desses dias…


José Gomes




domingo, 1 de setembro de 2013

Convite para a Noite de Poesia em Vermoim



Meus caros amigos,

Uma avaria neste computador obrigou-me a estar sem ele durante quase 15 dias. Acabei por perder quase toda a informação e os meus contactos.

Agradeço o vosso apoio na divulgação deste convite.

Conto com a vossa presença no próximo sábado na Junta de Freguesia de Vermoim e com a vossa colaboração na divulgação deste evento.

Um abraço,

José Gomes


domingo, 4 de agosto de 2013

Para não esquecer...

Capa da III Antologia das Noites de Poesia em Vermoim

A pedido do Movimentum - Arte e Cultura venho recordar aos poetas que fizeram parte desta Antologia e ainda a não receberam, que poderão ter acesso a ela na próxima "Noites de Poesia em Vermoim" que terá lugar no próximo dia 7 de Setembro de 2013, no Salão Nobre da Junta da Freguesia de Vermoim.

Até lá, boas férias e muita saúde.

Um abraço,

José Gomes

domingo, 16 de junho de 2013

Vasco Gonçalves

Hoje, 16 de Junho de 2013, aqui lembro Vasco Gonçalves. Por dificuldades várias não consegui postar no aniversário da sua morte e assim lembrá-lo.


Vasco Gonçalves


O General Vasco Gonçalves nasceu a 3 de Maio de 1921 em Lisboa e faleceu no Algarve, a 11 de Junho de 2005

Apareceu no Movimento dos Capitães na reunião alargada da Comissão Coordenadora que se efectuou na Costa da Caparica.

Integrou a Comissão de Redacção do Programa do Movimento das Forças Armadas, sendo o elemento de ligação com o General Costa Gomes.

Foi membro da Comissão Coordenadora do MFA e mais tarde primeiro-ministro dos II, III, IV e V governos provisórios.

Durante o seu governo iniciou-se a reforma agrária, criaram-se as condições para as nacionalizações dos principais meios de produção privados (bancos, seguros, transportes públicos…), foi estabelecido o salário mínimo, o subsídio de férias e o subsídio de Natal

Vasco Gonçalves tinha 52 anos quando a Revolução irrompeu. Por ela havia esperado e para ela se havia preparado. Foi a maior alegria da sua vida «participar no 25 de Abril e viver aqueles momentos como primeiro-ministro»
“ (…)
Mas a História não se desenvolve às avessas, como se o passado pudesse ser determinado a partir do futuro. A inviabilidade da Revolução Portuguesa numa Europa da qual a URSS desapareceu não pode servir de justificação política à contra-revolução.
Para quantos se situam na perspectiva de Vasco Gonçalves — entre eles me incluo — a Revolução Portuguesa foi uma revolução assassinada. Assim a devemos tentar compreender, contemplada deste início do século XXI, quando alguns dos principais responsáveis civis pela contra-revolução, pequenos políticos caricaturais, se pavoneiam pelo mundo mascarados de campeões da democracia.
No inverno da vida, Vasco Gonçalves está consciente de que «as maiores conquistas que o povo português alcançou ao longo dos seus oito séculos de história, se verificaram em 74-75 e nelas desempenharam um papel fundamental os militares do MFA».
O projecto revolucionário, como o concebera, não se concretizou. Mas não há calúnia nem agressão à história que possa apagar o significado da participação decisiva na Revolução de Vasco Gonçalves, cidadão, soldado e patriota.
Ele foi com Álvaro Cunhal um dos grandes portugueses do século XX.
(última parte do artigo “Vasco Gonçalves – O general do povo que fez história”, da autoria de Miguel Urbano Rodrigues, sobre o livro “Vasco Gonçalves – Um General na revolução”, entrevista de Maria Manuela Cruzeiro).


Aproveito um extrato da última entrevista que deu a Viriato Teles (transcrita em “Resistir”) e assim lembrar este grande vulto da nossa História recente:

 (...)

VT: – Se pudesse voltar atrás, o que é que fazia de diferente? Alguma vez se arrependeu?

VG: – Penso que nas suas linhas gerais, definidoras, o ordenamento constitucional de 1976, que consagra as conquistas democráticas alcançadas no período mais criador da revolução, era correcto. Foi a falta do seu cumprimento, a política deliberadamente destruidora desse ordenamento, coberta por sucessivas revisões constitucionais que conduziu à situação actual. Mas devemos reconhecer que não houve base de apoio social e político para garantir o cumprimento do ordenamento constitucional, o que tem permitido as sucessivas revisões constitucionais que alteraram, profundamente, a organização económico-social institucionalizada na Constituição de 1976. Nas suas linhas mestras, definidoras, não voltaria portanto, atrás em matéria de conquistas democráticas e revolucionárias.

VT: – No seu discurso de tomada de posse como primeiro-ministro, em 74, citou Almeida Garrett, dizendo que a liberdade só se aprende com a prática. O que lhe ensinou a prática da liberdade?

VG: – A liberdade não se define ou não se consubstancia, apenas, nos direitos políticos, no direito de poder falar livremente, no direito de opinar e contestar ou de se organizar colectivamente sem ser preso. A liberdade não existe de per si. São necessárias estruturas políticas, económicas, sociais, culturais que garantam o exercício das liberdades consagradas na Constituição. O desemprego, a miséria, a fome, a falta de instrução, a falta de habitação, as relações sociais de exploração são contrários ao exercício livre da liberdade. Porque a liberdade não diz respeito, apenas, à liberdade política. Mesmo esta tem condicionamentos económicos e sociais, culturais e até, ambientais. Por exemplo, o novo código de trabalho, as novas leis aprovadas em 2004 nos domínios da segurança social, da saúde, da educação, do arrendamento urbano, limitam claramente as condições de vida das pessoas, a sua formação e independência material e espiritual, a sua formação cultural, o acesso à justiça social. Têm uma influência decisiva sobre a igualdade de oportunidades, condição indispensável para o exercício das liberdades. Outro exemplo: o domínio dos meios de comunicação social de maior difusão pelo sistema do capital. A desinformação deliberada influencia negativamente a formação cultural, a formação da consciência social e política dos cidadãos, e, consequentemente, o exercício do direito à liberdade.

Até sempre, Camarada Vasco.

José Gomes



segunda-feira, 3 de junho de 2013

31 de Maio 2013 - Um sábado diferente

Depois de uma manhã passada no Hospital para me tratarem da saúde (?!!!), a seguir ao almoço, a Milú propôs-me uma viagem até à Foz do Douro, para matar saudades em que a Praia de Gondarém, em Agosto/Setembro foi um meio de passar uns bons bocados: os amigos, os banheiros, o sol, às vezes a chuva, os lanches especiais de fins de praia (com direito a música, a um copito e a um passito de dança)...



Desci em direcção à chamada Praia dos Ingleses, sempre na mira do Gilreu (aquele rochedo que se vê ao fundo)...


... o tal rochedo que nos atraía a tal ponto que um dia desafiamos o banheiro Joaquim que nos acompanhou de barco enquanto rapazes e raparigas desafiaram a nado a distância entre a Praia de Gondarém e o Gilreu. O pior foi, depois de descansarmos um pouco, meia dúzia de malucos resolveram fazer Gilreu, Paradão da Praia do Molhe e regresso à nossa praia (Gondarém). Eu fui um dos heróis que meis dúzia de braçadas depois entrou no barco do banheiro Joaquim, quase logo seguido por outros heróis... sinceramente não me lembro se alguém do grupo conseguiu "ganhar o concurso". Penso que todos nós regressamos à Praia, tiritando de frio, bem encostadinhos uns aos outros para nos aquecermos um pouco mais.


Eu e a Milú continuamos o nosso caminho em direcção à Praia do Molhe. Apesar de um vento agreste, o mar estava lindo, com os penedos fora de água e meia dúzia de veraneantes tomavam a temperatura da água... ao fundo, o Farol Novo que ainda só conheço de fotografias.


Descemos até à esplanada dos Ingleses, naquela hora bem preenchida por turistas que saboreavam o nosso sol. 


Continuamos o nosso caminho pelo passadiço que nos protege de "molhar" os pés na areia...


Estas três imagens já me fazem lembrar a minha velha Praia de Gondarém, agora com esplanada onde dantes havia barracas de praia de cores garridas, muita gente pelo areal e a miudagem fazendo das suas... na fotografia do meio a nossa "piscina" onde, a partir das 16 horas, e com a maré um pouco mais cheia, dávamos largas aos nossos dotes de nadadores. Ao fim do dia o nosso grupinho sentava-se mais junto à água e lá fazíamos as nossas brincadeiras, as nossas piadas... e as vítimas, quase sempre eram eu e o Malheiro! Engraçado, só me consigo lembrar do Rui, do Luís, das Manas Catatuas, da Marly... e era mesmo um grupo mruto grande!



Três fotos da minha investida contra o vento em direcção à parte mais a sul do pontão. Mas o vento era tão forte que mal me deixava avançar... foi aí, debruçando-me no gradeamento, que me lembrei dos desafios que fazíamos a saltar do gradeamento para a água... que calafrios senti!



Vim regressando com passo apressado. O vento não me deixava o boné em paz... e se o perdesse tinha que ouvir boas da Sónia!


Terminamos o passeio numa das esplanadas, desafiando um fino, um sumo e uns amendoins... e, claro, a Milú não podia deixar em paz a sua veia de fotógrafa.
Foi uma tarde de sábado que só faltou a companhia da Sónia  para ter sido uma tarde em beleza. Melhores dias onde vir, tenho esperança.



Deixo-vos com os autores e actores desta aventura, recordando uns belos momentos perdidos já na bruma do tempo.

Um abraço da Milú e do José Gomes.



domingo, 19 de maio de 2013

CATARINA EUFÉMIA


Catarina Efigénia Sabino Eufémia  nasceu em Baleizão a 13 de Fevereiro de 1928 e foi assassinada em Monte do Olival, Baleizão, a 19 de Maio de 1954.
Foi uma ceifeira portuguesa que, na sequência de uma greve de assalariadas rurais, foi morta a tiro, pelo tenente Carrajola da Guarda Nacional Republicana.

Catarina Eufémia, na altura do assassinato tinha vinte e seis anos de idade, tinha três filhos, um dos quais de oito meses, que estava no seu colo no momento em que foi baleada.

 O Alentejo, à época, era uma região de latifúndios e de emprego sazonal, onde as condições de vida dos camponeses sem-terra e assalariados eram extremamente difíceis. Esta situação socioeconómica e laboral penosa e dura agitou as massas camponesas da região a partir de meados da década de 1940, vindo a agudizar-se nas duas décadas seguintes, gerando-se um permanente clima de agitação social no campesinato.

No dia 19 de Maio de 1954, em plena época da ceifa do trigo, Catarina Eufémia e mais treze outras ceifeiras foram reclamar com o feitor da propriedade onde trabalhavam para obter um aumento de dois escudos pela jorna. Os homens da ceifa foram, em princípio, contrários à constituição do grupo das peticionárias, mas acabaram por não hostilizar a acção destas. As catorze mulheres foram suficientes para atemorizar o feitor que foi à cidade de Beja chamar o proprietário e a guarda republicana.

Catarina Eufémia fora escolhida pelas suas colegas para apresentar as suas reivindicações.

A uma pergunta do tenente da guarda, Catarina respondeu que só queriam "trabalho e pão". O tenente respondeu com uma violenta bofetada que a atirou ao chão. Ao levantar-se, enfrentando o GNR disse-lhe: "Já agora mate-me."

O tenente da guarda disparou três balas que lhe estilhaçaram as vértebras. Catarina não terá morrido instantaneamente, mas poucos minutos depois nos braços do seu próprio patrão (entretanto chegado), que a levantou da poça de sangue onde se encontrava, e este, virando-se para o GNR, ter-lhe-á dito: 
 Oh senhor tenente, então já matou uma mulher, o que é que está a fazer?”.

O menino de colo, que Catarina tinha nos braços ficou ferido na queda. Uma outra camponesa teria ficado ferida também.


Notícia do “Diário de Alentejo” de 21 de Maio de 1954:
“Anteontem, numa questão entre trabalhadores rurais, ocorrida numa propriedade agrícola próximo de Baleizão, e para a qual foi pedida a intervenção da GNR de Beja, foi atingida a tiro Catarina Efigénia Sabino, de 28 anos, casada com António do Carmo, cantoneiro em Quintos. Conduzida ao hospital de Beja, chegou ali já cadáver. A morte foi provocada pela pistola-metralhadora do sr. Tenente Carrajola, que comandava a força da G.N.R. No momento em que foi atingida, a infeliz mulher tinha ao colo um filhinho, que ficou ferido, em resultado da queda. A Catarina Efigénia tinha mais dois filhos de tenra idade e estava em vésperas de ser novamente mãe. O funeral realizou-se ontem, saindo do hospital de Beja para o cemitério de Quintos. Centenas de pessoas vieram de Baleizão para acompanharem o préstito, verificando-se impressionantes cenas de dor e de desespero. Segundo nos consta, o oficial causador da tragédia foi mandado apresentar em Évora.”

De acordo com a autópsia, Catarina foi atingida por "três balas, à queima-roupa, pelas costas, actuando da esquerda para a direita, de baixo para cima e ligeiramente de trás para a frente, com o cano da arma encostada ao corpo da vítima. O agressor deveria estar atrás e à esquerda em relação à vítima".

Após a autópsia e temendo a reacção da população, as autoridades resolveram realizar o funeral às escondidas, antecipando-o de uma hora em relação àquela que tinham feito constar.

Quando se preparavam para iniciar a sua saída às escondidas, o povo correu para o caixão com gritos de protesto, e as forças policiais reprimiram violentamente a populaça, espancando não só os familiares da falecida, outros rurais de Baleizão, como gente simples de Beja que pretendia associar-se ao funeral. O caixão acabou por ser levado à pressa, sob escolta da polícia, não para o cemitério de Baleizão, mas para Quintos (a terra do seu marido cantoneiro António Joaquim do Carmo, o Carmona, como lhe chamavam) a cerca de dez quilómetros de Baleizão.

Vinte anos depois, em 1974, os seus restos mortais foram finalmente trasladados para Baleizão.

Na sequência dos distúrbios do funeral, nove camponeses foram acusados de desrespeito à autoridade; a maioria destes foi condenada a dois anos de prisão com pena suspensa.


O tenente Carrajola foi transferido para Aljustrel mas nunca veio a ser sequer julgado em tribunal. Faleceu em 1964.

À Memória da Catarina deixo Zeca Afonso a interpretar, magistralmente, este assassinato:

Um abraço,
José Gomes


sábado, 20 de abril de 2013

Os "amanuences" da troika

Ontem, na Noite de Poesia no Flor de Infesta, fomos "brindados" com este poema da Helena Guimarães, dito na maneira característica da autora, e que eu não resisto de deixar aqui, com uns bonecos tirados de Net.
A Helena que me perdoe esta ousadia... mes este poema tem de ser partilhado!





Os “Amanuenses” da Troika

Chegam sempre lá de longe
parecem os três Reis Magos.
Não sabemos se são gagos,
nunca lhes ouvimos um pio.
Não trazem ouro nem mirra,
apenas cara de ”birra”,
mas são incensados cá.
Eles são nosso desdouro!
O Baltazar escurinho,
da Etiópia oriundo,
é quem comanda a viagem,
o roubo e a agiotagem
este sacar, sacar sem fundo.
No Ritz instalado esquece
o famélico povo seu.
Trás com ele o Melchior
com a careca a brilhar,
que vem do norte nevado
e nos chama mandriões.
Ao lado, em passo alargado
o teutónico Gaspar,
que tem por cá um homónimo
que passa a vida enganado.
E dão-se ares de mandões!
Estes três Reis dos mercados
que de Magos nada têm,
são os amanuenses da Troika
que nos couberam em sorte,
os leva-e-trás de Bruxelas
sem poderes, enfim, coitados,
a quem, nas reuniões secretas,
este regime em desnorte
de tal maneira se curva
que até rasga as cuecas.


Helena Guimarães




Um abraço,
José Gomes



segunda-feira, 8 de abril de 2013

"SONHAR ABRIL" - a Noite de Poesia de 6 Abril 2013

Foi uma Tertúlia diferente de todas as que já fizemos. Não vou aqui debruçar-me sobre esta noite em Vermoim (para os interessados visitem o blogue do MOVIMENTUM - Arte e cultura, aqui em  Movimentum) e poderão pela "reportagem" ter uma ideia do que foi esta noite e despertar o vosso interesse para a próxima Noite de Poesia que decorrerá no próximo mês de Maio (4 Maio 2013) e que terá por tema MAIO DOS MEUS ENCANTOS.

Achei de muito interesse a actuação do Fernando Ribeiro e do Paulo Reis que preencheram a parte musical desta "Noite de Poesia em Vermoim". Deixo-vos, sem mais palavras, com duas actuações destes amigos e convido-vos a ver e a ouvir "O galo é donos dos ovos", de Sérgio Godinho e interpretado pelo Fernando e pelo Rui (ver em  Movimentum ).

Um abraço,
José Gomes








sexta-feira, 5 de abril de 2013

Sábado, 6 de Abril - Noites de Poesia em Vermoim




Não esquecer que no próximo sábado, dia 6 de Abril, é imperioso e urgente estarmos todos no Salão Nobre da Junta de Freguesia de Vermoim, pelas 21,30 horas.

O tema deste Serão é SONHAR ABRIL.

Contamos com a vossa presença e a divulgação deste evento.





Então, até amanhã.

José Gomes


domingo, 24 de março de 2013

Lançamento do livro SENSUALIDADES - Maria Mamede


Em 23 de Março 2013, no Sindicato dos Bancários do Norte, na Rua Cândido dos Reis, 100, Porto, a Maria Mamede apresentou o seu mais recente livro de poesia a que chamou SENSUALIDADES.


A Sessão decorreu com palavras da mesa - constituída por José Gomes (moderador), Ana Ribeiro (direcção do SBN), Maria Mamede (autora do livro a ser lançado), Dra. Conceição Lima (autora do prefácio e apresentadora da obra) e Jorge Castelo Branco (Editora Versbrava).


   

Perante uma auditório cheio de admiradores e amigos da Maria Mamede, Ana Ribeiro da direcção do SBN saudou, em seu nome e no de César Campos presente nesta sala, os presentes e a autora, mostrando o interesse que o Sindicato dos Bancários do Norte tem na colaboração com os seus associados nestas acções de cultura.

Seguiu-se a intervenção do editor Jorge Castelo Branco, editor e representante da editora Versbrava, que mostrou como está apostado na divulgação das obras dos novos autores e traçou o seu percurso na vida literária da poetisa Maria Mamede.

A Dra. Conceição Lima, coordenadora do programa Hora da Poesia na Rádio Vizela e dos Saraus de Poesia na Biblioteca da Fundação Jorge Araújo em Vizela e autora do prefácio deste livro (ver na parte final deste artigo)fez a apresentação da autora, da sua obra e da empatia que rapidamente se gerou entre as duas graças ao amor pela poesia e aos trabalhos da Maria Mamede.

Maria Mamede agradeceu a todos os intervenientes nesta sessão de lançamento do seu livro SENSUALIDADES.


Domingos Azevedo, da Orquestra do Grupo Dramático e Musical Flor de Infesta, animou, ao piano, esta tarde de poesia com músicas do nosso tempo.

Maria Mamede e Conceição Lima declamaram poemas do livro SENSUALIDADES.

José Gomes deu por terminada esta Sessão de Poesia agradecendo o carinho com que o SBN, nas pessoas da Ana Ribeiro e do César Campos, acolheu todos os presentes; a amizade e a sensibilidade com que a Dra. Conceição Lima acolheu este livro e a autora; à editora, na pessoa do Jorge Castelo Branco, na sua constante aposta na divulgação da cultura escrita e pela amizade com que nos tem acarinhado; à Maria Mamede agradeceu este livro... e que venham mais cinco!!! (disse!): a todos os presentes um obrigado muito especial por acarinharem mais esta criação da Maria Mamede.



Seguiu-se a habitual sessão de autógrafos, terminando esta tarde de poesia com um "miminho" oferecido pelo Sindicato dos Bancários do Norte.


Prefácio da Dra. Conceição Lima:

O NOSSO “pássaro azul”, que se “alimenta de esperanças e sonhos”, até agora “encolhidinho no peito”, arrisca novo voo, ousa partir em busca de outra luz!
Não lhe faltavam as asas, o fôlego, mas tão-somente, a dose de arrojo que lhe permitissem sair do conforto de um ninho seguro, para ousar novas paragens! Quem conhece a sua obra, estava à espera deste corolário natural e desejado… SENSUALIDADES vem cumprir a promessa: a liberdade de “cantar” o corpo, o sol de Agosto, a inquietação das esperas, a insegurança das noites vazias, onde o desejo se expõe na solidão de lençóis frios...
Na sua obra há tanto afago, tanta doçura, tanta tranquilidade, que não esperávamos “torrentes”. Nada mais errado: a leitura, atenta, de todo o seu longo trabalho anterior, não nega esse olhar, mas leva-nos a outro cais, para outro desembarque: a paixão sempre esteve lá, a paixão está lá!
O corpo, (”serra”, “cume”), o desejo (“lava”, “fonte”), a volúpia, (“chama”, “sol de Agosto”) escorrem lânguidos, em versos contidos, mas, inundam, alagam, lenta mas completa e profundamente… Os seus poemas, ora nos levam na fúria de tornado, nas torrentes de lava, ora nos embalam sob o arco-íris ou à luz do ocaso… Nascem, no silêncio consentido e / ou opressivo de memórias nítidas ou diluídas; vigorosas ou fugidias, memórias de caminhos vividos ou desejados…

Não há raiva, não há angústia, não há a embirrenta auto–complacência… há percurso feito, vida vivida, intensamente vivida, maduramente explorada… É uma poesia apetecível, condimentada, saborosa, onde a palavra, sem enfeites, só se transporta a si mesma, carregando apenas a sua própria simbologia.
Esse, o segredo de quem subjuga as palavras: da palavra depurada, burilada, limpa, surgem a força, o sobressalto, a perplexidade, a expectativa, meandros ternos e / ou amargos da paixão.
 “Lavro e semeio neste chão que sou, preparando a colheita”. Espalhou, no nosso chão, SENSUALIDADES...

Saibamos colher e saborear os seus frutos!


Um abraço,
José Gomes