segunda-feira, 18 de Agosto de 2008

Federico García Lorca

Federico Garcia Lorca


Federico García Lorca, poeta e dramaturgo espanhol, nasceu em Fuente Vaqueros (Granada) a 5 de Junho de 1898 e foi executado em Granada em 19 de Agosto de 1936, sendo uma das primeiras vítimas da Guerra Civil Espanhola.

Federico Garcia Lorca matriculou-se na faculdade de Direito de Granada em 1914, transferindo-se cinco anos depois para Madrid. Foi aqui que conheceu e se tornou amigo de artistas como Luis Buñuel, Rafael Alberti, Pablo Neruda, Salvador Dali, entre outros (a chamada “geração de 27”) e foi aqui que publicou, também, os seus primeiros trabalhos.

Concluído o curso, foi para os Estados Unidos, Cuba e outros países latino-americanos. Em 1940 escreveu Um Poeta em Nova Iorque em que cantou a beleza desta cidade em contraste “com a dor do pobre, do perseguido, do negro, do animal sacrificado, do insecto esmagado”…

Federico Garcia Lorca passou a ser uma espécie de símbolo das vítimas dos regimes de direita e da tirania fascista, tornando-se num alvo preferencial para estes regimes que se desenvolviam na Europa.

Voltou a Espanha, criou um grupo de teatro chamado La Barraca. Não ocultava as suas ideias socialistas nem a sua tendência homossexual.

Após a eclosão da Guerra Civil Espanhola, Lorca saiu de Madrid para Granada onde, supostamente, estaria mais protegido. Mas este já era um inimigo natural de um regime autoritário. Além disso, numa Espanha católica, as tendências homossexuais de Lorca também não eram bem vistas. Vítima de uma denúncia anónima, a sua prisão foi ordenada por um deputado católico, sob o argumento de que ele seria "mais perigoso com a caneta do que outros com o revólver".

No dia 19 de Agosto de 1936, sem julgamento, os nacionalistas executaram o grande poeta com um tiro na nuca.

A caneta de Federico Garcia Lorca calou-se, mas a sua Poesia nascia para a Eternidade. O crime teve repercussão em todo o mundo, despertando em todo o planeta um sentimento do que o que se estava a passar em Espanha dizia respeito a toda a Humanidade... foi o prenúncio da II Grande Guerra!

Federico Garcia Lorca tornou-se o mais notável dos poetas surgidos durante a guerra civil espanhola, conhecida como "geração de 27", alinhando ao lado dos maiores poetas do século XX.

Foi um excelente pintor, compositor e pianista. A obra teatral de Lorca sobressaíu no drama histórico, na farsa e na tragédia. As tragédias rurais passadas na Andaluzia, Bodas de Sangue (1933), Yerma (1934) e A Casa de Bernarda Alba (1936) asseguraram a sua posição como grande dramaturgo.

Com o fim do regime de Franco e o regresso do país à democracia, Espanha veio prestar-lhe a homenagem que o poeta merecia, erigindo-lhe um monumento na sua terra natal. Hoje é considerado o maior autor espanhol desde Cervantes.

Este é um dos poemas mais belos de Federico Garcia Lorca, que aqui deixo em homenagem a este grande poeta:

A las cinco de la tarde

A las cinco de la tarde.
Eran las cinco en punto de la tarde.
Un niño trajo la blanca sábana
a las cinco de la tarde.
Una espuerta de cal ya prevenida
a las cinco de la tarde.
Lo demás era muerte y sólo muerte
a las cinco de la tarde.

El viento se llevó los algodones
a las cinco de la tarde.
Y el óxido sembró cristal y níquel
a las cinco de la tarde.
Ya luchan la paloma y el leopardo
a las cinco de la tarde.
Y un muslo con un asta desolada
a las cinco de la tarde.
Comenzaron los sones de bordón
a las cinco de la tarde.
Las campanas de arsénico y el humo
a las cinco de la tarde.
En las esquinas grupos de silencio
a las cinco de la tarde.
¡Y el toro solo corazón arriba!
a las cinco de la tarde.
Cuando el sudor de nieve fue llegando
a las cinco de la tarde
cuando la plaza se cubrió de yodo
a las cinco de la tarde,
la muerte puso huevos en la herida
a las cinco de la tarde.
A las cinco de la tarde.
A las cinco en Punto de la tarde.

Un ataúd con ruedas es la cama
a las cinco de la tarde.
Huesos y flautas suenan en su oído
a las cinco de la tarde.
El toro ya mugía por su frente
a las cinco de la tarde.
El cuarto se irisaba de agonía
a las cinco de la tarde.
A lo lejos ya viene la gangrena
a las cinco de la tarde.
Trompa de lirio por las verdes ingles
a las cinco de la tarde.
Las heridas quemaban como soles
a las cinco de la tarde,
y el gentío rompía las ventanas
a las cinco de la tarde.
A las cinco de la tarde.
¡Ay, qué terribles cinco de la tarde!
¡Eran las cinco en todos los relojes!
¡Eran las cinco en sombra de la tarde!

Federico García Lorca



O tema musical que escolhi foi um tributo da Galiza a Federico Garcia Lorca, bem expresso por estas palavras:

Homenage da Galiza a Federico García Lorca, poeta dos seis poemas galegos, polo seu apoio à nossa língua e literatura e dedicado também ao povo Andaluz e as vítimas do fascismo em todo o mundo

(Poema de Celso Emílio Ferreiro, na voz de Suso Vaamonde).

José Gomes

12 comentários:

  1. lembrar pessoas e sua obra - neste caso poética e humana, quando merecido como é o caso, sabe tão bem. Um tributo de gratidão. E, no meu caso particular ainda mais significativo, pois apesar dos bons poetas portugueses, nomeadamente alentejanos - k descobri mais tarde. Ou eles me descobriram, leitora voraz - foi com Garcia Lorca k me apaixonei pela poesias tinha aí os meus seis anos e meio quando li, exactamewnte este poema aqui postado, na revista PENSAMENTO de k meu pai era assinante.
    Um poema denso e doloroso para a idade k tinha, mas a força das palavras dominou-me e o sentido percebi-o bem.

    Bjs
    Luz e paz Zé
    Obrigada pela canção k escolheste

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  2. O homem partiu abruptamente porque lhe foi negada a liberdade de continuar a defender uma sociedade mais justa e igualitária mas a sua obra e os seus ideais permanecem bem vivos na nossa memória.Não deixemos de recordar quem se bateu pelo inalienável direito da Liberdade nem deixemos de transmitir a sua mensagem àqueles que não a conhecem.

    Beijinhos, Zé!

    Bem hajas!

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  3. Excelente post de homenagem.
    Beijos

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  4. Fica a memória de um dos grandes poetas do século XX e de todos os tempos.
    “Mas o que vou dizer da Poesia? O que vou dizer destas nuvens, deste céu? Olhar, olhar, olhá-las, olhá-lo, e nada mais. Compreenderás que um poeta não pode dizer nada da poesia. Isso fica para os críticos e professores. Mas nem tu, nem eu, nem poeta algum sabemos o que é a poesia.” García Lorca

    Um Abraço

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  5. Olá querido Amigo José, belíssima homenagem ao Grande Homem do século XX, García Lorca!
    Obrigada por não esqueceres esta data e dá-la a conhecer aos teus amigos e leitores, mais distraídos, como eu que não me recordava... Bom fim de semana e muitos beijinhos de carinho,
    Fernandinha

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  6. Mais uma bela alma que foi vítima da brutalidade franquista. Tiro na nuca e sabe-se lá que mais...
    Beijinhos.

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  7. Não sabia que foi vítima dos franquistas. Espanha perdeu um grande senhor

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  8. participe em www.luso-poemas.net

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  9. Cheguei aqui através da busca de LORCA. O meu preferido.

    Gostei
    Vou voltar
    Abraço
    Rufino Fino Filho

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  10. Voltei com os aromas e as gentes da minha terra. A serra, para quem cá nasce, é um apelo definitivo.

    Beijinhos

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  11. Excelente homenagem ao grande poeta García Lorca. Só mesmo tu, amigo Zé, és capaz de a fazer com tanto amor, fiel às convicções pelas quais sempre lutaste. Um bem haja num abraço de amizade.
    Tg

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