sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Timor - Ontem e Hoje


Pensei falar, neste dia 7 de Dezembro, que Díli, capital de Timor Leste, foi invadida em 7 de Dezembro de 1975 pelas forças agressoras indonésias.

Desisti, pois foi uma data que nos marcou muito.

É uma data histórica, um grito heróico do Povo Timorense que, passo a passo, com muito sacrifício e muita luta caminhou até à vitória final: a restauração da sua independência em 20 de Maio de 2002.

Em homenagem a este Povo heróico, deixo este trabalho.

Timor - Foto Tozé - 2003

TIMOR…
Conta a lenda que, um belo dia, um cansado e desiludido crocodilo se fez ao mar, levando no seu dorso um rapaz que o acompanhou na busca de um disco dourado que todos os dias se levantava para lá do horizonte...

Conta a lenda que esse crocodilo, ao chegar ao seu destino, se transformou dando origem à ilha de Timor.

E o rapaz, feito Homem, deu origem a uma Nação: TIMOR LESTE.


Timor - Pintura de Milú Coelho Gomes 



Timor é um país de sonho e encantamento, perdido entre planícies verdejantes, montanhas floridas e rodeado de um extenso mar da cor do céu.

As montanhas de Timor, da altura dos Pirinéus, são rasgadas por precipícios que se espelham no azul do mar.

O Sol, com os seus raios, desflora a terra vermelha de Timor calcinando-lhe as pedras, lançando fogo e luz sobre as planícies e os vales floridos.

Como é belo sonhar à sombra dos tamarindos em flor, aspirar a brisa ondulante dos extensos palmares, sentir o perfume inebriante do sândalo e dos cafezais, ouvir o ronronar suave das águas do mar quando se espreguiçam nas praias douradas.


Timor - Toké - M. Amado - Outubro 2003

Lembro do cantar dos Tokés (espécie de lagarto ou sardão cuja voz imita esta palavra) que povoavam os tectos das nossas casas ou corriam pelas árvores.


Timor - Acácias Rubras - foto Prof. A. Serra - Nov. 2003

Sinto o suave aroma das acácias rubras que ladeavam as largas avenidas e o cheiro das rosas do meu quintal cujo aroma atraía as abelhas das redondezas.

Ouço, ainda, o latir do velho Tejo a pedir uma carícia no seu focinho húmido, quando me sentia chegar da escola...

Lembro-me das catatuas, donzelas de branco, toucado amarelo e olhos de rubi.




Lembro-me dos loricos, de cores verde, vermelho e amarelo, cujo colorido me deslumbrava, e que se passeavam, sem medo, pelo meio das pessoas tecendo seus comentários no palrar das suas gargantas...
...

Deixo-me levar, deleitado, pelos cânticos das mais variadas aves que fazem a saudação ao Sol do dia-a-dia.


Timor é uma sinfonia mística de cores, de cambiantes garridos de Vida, de searas extensas que flutuam ao som dos ventos rasantes, onde os grilos, as cigarras e os camarões se guerreiam por um grão de milho doirado.

As águas das ribeiras correm inquietas, dolentes às vezes, alucinadas quase sempre, ansiosas por chegar ao fim, pelo abraço terno do “mar-mulher”, de águas mornas, muito límpidas e calmas.

As ribeiras são símbolos... símbolos da vida do Oriente, símbolos da vida de Timor.

A Vida corre, sem preocupações, o Sol aquece, as Sombras são tão doces e suaves...

Lá ao longe ouve-se o ressoar monótono e monocórdico dos tambores, as vozes erguem-se ora dolentes ora em gritos, como um chamamento da Terra-mãe, da pátria Maubere...

A Vida é bela, e vive-se...

A Vida não é mais que a ânsia de viver, de sentir-se Vida em todo o seu êxtase de loucura, do sorver cada momento que passa...

Enquanto se vive, luta-se... quando a luta chega ao fim, a Vida acabou!

Depois...

Depois vem o descanso, o bem-estar, o regresso às origens...

O mar, no seu vai e vem de milénios, continua a beijar a ilha em forma de crocodilo...

O Sol aquece...

O chilrear das aves anuncia o novo dia!


José Gomes
07 de Dezembro 2012






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