sexta-feira, 22 de junho de 2012

Recordações do S. João do Porto


Bonito trabalho do meu companheiro de muitas lutas, Zé Kagomes, que tem uma imprecisão comum no Porto e em Lisboa. Na capital, dizem que é o Santo António, quando o padroeiro é S. Vicente. No Porto, é a Senhora da Vandoma, como se pode confirmar aqui:

http://www.diocese-porto.pt/index.php
option=com_content&view=article&id=1053:solenidade-de-nossa-senhora-da-vandoma-padroeira-principal-da-cidade-do-porto&ca 

O Germano Silva também falou nisso na sua crónica domingueira do JN de 17-Junho-2012. Conta que no séc. XIX havia 3 S. Joões: - o de Cedofeita, miguelista; o da Lapa, constitucional e o do Bonfim, republicano. O alho-porro era usado para afastar o mau-olhado. Lembro-me de, na minha meninice, o alho ser pendurado na parede da minha casa, sendo substituído no ano seguinte. Os bairros eram engalanados pelos moradores e neles se dançava pela madrugada fora. Às tantas saíam todos em grupo (rusga) e, cantando, percorriam as ruas até às Fontainhas como era tradição. O meu pai contou-me que não era costume bater com o alho nas pessoas. Deu-se o facto de, por alturas da II Grande Guerra, na rua de Santa Catarina, à porta do Grande Hotel, a gerência lembrar-se de colocar umas cadeiras de lona para os hóspedes assistirem à passagem das rusgas, oferecendo um alho-porro a cada um . As velhotas inglesas, começaram a pousar a flor do alho na cabeça e no nariz dos e das passantes, numa atitude amistosa. O seu gesto não tardou a ser copiado e generalizou-se, não só com o alho mas com os ramos de cidreira. Depois veio a desgraça do plástico e, hoje, anda tudo à martelada...
«:-) G.M.
Obrigado, Gaspar, por teres colaborado numa melhor compreensão do S. João do Porto.


No dia de S. João / Vamos todos cantar /
Brincar com um balão / Até ele rebentar

A noite de 23 para 24 de Junho, na cidade do Porto, é a noite de todas as folias, a noite menor e mais alegre do ano (solstício de Verão), em que multidões de pessoas vêm para as ruas festejar o S. João, o santo mais venerado, o padroeiro dos amores e da folia. A cidade vive manifestações de cariz popular, cultural e recreativas, nomeadamente a corrida de São João, bailaricos, fogueiras, quermesses, música e os concursos de cascatas, montras e quadras populares.
Um pouco por toda a cidade vendem-se manjericos, cravos, erva-cidreira, "alho-porro" e, mais recentemente, os famigerados martelinhos de plástico, as “armas” indispensáveis para a “guerra” dos foliões da Noite de S. João.

O Sagrado

S. João – Praça da Ribeira

S. João Baptista é o Santo que anunciou a vinda Jesus Cristo, seu primo. Foi ele que O baptizou nas águas do rio Jordão, na Palestina e O apresentou como Messias. Iconograficamente aparece representado como um menino a brincar com um cordeiro ou um adulto vestido com uma pele de carneiro.
As comemorações do seu nascimento são realizadas no dia 24 de Junho. Os portuenses escolheram-no como seu padroeiro e este dia como seu feriado municipal. S. João Baptista é o padroeiro das doenças mentais, da amizade, dos comerciantes de vinho, de muitas profissões ligadas às peles e lãs e das diversões.

As origens da Festa de S. João estarão ligadas ao culto do Sol como fonte de vida. Há muitos séculos que a Festa religiosa em homenagem a S. João é acompanhada por festividades pagãs, inicialmente combatidas pela Igreja, que não consentia a mistura entre o sagrado e o profano.
Santo Elói, no século VII, proclamou do seu púlpito aos fiéis que o ouviam: “Eu vos peço... que na festa de S. João e em outras solenidades dos santos, se não faça uso do solstício; que não se entreguem a danças, a jogos, a corridas, a coros diabólicos…”.
Na legislação religiosa sobre superstições populares, nas Constituições do Bispado de Lamego, de 1639, escreveu-se “…pode-se também pôr em exemplo (de superstição) no que se tem introduzido em dia de S. João Baptista, que se colham as ervas e levem a água da fonte para casa, ou se lave a gente e os animais nela, antes do sol nascer, metendo a gente de pouco saber que redunda em honra e louvor do Santo”.

Noitada de S. João
Avenida dos Aliados – Porto

Os festejos S. João, inseridos nas Festas da Cidade do Porto, continuam pelos nossos dias, noutros ambientes e com outros cenários, mas com a mesma moldura humana, com o mesmo movimento que, ano após ano se repete. As expressões religiosas são agora mais ténues, resumindo-se ao interior dos templos onde se materializa a memória do santo nos altares em sua honra.

S. João das Fontainhas

À cascata das Fontainhas acorrem os populares que, na rua, prestam tributo ao Santo, oferecendo-lhe preces e agradecimentos pelas graças recebidas.

Nas cidades onde o S. João é festejado, as celebrações alcançam o seu expoente máximo nas ornamentações das ruas e na diversão do povo.
Todavia, o Porto e os portuenses desde sempre sentiram uma especial devoção e carinho por S. João Baptista, como podemos adivinhar nas canções a ele dedicadas…

São João santo bonito,
Bem bonito que ele é.
Com os seus caracóis de oiro,
E seu cordeirinho ao pé.
Não há nenhum assim,
Pelo menos para mim
Nem mesmo São José.

Santo António já se acabou
O São Pedro está-se acabar
São João, São João
Dá cá um balão para eu brincar.
(…)

… ou depositando alusões ao Santo e ao dia da sua Festa, na própria história da cidade, na sua toponímia, em acontecimentos importantes e perpetuando a sua afeição ao culto, velando o seu património religioso, como o testemunham a Igreja do Convento de S. João Novo, construída no local onde existiu a Ermida de S. João na extinta freguesia de S. João Baptista de Belomonte.
Passados cerca de trezentos anos, foi construída a Igreja de S. João da Foz, na freguesia da Foz do Douro, da qual é orago local.


A imagem de S. João está representada na escultura, nas artes plásticas e decorativas no interior das igrejas e capelas da cidade do Porto:

Na Ribeira

Igreja da Misericórdia – de estilo barroco, datada do séc. XVI e reedificada no séc. XVIII, de autoria de Nicolau Nasoni. A imagem de S. João Baptista é do tipo maneirista e alberga um retábulo estilo império. No núcleo museológico da Santa Casa da Misericórdia existe um painel em honra a S. João, da autoria de António Carneiro e um relicário de S. João Baptista em forma de cabeça.

Igreja de S. Nicolaudo séc. XVII, inserida na corrente maneirista, embora apresente algumas soluções de tendência barroca. Possui no Baptistério uma tela representativa do baptismo de Cristo por S. João. Por ocasião das festas de S. João é exposta na Igreja uma pequena mas valiosa imagem de S. João.

Igreja Conventual de S. Francisco - do séc. XIV, de estilo gótico. É uma das mais importantes obras do barroco em Portugal, pelo seu revestimento em talha dourada. De destacar, na Capela dos Carneiros, também chamada do Baptismo de Cristo ou de S. João Baptista, uma pintura da cena bíblica do Baptismo com a manifestação da Santíssima Trindade, num retábulo que data do séc. XVI.

Na Sé

Catedral - do séc. XII, de estilo românico, com grandes alterações na época barroca. O Baptistério tem representado, num baixo-relevo da autoria de Teixeira Lopes (pai), a cena do Baptismo de Cristo por S. João Baptista.

Igreja de Santa Clara - de origem gótica, com o interior revestido a talha dourada. Neste conjunto é-nos apresentada uma composição, constituída por uma escultura de S. João Baptista, encimando uma espécie de cascata sanjoanina e um relicário de S. João em forma de cabeça, aludindo ao episódio da degolação.

Em Miragaia

Igreja de S. João Novo - finais do séc. XVII, de origem Barroca. No seu interior podemos admirar um retábulo em talha dourada dedicado a S. João Baptista, datado de finais do séc. XVII. Em 24 de Junho, dia do nascimento de S. João, realiza-se nesta Igreja a missa solene em sua honra.

Igreja de S. Pedro de Miragaia - foi a primeira Sé do Porto, mas sofreu várias intervenções a partir do século XVII. No seu interior vê-se a imagem de S. João Baptista na capela em honra de Santa Rita. Na sala da confraria pode-se ver um tríptico da escola flamenga do séc. XVI, que representa S. João Baptista baptizando Cristo no rio Jordão.

Na Baixa

Igreja dos Congregados - finais do séc. XVII, de estilo barroco. Possui no seu interior um altar neoclássico dedicado a S. João Baptista.

Igreja dos Clérigos - estilo barroco. O conjunto arquitectónico é composto pela Igreja e pela Torre dos Clérigos, ex-libris da cidade. Na sua construção trabalharam vários artistas, salientando-se Nicolau Nasoni. A imagem de S. João Baptista aparece no altar dedicado a Nossa Senhora das Dores.

Igreja da Lapa - dos séc.XVIII / XIX, estilo neoclássico. De autoria de João Glama Stroberle, guarda na sua capela-mor, num mausoléu granítico, o coração de D. Pedro IV, rei de Portugal e que foi oferecido à cidade do Porto pela Imperatriz D. Amélia de Beauharnais, cumprindo assim o desejo do marido. Possui no seu interior um altar dedicado a S. João Baptista.

Capela das Almas – foi construída nos princípios do séc. XVIII. No séc. XX todo o exterior foi revestido de azulejos representando passos da vida de S. Francisco de Assis e de Santa Catarina. No interior há um altar neoclássico dedicado a S. João e um relicário deste em forma de cabeça.

Igreja da Trindade - construída no séc. XIX, de estilo neoclássico. Na capela-mor, destaca-se o painel de grandes dimensões do pintor José de Brito, representando o Baptismo de Cristo, além de uma escultura de S. João, na lateral esquerda desta Igreja.

Na Foz

S. Joao Batista - Foz do Douro

Igreja de S. João da Foz - da época do renascimento. Na fachada da Igreja há um nicho com a imagem de S. João. No interior há uma pintura no baptistério e uma escultura do Santo no retábulo-mor, entalhado no séc. XVIII.

No Bonfim

Igreja do Bonfim - datada do séc. XIX. No seu interior, num nicho, há uma escultura representando S. João Baptista.

Em Cedofeita

Capela dos Anjos - datada do séc. XIX, apresenta no seu interior uma imagem de S. João Baptista com os braços abertos, em sinal de pregação

Igreja dos Carmelitas - do séc. XVIII. De estilo barroco e com intervenção de Nicolau Nasoni ao nível da fachada. A imagem de S. João Baptista aparece numa das paredes da Igreja, em conjunto com as imagens de S. Pedro e Santo António.


O Profano

A relação mágica “terra/céu” assume desde a pré-história um papel muito importante na vida das comunidades. A Festa de S. João Baptista, festa do solstício de verão, é a marca do apogeu do curso solar e herda, assim, todos os símbolos que a caracterizam como uma festa de origem pagã. O culto das pedras e das ervas, da água, das plantas e do fogo há muito que se alia à celebração religiosa em honra deste Santo, com benefícios destes elementos no amor, na amizade, na saúde, na felicidade e na beleza.


A Festa de S. João no Porto

S. João – Ornamentações em Miragaia

As primeiras referências às festas em homenagem ao S. João do Porto aparecem no século XIV, por um dos cronistas do Rei.
O envolvimento dos portuenses é marcado pela força e o entusiasmo com que aderem às festividades e pelo seu esforço na organização das inúmeras iniciativas que compõem as festas da cidade, nomeadamente nos espetáculos culturais e recreativos, nas rusgas, nos bailes populares e no convívio das multidões anónimas.
S. João Baptista é um “Santo Popular”, por ser festejado na rua pelo povo.

Noitada de S. João - Ribeira

Das Festas da Cidade que se realizam durante o mês de Junho, saliento a corrida de S. João, os concursos de cascatas, os concursos de montras, o concurso de rusgas e das quadras populares alusivas ao S. João, das largadas dos tradicionais balões de S. João, feitos em papel de cores variadas que, nesta noite, são cuidadosamente lançados em direcção ao céu, proporcionando um espectáculo de centenas de pontos de luz.

Largada de balões

Nesta ocasião, as ruas enchem-se de ornamentações e iluminações festivas, barracas de petiscos, bailes ao ar livre e diversões variadas, para que o povo festeje um S. João popular, folião, de convívio, amizade e alegria.

As fogueiras e o fogo de artificio

Fogueiras de S. João - Porto

As fogueiras de S. João são ateadas em algumas ruas da cidade. Por cima delas saltam os foliões demonstrando, assim, a sua coragem e a sua crença nas virtudes purificadoras destas na saúde, no casamento e na felicidade.

Fogo de artifício na noite de S. João

À meia-noite do dia 23 de Junho há o “fogo de S. João”, fogo de artifício que faz com que o povo saia à rua e se dirija para a Ribeira. Juntam-se milhares de pessoas em ambas as margens do rio Douro, para assistir ao maior espectáculo do ano, pleno de luz, cor e som.

A água e as orvalhadas

A água tem uma particular função nesta festa enquanto elemento do Baptismo de Jesus por João Baptista. Traz, também, consigo semelhanças com cultos e rituais pagãos. Na sabedoria popular a água dorme todas as noites, excepto na noite de S. João. Nesta noite e madrugada acredita-se que a água das orvalhadas é benta e tem o poder e a força para curar doenças, dar beleza aos jovens e favorecer os amores.

S João das Fontainhas

Na Alameda das Fontaínhas há uma fonte para onde o povo se desloca na noite de 23 para 24 de Junho, entre a meia-noite e o nascer do Sol, para beber da sua água ou lavar-se nela e assim obter as bênçãos e as propriedades mágicas dela.
As orvalhadas que são sentidas nesta noite de uma forma mais acentuada já fazem parte do ritual da própria festa.

A noite de S. João termina na Foz do Douro, com o povo a rumar em direcção ao mar e por aqui esperam, deitados nas areias douradas das praias, até ao nascer do Sol.

O alho-porro e o manjerico

As ervas aromáticas, também chamadas “ervas de S. João”, assumem nesta festa uma particular importância, tanto pelos benefícios que se julga trazerem à saúde, como pelas manifestações que o povo lhes atribuiu (virtudes mágicas e terapêuticas, resquícios de rituais antigos, derivados de festas romanas e célticas), tornando-as num símbolo do S. João.

"Alhos-porros" à espera de compradores
 S. João – Porto

O alho-porro, ou “alho de S. João” é usado democraticamente na noite mais longa do ano para tocar e dar a cheirar a quem por nós passa, desejando-se deste modo saúde, boa sorte e fortuna.

Manjericos

O manjerico é a erva aromática mais popular nesta festa, comprada em qualquer parte da cidade, quer para decoração, quer para oferta. Os vasos de manjaricos são enfeitados com uma bandeirola colorida, presa por um arame, com uma quadra popular alusiva à Festa, ao Santo ou ao povo. Devem ser “cheirados” só com a mão (dizem as más línguas que sempre que se cheira o manjerico com o nariz, a planta acaba por morrer).

O martelinho de S. João

Martelo de S. João

Os “martelinhos de S. João”, de cores, tamanhos e formas variadas, são uma das “armas” mais recentes do arsenal de S. João. Vendem-se por toda a cidade, ao lado dos tradicionais manjericos, cravos, erva-cidreira e “alho-porro”.
São de plástico e produzem um som próprio e característico que contagia desde o início do dia a quem está na cidade, até para além do próprio dia de S. João! São coloridos, de formas e tamanhos diferentes e escolhidos conforme a energia do folião. Servem para “bater” nas cabeças dos passantes, sem que essa demonstração provoque qualquer incómodo, apenas riso e um cumprimento/agradecimento… excepto naquelas ocasiões em que o “folião/foliona” não sabe dosear a força do martelo…!

A cascata


Cascatas de S. João

A cascata e o Presépio, provavelmente relacionadas com os solstícios de Inverno e Verão, devem ter a mesma origem.
A água, elemento imprescindível das cascatas sanjoaninas e a imagem de S. João Baptista baptizando Jesus, são os elementos centrais do conjunto, cujo cuidado na sua construção nos mostra a devoção dos portuenses ao Santo. Algumas cascatas são verdadeiras obras de arte e imaginação.
Na sua construção aparecem verdadeiras aldeias com casas minúsculas e caminhos traçados com areia e musgos, que são a reconstituição de lugares da cidade, costumes e ofícios de outros tempos.
As figuras de barro pintadas a cores vivas, são verdadeiras obras de arte popular criadas pelos mascateiros (vendedores ambulantes) que representam as pessoas no seu dia-a-dia, trabalhando nas suas profissões, muitas delas já desaparecidas e vários animais.
Algumas das cascatas são animadas através do movimento das suas peças e muito enfeitadas, pelo colorido das luzes, pelas folhagens e verduras utilizadas. Variam de tamanho e não obedecem a nenhum modelo de concepção, surgindo consoante a imaginação de quem as constrói.

As crianças, com as suas modestas cascatas, erguidas em qualquer recanto, fazem o seu peditório para o Santo:“um tostãozinho para o S. João!” (diziam! Mais recentemente tenho ouvido pedir “um euro para o S. João”…evolução e atualização da moeda atual!)

As cascatas mais conhecidas e tradicionais e que ainda subsistem, são a da Alameda das Fontaínhas, local de romaria e oração e a cascata frente aos Paços do Concelho, da iniciativa da Câmara Municipal.

A gastronomia

Caldo verde

Na noite da Festa ou no dia de S. João come-se caldo verde com broa, carneiro, anho, sardinha assada, salada de pimentos e, como sobremesa, leite-creme.

Na madrugada do dia 23 para 24 de Junho bebe-se café com leite e come-se pão com manteiga.
As origens desta tradição são pouco precisas. Há quem diga que o uso do anho ou cabrito se deve à presença deste animal nas imagens de S. João, numa alusão ao cordeiro de Deus.

Sardinhas prontas a serem assadas...

A sardinha foi introduzida, mais tarde, por ser mais barata e muito abundante nesta altura do ano. (de há uns anos para cá este petisco passou a ser um artigo de luxo e vendido como tal).

Bolo de S. João

Mais recentemente está a ser recuperada a tradição do “Bolo de S. João” (lembro-me que, por esta altura, em casa dos meus pais, tinha no dia de S. João esta iguaria na mesa), que desaparecera por volta dos anos 50. A receita oficial deste bolo (que lembra o “bolo-rei” mas menos doce e com mais frutos secos) leva farinha, fermento, frutas cristalizadas, nozes, amêndoas, licor, rum, cognac a gosto e leite para amassar.
É acompanhado com Vinho do Porto.


José Gomes
Junho 2012
Recordações minhas e pesquisas na Net.
Fotos nossas (Milú e José Gomes) e da Net.

3 comentários:

  1. Olá Zé, PARABÉNS!!! AMEI!!!
    Foste ao pormenor...muito bom.
    Bjs.
    M.M.

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  2. Do Gaspar recebi este email que agradeço e que serve para melhorar ainda mais o trabalho que fiz. Não estranhem o tom tipicamente tripeiro, mas é mesmo assim que eu e ele nos tratamos:

    "Oh murcom, bonito trabalho, mas tem uma
    imprecisão comum no Porto e em Lisboa.
    Na capital, dizem que é o Santo António, quando
    o padroeiro é o S. Vicente. No Porto, é a
    Senhora da Vandoma. Confirma aqui:
    http://www.diocese-porto.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=1053:solenidade-de-nossa-senhora-da-vandoma-padroeira-principal-da-cidade-do-porto&ca
    O Germano Silva também falou nisso na
    sua crónica domingueira do JN de 17-6-12.
    Conta que no séc. XIX havia 3 S. Joões:
    - o de Cedofeita, miguelista; o da Lapa,
    constitucional e o do Bonfim, republicano.
    O alho-porro era usado para afastar o
    mau-olhado. Lembro-me de, na minha meninice,
    o alho ser pendurado na parede da minha casa,
    sendo substituído no ano seguinte. Os bairros
    eram engalanados pelos moradores e neles se
    dançava pela madrugada fora. Às tantas saíam
    todos em grupo (rusga) e, cantando, percorriam
    as ruas até às Fontainhas como era tradição.
    O meu pai contou-me que não era costume bater
    com o alho nas pessoas. Acontece que, durante a
    II Grande Guerra, na rua de Santa Catarina, à
    porta do Grande Hotel, a gerência colocou umas
    cadeiras de lona para os turistas assistirem à
    passagem das rusgas, oferecendo um alho-porro
    a cada um . As velhotas inglesas, começaram a
    pousar a flor do alho na cabeça e no nariz do(a)s
    passantes, numa atitude amistosa. O seu gesto não
    tardou a ser copiado e generalizou-se, não só com
    o alho mas com os ramos de cidreira. Depois veio
    a desgraça do plástico e, hoje, anda tudo à martelada...
    Vendo esta versão do meu velhote pelo mesmo preço
    e vou inclui-la na compilação do teu texto que estou a
    fazer.
    Abrassom deste murcom-jubilado,
    «:-) GM "

    Obrigado, Gaspar

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  3. Recebi hoje do Gaspar a tal "explicação" sobre o S. João que vem enriquecer ainda mais o trabalho. Vai ficar no início deste e conforme foi enviado.
    Obrigado, Gaspar.

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