sábado, 16 de janeiro de 2010

Não Passarão - MT

Na sexta-feira passada tinha tudo planeado para ir à Sessão de Poesia no Flor de Infesta. Mas o tempo prega-nos uma partida e acabei por, mais uma vez, não poder ir...

Dos poemas que escolhi para lá dizer destaco este de Miguel Torga que me fora enviado pelo GM, que muito agradeço.
Nem a propósito esta contestação da Mafalda...



NÃO PASSARÃO

Não desesperes, Mãe!
O último triunfo é interdito
aos heróis que o não são.
Lembra-te do teu grito:
Não passarão!

Não passarão!
Só mesmo se parasse o coração
que te bate no peito.
Só mesmo se pudesse haver sentido
entre o sangue vertido
e o sonho desfeito.

Só mesmo se a raiz bebesse em lodo
de traição e de crime.
Só mesmo se não fosse o mundo todo
que na tua tragédia se redime.

Não passarão!
Arde a seara, mas dum simples grão
nasce o trigal de novo.
Morrem filhos e filhas da nação,
não morre um povo!

Não passarão!
Seja qual for a fúria da agressão,
as forças que te querem jugular
não poderão passar
sobre a dor infinita desse não
que a terra inteira ouviu
e repetiu:
Não passarão!

Miguel Torga


Uma boa semana, meditando neste poema de Torga.

Um abraço,

José Gomes

7 comentários:

  1. Oh Zé! Claro que tu mereces que se te comente...
    Mas o que posso comentar?
    Não comentar não quer dizer ignorar...
    Sempre que me avisas de que há novidades, eu vou ler e aprecio sempre o que escreves, mas nem sempre tenho algo a dizer e não comento por comentar.
    O poema é muito bom.
    Um beijo,

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  2. Sempre muito forte a poesia de MT.
    Beijos

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  3. As letras de Torga sempre fortes,austeras e...autênticas! Um abraço Zé!

    palmira marques

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  4. Sentimentos fortes e que nos poem a reflectir.
    Obrigada pela partilha.
    Beijinhos

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  5. Sem dúvida comovente este poema de Torga, cheio de alma e de força.

    Não passarão! Nós estamos aqui para o repetir.

    "Só mesmo se pudesse haver sentido
    entre o sangue vertido
    e o sonho desfeito."

    Impressionantemente lindo!

    Beijos
    Branca

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  6. Manuela Carneiro2/2/10 09:54

    Bom dia querido amigo!
    Um poema vivo e resistente como tu.
    Lê-lo fez-me sentir acobardada...
    Um abraço especial para ti, que nunca desistes de remexer bem a vida!
    Bj

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  7. Passo para deixar um abraço e saudades de novos poemas.
    Branca

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