quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Outono

(Braga - Bom Jesus)



Hoje de manhã levantei-me cedo…


Grossas nuvens toldavam um céu ainda escuro, ameaçador de uma forte chuvada que não tardaria a cair. Cheirava-me, não sei bem porquê, a aldeia!... talvez porque das traseiras da minha casa ainda se veja os campos lavrados e ao longe, entre os pirilampos de luzes públicas, adivinho o que vai restando das árvores semeadas nos montes - outrora floresta densa! – e que se estendem no escuro.


O moinho de vento, em primeiro plano, faz girar as suas pás, gemendo ao sabor do vento que passa, enquanto a sua cauda metálica tenta seguir-lhe o rumo. Os galos começam a cantar, aqui um, mais além outro, mais ao fundo acorda outro, juntando a sua voz ao silêncio que, lentamente, começa a despertar!


Debruço-me na janela e sinto que o Outono está a chegar!...

Os dias já são mais curtos, mais frescos, sinto até que o vento é diferente! O dia vai esmoendo o alvorecer e reparo, então, na folhagem das árvores que estão a deixar os seus tons esverdeados que conheci até há poucos dias atrás e que começam, agora, a vestir-se de cores quentes, donde sobressaem os castanhos, os vermelhos, os dourados...


As folhas começam a cair num bailado de harmonia e cor e quedam-se, imóveis, já sem vida, enfeitando o chão com um tapete crocante, emprestando à natureza as cores de uma estação em mutação! As andorinhas, os estorninhos, os patos e outras aves começaram já a sua viagem para terras mais quentes...



(Braga - Bom Jesus)


Sinto que há qualquer coisa especial no ar! São as primeiras chuvas, as primeiras trovoadas em concerto de som e luz, o cheiro a terra húmida... O azul do céu, quando consegue furar o manto das nuvens, é mais pálido e mais triste.


Os pássaros residentes esvoaçam, agitados, de árvore em árvore, procurando um refúgio para a chuva, para as noites frias e para a curiosidade mórbida dos predadores... é o Outono que se aproxima a passos agigantados!...


O pôr-do-sol pinta o horizonte de vermelho e as nuvens do fim da tarde vestem-se de cores vivas, numa miscelânea de roxos, castanhos, azuis, cores que me dizem que é chegado o Outono, sarapintado de nostalgia! Cores que me convidam a caminhar ao encontro da Harmonia e a irmanar-me com a Natureza num amplexo de Paz, de Bem Estar e de reencontro com a Mãe Terra.



José Gomes




8 comentários:

  1. quase cheirei o teu (sentir) Outonal. Bela descrição.
    Bjs
    Luz e paz

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  2. Ontem, olhando através da janela, eu comentei: este dia faz-me lembrar o Natal.
    Não sei explicar porquê, talvez uma ligeira bruma, o ar arrepiado das folhas nas árvores...alguma coisa foi.
    A tua descrição fez-me sentir um amanhecer no campo, na entrada do Outono. Até senti aquele friozinho, prenúncio do Inverno.
    O Outono é mesmo uma estação de recolhimento.
    Descreve-lo lindamente. Parabéns.
    Bom fim de semana.
    Beijinhos
    Mariazita

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  3. A tua prosa é muito poética:)
    Beijos

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  4. Gostei imenso de ler este teu texto, Zé.
    Está, além de muito bem escrito, muito belo.
    Mas andas despassarado, Zé: estamos mesmo em pleno outono desde Setembro, embora a certa altura nos tivesse parecido ainda verão...
    A verdade verdadinha é que estamos quase no inverno, mas parece que já estamos mergulhados nele...

    Beijões para vós os três. CINCO!
    Rosa

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  5. Olá Zeca, boa noite!
    AMEI!!!
    É claro que não é novidade este meu termo para dizer do que tu escreves...é até uma repetição, sempre que a tua prosa é tão poética e com tamanha beleza.
    Mas enfim, muitas vezes faltam-me os adjectivos!
    PARABÉNS!!!

    Um beijo enorme da

    Maria Mamede

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  6. Gostei muito Zé.
    Muito sugestivo e poético

    beijinho
    helena Guimarães

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  7. Obrigado a todos vós pelo carinho e pelas mensagens de amizade.
    Obrigado.
    Um abraço,
    José Gomes

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  8. Como gostei de te ler!! Lindo! No próximo sábado terei o enorme prazer de te conhecer? Espero que sim. Muitos beijos.

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