domingo, 19 de junho de 2011

O "Coelho Jiróca" e "Bicharoquices" estiveram em Lisboa


Meus amigos,

Ontem eu, a Mamede, a Milú e o Victor estivemos em Lisboa em mais uma apresentação dos nossos livros, no Hotel Real Palácio. A apresentação esteve a cargo da Isabel Fontes da Edium Editores, a nossa Editora. Os momentos musicais (todos eles musicas infantis da nossa infância), interpretada com humor por um amigo da Isabel (atenção, a Isabel também cantou!!!!).

Foi um prazer encontrar lá um amigo que já o não via desde o Encontro de Blogues no Cais de Gaia em Junho de 2005: Rogério Santos.

Hoje fiquei surpreendido com este trabalho que o Rogério me deixou no meu email e que vou compartilhar com todos vós.

Visitem, por favor, estes dois sites:

http://industrias-culturais.hypotheses.org/
ou
http://industrias-culturais.blogspot.com


Obrigado Rogério.

Um abraço a todos.

José Gomes e Coelho Jiróca


quarta-feira, 15 de junho de 2011

Uma flor para Álvaro Cunhal


Álvaro Cunhal
10/11/1913 – 13/06/2005

Não me permito interromper o discurso da flor. O colorido luminoso da palavra sugere a fragrância da terra e o horizonte da verdade. Resta-me ficar atento para escutar o que sinto.
Cid Simões

Agradeço a Cid Simões esta homenagem a Álvaro Cunhal e que eu fui roubar ao blog. Para "escutar o que sinto" deixa-me juntar este belo texto de José Saramago:

Álvaro Cunhal

Não foi o santo que alguns louvavam nem o demónio que outros aborreciam, foi, ainda que não simplesmente, um homem. Chamou-se Álvaro Cunhal e o seu nome foi, durante anos, para muitos portugueses, sinónimo de uma certa esperança. Encarnou convicções a que guardou inabalável fidelidade, foi testemunha e agente dos tempos em que elas prosperaram, assistiu ao declínio dos conceitos, à dissolução dos juízos, à perversão das práticas. As memórias pessoais que se recusou a escrever talvez nos ajudassem a compreender melhor os fundamentos da raquítica árvore a cuja sombra se recolhem hoje os portugueses a ingerir os palavrosos farnéis com que julgam alimentar o espírito. Não leremos as memórias de Álvaro Cunhal e com essa falta teremos de nos conformar. E também não leremos o que, olhando desde este tempo em que estamos o tempo que passou, seria provavelmente o mais instrutivo de todos os documentos que poderiam sair da sua inteligência e das suas finas mãos de artista: uma reflexão sobre a grandeza e decadência dos impérios, incluindo aqueles que construímos dentro de nós próprios, essas armações de ideias que nos mantêm o corpo levantado e que todos os dias nos pedem contas, mesmo quando nos negamos a prestá-las. Como se tivesse fechado uma porta e aberto outra, o ideólogo tornou-se autor de romances, o dirigente político retirado passou a guardar silêncio sobre os destinos possíveis e prováveis do partido de que havia sido, por muitos anos, contínua e quase única referência. Quer no plano nacional quer no plano internacional, não duvido de que tenham sido de amargura as horas que Álvaro Cunhal viveu ainda. Não foi o único, e ele o sabia. Algumas vezes o militante que sou não esteve de acordo com o secretário-geral que ele era, e disse-lho. A esta distância, porém, já tudo parece esfumar-se, até as razões com que, sem resultados que se vissem, nos pretendíamos convencer um ao outro. O mundo seguiu o seu caminho e deixou-nos para trás. Envelhecer é não ser preciso. Ainda precisávamos de Cunhal quando ele se retirou. Agora é demasiado tarde. O que não conseguimos é iludir esta espécie de sentimento de orfandade que nos toma quando nele pensamos. Quando nele penso. E compreendo, garanto que compreendo, o que um dia Graham Green disse a Eduardo Lourenço: "O meu sonho, no que toca a Portugal, seria conhecer Álvaro Cunhal." O grande escritor britânico deu voz ao que tantos sentiam. Entende-se que lhe sintamos a falta.

José Saramago


Um abraço e o meu muito obrigado
José Gomes


terça-feira, 7 de junho de 2011

Tenho pena do meu país...

Quero agradecer este poema que me foi enviado pela Helena Guimarães. Li o poema à Grizza e até ela ficou assim!...



TENHO PENA DO MEU PAÍS

Fizemos uma revolução
de armas caladas
balas de cravos
e ingénuas multidões
cantando a Liberdade.
Com nossos costumes brandos
não erguemos os patíbulos,
não encostamos ao muro
e passamos pelas armas
quem amarrou a sociedade
mantendo-nos submissos
dóceis, sem instrução.
Protegemos ditadores
esquecemos a servidão!
Bebemos ávidos e ingénuos,
os vícios que nos serviram.
Vendemos dedos e anéis
em busca da felicidade,
esquecemos a solidariedade,
julgamos o nosso irmão.
E como criança sem pai
elegemos como herói
o nosso Homem Maior
de cinco séculos de História
repleta de conquistadores
de terras gentes e mares,
um ditador beato e duro
avesso à civilização,
aliado dos tiranos
que queriam um mundo novo
facínora europeu
de cujas mãos escorreu
o sangue inocente de um povo.
País assim não se merece!
Fizemos uma revolução sem ódio
que o ódio não engrandece!
Passaram trinta e sete anos.
Medrou em nós a serpente
que o País amordaçou.
E não cresceu de repente!
Cresceu na alma do povo
nas mentiras inventadas
sem que ninguém cuidasse.
E numa noite inglória
deixamos ficar a história
de um ódio cego a explodir.
Reinventamos a amarra
que nos leva à servidão.

Como o povo do deserto
Adoramos o bezerro
Barro doirado pelos média
e nas urnas, sem razão,
matamos a revolução!

Helena Guimarães
Junho 2011


Um abraço,
José Gomes