quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Para que a História não esqueça...

Passaram-se já 63 anos...


Esta nuvem em forma de cogumelo, foi a marca deixada pela bomba atómica que explodiu a 500 m de altitude no centro de Hiroshima, no Japão, a 6 de Agosto de 1945. Atingiu 18 km de altura, causando o extermínio de milhares de japoneses, executados de forma deliberada.


63 anos um avião americano, "Enola Gay", lançou uma bomba atómica que detonou a 580 metros acima do Hospital Shima, em Hiroshima, no Japão. Eram 8,15 horas da manhã do dia 6 de Agosto de 1945 e os habitantes de Hiroshima estavam a começar o seu dia... Em poucos segundos, como resultado do ataque, de Hiroshima apenas ficaram ruínas fumegantes. Naquele dia cerca de 100 mil pessoas morreram...



Nagasaky – 9 de Agosto de 1945 – Palavras para justificar o quê?...



No dia 9 de Agosto de 1945 (três dias depois), às 11,02 horas, a cidade de Nagasaky, no Japão, foi varrida do mapa por uma bomba de plutónio, detonada a 503 metros de altitude… Morreram 74.000 pessoas e, mais tarde, este número veio a aumentar pois, dos 40.000 feridos, muitos não resistiram às queimaduras e à exposição às radiações.

Os dedos queimavam com chamas azuis, estavam reduzidos a um terço do seu tamanho natural e retorcidos. Um líquido negro escorria da mão e caía no solo” – Akiko Takahura, testemunha ocular.



Para que a memória não esqueça, deixo-vos com este registo:

1 – A construção da bomba atómica teve lugar em Los Álamos, deserto do Novo México; a bomba lançada em Hiroshima era de Urânio-235 e a de Nagasaki de Plutónio;

2 – Ao analisarem o teste efectuado no deserto de Los Álamos e ao aperceberem-se das consequências desta arma, os cientistas do “Projecto Manhattan” fizeram uma petição para anular a utilização destas bombas no Japão. Esta veio a “desaparecer” na gaveta do general Leslie Groves, supervisor do referido “Projecto”, em conivência com o secretário de estado James Byrnes;

3 – O presidente Truman assinou a ordem de lançamento;

4 - Na altura da explosão encontravam-se em Hiroshima 24 americanos. Apenas cinco sobreviveram, mas por pouco tempo: três foram linchados e os outros dois morreram onze dias depois, vítimas da radiação...


Entre os críticos do uso das armas nucleares em Hiroshima e Nagasaki estão vários líderes militares americanos. Numa entrevista após a guerra, o General Eisenhower, que mais tarde viria a ser presidente dos EUA, disse a um jornalista: “(...) os japoneses estavam prontos para se renderem e não havia necessidade de os atacar com aquela coisa terrível.”.

O Almirante William D. Leahy, chefe do grupo de trabalho de Truman, escreveu: “Na minha opinião o uso desta arma bárbara em Hiroshima e Nagasaki não ajudou em nada na nossa guerra contra o Japão. Os japoneses já estavam vencidos e prontos a se renderem... Sinto que sendo os primeiros a usá-la, nós adoptamos o mesmo código de ética dos bárbaros na Idade Média (...) As guerras não podem ser ganhas destruindo mulheres e crianças...”


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Passados todos estes anos Hiroshima não deixa transparecer nenhuma lembrança daquele 6 de Agosto de 1945. Trata-se de uma cidade moderna, com árvores, prédios, pessoas circulando e carros, como em qualquer cidade desenvolvida.

Mas as feridas deixadas ficaram para sempre na história. Foi construído em Hiroshima um museu que eterniza o holocausto nuclear de Agosto de 1945: O Memorial da Paz. Este Monumento situa-se a 150 metros do edifício que resistiu ao impacto da bomba. O edifício foi preservado exactamente como se encontrava após o bombardeamento, e serve hoje como uma memória da devastação nuclear e um símbolo de esperança na Paz Mundial e na eliminação de todas as armas nucleares.




Vista Nocturna do Memorial da Paz de Hiroshima


(...) De uma coisa sabemos. A terra não pertence, ao homem: é o homem que pertence à terra, disso temos certeza. Todas as coisas estão interligadas, como o sangue que une uma família. Tudo está relacionado entre si. Tudo quanto agride a terra, agride os filhos da terra. Não foi o homem quem teceu a trama da vida: ele é meramente um fio da mesma. Tudo o que ele fizer à trama, a si próprio fará.
Os nossos filhos viram seus pais humilhados na derrota. Os nossos guerreiros sucumbem sob o peso da vergonha. E depois da derrota passam o tempo em ócio, envenenando seu corpo com alimentos adoçicados e bebidas ardentes. Não tem grande importância onde passaremos os nossos últimos dias - eles não são muitos. Mais algumas horas, mesmos uns invernos, e nenhum dos filhos das grandes tribos que viveram nesta terra ou que têm vagueado em pequenos bandos pelos bosques, sobrará para chorar, sobre os túmulos um povo que um dia foi tão poderoso e cheio de confiança como o nosso. (...)

(Carta do chefe Seatle (indios Duwamish) ao Presidente dos Estados Unidos Franklin Pierce, em 1854)



Pesquisa: Wikipédia

José Gomes

13 comentários:

  1. A memória perdura para que as gerações vindouras não façam os mesmos erros. Um Abraço

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  2. Sê bem vindo, amigo! Espero que as férias tenham sido excelentes. Um post soberbo. Os grandes erros dos homens não devem cair no esquecimento. Pelo contrário, para que se não repitam devemos relembrá-los.Os mandantes do mundo têm a obrigação de preservar a Terra para que ela não entre em rota de colisão com a vida. O homem é um mero inquilino do planeta e deve tratá-lo com o respeito que lhe merecem os seus ascendentes, que lha deixaram habitável, e os seus descendentes que têm o direito de a receber em bom estado de conservação.
    Estes dois dias de Agosto do século XX, 6 e 9, jamais cairão no esquecimento, tal como as duas grandes guerras,o nazismo, o fascismo...

    Um abraço

    Bem hajas!

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  3. Viva! talvez gostes de ver a revista electrónica em que participo http://www.scribd.com/groups/view/8296-samizdat

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  4. Olá amigo Zé,

    Excelente o teu post!
    Já se fala tão pouco nestes acontecimentos que é sempre muito meritório relembrá-los e trazê-los à luz da ribalta para que não caiam no esquecimento e se faça o debate necessário à educação dos mais novos, para que não se repitam barbaridades destas.
    Um beijinho para ti.

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  5. Um óptimo post! Para que a memória não se apague! Muitos beijos.

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  6. Parabéns pelo Post.
    Que o Mundo tenha aprendido com a tragédia. Precisamos preservar a Terra, começa a ficar cansada e triste de tantos erros humanos.
    Abraço
    canduxa

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  7. Pedindo antecipadas desculpas pela “invasão” e alguma usurpação de espaço, gostaríamos de deixar o convite para uma visita a este Espaço que irá agitar as águas da Passividade Portuguesa...

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  8. Um texto muito bom, a recordar uma tragédia que parece já muito longínquo e da qual já quase não se fala. E quando cai no esquecimento, torna-se perigoso. Porque pode repetir-se.
    Um abraço e bom fim de semana

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  9. Olá querido Amigo, excelente post... A recordat uma tragédia que pode voltar a repetir-se!
    Beijinhos de carinho,
    Fernandinha

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  10. Vi, recentemente, fotos de Hiroshima reconstruída, lindíssimas.
    Mas elas não fazem esquecer, pelo contrário, o horror que foi a bomba atómica.
    Ainda hoje há sobreviventes sofrendo os efeitos das radiações.
    Que o Homem saiba recordar e evitar, de novo, semelhante atrocidade.
    Um abraço
    Mariazita

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  11. A minha colaboração no SEMPRE JOVENS é às Terças-Feiras.
    No meu blog, A CASA DA MARIQUINHAS, faço postagens Aos Domingos e Quintas Feiras.
    Como no próximo dia 15 vou ausentar-me, para férias, gostaria de contar com a tua presença e comentário nestes dois últimos posts, o que antecipadamente agradeço.
    Felicidades. Até Setembro.
    Beijinhos
    Mariazita
    PS – Guarda esta informação, que é preciosa -:)))

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  12. Quero agradecer a todos os amigos que deixaram um comentário ou apenas leram este artigo. A minha intenção é nunca deixar esquecer este passo negro que foi inscrito na memória colectiva da Humanidade.

    Obrigado, amiga Wind, continuas a ser uma acérrima leitora deste blog. Obrigado pelo comentário.

    E tu, Ludo Rex, continuas, através dos dias, na luta, a não deixar cair as tuas vivências e a lembrar às gerações vindouras que foram cometidos (e que continuam a cometer-se!) erros, em nome hipocrisia, do despotismo e da sede de poder…
    Um abraço.

    As férias, Sophiamar, acabaram, mas a primeira semana foi de muitos sustos. Continuar a bater na tecla de Hiroshima e Nagasaqui é recordar uma data negra da humanidade e pensar que os responsáveis por estes actos escaparam impunes. Que a nossa geração e as gerações futuras aprendam com estes erros, uma vez por todas e saibam respeitar esta Terra de quem somos meros inquilinos.
    Aquele abraço.

    Olá Maria de Fátima. É um prazer ter-te por esta casita. Já espreitei o Samizdat… mais logo vou-me debruçar sobre as revistas.
    Um abraço

    Olá amiga Brancamar,
    Tenho pena que estas recordações… não passem disso mesmo: recordações! A seguir a este post tenho recebido emails com imagens da Hiroshima actual, feérica e cosmopolita. Só luz e gigantismo! Mas sei que apesar disto muitos continuam a recordar aqueles fatídicos dias, para que não se torne a repetir actos bárbaros como estes.
    Um abraço.

    Obrigado, Paula Raposo, pelo comentário. Para que a memória não se apague, nunca!!!
    Um bom fim de semana.
    Aquele abraço

    Obrigado, Canduxa, pela visita.
    O Mundo aprende enquanto a tragédia está fresca mas, logo, logo, esquece!!! E se olharmos à nossa volta vê-se a apatia geral para estes problemas. Por isso é preciso insistir, insistir sempre. Água mole em pedra dura…
    Um abraço para todos.

    RESSACA, Foi muito agradável ler este cantinho que, realmente, não conhecia. A nossa classe política, na sua maior parte, anda mesmo pelas ruas da amargura. Mas o problema, meu amigo, é que quando chega a hora de votar o zé povo entra automaticamente em amnésia profunda! E voltámos ao mesmo...
    Um abraço
    José Gomes (Chuviscos http://chuviscos.blogspot.com/)

    Obrigado, Elvira Carvalho, pela visita. Não como forma de retribuir, mas deu-me curiosidade de visitar os teus blogs, bem elaborados e sentidos. Aprendi umas coisitas…
    Gosto de recordar as coisas que acontecem nesta Terra tão maltratada e tenho sempre a esperança que qualquer dia o Homem encontre realmente o seu caminho, a sua missão… talvez um dia!
    Aquele abraço.

    Olá Fernandinha,
    As fotos da Ilha do Faial estão muito boas e está lá retratado o teu amor pela tua terra natal. Gostei dos poemas e talvez, venha a “roubar” um para o dizer nas “Noites de Poesia de Vermoim” (ver http://movimentum-blogando.blogspot.com/), se o deixares, claro!!!
    Façamos votos para que esta tragédia não se repita nunca mais!
    Um abraço

    Mariazita, deu-me a curiosidade e fui espreitar a “Casa da Mariquinhas” e “Sempre Jovens”… uma leitura muito agradável!
    Disse mais acima que tenho recebido fotografias de Hiroshima reconstruída, muito diferente da Hiroshima destruída pela Bomba. O sentimento dos seus habitantes é de não esquecer aquele dia de Agosto. Mesmo com todas as pressões do dono do mundo e dos senhores da guerra, tenho esperança que não haverá nova aventura…
    Um bom fim de semana.
    Um abraço

    Mariazita, não sei se lerás este comentário antes do dia 15. Acabei as férias e ainda não me adaptei ao ritmo de cruzeiro… Vou, mesmo assim, tentar dizer alguma coisa.
    Boas féria e até Setembro. Não esqueças, tu e a Canducha, as “Noites de Poesia em Vermoim”. Fá-la com ela.
    Um abraço,


    E pronto! Respondi aos vossos comentários.
    Voltem sempre!!!!


    José Gomes

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