quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Até um dia destes...

Espaço de reflexão...

"Aquele que não respeita o pássaro, nem a montanha, nem a água dos rios, que fere a terra e envenena o ar que respira, esse despreza a vida maravilhosa. Já não sabe ver a beleza simples das coisas, que acompanha cada gesto da vida e protege o homem desde a infância, como um pássaro de asas de ouro."

in "Sabedoria Ameríndia" - a sabedoria dos índios da América do Norte

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

A Revolução em cada um de nós!


"Por isso a revolução terá de começar em cada um de nós de forma interna e inequívoca."...


Foi esta frase, neste artigo escrito pela Ana Camarra, que me levou a pedir para o inserir na íntegra neste blog. E é esta análise simples e muito profunda que quero compartilhar com os meus amigos, os meus habituais leitores e com aqueles que me visitam esporadicamente.

Este artigo está em "CHEIRA-ME A REVOLUÇÃO" e desde já convido a uma visita mais cuidada.




Ninguém é sozinho!

Ninguém nasce tão pouco sozinho, se durante 9 meses, mais ou menos dependemos na íntegra de outra pessoa, depois a coisa não é muito diferente.

Mais, cada um de nós é uma espécie de multidão, um aglomerado de células, os traços fisionómicos ancestrais misturados de uma forma ímpar, alguns defeitos também, muitas capacidades.

Depois, muito depois aparentemente autónomos, também não o somos, não só porque não vivemos em ilhas à mercê dos elementos e da nossa vontade, do nosso espírito empreendedor, mas vivemos em grupo, alcateias, bandos, cardumes e enxames.

O ser humano será um pouco como a grande barreira de corais da Austrália, o que se supunha que fosse um conjunto de organismos é apenas um único que e estende por 345,4 mil km2, e é só um, pode sobreviver a uma pequena amputação, a algumas tempestades, à morte de algumas das suas partes, mas é ainda só um.

A espécie humana será assim também, precisamos sempre de alguém, precisamos fisicamente de outros, mesmo que saiba fabricar o meu pão, irei precisar de quem fabrique a farinha, plante o cereal…

Como tal nesta necessidade de outros, na necessidade de sermos amados, de diversas formas como filhos, como companheiros, como pais e como amigos.

Por vezes afirmamos essas necessidades de uma forma básica, animal, tentar subjugar, tentar aniquilar, neutralizar, de todas as formas.

No fundo os nossos desejos pessoais serão sempre os mesmos, ser felizes, ter abrigo, se possível com conforto, ter alimento, ser amados e amar, caso tenhamos filhos que eles sejam felizes.

Simples!

Por isso a revolução terá de começar em cada um de nós de forma interna e inequívoca.

Fazendo parte deste organismo gigantesco da humanidade, teremos de saber que cada vitória ou realização pessoal, não poderá nunca ser conquistada em cima da derrota de outro ser como nós, que não poderemos apreciar na totalidade o nosso abrigo e conforto, quando for só e exclusivamente nosso sabendo que parte do mesmo grupo que nós não o tem de todo, o nosso pão, o nosso espaço…

Teremos assim que, mantendo as características que tornam cada um de nós único, esforçarmo-nos para que cada um de nós seja igual.

Todos os dias, em todas as coisas!




#Ana Camarra

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Outono

(Braga - Bom Jesus)



Hoje de manhã levantei-me cedo…


Grossas nuvens toldavam um céu ainda escuro, ameaçador de uma forte chuvada que não tardaria a cair. Cheirava-me, não sei bem porquê, a aldeia!... talvez porque das traseiras da minha casa ainda se veja os campos lavrados e ao longe, entre os pirilampos de luzes públicas, adivinho o que vai restando das árvores semeadas nos montes - outrora floresta densa! – e que se estendem no escuro.


O moinho de vento, em primeiro plano, faz girar as suas pás, gemendo ao sabor do vento que passa, enquanto a sua cauda metálica tenta seguir-lhe o rumo. Os galos começam a cantar, aqui um, mais além outro, mais ao fundo acorda outro, juntando a sua voz ao silêncio que, lentamente, começa a despertar!


Debruço-me na janela e sinto que o Outono está a chegar!...

Os dias já são mais curtos, mais frescos, sinto até que o vento é diferente! O dia vai esmoendo o alvorecer e reparo, então, na folhagem das árvores que estão a deixar os seus tons esverdeados que conheci até há poucos dias atrás e que começam, agora, a vestir-se de cores quentes, donde sobressaem os castanhos, os vermelhos, os dourados...


As folhas começam a cair num bailado de harmonia e cor e quedam-se, imóveis, já sem vida, enfeitando o chão com um tapete crocante, emprestando à natureza as cores de uma estação em mutação! As andorinhas, os estorninhos, os patos e outras aves começaram já a sua viagem para terras mais quentes...



(Braga - Bom Jesus)


Sinto que há qualquer coisa especial no ar! São as primeiras chuvas, as primeiras trovoadas em concerto de som e luz, o cheiro a terra húmida... O azul do céu, quando consegue furar o manto das nuvens, é mais pálido e mais triste.


Os pássaros residentes esvoaçam, agitados, de árvore em árvore, procurando um refúgio para a chuva, para as noites frias e para a curiosidade mórbida dos predadores... é o Outono que se aproxima a passos agigantados!...


O pôr-do-sol pinta o horizonte de vermelho e as nuvens do fim da tarde vestem-se de cores vivas, numa miscelânea de roxos, castanhos, azuis, cores que me dizem que é chegado o Outono, sarapintado de nostalgia! Cores que me convidam a caminhar ao encontro da Harmonia e a irmanar-me com a Natureza num amplexo de Paz, de Bem Estar e de reencontro com a Mãe Terra.



José Gomes