sábado, 12 de setembro de 2009

Timor em Bonjóia - Parte III



Ainda a Noite de Poesia na Quinta da Bonjóia - Porto
(20 de Agosto 2009).



(Maria Mamede, declamando...)



Escolhi este poema de Crisódio T. Araújo, que a Maria Mamede declamou:



Poema Ancestral


Lembra os dias antigos

Em que cantavas a pureza

Na nudez dos teus passos e gestos

Ou dançavas na inocente vaidade

Ao som dos babadok[1].

Relembra as trevas da tua inquietação

E o silêncio das tuas expectativas,

As chuvas, as memórias heróicas,

Os milagres telúricos,

Os fantasmas e os temores.

Tenta lembrar a herança milenar dos teus avós

Traduzida em sabedoria

E verdade de todos.

Recorda a festa das colheitas,

A harmonia dos teus Ritos,

A lição antiga da liberdade,

Filha da natureza.

Recorda a tua fé guerreira,

A lealdade,

E a ternura do teu lar sem limites,

Nos caminhos do inesperado

Ou no improviso da partilha definitiva.

Lembra pela última vez

Que a história da tua ancestralidade

É a história da tua Terra Mãe...


Crisódio T. Araújo

Poeta timorense



[1] Pequeno tambor de corpo cónico de madeira



Um abraço,

José Gomes


Maria Mamede declama "Rosa de Oecussi", poema de Palmira Marques, de Coimbra:



4 comentários:

  1. Olá Zé, boa tarde!
    Embora com atraso, como vem acontecendo ultimamente, cá estou a cumprir a promessa.
    OBRIGADA Irmão!
    Continuo a gostar da Rosa de Oecussi; podes dizê-lo à Palmira.
    Continuo a gostar (poderei dizer cada vez mais) de Timor, e espero que um dia, em breve, possamos juntar-nos, de novo, muitos mais,
    para cantarmos e dizermos TIMOR!
    Beijos

    Maria Mamede

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  2. Descupa Zé, mas fazia falta um esclarecimento, que há pouco esqueci.
    Fiquei muito surpreendida com a qualidade dos poemas dos Poetas contemporâneos de Timor.
    AMEI todos os que disse, de verdade,e espero, quem sabe vir a conhecê-los pessoalmente, se acaso um dia por cá vierem e me derem essa honra.
    Bj

    Maria Mamede

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  3. Cara Maria Mamede:

    por aqui estou, a 18 mil kms, cofiando as horas, os dias...na espera de ver chegar a hora da partida para a Ilha do Crocodilo...e poder abraçar-vos e a esse povo que tanto adoro! Agradeço o carinho que têm tido para comigo,mas quero dizer uma coisa: não sou poeta, apenas uma alma que sofre com a pena de não estar em Timor!
    Palmira

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  4. Amigo Zé,lamento não ter estado presente. Como sabes estive fora. Li os poemas que a Maria leu, mas não consigo ouvir nenhum dos declamadores. O som desaparece por outro som da música do blog.
    Sempre em forma ... na luta e ideais. Imagino a alegria da Milú.Parabéns a todos.
    Bji amigo

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