sexta-feira, 29 de maio de 2009

Canção de Ninar Para Rosalia



Imagens colhidas da Net


Canção de Ninar

Para Rosalia de Castro, morta


Ergue-te, minha amiga,

Que já cantam os galos do dia!

Ergue-te, minha amada,

Porque o vento muge como uma vaca!


Os arados vão e vêm

De Santiago a Belém.


De Belém a Santiago

Um anjo chega num barco.

Um barco de prata fina

Trazendo a dor de Galícia.


Galícia deitada e queda

Transida de tristes ervas.

Ervas que cobrem teu leito

E a negra fonte dos teus cabelos.

Cabelos que vão ao mar

Onde tem as nuvens ninho pombal!


Ergue-te, minha amiga!

Que já cantam os galos do dia!

Ergue-te, minha amada

Porque o vento muge como uma vaca!


Frederico Garcia Lorca





Rosalia de Castro

(Santiago de Compostela, 1837 - Padrón, 1885)


Escritora galega. Descendente, por parte de sua mãe, de uma família da velha nobreza, o facto de ser filha ilegítima de um sacerdote marca-a profundamente desde muito jovem. Escreve em galego e em castelhano e acaba por se tornar um elemento preponderante do «Resurdimento Galego». Aos vinte anos publica La flor, seu primeiro livro de versos. Nos seus Cantares gallegos (1863), breves glosas de canções populares, manifesta a sua intensa nostalgia da terra galega. Em Follas novas (1880), obra de uma maior intensidade lírica, exprime a sua intimidade com mestria e simplicidade, abordando a natureza como puro símbolo da sua nostalgia desenganada. En las orillas del Sar (1885) acentua-se o seu pessimismo. Os temas predominantes nesta colectânea são a inelutável realidade da dor, a inexorável passagem do tempo e um obsessivo sentimento da morte. No conjunto, a sua obra gira em torno de três temas básicos: uma visão costumeira da Galiza rural, um conteúdo metafísico que a parece aproximar da filosofia existencial e a denúncia das assimetrias sociais da Galiza. Por outro lado, Rosalía é uma importante inovadora estilística, pois utiliza novos ritmos, mais flexíveis e harmoniosos do que os usuais na sua época.


(http://www.vidaslusofonas.pt/rosalia_de_castro)



quarta-feira, 20 de maio de 2009

Marcha por uma vida melhor


No dia 23 de Maio vamos, todos juntos, levar mais longe a denúncia e o combate às injustiças e desigualdades sociais, ao desemprego, à corrupção, à degradação das condições de vida dos trabalhadores e do povo português.

No dia 23 de Maio vamos, todos juntos, reclamar uma ruptura com a política de direita deste governo e exigir uma nova política que enquadre os valores e os ideais de Abril.

Esta Marcha tem como lema «Marcha – Protesto, Confiança e Luta! Nova política – Uma vida melhor», inicia-se às 15 horas do próximo dia 23 de Maio. da Praça do Saldanha para o Marquês de Pombal, em Lisboa, onde terminará com um comício.

Pelos ideais de Abril, pela construção de uma nova sociedade, por melhores condições de vida dos trabalhadores portugueses, vamos estar todos juntos nesta Grande Marcha do dia 23 de Maio.


José Gomes



sábado, 9 de maio de 2009

Maio, sempre Maio...


Acabo de roubar (a Susete que me desculpe!!!) do blog "Eu, sem tirar nem pôr!" - ver AQUI, recomendo vivamente! - esta imagem que escolhi para ilustar este poema de Ary dos Santos. Sim, porque Maio é tempo de cimentar ABRIL, é tempo de não baixar os braços, é tempo de renascer ABRIL.



Mulher-Maio

Bom dia minha amiga digo em Maio
és uma rosa à beira dum tractor
neste campo de Abril onde não caio
a nossa sementeira já deu flor.

Bom dia minha amiga eu sou um gaio
um pássaro liberto pela dor
tu és a Companheira donde saio
mais limpo de mim próprio mais amor.

Bom dia meu amor estamos primeiro
neste tempo de Maio a tempo inteiro
contra o o tempo do ódio e do terror.

Se tu és camponesa eu sou mineiro.
Se carregas no ventre um pioneiro
dentro de ti eu fui trabalhador.

José Carlos Ary dos Santos


E já agora, não esquecer o dia 23 de Maio:



Um abraço,

José Gomes,

IMAGINA todo o mundo
A viver a vida em paz…