sábado, 21 de novembro de 2009

Olavo Bilac - poeta brasileiro

Olavo Bilac (1865-1918)

Ontem foi Noite de Poesia no Flor de Infesta, em S. Mamede Infesta. Noite fria, agreste, com o vento a puxar chuva, mas mesmo assim foi uma noite com a casa bem cheia... para quebrar o frio valeu-nos as castanhas quentes e o bolo que era dirigido aos aniversariantes!...
O tema desta Noite foi "OUTONO" e foi desenvolvido por todos ospoetas presentes ou com poemas próprios ou poemas de outros poetas.
Limitei-me a lembrar Olavo Bilac, um poetas brasileiro pouco difundido entre nós e que escreveu este lindo soneto sobre o Outono:

Numa Tarde de Outono

Outono. Em frente ao mar. Escancaro as janelas
Sobre o jardim calado, e as águas miro, absorto.
Outono... Rodopiando, as folhas amarelas
Rolam, caem. Viuvez, velhice, desconforto...

Por que, belo navio, ao clarão das estrelas,
Visitaste este mar inabitado e morto,
Se logo, ao vir do vento, abriste ao vento as velas,
Se logo, ao vir da luz, abandonaste o porto?

A água cantou. Rodeava, aos beijos, os teus flancos
A espuma, desmanchada em riso e flocos brancos...
Mas chegaste com a noite, e fugiste com o sol!

E eu olho o céu deserto, e vejo o oceano triste,
E contemplo o lugar por onde te sumiste,
Banhado no clarão nascente do arrebol...

Olavo Bilac, in "Poesias"


Olavo Bilac (Rio de Janeiro, 1865-1918) começou por estudar Medicina no Rio de Janeiro e Direito em São Paulo, mas não chegou a acabar nenhum deles. Em 1884 o seu soneto Nero foi publicado na Gazeta de Notícias, do Rio de Janeiro. Em 1887 iniciou a carreira de jornalista literário e, em 1888, foi publicado o seu primeiro livro, Poesias. Nos anos seguintes publicou crónicas, conferências literárias, discursos, livros infantis e didáticos. Foi republicano e nacionalista, escreveu a letra do Hino à Bandeira e fez oposição ao governo de Floriano Peixoto. Foi membro-fundador da Academia Brasileira de Letras. Em 1907 foi eleito “príncipe dos poetas brasileiros” pela revista Fon-Fon. De 1915 a 1917 fez campanha cívica nacional pelo serviço militar obrigatório e pela instrução primária. Destaca-se da sua obra poética o livro póstumo Tarde (1919).

(Pesquisa na Net)

José Gomes

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