quarta-feira, 4 de novembro de 2009

A HISTÓRIA DA RÃ - Olivier Clerc


A HISTÓRIA DA RÃ
(Que não sabia que estava a ser cozida...)



Imagine uma panela cheia de água fria na qual nada, tranquilamente, uma rã.





Acendeu-se um pequeno fogo por baixo da panela e a água foi aquecendo lentamente.



Pouco a pouco a água foi ficando morna e a rã, achando-a muito agradável, continuou a nadar. No entanto a temperatura da água continuou a subir...




A água começou a ficar mais quente do que a rã podia aguentar; ela começou, então, a sentir-se cansada mas, mesmo assim, continuou a nadar... Agora, a água estava realmente quente e a rã começou a achá-la desagradável... mas já estava muito debilitada para tomar uma decisão. Tentou, então, adaptar-se!...



A temperatura continuou a subir... a rã, incapaz de reagir, acabou por morrer cozida.




CONCLUSÃO:

Se a mesma rã tivesse sido lançada diretamente à água a uma temperatura de 50 graus, numa reação de defesa, com um golpe de pernas, teria saltado imediatamente para fora da panela.





Isto mostra que, quando uma mudança acontece lentamente, escapa-se à nossa consciência e não desperta, na maior parte dos casos, qualquer reação, oposição ou, até, revolta.


Se olharmos para o que tem acontecido na nossa sociedade desde há algumas décadas, podemos ver que estamos a sofrer uma lenta mudança no nosso modo de viver, para a qual nos estamos a acostumar.

Uma quantidade de coisas que nos teriam feito horrorizar há 20, 30 ou 40 anos, foram pouco a pouco sendo banalizadas e, hoje, apenas incomodam ou deixam completamente indiferente a maior parte das pessoas.

Em nome do progresso, da ciência e do lucro, são efetuados ataques contínuos às liberdades individuais, à dignidade, à integridade da natureza, à beleza e à alegria de viver; efetuados lentamente, mas inexoravelmente, com a constante cumplicidade das vítimas, agora incapazes de se defenderem.

As previsões para o nosso futuro, em vez de despertar reações e medidas preventivas, apenas prepararam psicologicamente as pessoas a aceitarem algumas condições de vida decadentes, aliás, dramáticas.

O martelar contínuo de informações pelos mídia, satura os cérebros que acabam por não poderem distinguir as coisas...

Quando eu falei pela primeira vez destas coisas, era para um Amanhã. Agora, é para HOJE!!!

Consciência ou cozido... é preciso escolher!



Então, se não está como a rã, já meio cozido, dê um saudável golpe de pernas, antes que seja tarde demais!


NÓS JÁ ESTAMOS MEIO COZIDOS... OU, TALVEZ, AINDA NÃO!!!



Olivier Clerc, nesta sua breve história, através da metáfora, põe em evidência as funestas consequências da não consciência da mudança que infecta a nossa saúde, as nossas relações, a evolução social e o ambiente.

Olivier Clerc, nasceu em 1961 na cidade de Genebra, na Suíça. É filósofo, escritor, editor, tradutor e conselheiro editorial especializado nas áreas de saúde, desenvolvimento pessoal, espiritualidade e relações humanas. É também autor de "Médecine, Religion et Peur" (1999) e "Tigre et l’Araignée: les deux visages de la violence" (2004).


Este trabalho foi feito a partir do PPS enviado pelo GM, a quem agradeço.

Agradeço, igualmente, à Maria José Rezende, do blog ARCA DO CONHECIMENTO (http://arcadoconhecimento.blogspot.com/ ), as dicas que lá fui beber.

José Gomes

5 comentários:

  1. E tens toda a razão!
    Beijos.

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  2. Amigo Zé Gomes

    Por momentos recordei aquela da "nêspera" (recitada pelo Mário Viegas) que estava deitada, relaxada, descuidada na cama e veio um indivíduo e... comeu-a!...
    É assim que acontece às "nêsperas" deitadas, relaxadas e descuidadas...

    Um abraço do Jaime

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  3. Já conhecia a história.
    As parábolas são infinitas...
    Um beijo.

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  4. Olá Zé,

    Esta parábola é bem significtiva do adormecimento das consciências, num mundo que nos metralha com excesso de informação e excesso de horas de trabalho para os que ainda têm trabalho e acabam por ter que fazer o que seria normal ser feito por mais uns quantos, em nome de uma redução de custos, que engrossa o número de desempregados e enriquece uma minoria.
    Nunca é demais alertar as consciências adormecidas e são tantas, com tantos ópios que já não são a religião,o fado e o futebol, mas mais as grandes superfícies, o consumo e o facilitismo, a perseguição de um "status quo" a todo o custo.
    Cada vez mais a sociedade é feita de "macaquinhos de imitação" e enquanto não se libertar dessa nomalização não terá poder para lutar.
    Obrigada pela partilha e pelo mote para esta dissertação.
    Beijinhos

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  5. The frog that didn’t know it was boiled de Oliver Clerc, ou poderíamos traduzir como: A passividade da atual humanidade.
    A maioria conheceu essa estória contata na palestra de Al Gore: Uma Verdade Inconveniente.
    Muito Bom!
    Agora resta-nos ACORDAR!!!

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