quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Lançamento do Orion - 19 Janeiro 1964

Faz hoje 47 anos... como o tempo passa!!!


Em 19 de Janeiro de 1964 três jovens portuenses arrastaram uma multidão de curiosos para o pinhal da Boa Nova (Leça da Palmeira) - onde hoje se encontra a refinaria da Galp -  para assistirem ao lançamento do primeiro foguetão de dois andares por eles construído.

Recordo algumas das características do projecto ORION (nome deste foguetão de 2 andares):
a) Primeiro andar -  altura 1,32 m; diâmetro 50,8 mm; peso (vazio) 4 kg; tempo de combustão do propulsante 0,46 s; velocidade 350 m/s; força 480 kg.
b) Segundo andar: altura 0,26 m; diâmetro 19 mm; peso (vazio) 60 g; tempo de combustão do propulsante 0,07 s; velocidade 560 m/s; força 50 kg.


A  rampa de lançamento tinha uma altura de 1,50 m e o ângulo com a horizontal era de 80º; o zénite da trajectória prevista foi de  9.000 m. 


O combustível utilizado nesta experiência era sólido, prensado nas câmaras de combustão dos dois andares do foguetão. A ignição do primeiro andar foi feita directamente pelo director de voo e a do segundo andar por inércia.

A cerca de quarenta metros da rampa de lançamento estiveram representantes dos órgãos de informação que, de máquinas apontadas, fotógrafos e operadores de cinema e televisão, registaram para a posteridade o lançamento do foguetão.





Pelas 13 horas desse domingo de Janeiro e com um ruído ensurdecedor, Orion galgou para o espaço, percorrendo os 9.000 metros projectados pelos seus construtores.



"(...) De súbito, o local ficou envolvido em silêncio tal que se conseguiam ouvir as ondas do mar. Começou uma voz a contar de dez para zero e, por entre um clarão de chamas e uma espessa nuvem de fumo, sem que houvesse tempo para o fixar, o «Orion» disparou em rápida subida , levando como direcção o Oeste, preparando-se para se elevar a 9.000 metros de altitude e cair depois no Atlântico. Ainda a enorme nuvem branca não se tinha esfumado, já a multidão corria entusiasmada para o local, onde as ervas estavam queimadas pela explosão, e para o mar, na esperança de verem cair, lá longe, o 2º andar do foguete (...)".

- reportagem do Jornal de Notícias de 20 de Janeiro de 1964.



Em 19 de Janeiro de 2008, neste mesmo blogue, publiquei um trabalho mais desenvolvido sobre este tema.
Para quem estiver interessado em o reler basta clicar AQUI.

Um abraço,

José Gomes

8 comentários:

  1. Felicito o Amigo Zé Gomes pelas "coisas ricas" com que tem vindo a preencher a sua vida. Esta do lançamento do ORION é mais uma a ir enchendo a galeria dessas preciosidades.
    Um abraço, extensivo à Milú e à Sónia.
    Fátima Castro

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  2. Muito fixe, e eu apesar de ser de Leça desconhecia!

    boa!

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  3. Recebi este email:

    "Amigo Zé
    Lembro-me de na altura ter associado o lançamento do "ORION" a um conto ficcionado por ti...
    Afinal foi verdade! Parabéns pelo feito e por me teres proporcionado o recordar da efeméride.
    Um abraço do Jaime Gonçalves
    "

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  4. Este email do Bruno:

    "Ois,

    muito fixe! principalmente pra mim que sou de Leça e desconhecia!

    tomei a liberdade de colocar no meu blog, http://www.quecenafixe.com/curiosidades/orion-47-anos-depois_15949

    Cmps
    Bruno
    "

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  5. amigo zé
    se te vir na rua ou em qualquer outro lugar não te vou conhecer, pena. será que te conheci? talvez talvez sim. também estive com, e no vosso sonho e o sonho , (é melhor ler o gedeão e gozar a comoção)e o sonho é o impulso, o sopro de vida.
    quando soube do vosso feito do lançamento já tinha sido e já estava no grupo, acho que era esse o grupo, acho que não sou vítima de um grande erro. por volta do último trimestre de 66 e primeiro de 67 um amigo e estudante na faculdade de ciências, curso de engenharia convidou-me para integrar o grupo e lá entre outros, encontrei um amigo e aluno de eng electrotécnica que já faleceu por acidente. Por lá andei pouco tempo até finais de 77 para entrar no serviço militar. fui-me encontrando com alguns e fui sabendo do desfalecimento daquele sonho e senti luto. ainda hoje me emprenho de orgulho de lá ter estado embora pouco tenha contribuído. um dia destes queria ver se não estou enganado, se aquelas reuniões, aquela parte do cdup na boa hora onde laborámos, se o director do observatório do monte da virgem, se o major trindade que logo a seguir encontrei em lamego ( este ligado ao apoio logístico) não passa de uma outra coisa, de um outro projeto. se for a mesma coisa, eu, apesar de ter apanhado o comboio tarde de mais e ter saído para continuar por aí, confesso que com a mínima vontade de ver nos meus irmãos mais escuros os inimigos que me queriam fazer crer que o eram.
    só isto, fiquei feliz ao recordar e grato por esta publicação, grato ao zé gomes e ao meu amigo rui vaz pinto.
    um abraço
    zé c. f.

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  6. Amigo Zé C. F.

    Obrigado pelo comentário.
    Em conversa com o Jaime, não chegamos a nenhuma conclusão. Os anos passaram e várias pessoas passaram pelo grupo. A seguir a 1964, mais propriamente a seguir ao lançamento do Orion, agarramo-nos de unhas e dentes ao Projecto Antares (sim, aquele foguete que deveria levar, na cápsula, um rato - o Victor, que acabou sacrificado numa das experiências!). Vários amigos entraram no grupo depois do lançamento e todos juntos dividimos tarefas. Lembro-me do António Manuel, do Gaspar... vejo mais rostos, mas não me lembro dos seus nomes - sempre fui um despistado com os nomes!!!
    Lembro-me que uma semana depois do lançamento do Orion e no mesmo local, foi lançado um foguetão da responsabilidade de um grupo ligado ao Liceu ou à Mocidade, não sei bem - lembras-te, Jaime?
    O Cdup da Boa Hora, o Café Guanabara, eram alguns pontos de encontro. Se bem me lembro, as visitas que fiz ao Observatório do Monte da Virgem foi no âmbito da "Semana de Observação do Céu", mas estas estavam ligadas ao GEO - Grupo de Estudos de Ovnilogia que nasceu em 1975.
    Mesmo assim, caro Zé, gostaríamos muito de relembrar esses tempos idos, quer fizesses parte do nosso ou de outro grupo.
    Um abraço,
    José Gomes

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  7. zé c.f.9/2/11 13:03

    Helô caro zé (perdoa-me a ousadia do à vontade). fiquei com dúvidas porque não sabia que existiu outro grupo´mas devo ter estado no mesmo que estiveste embora por pouco tempo, uns meses, nunca mais de um ano. quando me referi ao observatório do monte da virgem foi porque numa reunião de trabalho, creio que no cdup, esteve lá um fulano que a minha já esbatida memória me diz ser alguém com responsabilidade e docente na universidade. mas não é certo, e eu até sou um pouco despistado. também lembro a história de um rato e da preocupação de ter e executar um projecto de uma cápsula com para-quedas incluído e de outras coisas que se for do mesmo grupo gostaria de recorda um dia destes. quero crer que era o mesmo grupo pois náo estou a ver os que eu lá conhecia ligados a Mocidade ou vindos do liceu, pelo menos dois deles não eram.
    ora aconteceu que eu cheguei até ao teu blogue por obra de um amigo , o rui, mais concretamente o rui vaz pinto, um amigo da direcção da unicep, aquela cooperativa livreira nos leões que por sua vez é amigo de um josé silva que será do teu conhecido´. como ao longo dos anos , lá de longe à longe , lhe tenho falado do projecto, ao rui, mal o citado josé silva lhe falou do lançamento, ele me mandou a cópia dum e-mail e eu cheguei aos "chuviscos".
    será o mesmo grupo? quero crer que sim.
    se um dia destes puderes e quiseres poderíamos conversar a ver a que conclusão se chegará.
    à segunda feira costumo ir ao porto onde frequento a upp e passo muitas vezes pela unicep, sempre que me interessa. o meus contactos telefónicos são 255522917 ou 919429412 e o e-mail difo@sapo.pt

    ser´+a o mesmo projecto? às vezes ou quase sempre, aparecem quando nos parecem termos certezas.
    um abraço

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  8. zé c. f.10/2/11 23:11

    na última frase deveria ter escrito " será o mesmo projecto? as vezes ou quase sempre as dúvidas aparecem quando nos parece termos certezas "
    assim já deve estar entendível.
    já agora aproveito para em jeito de recordação para dizer que, estando em lamego, na tropa aquando da ida à lua, creio que em 69, senti-me como irmanado com o feito e um entusiasmo quase indescritível. bebi tudo como se andasse por lá.
    um abraço

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