terça-feira, 7 de junho de 2011

Tenho pena do meu país...

Quero agradecer este poema que me foi enviado pela Helena Guimarães. Li o poema à Grizza e até ela ficou assim!...



TENHO PENA DO MEU PAÍS

Fizemos uma revolução
de armas caladas
balas de cravos
e ingénuas multidões
cantando a Liberdade.
Com nossos costumes brandos
não erguemos os patíbulos,
não encostamos ao muro
e passamos pelas armas
quem amarrou a sociedade
mantendo-nos submissos
dóceis, sem instrução.
Protegemos ditadores
esquecemos a servidão!
Bebemos ávidos e ingénuos,
os vícios que nos serviram.
Vendemos dedos e anéis
em busca da felicidade,
esquecemos a solidariedade,
julgamos o nosso irmão.
E como criança sem pai
elegemos como herói
o nosso Homem Maior
de cinco séculos de História
repleta de conquistadores
de terras gentes e mares,
um ditador beato e duro
avesso à civilização,
aliado dos tiranos
que queriam um mundo novo
facínora europeu
de cujas mãos escorreu
o sangue inocente de um povo.
País assim não se merece!
Fizemos uma revolução sem ódio
que o ódio não engrandece!
Passaram trinta e sete anos.
Medrou em nós a serpente
que o País amordaçou.
E não cresceu de repente!
Cresceu na alma do povo
nas mentiras inventadas
sem que ninguém cuidasse.
E numa noite inglória
deixamos ficar a história
de um ódio cego a explodir.
Reinventamos a amarra
que nos leva à servidão.

Como o povo do deserto
Adoramos o bezerro
Barro doirado pelos média
e nas urnas, sem razão,
matamos a revolução!

Helena Guimarães
Junho 2011


Um abraço,
José Gomes

3 comentários:

  1. Eu também tenho pena Zé. A Grizza tem toda a razão de estar com esses olhinhos tristes, mas como as árvores morrem de pé e ainda são muitas as de boa cepa, mantenho a esperança, uma esperança que infelizmente ainda vai ver muito sofrimento pelo caminho...mas "As portas que Abril abriu" não se hão-de fechar assim.
    A tua amiga tem razão nos seus versos, temos os costumes demasiados brandos e o perdão também, deixamo-nos fácilmente comer pelos lobos...

    Beijos

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  2. Anónimo8/6/11 14:08

    Grande Helena Guimamarães!!! Efectivamente é para se ter pena...Adeus revolução.Tanto se lutou
    para se chegar a isto.
    A Grizza está triste por sentir o cheiro do que vem por aí...
    Parabéns à Helena e para ti por publicares. Um bejinho à Grizza.
    Abraço amigo, meu amigo Zé!
    Teresa G.
    http://coracaoentrepalavras.blogspot.com

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  3. As ideias não morrem! Paz, fraternidade, igualdade, liberdade... lá chegaremos!

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