domingo, 12 de outubro de 2008

Lírios e rosas - Álvaro de Campos


Quando hoje fui comprar flores para o cemitério encontrei este poema, bem destacado, rodeado de rosas e lírios, na florista onde vou habitualmente. A dona ficou encantada quando lhe pedi se se importaria que eu apontasse o título do poema. Ainda ficámos um bocado a falar de poesia e de Álvaro de Campos, um dos heterónimos de Fernando Pessoa:


Poema de Canção sobre a Esperança (I)

Dá-me lírios, lírios,

E rosas também.

Mas se não tens lírios
Nem rosas a dar-me,
Tem vontade ao menos
De me dar os lírios
E também as rosas.
Basta-me a vontade,
Que tens, se a tiveres,
De me dar os lírios
E as rosas também,
E terei os lírios -
Os melhores lírios -
E as melhores rosas
Sem receber nada,
a não ser a prenda
Da tua vontade
De me dares lírios
E rosas também.

[...]

Álvaro de Campos


Aviso:

Há já alguns dias que CHUVISCOS sofreu uma modificação profunda. Para evitar os comentários nada correctos que têm aparecido neste blog e no sentido de evitar mais confusões, resolvi restringir os comentários ao blog por parte de anónimos e activei a “moderação de comentários”.

A todos aqueles que merecem o meu total respeito, as minhas desculpas por ter sido obrigado a tomar tal atitude.


José Gomes

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Palavra e acção revolucionárias




Para mais completas informações, visitem:

http://revolucionaria.wordpress.com/



"PALAVRA E ACÇÃO REVOLUCIONÁRIAS

Hoje vou pedir a vossa atenção para as palavras que vou transcrever de um Revolucionário do nosso tempo.

” Antes de tudo, estamos numa revolução. Agora uma revolução não quer dizer desordem nem quer dizer indisciplina. um dos grandes perigos da nossa revolução é a desordem e a indisciplina. não é verdadede que existe no próprio seio das Forças Armadas, devido a questões de ordem política, de ordem ideológica e propriamente até de interesses de classes, porque nós temos de enfrentar isso com toda a clareza! E não sei se todos os camaradas, quando aprovaram aquí as directrizes sobre a opção do MFA pelo socialismo, estavam bem conscientes do que isso representa. Não basta a gente dizer que optámos pelo socialismo. Há toda uma ganga, todo o meio em que nós vivemos, toda a nossa vida, os estratos sociais a que pretencemos e de que nos temos de libertar, se queremos, de facto, optar pelo socialismo e caminhar nesse sentido. Mas mesmo nós, até como somos em larga escala pequenos burgueses, estamos ligados a esses interesses; uns são filhos de pequenos comerciantes, outros são de pequenos lavradores, outros de de funcionários,etc…Nós tambem podemos fazer parte deste tal bloco histórico de apoio. O que é preciso é que tenhamos noção disso, que estas coisas não se fazem por varinhas de condão, nem por milagres, e que se desenrolam todas no seio de uma aguda luta de classes.

Não é uma palavra vâ o facto de aquilo que o brigadeiro Corvacho disse no Porto de que o capital nos move uma luta de morte. A gente ou tem a noção disto ou não tem. se a gente pensa que as lutas entre o Partido socialista e o Partido Comunista  são lutas entre o Benfica e o Sporting, então não há dúvida nenhuma que nós estamos afundados e vamos para o fundo. Agora se pensarmos que são lutas muito mais profundas, são lutas através das quais se manifestan as lutas de classes e os objectivos finais dos seus estratos sociais, então já podemos ver com muito mais lucidez essas lutas.

Aliás eu gostaria que me explicassem se o processo viveu muito depressa até agora, como é que poderia ter sido vivido mais devagar, (por exemplo como é que poderia ter vivido mais devagar até ao 28 de Setembro. Como é que poderia ter vivido mais devagar até ao 11 de Março). Penso que agora neste momento estão criadas as condições mínimas para  o socialismo. É que nós temos o problema de dominar o processo. Estamos na sua fase de construção, agora sim pê-se essa questão do ritmo e, de facto temos de ter muito cuidado com esse ritmo, porque nós não podemos deslocar a nossa  vanguarda daqueles que devem ser a nossa base de apoio, porque ás duas por três, de facto, o pelotão está deslocado da base de apoio.

Transcrevi parte de uma intervenção do General Vasco Gonçalves, na Assembleia do MFA. em 25/07/1975

Companheiro, tu sózinho não és nada! Juntos temos o Mundo na mão

Um abraço do tamanho do mundo para todos!"


Agradeço ao   "Cheira-me a Revolução" (http://revolucionaria.wordpress.com/) terem-me facultado este artigo.


Um abraço,


José Gomes