sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

2012 e a "Mudança das Eras"


Agradeço ao Zorze e ao blog  Cheira-me a Revoluçãode quem "roubei" este artigo. As minhas desculpas por não vos pedir a devida autorização.


"Quando se diz que a Humanidade chegou a um período de transformação, e que a Terra deve elevar-se na hierarquia dos mundos, não veja nestas palavras nada de místico, mas, ao contrário, a realização de uma das grandes leis fatais do Universo, contra as quais se quebra toda a má vontade humana".

De acordo com os Maias e os Aztecas o Sexto Ciclo do Sol é para começar em 21/12/2012. Este Ciclo é também conhecido como a "Mudança das Eras".
Conforme as suas previsões é para ser o início de um ciclo que é baseado na harmonia e no equilíbrio.
Ao que, o planeta Terra está a passar por uma grande mudança na percepção da consciência e da realidade.
Os Maias têm 22 calendários no total, que abrangem muitos ciclos de tempo no Universo e no Sistema Solar. Alguns desses calendários ainda não foram revelados.
O Quinto Mundo Maia terminou em 1987. O sexto mundo começa em 2012. Portanto, estamos actualmente "entre mundos". Este tempo é chamado de "Apocalipse" ou revelando.
Isto significa que a verdade será revelada. É também o momento de se realizar transformações individuais e colectivas.

De facto, em 2007 começou um processo de catarse global de consequências imprevisíveis, independentemente das múltiplas opiniões económicas, políticas, sociais e até climatéricas. Tem ganho forma uma inevitabilidade, que é antiga e que vem dos tempos antigos, ninguém prevê o dia de amanhã, nessa linha, qualquer comentário ou previsão, tem a credibilidade que tem, muito próximo do zero.

Os Maias também dizem que em 2012 teremos ido além da tecnologia como a conhecemos. Teremos ido além do tempo e dinheiro. Teremos entrado na quinta dimensão depois de passar pela quarta dimensão.
À medida que caminhamos pela quarta dimensão efectuando nossa transformação íntima, vamos experimentando uma mudança na consciência. A quarta dimensão é mais um estado de espírito do que um lugar real.

O Planeta Terra e o Sistema Solar entrarão em sincronização galáctica com o resto do Universo. O nosso DNA sofrerá um "upgrade" (uma espécie de reprogramação) vinda do centro de nossa galáxia. Ou seja, em 2012, o plano do nosso Sistema Solar vai alinhar exactamente com o plano da nossa galáxia, a Via Láctea. Este ciclo leva aproximadamente 26.000 anos para se completar.

O tempo está realmente a acelerar (ou a entrar em colapso). Tempo no entanto não existe - apenas o agora existe - como todas as pessoas conscientes o sabem.
Tal como é comprovado pela Ressonância Schumann (um conjunto de picos do espectro do campo electromagnético) que é normalmente de 7,83 ciclos por segundo. No entanto, desde 1980 essa ressonância vem subindo lentamente.
Agora está em mais de 12 ciclos por segundo. Isto significa que há o equivalente a menos de 16 horas por dia em vez das antigas 24 horas. É por isso que o tempo parece estar a correr tão rápido. Pode-se dizer que não é "tempo", mas a própria Criação, que está acelerando.

Resumindo, o tempo é relativo nas inúmeras variações; sejam físicas, espaciais e espirituais, e dentro destes em cada um também variam.
Como corolário, fica a pequena nota, de que o planeta em que vivemos e partilhamos actualmente é um pequeníssimo ponto da nossa galáxia, sem esquecer, de que existem muitas e muitas galáxias. Apenas para nos posicionarmos na nossa ordem de grandeza.


Publicado em simultâneo no Cheira-me a Revolução!
Publicado em simultâneo no Extrafísico.
# Zorze

Um abraço e muita FORÇA para lutar por UM MUNDO NOVO A SÉRIO.
José Gomes

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Silêncio

Na última Noite de Poesia no Flor de Infesta a Helena Guimarães declamou-nos este poema que me tocou... e de que maneira! Neste nascer de ano, espero que esta mensagem caia bem fundo no sentir dos portugueses. Acredito que o Futuro está nas nossas mãos... saibamos nós usá-las!


SILÊNCIO

Não é tempo de silêncio!
O tempo de silêncio
é quadra de águas calmas
de brisas mornas
de mares iridiscentes.
É tempo de reflecção.
Hora de caminhos interiores
da descoberta da alma,
das forças do coração.
Hoje é tempo de luta
pelo que chamamos de nosso,
pelo nosso legado
aos filhos, nossos herdeiros,
a nossa identidade
de homens livres e capazes
de construir um País.
Legado de gente feliz.
Gente com letra grande
que fez a história dos mares.
Não é tempo de silêncio!
É tempo das nossas mulheres
que sempre deram o exemplo
fazerem um movimento
e defenderem seus filhos
das regras destes caudilhos.
Vão-se-nos as joias e os dedos,
nem para que bolso sabemos,
e tristes empobrecemos
enriquecendo outros povos
que têm raiva do que temos
e até do nosso sol.
É tempo de dizer basta
aos que vendem o País
como se fossem petizes
a trocar, entusiasmados,
os cromos do futebol.

Helena Guimarães


quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Natal... em forma de poema







Não consegui resistir ao conteúdo deste poema da Isabel Rosete. Neste tempo conturbado a Isabel conseguiu dar ao poema um espírito de Natal diferente e que nos fará pensar... e, quem sabe? Talvez ajude a sair da letargia em que estamos mergulhados.
Obrigado, Isabel, pelo poema.




             Sejamos Natal

Para além de todas as demagogias,
Para além do politicamente correcto,
Para além de todas as hipocrisias...

Celebremos, finalmente, o Espírito do Natal
Em todos os momentos
Desta nossa existência, tão efémera.

Natal é Fraternidade, Solidariedade, Paz,
Amor e Alegria na Terra
E nos Corações dos Homens;

Natal é a apologia do autenticamente Humano,
Em toda a sua essência genuína
De Bondade e de Verdade;

Natal é o enaltecimento de um Mundo
Onde não haja mais lugar para a Crueldade,
Para a Violência ou para a Agressividade;

Natal é a reunião dos Corações sensíveis
Que lutam, desesperadamente, pela União
Dos Povos e das Nações;

Natal é a rejeição da Discriminação,
Dos horrores da Guerra,
Da mutilação dos Corpos e das Almas;

Natal é a consciência da Miséria Humana,
O compromisso da sua superação,
O enaltecimento da Justiça e da União fraterna;

Natal é o triunfo do Bem e do Belo,
A glória de todos os Renascimentos,
A comemoração da Dignidade Humana;

Natal é a benção do sempre Novo,
O louvor de todo o acto de Criação,
De Renovação e de Regeneração.

Sejamos Natal,
Hoje, sempre,
Para sempre...

Isabel Rosete

domingo, 4 de dezembro de 2011

Noites de Poesia em Vermoim - reportagem de 3 Dez 2011

A pedido de vários amigos e porque o Movimentum - Arte e Cultura fez 18 anos de actividades, deixo-vos aqui com um relato do que se passou no sábado, dia 3 de Dezembro passado, no Salão Nobre da Junta de Freguesia de Vermoim:





A reportagem da “Noites de Poesia em Vermoim”

(Sábado, 3 de Dezembro de 2011)

E a gripe desceu à “Noites de Poesia em Vermoim”… uma forma de justificar, entre outros, as ausências da Maria Mamede e de outros poetas. Já para não falar dos amigos que deveriam estar presentes para animar musicalmente esta nossa tertúlia.


José Gomes, acompanhado por Mário Jorge, foi o “maestro” que coordenou esta Noite de Poesia. Uma Noite com muito poucos poetas mas com o entusiasmo de sempre dos poetas presentes.


O tema escolhido para esta Noite de Poesia foi “RENASCE A ESPERANÇA”.

Armindo Cardoso deu início a este Sarau de Poesia, seguindo-se José Carlos Moutinho, Manuela Miguéns, Ricardo Tavares (que nos visitou pela primeira vez), Maria José Santos Leite, Helena Guimarães, Carlos Rebordão Teixeira, José Ribeiro, José Gomes, Teresa Gonçalves e Silvino Figueiredo.

Na “Poesia na Net” foi lido por José Gomes o poema enviado por João Diogo, de Recife, Brasil.

Teresa Gonçalves, nesta ocasião do 18º aniversário do Movimentum – Arte e Cultura, dedicou-nos este poema:

hoje é dia
de verter taças prateadas
em louvor ao amor à arte
beber gota a gota com fervor
a música cristalina do bater das taças
pelo movimento Movimentun
Arte e Cultura
que ao longo destes anos
remando contra a maré
segura o leme com trabalho
partilhado em delicado espaço
ao sábado primeiro de cada mês
em afagos de amor e ternura
à serena beleza da poesia
faça calor ou faça frio.
uns permanecem
outros chegaram
alguns partiram
e mais virão
mas o que interessa realçar
é a entrega sem revês
de quem sabe, tão bem a arte amar.

Parabéns, amigos José Gomes e Maria Mamede.
Parabéns aos que ficaram
aos que partiram e aos que chegaram.

Teresa Gonçalves 2011-12-03









No próximo sábado, dia 10 de Dezembro de 2011, pelas 17,30 horas, a poetisa Maria José Santos Leite vai fazer mais uma apresentação dos seus livros recentemente editados, na ARTE ALIADOS, Rua de Francos 131 (Junto à Casa de Saúde da Boavista.
Agradecemos a vossa presença e a divulgação desta apresentação.


Mais uma vez reiteramos os nossos votos de Feliz Natal e de um Novo Ano bem melhor do que está a ser apregoado. Muita Saúde, muita Paz, muitas Felicidades e muita Força e Engenho para ultrapassarmos as pedras que nos vão colocar no Caminho, já a partir do próximo ano.

A próxima Noite de Poesia em Vermoim é no dia 7 de Janeiro de 2012, no mesmo local, à mesma hora e com o tema:
ENQUANTO HÁ VIDA…

Um abraço,
José Gomes





quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Memórias de uma aula no Liceu de Setúbal



Resolvi, mais uma vez, levantar-me do chão e continuar a caminhada...

À Rosa, que me enviou este email, o meu obrigado.
Um abraço
José Gomes



Barreiro, 4 de Outubro de 1967
(Quarta-feira)

Segundo dia de aulas.
Continua o desassossego, com o pessoal a trocar beijos, abraços e confidências, depois desta longa separação que foram 3 meses e meio de férias. Estávamos todos fartos do verão, com saudades uns dos outros. A sala é a mesma do ano passado, no 1º andar e cheirava a nova, tudo encerado e polido, apesar do material já ser mais do que velho.

Somos o 7.º A e como não chumbou nem veio ninguém de novo, a pauta é exactamente igual à do ano passado. Eu sou o n.º 34, e fico sentada na segunda fila, do lado da janela, cá atrás, que é o lugar dos mais altos.

Hoje tivemos, pela primeira vez, Organização Política e apareceu-nos um professor novo, acho que é a primeira vez que dá aulas em Setúbal, dizem que veio corrido de um liceu de Coimbra, por causa da política.

Já ontem se falava à boca cheia dele, havia malta muito excitada e contente porque dizem que ele é um fadista afamado. Tenho realmente uma vaga ideia de ouvir o meu tio Diamantino falar dele, mas já não sei se foi por causa da cantoria se por causa da política.

A Inês contou que ouviu o pai comentar, em casa, que o homem é todo revolucionário, arranja sarilhos por todo o lado onde passa. Ela diz que ele já esteve preso por causa da política, é capaz de ser comunista. Diferente dos outros professores, é de certeza.

Quando entrou na sala, já tinha dado o segundo toque, estava quase no limite da falta. Entrou por ali a dentro, todo despenteado, com uma gabardine na mão e enquanto a atirava para cima da secretária, perguntou-nos:
- Vocês são o 7.º A, não são? Desculpem o atraso mas enganei-me e fui parar a outra sala. Não faz mal. Se vocês chegarem atrasados também não vos vou chatear

Tinha um ar simpático, ligeiro, um visual que não se enquadrava nada com a imagem de todos os outros professores. Deu para perceber que as primeiras palavras, aliadas à postura solta e descontraída, começavam a cativar toda a gente. A Carolina virou-se para trás e disse-me que já o tinha visto na televisão, a cantar Fado de Coimbra.

Realmente o rosto não me era estranho. É alto, feições correctas, embora os dentes não sejam um modelo de perfeição e é bem parecido, digamos que um homem interessante para se olhar. O Artur soprou-me que ele deve ter uns 36 anos e acho que sim, nota-se que já é velho. Depois das primeiras palavras, sentou-se na secretária, abriu o livro de ponto, rabiscou o que tinha a escrever e ficou uns cinco minutos, em silêncio, a olhar o pátio vazio, através das janelas da sala, impecavelmente limpas.

Enquanto ele estava nesta espécie de marasmo nós começámos a bichanar uns com os outros, cada um emitindo a sua opinião, fazendo conjecturas. Às tantas, o bichanar foi subindo de tom e já era uma algazarra tão grande que parece tê-lo acordado. Outro qualquer professor já nos teria pregado um raspanete, coberto de ameaças, mas ele não disse nada, como se não tivesse ouvido ou, melhor, não se importasse. Aliás, aposto que nem nos ouviu. O ar dele, enquanto esteve ausente, era tão distante que mais parecia ter-se, efectivamente, evadido da sala. Quando recomeçou a falar connosco, em pé, em cima do estrado, já tinha ganho o primeiro round de simpatia.

Depois, veio o mais surpreendente:

- Bem, eu sou o vosso novo professor de Organização Política, mas devo dizer-vos que não percebo nada disto. Vocês já deram isto o ano passado, não foi? Então sabem, de certeza, mais que eu.

Gargalhada geral.

- Podem rir porque é verdade. Eu não percebo nada disto, as minhas disciplinas, aquelas em que me formei, são História e Filosofia, não tenho culpa que me tivessem posto aqui, tipo castigo, para dar uma matéria que não conheço, nem me interessa. Podia estudar para vir aqui desbobinar, tipo papagaio, mas não estou para isso. Não entro em palhaçadas.

Voltámos a rir, numa sonora gargalhada, tipo coro afinado, mas ele ficou impávido e sereno. Continuava a mostrar um semblante discreto, calmo, simpático.

- Pois é, não vou sobrecarregar a minha massa cinzenta com coisas absolutamente inúteis e falsas. Tudo isto é uma fantochada sem interesse. Não vou perder um minuto do meu estudo com esta porcaria.

Começámos a olhar uns para outros, espantados; nunca na vida nos tinha passado pela frente um professor com tamanha ousadia.

- Eu estudaria, isso sim, uma Organização Política que funcionasse, como noutros países acontece, não é esta fantochada que não passa de pura teoria. Na prática não existe, é uma Constituição carregada de falsidade. Portugal vive numa democracia de fachada, este regime que nos governa é uma ditadura desumana e cruel.

Não se ouvia uma mosca na sala. Os rostos tinham deixado cair o sorriso e estavam agora absolutamente atónitos, vidrados no rosto e nas palavras daquele homem ímpar. O que ele nos estava a dizer é o que ouvimos comentar, todos os dias, aos nossos pais, mas sempre com as devidas recomendações para não o repetirmos na rua porque nunca se sabe quem ouve. A Pide persegue toda a gente como uma nuvem de fumo branco, que se sente mas não se apalpa.

- Repito: eu não percebo nada desta disciplina que vos venho leccionar, nem quero perceber. Estou-me nas tintas para esta porcaria. Mas, atenção, vocês é outra coisa. Vocês vão ter que estudar porque, no final do ano, vão ter que fazer exame para concluírem o vosso 7.º ano e poderem entrar na Faculdade. Isso, vocês têm que fazer. Estudar. Para serem homens e mulheres cultos para poderem combater, cada um onde estiver, esta ditadura infame que está a destruir a vossa pátria e a dos vossos filhos. Vocês são o amanhã e são vocês que têm que lutar por um novo país.

Não vão precisar de mim para estudar esta materiazinha de chacha, basta estudarem umas horas e empinam isto num instante. Isto não vale nada. Eu venho dar aulas, preciso de vir, preciso de ganhar a vida, mas as minhas aulas vão ser aulas de cultura e política geral. Vão ficar a saber que há países onde existem regimes diferentes deste, que nos oprime, países onde há liberdade de pensamento e de expressão, educação para todos, cuidados de saúde que não são apenas para os privilegiados, enfim, outras coisas que a seu tempo vos ensinarei.

Percebem? Nós temos que aprender a não ser autómatos, a pensar pela nossa cabeça. O Salazar quer fazer de vocês, a juventude deste país, carneiros, mas eu não vou deixar que os meus alunos o sejam. Vou abrir-lhes a porta do conhecimento, da cultura e da verdade. Vou ensinar-lhes que, além fronteiras, há outros mundos e outras hipóteses de vida, que não se configuram a esta ditadura de miséria social e cultural.

Outra coisa: vou ter que vos dar um ponto por período porque vocês têm que ter notas para ir a exame. O ponto que farei será com perguntas do vosso livro que terão que ter a paciência de estudar. A matéria é uma falsidade do princípio ao fim, mas não há volta a dar, para atingirem os vossos mais altos objectivos. Têm que estudar. Se quiserem copiar é com vocês, não vou andar, feito toupeira, a fiscalizá-los, se quiserem trazer o livro e copiar, é uma decisão vossa, no entanto acho que devem começar a endireitar este país no sentido da honestidade, sim porque o nosso país é um país de bufos, de corruptos e de vigaristas.

Não falo de vocês, jovens, falo dos homens da minha idade e mais velhos, em qualquer quadrante da sociedade. Nós temos sempre que mostrar o que somos, temos que ser dignos connosco para sermos dignos com os outros. Por isso, acho que não devem copiar. Há que criar princípios de honestidade e isso começa em vocês, os futuros homens e mulheres de Portugal. Não concordam?

Bem, por hoje é tudo, podem sair. Vemo-nos na próxima aula.


Espantoso. Quando ele terminou estava tudo lívido, sem palavras. Que fenómeno é este que aterrou em Setúbal?

Já me esquecia de escrever. Esta ave rara, o nosso professor de Organização Política, chamava-se 

José Afonso.



(não sei quem foi a autora deste texto, mas mesmo assim agradeço a partilha.
A foto do Zeca foi retirada da Net).

José Gomes

domingo, 23 de outubro de 2011

E assim chegamos ao FIM


Obrigado pela vossa companhia e camaradagem durante todos estes anos.


Um abraço e até sempre.

José Gomes

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Homenagem a Fernando Peixoto

Fernando Peixoto - 1947-2008

Neste dia que faz 3 anos que nos deixaste rumo a qualquer uma das estrelas que construíste no paraíso dos Poetas, e à semelhança de homenagem a este grande vulto das letras, do teatro e companheiro de Luta, deixo aqui o poema declamado por o teu amigo Cesário Costa, na última Noite de Poesia em Vermoim:

MARÉS
TRAGÉDIA ABSURDA
(Última Encenação de Fernando Peixoto)

1ª CENA

Um vulto!
Mar encapelado,
ondas gigantes
e a mancha negra,
emaranhada de sargaço,
estreitando-o.

2ª CENA

Farol!
Emergência.
Monte da Virgem.
«Cama 23!» - disse a mulher.

3ª CENA

Mar liso e grosso!
Não há ondulação.
Outra maré.

4ª CENA

(Dias depois)
9,10 h
03-10-2008
»O Vulto desapareceu» - informou a filha.

5ª CENA

Silêncio!
Palco escuro.
Desce o pano.

6ª CENA

Estrondosa ovação!
- De pé!
À sétima onda,
Fernando Peixoto,
na nossa lembrança,
entrará por aquela porta!

(Cesário Costa, 01-11-2008)


Este poema foi declamado por Cesário Costa no dia 1 de Outubro de 2011, no Salão Nobre da Junta de Freguesia de Vermoim, no final da Tertúlia do mês de Outubro.


Os presentes, de pé, deram uma estrondosa salva de palmas, em homenagem a este Amigo, agora no céu dos Poetas.

Um abraço,
José Gomes


sexta-feira, 16 de setembro de 2011

E por falar em olhos... Maria Mamede



e por falar em olhos
há pássaros
saudosos/
pousados
na janela
da manhã
que há-de vir

(in "E por falar em olhos..."
Maria Mamede - 24 Set. 2011


Estaremos à vossa espera no dia 24 de Setembro de 2011, pelas 21,30 horas, no Salão Nobre da Junta de Freguesia de Vermoim.

Até lá, um abraço,
José Gomes

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Chile - 11 de Setembro de 1973

Bombardeamento do Palácio de La Moneda - Chile (11 Set. 1973)

Este é o 11 de Setembro de que quase ninguém fala mas que está, de certeza, bem vivo na memória do povo chileno. Por isso mesmo é importante que não deixemos que apaguem esta memória. A nossa Memória também se faz com a Memória dos outros. Visitem esta página:

 Chile - 11 de Setembro de 1973


No dia 11 de Setembro de 1973 um golpe de estado sangrento, comandado pelo general Augusto Pinochet, derrubou o Presidente da República, Salvador Allende, democraticamente eleito três anos antes.

Durante os 17 anos que durou a ditadura de Pinochet foram brutalmente assassinadas 3.197 pessoas (este número inclui 49 crianças de 2 a 16 anos e 126 mulheres, algumas delas grávidas). O número de desaparecidos ainda hoje não está completamente apurado.


Foi desta maneira que Ary dos Santos homenageou o povo e os mártires do Chile:

Homenagem ao Povo do Chile

Foram não sei quantos mil
operários trabalhadores
mulheres ardinas pedreiros
jovens poetas cantores
camponeses e mineiros
foram não sei quantos mil
que tombaram pelo Chile
morrendo de corpo inteiro.

Nas suas almas abertas
traziam o sol da esperança
e nas duas mãos desertas
uma pátria ainda criança.

Gritavam Neruda Allende
davam vivas ao Partido
que é a chama que se acende
no povo jamais vencido.
- o povo nunca se rende
mesmo quando morre unido.

Foram não sei quantos mil
operários trabalhadores
mulheres ardinas pedreiros
jovens poetas cantores
camponeses e mineiros
foram não sei quantos mil
que tombaram pelo Chile
morrendo de corpo inteiro.

Alguns traziam no rosto
um rictus de fogo e dor
fogo vivo fogo posto
pelas mãos do opressor.
Outros traziam os olhos
rasos de silêncio e água
maré-viva de quem passa
uma vida à beira-mágoa.

Foram não sei quantos mil
operários trabalhadores
mulheres ardinas pedreiros
jovens poetas cantores
camponeses e mineiros
foram não sei quantos mil
que tombaram pelo Chile
morrendo de corpo inteiro.

Mas não termina em si próprio
quem morre de pé. Vencido
é aquele que tentar
separar o povo unido.
Por isso os que ontem caíram
levantam de novo a voz.
Mortos são os que traíram
e vivos ficamos nós.

Foram não sei quantos mil
operários trabalhadores
mulheres ardinas pedreiros
jovens poetas cantores
camponeses e mineiros
foram não sei quantos mil
que nasceram para o Chile
morrendo de corpo inteiro.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Tempestade

















Tempestade

Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho,e desta sorte
Sou a crucificada ... a dolorida ...

Sombra de névoa ténue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...

Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porquê...

Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver,
E que nunca na vida me encontrou!

Florbela Espanca


domingo, 28 de agosto de 2011

Reflexões...



Reflexões à volta de um tempo sem Tempo

O BEM e o MAL têm a mesma face; tudo depende apenas da época em que cruzam o caminho de cada ser humano.[1]

Sinto-me magoado com a maneira como os “media” tratam a guerra como se fosse o relato de um vulgar jogo de futebol... — os clarões alaranjados dos mísseis, seguido do som seco dos que caiem em plena capital provocando no seu seio explosões, fumo e destruição...Porém nós não ouvimos os gritos de agonia das pessoas que tombam na derrocada dos edifícios... Não, esses gritos não são notícia!

O Homem (diz-se!) é o ser perfeito (!!!) que foi criado à imagem e semelhança do seu Criador... Será?!!
Fico sempre cheio de dúvidas e de interrogações. A certeza que tenho é que o Homem é um predador por natureza e por instinto... os outros animais matam por necessidade (fome ou quando se sentem ameaçados).
O Homem mata por prazer, por crueldade, pelo poder, pelo gosto de destruir. À sua passagem ficam apenas rastos de “nada de nada”, de dor, de desolação... depois já nada mais fica igual: — nem os rios, nem as serras, nem as florestas, nem os animais, nem o solo, nem o ar...
Um dia vai ser o próprio Homem a destruir completamente a sua espécie...

“ (...) Sabemos uma coisa que talvez o Homem Branco descubra um dia: o nosso Deus é o mesmo. Vocês podem pensar nesta altura que Ele vos pertence, do mesmo modo como desejam que as nossas terras vos pertençam; porém não é assim. Ele é o Deus dos homens e a Sua compaixão reparte-se por igual entre o Pele Vermelha e o Homem Branco. Esta terra tem um valor inestimável para Ele, e, se a estragarmos, isso provocará a ira do Criador. Também os Brancos acabarão um dia, talvez antes que as demais tribos. Contaminem os vossos leitos e uma noite morrerão afogados nos vossos próprios detritos.
Contudo vocês caminharão para a vossa destruição cheios de glória, inspirados pela força do Deus que os trouxe a esta terra e que, por algum desígnio especial, vos deu o domínio sobre ela e sobre os Peles Vermelhas. Este destino é um mistério para nós, pois não percebemos porque se exterminam bisontes, se domam cavalos selvagens, se saturam os mais escondidos recantos dos bosques com a respiração de tantos homens e se mancha a paisagem das exuberantes colinas com os fios do telégrafo. Onde se encontra o matagal? Destruído! Onde está a águia? Desapareceu!” [2]

Olho para a televisão: no meio de colunas de fumo, ouço os gritos do jornalista:
    As sirenes voltam a soar e no horizonte clarões alaranjados atingem os seus alvos...”.

Quais alvos?!! Os chamados terroristas que teimam em manter-se escondidos? As armas químicas que não se vislumbram no horizonte? A psicose das máscaras ao lado de um aparato bélico tipo “Guerra das Estrelas”? Não há problemas! – garantem-nos!

Mata-se hoje para amanhã, em nome duma democracia imposta, se poder controlar os poços de petróleo... – “por favor, não deitem fogo aos poços, nem atirem para o mar toneladas de petróleo bruto... (que podem ainda virem a render uns bons biliões!!!... e então se forem aplicados em armamento, droga, prostituição, etc. !).

Olho a televisão...
Não, não é o Coliseu de Roma, nem o combate de morte dos gladiadores... São colunas de carros de combate que se arrastam pelo chão poeirento de um qualquer deserto, são sofisticados aviões (sabiam que cada um custa mais do que um hospital devidamente equipado?!!!) que sulcam os céus do inferno, com uma enorme carga de morte debaixo das suas asas, rumo não se sabe bem a quê...

Ah, sim!
Cirurgicamente atingem-se os “alvos previamente seleccionados”, indiferentes à argamassa que cai e cobre os corpos das crianças, velhos e mulheres estilhaçados pelas bombas e seus estilhaços...

Não tem importância, são apenas os chamados “danos colaterais”!

E lá estão aqueles senhores comentadores, comodamente sentados diante das câmaras, tecendo estratégias, augurando nas entranhas dos monitores um futuro risonho, tecendo as maravilhas dos novos tempos que hão-de vir... tal como se fosse um potente e sofisticado pesticida... pronto! Acabam-se de vez os terroristas, os ditadores, os déspotas, os que hoje servem as malhas das estratégias, mas que amanhã não serão mais que meras peças, sem qualquer utilidade (antes pelo contrário!), a destruir...

Finalmente vamos viver num mundo em Paz... Vai dar-se início a uma nova era, vamos todos ter direito à justiça, à igualdade, à fraternidade, à prosperidade...
Finalmente vai acabar-se de vez com todas as guerras que assolam o planeta!

Mas... não foi isso que prometeram aos nossos pais quando fizeram explodir as bombas atómicas em Hiroshima e Nagasaki?
Não foi isso que prometeram aos que acreditaram nos Pinochets, nos Husseins, nos Bin Ladens e em tantos outros figurões da história do passado recente?

Um dia (quem sabe amanhã?) um dedo de um senhor sem nome — perdido por cem, perdido por mil! — premirá um botão no meio de um esgar que pretenderá ser um sorriso... e um clarão brilhante que nem mil sóis iluminará a terra de ponta a ponta!

Desta vez a história terá de ser outra.
Será que ainda haverá dois macacos com juízo suficiente que, recordando a sua última experiência e olhando-se olhos nos olhos, perguntem:

    Oh Maria, será que vamos ter de repetir TUDO ISTO!!!?


Quando uma coisa evolui também evolui tudo o que está à sua volta. Quando procuramos ser melhores do que somos, tudo à nossa volta se torna melhor também.[3]



José Gomes
28 Agosto 2011


[1] In “O Demónio e a Senhora Prym” - Paulo Coelho
[2] “Resposta do Chefe Seattle (Ts'ial-la-kum /1786-1866/, líder das tribos Suquamish e Duwamish, no que hoje é o estado americano de Washington), dada em 1854, ao Grande Chefe Branco de Washington, à oferta de compra de uma grande extensão de terras índias, que prometiam criar uma “reserva” para o povo indígena”. Mais de um século depois, as reflexões deste chefe índio continuam ainda mais actuais. [Texto divulgado pelas Nações Unidas em 1976, no Dia Mundial do Ambiente].
[3] In “O Alquimista” – Paulo Coelho



domingo, 19 de junho de 2011

O "Coelho Jiróca" e "Bicharoquices" estiveram em Lisboa


Meus amigos,

Ontem eu, a Mamede, a Milú e o Victor estivemos em Lisboa em mais uma apresentação dos nossos livros, no Hotel Real Palácio. A apresentação esteve a cargo da Isabel Fontes da Edium Editores, a nossa Editora. Os momentos musicais (todos eles musicas infantis da nossa infância), interpretada com humor por um amigo da Isabel (atenção, a Isabel também cantou!!!!).

Foi um prazer encontrar lá um amigo que já o não via desde o Encontro de Blogues no Cais de Gaia em Junho de 2005: Rogério Santos.

Hoje fiquei surpreendido com este trabalho que o Rogério me deixou no meu email e que vou compartilhar com todos vós.

Visitem, por favor, estes dois sites:

http://industrias-culturais.hypotheses.org/
ou
http://industrias-culturais.blogspot.com


Obrigado Rogério.

Um abraço a todos.

José Gomes e Coelho Jiróca


quarta-feira, 15 de junho de 2011

Uma flor para Álvaro Cunhal


Álvaro Cunhal
10/11/1913 – 13/06/2005

Não me permito interromper o discurso da flor. O colorido luminoso da palavra sugere a fragrância da terra e o horizonte da verdade. Resta-me ficar atento para escutar o que sinto.
Cid Simões

Agradeço a Cid Simões esta homenagem a Álvaro Cunhal e que eu fui roubar ao blog. Para "escutar o que sinto" deixa-me juntar este belo texto de José Saramago:

Álvaro Cunhal

Não foi o santo que alguns louvavam nem o demónio que outros aborreciam, foi, ainda que não simplesmente, um homem. Chamou-se Álvaro Cunhal e o seu nome foi, durante anos, para muitos portugueses, sinónimo de uma certa esperança. Encarnou convicções a que guardou inabalável fidelidade, foi testemunha e agente dos tempos em que elas prosperaram, assistiu ao declínio dos conceitos, à dissolução dos juízos, à perversão das práticas. As memórias pessoais que se recusou a escrever talvez nos ajudassem a compreender melhor os fundamentos da raquítica árvore a cuja sombra se recolhem hoje os portugueses a ingerir os palavrosos farnéis com que julgam alimentar o espírito. Não leremos as memórias de Álvaro Cunhal e com essa falta teremos de nos conformar. E também não leremos o que, olhando desde este tempo em que estamos o tempo que passou, seria provavelmente o mais instrutivo de todos os documentos que poderiam sair da sua inteligência e das suas finas mãos de artista: uma reflexão sobre a grandeza e decadência dos impérios, incluindo aqueles que construímos dentro de nós próprios, essas armações de ideias que nos mantêm o corpo levantado e que todos os dias nos pedem contas, mesmo quando nos negamos a prestá-las. Como se tivesse fechado uma porta e aberto outra, o ideólogo tornou-se autor de romances, o dirigente político retirado passou a guardar silêncio sobre os destinos possíveis e prováveis do partido de que havia sido, por muitos anos, contínua e quase única referência. Quer no plano nacional quer no plano internacional, não duvido de que tenham sido de amargura as horas que Álvaro Cunhal viveu ainda. Não foi o único, e ele o sabia. Algumas vezes o militante que sou não esteve de acordo com o secretário-geral que ele era, e disse-lho. A esta distância, porém, já tudo parece esfumar-se, até as razões com que, sem resultados que se vissem, nos pretendíamos convencer um ao outro. O mundo seguiu o seu caminho e deixou-nos para trás. Envelhecer é não ser preciso. Ainda precisávamos de Cunhal quando ele se retirou. Agora é demasiado tarde. O que não conseguimos é iludir esta espécie de sentimento de orfandade que nos toma quando nele pensamos. Quando nele penso. E compreendo, garanto que compreendo, o que um dia Graham Green disse a Eduardo Lourenço: "O meu sonho, no que toca a Portugal, seria conhecer Álvaro Cunhal." O grande escritor britânico deu voz ao que tantos sentiam. Entende-se que lhe sintamos a falta.

José Saramago


Um abraço e o meu muito obrigado
José Gomes