segunda-feira, 7 de maio de 2012

Maio Maduro Maio / Deram-nos uma Punhalada

Recordar é Viver
Nesta noite dou comigo a relembrar tempos em que Sonhar era caminhar para o Futuro. Foi assim em Abril e acreditar que Maio era mais um passo para a Mudança... por isso dei comigo a ver esta fotografia feita no calor de um Sonho, a recordar os Sonhos que nesses meses se tentaram concretizar.


Sem palavras, deixo-vos estes dois poemas da Helena Guimarães. Um que nos fala do Maio, das flores, da esperança, da liberdade, dos cravos, das armas, duma revolução que foi sonhada:





MAIO MADURO MAIO


Maio, mês das flores
da esperança, dos amores,
Maio do meu País,
que viveu alegre e incauto
a pensar que a liberdade
tinha sido conquistada,
com cravos e armas caladas.
Direito ao trabalho e ao pão.
Não se faz assim uma Revolução!
Deixaram crescer no ventre
com bonomia crescente
o polvo que nos matou.
Humilhados os herois
que nos consideraram gente
somos escravos do mundo
e de uma seita maldita
que, hoje, nos desacredita,
insensível, nos espolia,
com máscara de honradez.
Num estouvado messianismo
sacrificamos os jovens
como no sebastianismo
o fizemos em Fez.
Maio do meu País
com o céu a chorar por nós.
Maio com o Povo a passar fome.
Não há maduros trigais
nem cravos a florir.
E não há já ideais.
Preferimos as promoções
a lutar contra os ladrões.
Maio da desesperança
do medo e da contradança.
Um País em contramão
à espera de solução!

Helena Guimarães - 5 de Maio 2012



O outro poema, Deram-nos uma Punhalada, é o retrato do país, do momento, de um povo reprimido, manso, ignorante, sujeito a voracidade do capitalismo global:


DERAM-NOS UMA PUNHALADA

Deram-nos uma punhalada
e por essa ferida se esvai
o sangue de um País.
Vão-se os filhos para fora
dar o poder do seu braço,
do cérebro e do abraço
a povos que nem conhecem:
vai-se a família, desfeita,
sem tempo, em ansiedade;
choram as crianças á míngua
do pão a que têm direito
do colo, da afeição,
direitos de um cidadão
na sua pátria raiz;
Vai-se a nossa matriz
de portugueses inteiros
da História outrora primeiros;
Vão-se as nossas empresas
vendidas a um tostão
num espoliar sem sentido
e o povo reprimido
manso e ignorante
luta com as reservas
o seu regresso às trevas,
abrindo os bolsos rotos
à ganância e aos arrotos
dum capitalismo global.
Deram-nos uma punhalada
e por essa ferida se esvai
o sangue de um País!

Helena Guimarães – 5 de Maio 2012


Obrigado, Helena, por estes teus poemas.

Um abraço,
José Gomes

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