terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Silêncio

Na última Noite de Poesia no Flor de Infesta a Helena Guimarães declamou-nos este poema que me tocou... e de que maneira! Neste nascer de ano, espero que esta mensagem caia bem fundo no sentir dos portugueses. Acredito que o Futuro está nas nossas mãos... saibamos nós usá-las!


SILÊNCIO

Não é tempo de silêncio!
O tempo de silêncio
é quadra de águas calmas
de brisas mornas
de mares iridiscentes.
É tempo de reflecção.
Hora de caminhos interiores
da descoberta da alma,
das forças do coração.
Hoje é tempo de luta
pelo que chamamos de nosso,
pelo nosso legado
aos filhos, nossos herdeiros,
a nossa identidade
de homens livres e capazes
de construir um País.
Legado de gente feliz.
Gente com letra grande
que fez a história dos mares.
Não é tempo de silêncio!
É tempo das nossas mulheres
que sempre deram o exemplo
fazerem um movimento
e defenderem seus filhos
das regras destes caudilhos.
Vão-se-nos as joias e os dedos,
nem para que bolso sabemos,
e tristes empobrecemos
enriquecendo outros povos
que têm raiva do que temos
e até do nosso sol.
É tempo de dizer basta
aos que vendem o País
como se fossem petizes
a trocar, entusiasmados,
os cromos do futebol.

Helena Guimarães


2 comentários:

  1. Helena, não de troia, mas de guimarães, diz que é tempo de reflexão. E é!
    É também tempo de ação, porque andamos quase há um seculo a penasr! Demasiado tempo, Helena de Guimarães! Demasiado tempo!

    ResponderEliminar
  2. Muito bom poema. Helena é uma exímia versejadora e poeta dos sentimentos mais profundos protectores duma cidadania plena. Parabéns.
    Armando Figueiredo (Daniel Cristal e +)

    ResponderEliminar