terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Feliz Natal



Poema de Natal

Se considero o triste abatimento
Em que me faz jazer minha desgraça,
A desesperação me despedaça,
No mesmo instante, o frágil sofrimento.

Mas súbito me diz o pensamento,
Para aplacar-me a dor que me trespassa,
Que Este que trouxe ao mundo a Lei da Graça,
Teve num vil presepe o nascimento.

Vejo na palha o Redentor chorando,
Ao lado a Mãe, prostrados os pastores,
A milagrosa estrela os reis guiando.

Vejo-O morrer depois, ó pecadores,
Por nós, e fecho os olhos, adorando
Os castigos do Céu como favores.

Manuel Maria Barbosa du Bocage


Para todos vós, um Bom Natal.


Um abraço,

José Gomes

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Noites de Poesia em Vermoim


Não se esqueçam de divulgar pelos vossos amigos e conhecidos a última sessão de poesia que vai ter lugar no Salão Nobre da Junta de Freguesia de Vermoim, no próximo sábado, dia 4 de Dezembro, pelas 21,30 horas.

Contamos com a presença de um amigo que tem uma voz muito peculiar: Fernando Fernandes.

Contamos com a tua presença...

Aquele abraço

José Gomes

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Como é feito o azeite


Como é feito o azeite
(reportagem em Martinchel [1])

Saímos muito cedo de minha casa. Estava um dia cinzento, ameaçador de chuva que fez o favor de nos acompanhar durante todo o caminho... já para não falar nos bancos de nevoeiro, nos buracos das estradas, das eternas obras nestas!…

Barragem de Castelo de Bode

Paramos na barragem de Castelo de Bode para tirar algumas fotos para ilustrar este artigo. A partir daqui o sol fez-nos companhia, aquecendo o corpo e a alma… mas para aquecer o estômago lá tínhamos o arroz doce (além doutros miminhos) da D. Maria à nossa espera!

Partimos para a fábrica de azeite onde nos esperava o Sr. José Bispo, um dos sócios da empresa, que me deu uma lição sobre oliveiras, azeitonas e azeite que vou tentar descrever:

Oliveiras em Martinchel

A oliveira é uma árvore típica da costa mediterrânica. Dá frutos (azeitonas) entre os 5 e 10 anos de idade e só alcança o seu pleno desenvolvimento por volta dos 20 anos. É entre os 35 e os 150 anos que a oliveira atinge a sua maturidade e plena produção. A partir desta altura começa a envelhecer, decrescendo em termos de produção de azeitonas, mas apurando a qualidade destas.

A oliveira floresce na primavera, o fruto começa a formar-se e vai amadurecendo, passando da cor verde para a negra, a partir do verão até ao final do outono/princípio do inverno altura em que é feita a sua colheita.

A colheita da azeitona pode ser feita manualmente (colhendo-se uma a uma), ou por varejamento (golpeando-se as folhas da árvore com varas grandes e flexíveis de maneira a que as azeitonas caiam em redes colocadas à volta da oliveira) ou por meios mecânicos (equipamentos mecânicos colocados na árvore e que a fazem vibrar, de maneira a que as azeitonas caiam nas redes estendidas à volta da oliveira).

O azeite é feito a partir da azeitona. Estas são recolhidas no último trimestre do ano e prensadas em menos de 24 horas. O suco destas azeitonas, extraído por procedimentos mecânicos, é o azeite que chega às nossas mesas.

As azeitonas colhidas são transportadas para a unidade onde se vai fazer a sua moagem. Estas devem estar livre de pedras, terra e outras impurezas Ao chegar ao moinho, as azeitonas são armazenadas em pilhas de pequena altura para evitar aquecimento e a ruptura da pele do fruto.

Preparação e selecção das azeitonas

As azeitonas passam por uma cortina de ar que retira o resto das folhas que acompanham os frutos. Em seguida, os frutos são seleccionados por qualidade e lavados em água corrente para que sejam submetidos à moagem.

Lavagem das azeitonas, antes da moagem

Esta consiste na trituração dos frutos (sem a retirada dos caroços) até formar uma massa oleosa, cuja consistência é controlada adicionando água se necessário.

A extracção é a última etapa de obtenção do azeite de oliveira e pode ser feita de três maneiras diferentes. A temperatura do processo não pode ultrapassar os 35ºC. Os métodos de extracção mais modernos utilizam a centrifugação enquanto o mais antigo a pressão.

Extracção do azeite

Sistema tradicional por pressão - método ainda usado por fábricas artesanais. A pasta moída é colocada em capachos, que por sua vez são sobrepostos na prensa e à medida que a pressão for aumentando liberta-se o azeite e a água da vegetação. Com o tempo, por diferença de densidade, o azeite (que flutua) destaca-se da água e é recolhido.

Sistema por centrifugação

Sistema de três fases: - a massa oleosa de azeitonas é diluída adicionando-se 1 litro de água para cada quilo de massa. Em seguida, a massa é passada numa centrifugadora horizontal, na qual a parte sólida é separada da mistura oleosa. A massa líquida oleosa vai para uma centrifugadora vertical na qual é separado o azeite da água residual.

Extracção do azeite (outro pormenor)

Sistema de duas fases: - processo praticamente igual ao anterior. Em vez de adicionar água para a centrifugação horizontal, recicla-se a água residual. Esse sistema  apresenta as seguintes vantagens:

1 - Alta capacidade de produção, o que diminui o tempo de armazenagem das azeitonas, evitando-se assim fermentações e melhorando a qualidade do azeite extraído.

2 - Maior presença de polífonos, protectores naturais contra a oxidação, devido à reciclagem da água residual, além de um menor impacto ambiental.

Armazenagem

Após a sua extracção, o azeite de oliveira obtido é armazenado até à sua comercialização. Os recipientes devem ter características isolantes e não podem transferir odores estranhos ao azeite. A temperatura adequada de armazenagem é de 15ºC a 18ºC. O armazém deve ter pouca luminosidade e o material dos recipientes deve ser de azulejo vitrificado, aço inoxidável ou poliéster (o ferro e cobre não são recomendados, pois favorecem a oxidação).


Martinchel é uma freguesia do concelho de Abrantes, situada junto à Barragem de Castelo de Bode. Apresenta potencialidades em termos turísticos pela proximidade do espelho de água da segunda maior albufeira portuguesa (em superfície). Tem 17,10 km² de área e 713 habitantes (2001).

O nome Martinchel teve a sua origem no nome dum jovem mouro que abandonou a casa dos seus pais e partiu com as tropas de D. Afonso Henriques. Teve um papel muito importante na conquista de Santarém. D. Afonso Henriques, como forma de o compensar pela sua bravura, atribuiu a toda a região o seu nome - Martim-Chel - que com o passar do tempo passou a ser Martinchel. Há no entanto, autores que defendem que o nome Martinchel deriva do primitivo orago São Martinho ou do nome de algum colono com o nome Martim ou Martinho. (in Junta de Freguesia de Martinchel).

11 Novembro 2010
José Gomes


[1] Martinchel é uma freguesia do concelho de Abrantes, situada junto à Barragem de Castelo de Bode.



domingo, 17 de outubro de 2010

Pedro Homem de Mello - 106º aniversário

Pedro Homem de Mello
6 Setembro 1904 — 5 Março 1984

Pedro Homem de Melo fez no mês passado (6 de Setembro) 106 anos.

Não me recordo de nenhuma manifestação pública no centenário deste Escritor, Poeta, Professor e, também, divulgador do folclore português. Apenas a Sociedade Portuguesa de Autores, em Lisboa, prestou homenagem a Pedro Homem de Mello pelo centenário do seu nascimento. Nesta homenagem Urbano Tavares Rodrigues falou sobre a obra do poeta e o cantor José Fanha musicou e cantou algumas das suas composições.

(in Blog “Muita Letra – Letras à moda do Porto, 28 Set 2004).

Também o Diário Digital de 6 de Setembro de 2004 publicou a seguinte nota:

Pedro Homem de Mello nasceu há um século

O poeta Pedro Homem de Mello, autor de «Povo que lavas no rio», morreu em 1984. Esta segunda-feira assinala-se o centenário do seu nascimento. Para o efeito, vai ser editada uma antologia com prefácio de Vasco Graça Moura.

Nascido no Porto, Pedro da Cunha Pimentel Homem de Mello viveu parte da sua vida em Afife - onde se encontra enterrado - e, depois, em Lisboa, onde se formou em Direito. Foi subdelegado do procurador da República, mas optou pelo ensino, tendo sido, em 1954, nomeado director da Escola Comercial de Mouzinho da Silveira, no Porto.

Atraído pelo estudo do folclore e da etnografia, Pedro Homem de Mello iniciou, em 1958, um programa de folclore na RTP e fundou, no Porto, a academia de Danças do Norte de Portugal e a Academia Coral da cidade.

Entre as criações literárias que mais o notabilizaram ao longo de seis décadas destacam-se os seus primeiros versos, quando era ainda estudante, publicados no semanário de Águeda «Soberania do Povo»; o seu primeiro livro, «Caravela ao mar» (1934), e «Segredos» (1939), que obteve o Prémio Antero de Quental.

A antologia que é agora editada inclui, entre outros, os livros «Caravela ao mar» (1934), «Bodas vermelhas» (1947), «Miserere» (1948), «O rapaz da camisola verde» (1954), «Eu hei-de voltar um dia» (1966), «Fandangueiro» (1971) e «Expulsos do governo da cidade» (1979).”

Em 5 de Março de 2006 publiquei neste blog um artigo a que dei o nome “Pedro Homem de Mello” e a pedido de vários leitores vou repetir essa entrevista que imaginei nessa altura, seguida de alguns comentários entretanto recebidos que achei relevantes. Será desta forma, e com mais de um mês de atraso, que vou homenagear o Professor Pedro, no 106º aniversário do seu nascimento:

Fui encontrar o Poeta à porta do cemitério de Afife e lembrei-me das nossas amenas cavaqueiras à mesa do “Piolho” ou dos nossos breves encontros no Porto, antes dele entrar na Escola Infante D. Henrique...

Recordo-me, ainda, do seu porte altivo, aristocrata, testa alta, olhos tristes mas brilhantes, que davam vida ao seu rosto magro e esguio, tão bem apanhado no Retrato que lhe pintou o mestre Júlio Resende.

Foi um homem simples, sensível, cordato, um grande comunicador e animador cultural, um sonhador perdido nas vagas de um mundo que tanto o maltratou.

Autor de várias obras e premiado em vários certames nacionais, deu-me o prazer desta entrevista. Mas não me respondeu à pergunta que lhe fiz "sobre e o porquê" da falta de dados dos dez últimos anos da sua vida...

Depois dos cumprimentos protocolares e de relembrar o passado em que nos conhecemos, atirei-lhe com a primeira pergunta:

— Diga-me, Professor, o Poeta nasceu em Setembro de 1904... – perguntei-lhe, inseguro.

Bem! — sorriu, compreendendo a minha falta de jeito! — “Nasci não sei quando, mas sei onde...” . Mas o poema “Berço” do livro “Estrela Morta” define melhor a minha pessoa:

Mansa criança brava,

Fui das mais,

Diferente.

Então, tristes, meus pais

Sentiram, certamente,

Em mim, como um castigo!

Noite e dia eu sonhava...

E era sempre comigo!

Depois, fugindo à gente

Eu procurava as flores,

Em todas encontrando

Jeito grácil e brando

De brinquedos e amores...

As violetas sombrias

Dos bosques de Cabanas

Essas, sim! Entendias

E julgava-as humanas!...


Este poema define o meu mundo — ao mesmo tempo imaginário e real — onde sempre me refugiei. Foi assim que desenvolvi o meu sentido musical, as ideias fixas, o meu gosto pela poesia, o meu desprezo e desinteresse por tudo aquilo que representasse lucro... O meu lema foi sempre «Pedi rosas, mas nunca pedi pão!». Dinheiro? Foi coisa que nunca tive!...

— Professor, antes desta entrevista procurei a sua biografia…

— Procuraste a minha biografia? Deixo-te com esta pista... No livro “Bodas Vermelhas” escrevi o poema – “Mater Dolorosa” – que traça grande parte do meu percurso nesta vida:

A Mãe do Poeta chora

E a sua canção inquieta

Parece pedir perdão

Aos homens sem coração

Por ter um filho Poeta...

Na praia, em pequeno, um dia

Meteu-se à onda bravia

Que, à das águas, trazia

Um peixe cor do luar...

Mas a onda fez-se mansa.

Teve dó dessa criança

Cujo crime era sonhar!

Certa noite, à sua porta,

Vieram cantar os Reis

— Ai! a de branco! a de branco!

Fulvo cabelo aos anéis...

Flor, entre os dedos, singela...

E ele, então, logo perdido,

Foi pela rua, atrás dela.

No rastro do seu vestido...

Aos vinte anos, cismador,

Esqueceu que havia as Sortes.

Magrinho, falho de cor...

Por isso, os mais, que eram fortes

(Os que tinham ido às Sortes!)

Lhe chamam desertor.

Em tardes de romaria,

Todo o mundo o viu bailar!

Quando o seu corpo bulia,

Subiam torres ao ar...

Por fim, calava-se a dança.

E ele, de novo, a criança,

Que a onda brava, depois mansa,

Recolhera no caminho...

Formou-se em Doutor de Leis.

Que pode a idade e os estudos?

Seus olhos ficaram mudos

À letra fria das leis.

Seus olhos só viam dança...

Se ainda era a mesma criança

Que ouvira cantar os Reis!

E a mãe do Poeta chora.

E a sua canção inquieta,

Perece pedir perdão

Aos homens sem coração

Por ter um filho Poeta...

— Interessante!… Mas Coimbra foi um marco na sua vida…

— Frequentei durante dois anos a Faculdade de Direito de Coimbra mas, devido ao meu porte altivo, um tanto aristocrata e por não ter qualquer apetência pela vida boémia coimbrã, fui logo apelidado de «Dom Pedro». Foi assim que criei todas as condições para ser posto à margem da maioria dos colegas do meu curso, tornando-me num verdadeiro solitário que vagueava pela noite fora...

Ó solidão! À noite, quando, estranho,

Vagueio sem destino, pelas ruas,

O mar todo é de pedra... E continuas.

A Lua, fria, pesa... e continuas.

(...)

Sabes, Zé Gomes, este é parte do poema “Solidão” que evoca esses tempos tristes... De Coimbra fui para Lisboa, onde concluí o curso. Três anos depois casei-me no Porto. Continuei com a minha Poesia, a dar as minhas aulas a alunos interessados, a desenvolver o folclore, fui chamado para fazer um programa na televisão – e digo sem ponta de vaidade – que foi do agrado de muita gente.

— Conheceu muita gente importante nas letras, no teatro…

— Sim, conheci figuras importantes no campo das letras, do teatro, recebi prémios pelos meus escritos, conheci a diva do fado – a grande Amália - que até cantou poemas meus...

— Sempre conheci a sua paixão por Afife, pelas pessoas do campo, pelo folclore…

— Isso seria um tema que dava pano para mangas! Consegui que o pessoal de Afife e lugares próximos se entusiasmassem com as suas raízes e tradições… Penso que deixei boa semente! Mas antes de voltar para o meu cantinho neste cemitério, deixa-me recordar a lápide que está na entrada do cemitério de Afife:

Não choreis os mortos

Lembrai-vos dos enfermos, dos cativos, da multidão sem fim,

dos que são vivos, dos tristes que não podem esquecer!

E ao meditar então na Paz da morte,

vereis talvez como é grande a sorte daqueles que deixaram de sofrer.

— Professor, uma última palavra antes de regressar ao Paraíso dos Poetas…

Deixa-me cá ver… Talvez a parte final do prefácio do livro “Desterrado”. Espero que com isto tenhas material suficiente para falares de mim à rapaziada de hoje e do amanhã:

“Com este «grito de alma» dou por terminado o prefácio presente. Serve ele de moldura ao «Desterrado», incurável adolescente que ainda não deixei de ser...

Assim, hoje como ontem, eu, pecador, me confesso (premiando-nos a saudade com a sua agradabilíssima ausência como diria Agostinho de Campos!):

— Católico, monárquico, romano,

Em todas as repúblicas do Mundo!”

Boa Noite, Zé Gomes, e até sempre!

— Boa Noite, Professor. Obrigado pelas suas palavras.

Deixo-vos com alguns comentários que recebi e que acho interessante compartilhar convosco, neste espaço:

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Vo Miquinho disse em 5/03/2006...

(…) Interessante a ideia da entrevista ao «D. Pedro» de Miragaia. Obrigado por teres lembrado o poeta que tem sido tão esquecido, diria mesmo ostracizado. (…)

Fernando B. disse em 5/03/2006...

Não conheci pessoalmente esse grande Poeta, nem sei pormenores da sua Vida. Confesso que tomei contacto com a sua Poesia somente através das canções que ia ouvido. E pelo que ouvia presumi tratar-se de uma pessoa bastante sensível e atenta ao Povo que o rodeava. Fernando Bizarro

De Amor e de Terra em 5/03/2006...

(…) O nosso D. Pedro Poeta, segredou-te muitas coisas belas; umas que eu sabia e outras não, apesar de seres fértil "no enredo". (…) Maria Mamede

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todomundoeumpalco disse em 5/03/2006...

(…) Obrigado pela tua «memória» do nosso Pedro. O Porto e o Norte estão em dívida para com ele e a sua obra. E não podias ter escolhido melhor o suporte musical. (…) Fernando Peixoto

Poesia Portuguesa disse em 6/03/2006...

Um dos Poetas que me marcou por todo o seu historial, pelo timbre da sua voz e pela forma como escrevia e lia Poesia... Ainda a "sinto" na minha cabeça e na minha memória... Um belo texto que me fez recordar momentos magníficos da minha infância e juventude, em que em certa casa de Lisboa o ouvi ler algumas vezes Poesia...

"Noite. Fundura. A treva

E mais doce talvez...

E uma ânsia de nudez

Sacode os filhos de Eva.

Não a nudez apenas

Dos corpos sofredores

Mas a das almas plenas

De indecisos amores.

A voz do sangue grita

E a das almas responde!

Labareda infinita

Que nas sombras se esconde.

Mas quase sem ruído,

Na carne ao abandono

O hálito do sono
Desce como um vestido..."

Pedro Homem de Melo in "Poema"

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RosaTeixeiraBastos disse em 7/03/2006...

Oh Zé, tu às vezes superas-te… Quem mais se haveria de lembrar de entrevistar almas do outro mundo?... Conseguidamente!

O primeiro autógrafo que tive o atrevimento de pedir a alguém foi ao Dr Pedro Homem de Melo e diz assim:

'Camélias... O perfume delas é, talvez, a cor...', seguido da sua assinatura, que guardo com carinho e saudade. (…) Ro


TMara disse disse em 7/03/2006...

k maravilhosa homenagem prestas aqui ao poeta e ao homem. Poeta de qualidade, com poemas maravilhosos mas esquecido, ostracizado como a maioria. Lembro-me do comunicador etnográfico na TV, sua altivez e sua inconfundível voz. Boa semana Zé. bj de luz e paz


De Amor e de Terra disse em 8/03/2006...

(…) O professor fez-te uma honra e tanto!!!! Qua gand'entrevista!(…) MM


jorgesteves disse em 14/03/2006...

Curiosas coincidências: partindo da Maia, passando pelo saudoso Homem de Mello (que recordo na velha 'tasca' do Infante nas aulas que sempre se regiam ao ritmo de qualquer vira ou fandango), Rosalia ali mesmo ao lado, não da Galiza Espanha, mas na praça que é da Galiza, Afife ou até mesmo os poemas escolhidos do Gedeão...

Sobram-me ainda as últimas palavras que ouvi do Poeta (Pedro é o meu nome / daí o rumo da minha sorte / Meu nome é Pedro /tem tantas letras aquele nome / como a palavra triste da Morte) na Boavista aquando ceifaram as últimas árvores da avenida: 'morrem de pé, de olhos abertos, sem lhes valer a tempo algum poema.' (…) A Primavera traz-lhes flores. jorgesteves

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Anónimo disse em 24/05/2006...

Até que enfim eu encontro algo sobre Homem de Mello. Para mim, que sou do Minho mas sempre vivi no estrangeiro, seus poemas me trazem o som, o ritmo e as cores da minha terra. Ele cantou o verde dos pinheiros, a magica e volúpia da dança, do vira, malhão e cana verde, que são a verdadeira música Portuguesa, (não o fado).

Injustiça tem sido feita, sem dúvida. Se eu morrer aos cem anos quererei mesmo então ainda poder dizer:

"Havemos de ir a Viana

Ó meu amor de algum dia" (…) Teófilo Manuel Pimentel Cerqueira

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rita homem de mello disse em 12/10/2006...

José Gomes, acabei agora mesmo de ler a entrevista que fez ao meu avô Pedro. qd comecei a passar os olhos nas respostas graciosas proferidas por ele imediatamente em mim veio ao de cima a saudade...feliz por ver que há quem não se esqueça do poeta que foi, do professor e do Homem, aqui fica o meu agradecimento por não deixar que vozes como dele sejam ainda mais esquecidas...Rita Homem de Mello

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Rita Homem de Mello disse em 12/10/2006...

José Gomes, acabei de ler a entrevista que fez ao meu avô Pedro, há muitos anos atrás. Senti de imediato, ao passar os olhos pelas graciosas respostas proferidas por ele, imensa saudade...fico feliz ao ver que há quem recorde e não deixe esvanecer a Voz, o Professor, o Bailador, o Poeta e o Homem que ele foi! Aqui fica o meu agradecimento pelo seu nobre gesto ao sublinhar esta figura incontornável da história e dos costumes do Porto, Afife e tantas outras terras de Portugal. Rita Homem de Mello


Duarte disse em 11/05/2008...

Tive-o como professor de português no Infante, e não só, pois no ginásio também nos ensinou os primeiros passos do malhão. Tem que ser mais lembrado um homem que tanto fez pela língua pátria, pela poesia e pelo povo.

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Anónimo disse em 14/09/2010…

A poesia de Pedro Homem de Mello tem de ser mais divulgada ao povo que ele como ninguém amou! Tenho a sorte de guardar num pequeno livro de poesias que em jovem escrevi e lhe enviei por um seu aluno do Infante, para ele ver, uma honrosa anotação: "Li verdadeiramente impressionado este livro de um poeta puro. "Ass. Pedro Homem de Mello.

Saí de seguida do país, mas antes enviei para um concurso "Cantai as vossas terras " de um Jornal do Porto, duas quadras e também por sorte uma das minhas quadras ficou próxima de uma outra de Poeta que eu ouvia em programas de rádio. Nunca esqueci a quadra de Pedro Homem de Mello e que era assim:

Afife tem cinco letras

Pedro cinco letras tem

Até o meu pobre nome

Com Afife rima bem

Por ironia do destino eu que tanto admirei o poeta não privei com o ele, vindo a saber que mais tarde, ele chegou a cantar ao desafio com o meu saudoso irmão Rogério na casa onde eu nasci. Convinha dizer que este meu irmão pertencia ao Rancho Folclórico de Zebreiros, em Gondomar. Modesto Melo Martins

Anónimo disse em 2/10/2010...

Sou um mero e comum membro do povo, logo me incluo na obra deste grande poeta, que me transmitiu o sentido de pertença, através das suas narrativas e poemas na televisão de então.

Viajei muita vez nas suas palavras, pelo País do interior, aprendendo muito sobre a nossa gente, nos seus hábitos e costumes, divulgando com a clareza que se impunha, não faltando a gravidade no tom da sua voz, no folclore e nos seus poemas

O meu tributo ao Homem, ao poeta e a "Portugal" que tão mal trata o seu património. Bem hajam! Jrom

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Anónimo disse em 6/10/2010...

Sou Vianense, sou de Afife e reconheço esse Poeta com homem de letra grande, esse poeta do Povo, de Afife que nasceu no Porto! Lamento imenso que tivesse tido um final bastante infeliz depois de viúvo... Hoje deveria ser mais recordado, merece mesmo!!!




É assim, desta maneira, embora com mais de um mês de atraso, que lembro essa grande figura do Professor e Amigo Pedro Homem de Mello.

Um abraço,

José Gomes