segunda-feira, 25 de abril de 2011

25 de Abril - uma data a não esquecer - IV


PENSAR ABRIL – I

O 25 de Abril,
A Liberdade na ponta
Das espingardas com cravos vermelhos,
A esperança pela Tolerância
E pela fraternidade,
O Zeca Afonso das baladas
De intervenção
Que nos fizeram acordar
De uma longa noite de trevas.

O 25 de Abril,
A voz audaz de um povo,
Até então, calado,
Adormecido
Pelas vozes tirânicas,
De um poder sem dó.

O 25 de Abril,
A consciência de uma voz,
Aberta,
Que nos iluminou o futuro.

O futuro? Que futuro?
O da política demagógica?
O da falsa democracia?

O futuro? Que futuro?
Que já não se silencia?
O futuro da expressão
De todas as cores?
O futuro do rosa, do laranja,
Do vermelho, do verde?

O 25 de Abril,
O eco de pensamentos outros,
Do diálogo,
Ou da conversa fiada,
Da trama das ideologias
E da teoria da inexistência das ideologias.

O 25 de Abril,
O amor e a paz,
Sempre adiadas,
Mesmo depois do ilusório apogeu
Da bem-dita guerra colonial,
Dos homens mutilados,
Dos corações de mulheres,
Despedaçados,
Das almas das crianças,
Órfãs,
Que assim nasceram,
Á luz da promessa
De uma nova idade.

Isabel Rosete







PENSAR ABRIL – II

Trinta e sete anos passados.
Restam-nos as memórias
Dos horrores da guerra,
De uma sociedade que,
Em nome dos cravos vermelhos,
Um dia, ousou gritar:
Liberdade.

Liberdade:
Qual palavra de ordem
Que fez cair um regime
Eternamente enraizado.


Liberdade:
Qual palavra de ordem
Que arrancou,
Com todas as armas,
A tirania aos pretensos opressores
De um poder adulterado.

Liberdade:
O sinal do dizer aberto,
Há muito ocultado,
Pelo véu da falsa ordem,
Há muito camuflado,
Sob a tríade
Deus, Pátria, e Família.

Liberdade:
O sinal do dizer aberto,
Há muito velado,
Nos meandros da paupérrima Cultura
De um Povo
Que convinha manter calado.

Calado? Sim, calado!
Em nome da ausência
Do espírito crítico,
Das mentes despertas
E do pensar astuto.

Trinta e sete anos passados
E aqui estamos nós,
Quiçá, em uníssono,
A comemorar,
Com milhares de cravos vermelhos,
O grande acontecimento da Liberdade.

Isabel Rosete





                                      
PENSAR ABRIL – III

Volvidos trinta e sete anos,
Já não somos os mesmos!

Somos quaisquer outros
Abandonados pelos políticos
Insanos do tachismo e da tagarelice,
Pelas pardidarices que, sem
Esperança, nos des-governam.

Peregrinamos pelos espaços
Vazios do Mundo, em crise
Consagrada pelos falsos
Mentores nacionais, de promessas
Sempre adiadas,
Avistando-nos com outro rosto:

‑ O rosto da política
Da integração europeia
E da inclusão comunitária.

‑ O rosto da moeda única,
Da farsa da adaptação
Ou da massificação ideológica.

‑ O rosto da desagregação
Cultural e apátrida, movida na
Mera verossimilhança de um
Povo sem identidade.

‑ O rosto, cuja voz,
Já não sabe mais cantar
O hino nacional.

‑ O rosto, cujos traços e cores,
Já não são mais
Os da nossa bandeira.

Volvidos trinta e sete anos,
Já não somos os mesmos!
O que somos, então?

Um povo errante,
Ainda e sempre,
No resto da cauda da Mundo,
Que outrora conquistámos,
No preciso momento
Em que o perdemos?

Erguemos o Convento de Mafra,
Com o ouro vindo do Brasil,
Edificámos a Torre de Belém
E o Monumento das Descobertas,
À custa de longas e saudosas lágrimas
Dos que sempre partiram,
Dos que nunca chegaram!

Qual Velho do Restelo
Se ousa, ainda, erguer?

Qual Adamastor
Povoa, ainda,
Os nossos mares?

Quais ondas alterosas
Se aprumam,
Nesse mar imenso,
Por onde não velejamos jamais?

Isabel Rosete




Maria Isabel Rosete nasceu em Aveiro em 1965. É professora, investigadora e escritora nos domínios da Filosofia, Estética, Poesia e Literatura. 
Fez o Curso de Mestrado em «Estética e Filosofia da Arte», pelo Departamento de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Doutoranda, na mesma área de investigação, no Departamento de Comunicação e Arte da Universidade de Aveiro, foi Bolseira do Ministério da Educação Português, fez o Curso de Estudos Superiores Especializados em «Gestão e Administração Escolar» (vertente de Psicologia da Educação), pelo Instituto Superior de Educação e Trabalho do Porto. Pertence a várias Associações, é uma Mulher plurifacetada, já fez rádio, teatro e TV. Dinamiza encontros de Poesia, é membro integrante/colaboradora do Grupo Poético de Aveiro (GPA), dizente/declamadora de Poesia, organizadora, apresentadora e encenadora de sessões de Poesia (da sua autoria/outros autores), entre outras.
Tem publicações impressas em Jornais, Revistas e Livros.
«Vozes do Pensamento – Uma Obra para Espíritos Críticos», publicado em Janeiro de 2010, é a sua primeira obra individual de Poesia filosófica de crítica social e política publicada em Portugal; primeira obra da quadratura «Pensamentos Dispersos e alguns Manifestos ‑ Fragmentos descontextualizados»
Livros a publicar (2011-2012):
Poesia: «Pensamentos Dispersos e alguns Manifestos – Fragmentos descontextualizado», «Fluxos da Memória», «Entre-Corpos» e «Mundos do Ser e do não-Ser»
Escrita filosófica/literária ensaística: «Uma poética da música em Martin Heidegger: Instauração de uma Poética onto-ecológica» (Tese de Doutoramento) e «Vergílio Ferreira: Na face do mistério, o pensamento e a voz do silêncio».



No dia 7 de Maio, às 21.00h
no "Clube Literário do Porto", Isabel Rosete vai estar presente para uma palestra «A Poesia e as "Vozes do Pensamento"», coincidente com a 12ª sessão de apresentação deste seu livro.

Um abraço,
José Gomes



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