quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Timor em Bonjóia - Parte II


Continuação do Serão na Quinta da Bonjóia do passado dia 20 de Agosto e cujo tema foi TIMOR.


Amílcar Mendes
dclamou os poemas "Oh Liberdade" de Xanana Gusmão; "Tão Grande Dor" de Sophia Mello Breyner; "Mensagem do Terceiro Mundo"; "Manifesto Maubere"; e "Infância" de Fernando Sylvan.

Fernando Sylvan nasceu em Díli, Timor Leste, em 1917. Pseudónimo de Abílio Leopoldo Motta Ferreira. Foi presidente da Sociedade de Língua Portuguesa. Participou activamente na Resistência Maubere. Foi poeta, prosador, dramaturgo e ensaísta.Morreu em 1993 em Cascais, onde viveu grande parte da sua vida.

Foi um dos mais representativos poetas e escritores Timorenses. Os seus poemas estão reunidos no livro “A Voz Fagueira de Oan Timor” (1993).


Xanana Gusmão, José Alexandre Gusmão, Kay Rala Xanana Gusmão. Nasceu em Manatuto a 20 de Junho de 1946. Pintor, poeta, soldado da Resistência Timorense... Em 1974 aderiu à Fretilin. Em 1975 recebeu o Prémio de Poesia Timorense, (com o Poema Mauberíades). Em 1978, após a morte de Nicolau Lobato, reorganizou a Resistência. Em 1981 foi eleito Comandante-em-Chefe das Falintil. Preso pelo exército indonésio em 20 de Novembro de 1992, foi reconfirmado, em 1998, chefe da Resistência e eleito Presidente do CNRT. Em 1994 foram publicados os seus ensaios políticos: Timor-Leste, Um Povo Uma Pátria (Ed. Colibri-Lisboa). Publicou em 1998 “Mar Meu – Poemas e pinturas” com prefácio de Mia Couto e escrito na prisão. Xanana Gusmão foi libertado em 7 de Outubro de 1999. Em 15 de Novembro de 1999 recebeu o Prémio Sakharov. Foi presidente da República Timorense e actualmente é o primeiro ministro.


Sophia de Mello Breyner Andresen nasceu no Porto, em 1919, viveu em Lisboa, onde estudou e tirou o curso de Filologia Clássica e faleceu no dia 2 de Julho de 2004. É considerada uma das poetisas e escritoras de livros para crianças mais importantes da Literatura Portuguesa. Em 1999 recebeu o Prémio Camões. Em 2003 foi distinguida, em Espanha, com o Prémio Rainha Sofia.

Dos poemas declamados pelo Amílcar escolhi estes de Fernando Sylvan:



Mensagem do terceiro mundo
 
Não tenhas medo de confessar que me sugaste o sangue
E engravataste chagas no meu corpo
E me tiraste o mar do peixe e o sal do mar
E a água pura e a terra boa
E levantaste a cruz contra os meus deuses
E me calasse nas palavras que eu pensava.
 
Não tenhas medo de confessar que te inventasse mau
Nas torturas em milhões de mim
E que me cavas só o chão que recusavas
E o fruto que te amargava
E o trabalho que não querias
E menos da metade do alfabeto.
 
Não tenhas medo de confessar o esforço
De silenciar os meus batuques
E de apagar as queimadas e as fogueiras
E desvendar os segredos e os mistérios
E destruir todos os meus jogos
E também os cantares dos meus avós.
 

Fernando Sylvan

 
 




Espero que gostem. Mas ainda há mais...


Um abraço,


José Gomes

3 comentários:

  1. Olá. Vim aqui só dizer um olá.

    Deixo aqui um dos meus pensamentos:

    O Homem é um anão perante a grandeza do seu sonho.

    Cumprimentos do Figas de Saint Pierre de Lá-Buraque,
    que é o Silvino Taveira Machado Figueiredo.
    Um abraço e parabéns pelo teu trabalho

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  2. Caro José Gomes, desconhecia que Kay Rala Xanana Gusmão já fazia... pinturas antes de 74, é uma novidade para mim. Chamou-lhe "soldado da Resistência Timorense...", referindo que aderiu à Fretilin em 1974 também gostava de saber quando saiu ele da Fretilin, sendo importante "a entrada", a "saída" é bem mais importante por tudo o que aconteceu a seguir, digo eu.

    Em Abril de 1974, começou a fazer parte da redacção da Voz de Timor. Parece-me que o Prémio de Poesia de Timor Leste terá sido em 1974 e não em 75, mas posso estar errado.

    Quanto à sua libertação do cárcere indonésio, foi a 7 de Setembro de 1999 e não em Outubro.

    A 5 de Outubro estava ele a partir de Lisboa rumo a Dublin. Aqui há um curioso artigo do JN: http://www.geocities.com/angelobarreto/Actualidade108.htm

    E, aqui, uma interessante biografia do soldado...: http://www.axs.com.au/~salette/Xanana-Biografia.html

    cumprimentos
    antónio

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  3. Caro Anónimo,
    Agradeço o seu comentário e as suas achegas... parece-me, mais uma vez, que meti água nas fontes consultadas. Vou visitar o sítio indicado e fazer uma nova pesquiza.
    Um abraço e até já.

    Silvino,
    Registei a frese que deixaste. Tem a profundidade da Esperança. Porque o sonho comanda a vida, não importa sonhada por um anão ou um gigante.
    Um abraço e até sábado a oito, na "Noites de Poesia em Vermoim",
    JG

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