quarta-feira, 14 de julho de 2010

Gedeão, neste final de tarde...


Neste final de tarde, a pouco mais de 15 dias de mais uma grande reviravolta na minha vida, lembrei uma tarde serena no Parque da Cidade, com António Gedeão por companhia.



Dez réis de esperança

Se não fosse esta certeza
que nem sei de onde me vem,
não comia, nem bebia,
nem falava com ninguém.
Acocorava-me a um canto,
no mais escuro que houvesse,
punha os joelhos á boca
e viesse o que viesse.
Não fossem os olhos grandes
do ingénuo adolescente,
a chuva das penas brancas
a cair impertinente,
aquele incógnito rosto,
pintado em tons de aguarela,
que sonha no frio encosto
da vidraça da janela,
não fosse a imensa piedade
dos homens que não cresceram,
que ouviram, viram, ouviram,
viram, e não perceberam,
essas máscaras selectas,
antologia do espanto,
flores sem caule, flutuando
no pranto do desencanto,
se não fosse a fome e a sede
dessa humanidade exangue,
roía as unhas e os dedos
até os fazer em sangue.

António Gedeão



Um abraço do
José Gomes


5 comentários:

  1. Olá José Gomes.
    Também gosto do Gedeão ( e de passear no Parque)
    Figas

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  2. Olá Zeca, bom dia meu Irmão!
    Muita vez sou atacada por sentimentos similares e tu sabes bem do que falo.
    Mas a certa altura, oiço as sábias palavras de minha Mãe e de Lavoisier:"na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma"(ainda te lembras?)encaixo-as na vida e uma verdade me acalma...tudo passa!
    Bjs.
    Maria Mamede

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  3. Quero agradecer à Mamede e ao Figas os vossos comentários. E as mensagens que têm caído na minha caixa de correio...
    Um abraço a todos.
    José Gomes

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  4. Obrigada pela sensibilidade das palavras!

    Um abraço!

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  5. Gedeão... ajuda quase sempre...

    Abraço.

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