segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Pablo Neruda... a minha homenagem.


Lembrando este mês:

“... Deixa que o vento corra, coroado de espuma, que me chame e me busque galopando na sombra, enquanto eu, mergulhado nos teus imensos olhos, nesta noite imensa, descansarei, meu amor..." - Pablo Neruda


Pablo Neruda, aliás Neftali Ricardo Reys Basoalto, nasceu a 12 de Julho de 1904 e faleceu em Santiago do Chile a 23 de Setembro de 1973. Foi um dos mais importantes poetas do século XX, vindo a receber em Outubro de 1971 o Prémio Nobel da Literatura.

Desde muito novo que começou a escrever, tendo ganho alguns prémios com os seus poemas.

Em 1927 foi nomeado cônsul em Rangum, na Birmânia passando, depois, por Ceilão, Java e Singapura. De regresso ao Chile escreveu  “Residência en la Terra” e “El Hondero Entusiasta”.

Em 1934 foi nomeado cônsul em Barcelona e no ano seguinte foi transferido para Madrid. Nesta cidade ficou com a direcção da revista “Cavalo Verde para a Poesia”, relacionando-se com grandes nomes da chamada geração de 27, onde veio a conheçer os poetas Federico Garcia Lorca e Rafael Alberti.

Em 1936 começou a Guerra Civil Espanhola e, devido às suas tomadas de posição, Neruda foi destituído do cargo. Colocado em Paris, escreveu “España en el Corazón” seguido, em 1939, por “Las Furias y las Penas”. Em 1940 foi nomeado cônsul geral do México. Regressou ao Chile em 1943, em 1945 foi eleito senador e obtém o Prémio Nacional de Literatura.

Por participar activamente em actividades políticas e por ser militante do Partido Comunista que, entretanto, fora declarado ilegal, teve de sair do Chile. Regressou em 1952, continuando a sua actividade literária e política.

Indicado para a Presidência da República do Chile nos anos 70, veio a desistir da sua candidatura a favor de Salvador Allende.

Participou na campanha deste e, eleito Allende, foi nomeado embaixador do Chile em França.

Recebeu, em 21 de Outubro de 1971, o "Prémio Nobel de Literatura" com o livro “Confesso que Vivi”.

Morreu a 23 de Setembro de 1973 em Santiago do Chile, doze dias depois da queda do Governo de Unidade Popular e da morte de Salvador Allende.


Posso Escrever Os Versos Mais Tristes Esta Noite

Posso escrever os versos mais tristes esta noite. 
Escrever, por exemplo: "A noite está estrelada, 
e tiritam, azuis, os astros lá ao longe". 
O vento da noite gira no céu e canta. 

Posso escrever os versos mais tristes esta noite. 
Eu amei-a e por vezes ela também me amou. 
Em noites como esta tive-a em meus braços. 
Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito. 

Ela amou-me, por vezes eu também a amava. 
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos. 
Posso escrever os versos mais tristes esta noite. 
Pensar que não a tenho. Sentir que já a perdi. 

Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela. 
E o verso cai na alma como no pasto o orvalho. 
Importa lá que o meu amor não pudesse guardá-la. 
A noite está estrelada e ela não está comigo. 

Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe. 
A minha alma não se contenta com havê-la perdido. 
Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a. 
O meu coração procura-a, ela não está comigo. 

A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores. 
Nós dois, os de então, já não somos os mesmos. 
Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei. 
Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido. 

De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos. 
A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos. 
Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda. 
É tão curto o amor, tão longo o esquecimento. 

Porque em noites como esta tive-a em meus braços, 
a minha alma não se contenta por havê-la perdido. 
Embora seja a última dor que ela me causa, 
e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo.

Pablo Neruda
'Vinte poemas de amor e uma canção desesperada'


José Gomes



6 comentários:

  1. Deve-se de recordar quem foi sempre referencia para o bem comum. Aqueles que fizeram elevar o espirito humano para que as coisas mesquinhas, terrenas e mundanas fossem mais facil de suportar. Pablo Neruda é sem dúvida uma dessas pessoas.

    Cordialmente
    António Delgado

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  2. José
    Para falar de Pablo Neruda talvez o caminho mais fácil fosse recorrer a uma das várias biografias existentes do poeta como, por exemplo, Gênio e figura de Pablo Neruda escrita por sua secretária Margarita Aguirre. O que se constata, porém, é que o melhor biógrafo do artista é sua poesia. Neruda não criou um mundo particular, um universo lírico apartado de sua vida como homem e como cidadão. Ao contrário, sua experiência reflete-se em sua obra, retratando interesses, alegrias, frustrações e lutas. É provável que isso explique a multiplicidade dos temas abordados por ele.

    Antônio Skármeta, autor de El postino de Neruda, obra que se popularizou com o filme O carteiro e o poeta, considera Neruda um poeta múltiplo, com fontes inesgotáveis de inspiração. "Temos o poeta de Residência na terra, mergulhado na angústia do erotismo obsessivo, do desenraizamento existencial e geográfico. Impossível esquecer o poeta do amor dos Vinte poemas de amor e uma canção desesperada onde cria um trabalho passional com a mulher que foi a musa terrena que inspirou seu canto. E por último, talvez o mais polêmico, está o poeta confrontacional de versos militantes, do homem comprometido, com ou sem razão. Na grande maioria dessas facetas, Neruda me parece um poeta genial", diz Skármeta.

    O engajamento de Neruda na política internacional, e da América Latina em particular, e o posicionamento a favor do comunismo foram marcantes em sua obra. Para a historiadora Adriane Vidal, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a poesia nerudiana realiza, muitas vezes, um entrecruzamento entre história latino-americana e poesia. "Neruda foi, sem dúvida, um dos poetas mais expressivos do seu tempo. Sua figura e obra ultrapassaram as fronteiras do Chile. O poema épico-social Canto Geral é um dos exemplos da arte engajada de Neruda. É uma obra que evidencia a preocupação de buscar uma linguagem simples, com nuances pedagógicas e didáticas.

    ABRAÇO CAMARADA!

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  3. Sempre bons textos recordando heróis massacrados em nome da liberdade.

    E continua a ser necessário relembrar...

    Um abraço amigo.

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  4. Que bom passar por aqui e ler e recordar Pablo Neruda.
    Bem hajas pelas homenagens que fizeste nos teus últimos posts.
    Beijinhos

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  5. Parabéns pelo seu blog José Gomes. Você me ajudou muito. Estava fazendo um trabalho sobre o Pablo Neruda e acabei encontrando sua postagem sobre esse maravilhoso poeta chileno. Fiquei um tempão escutando a música, que vale dizer é maravilhosa. Através dela, criei O tútulo do meu trabalho. Um abraço!

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