quarta-feira, 30 de abril de 2008

1º Maio 1974 - aquela festa!

O 1º Maio 1974 no Porto - scan de fotos recentemente encontradas


1º Maio 1974 - aquela festa!

E que grande festa!!!

Foi há 34 anos que fiz parte da mole humana que transbordou o centro da cidade do Porto. Da Praça do Município até à Praça da Liberdade o povo anónimo festejou, pela primeira vez, o dia do trabalhador em Liberdade.

Desde as primeiras horas da manhã até noite cerrada assisti a milhares e milhares de pessoas que se aglomeraram neste imenso espaço, cantando, dançando, manifestando das mais variadas formas a sua alegria pelas portas que Abril abrira seis dias antes.

Os cravos vermelhos, as bandeiras vermelhas desfraldadas sem medo, as canções proibidas uma semana antes, eram cantadas a plenos pulmões, com a certeza que a longa noite terminara e que agora tínhamos nas mãos a esperança da Liberdade recentemente conquistada.

34 anos depois desta data, façamos do 1º de Maio uma grandiosa demonstração de Força e Unidade.


Com este poema de Fernando Peixoto deixo aqui a minha homenagem ao 1º de Maio, Dia Mundial do Trabalhador:



1º. MAIO


Há Maio em cada rosto
em cada olhar
que passa pelo asfalto da Avenida
Há Maio em cada braço
que se ergue
há Maio em cada corpo em cada vida


Há Maio em cada voz
que se levanta
há Maio em cada punho que se estende
há Maio em cada passo
que se anda
há Maio em cada cravo que se vende


Há Maio em cada verso
que se canta
há Maio em cada uma das canções
há Maio que se sente
e contagia
no sorriso feliz das multidões


Há Maio nas bandeiras
que flutuam
e mancham de vermelho
o céu de anil
Há Maio de certeza
em cada peito
que sabe respirar o ar de Abril


Mas há Maio sobretudo
no poema
que se escreve sem ler o dicionário
porque Maio há-de ser
mais do que um grito
porque Maio é ainda necessário


Canto Maio e se canto
logo existo
que o meu canto de Maio é solidário
com o canto que escuto
e em que medito
e que sai da boca do operário


(Fernando Peixoto)


11 comentários:

  1. Cá o 1º de Maio também foi uma alegria:)
    Belo poema:)
    Beijos

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  2. Um excelente 1º de Maio para ti...

    Beijo

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  3. Que Maio seja sempre uma festa. Façamo-la, apesar das mortes e das prisões que sempre estão subjacentes nas grandes conquistas do operariado.
    Um Maio florido!
    O poema de Fernando Peixoto é lindo.Como são sempre os seus poemas.

    Beijinhos

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  4. Meu amigo: O blog "BEJA" colabora na divulgação das Noites de Poesia em Vermoim do dia 03 de Maio.

    O blog "Testemunhos" - http://alentejototal.blogspot.com/ -blog dedicado ao 25 de Abril -colocou o texto de sua autoria 25 de Abril no Porto . Agradeço a sua permissão.

    Para amanhã temos a caminhada do 1º de Maio.

    Um abraço fraterno

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  5. Amigo José Gomes, é verdade!
    Só não é verdade que todos saibam que muitos trabalhadores de luta e coragem, homens e mulheres, morreram para que fosse abolida uma exploração do trabalho sem horário.
    Trabalho de sol a sol.
    Desde que o dia nascia, para se ver e poder trabalhar, produzir e ser explorado; até que a noite chegasse e então, já escuro, não dava para ver, e a jornada de trabalho sem horário, terminava às ordens do patrão.
    Por isso muitos trabalhadores morreram ao se manifestrarem e exigirem na praça pública, um horário de 8 horas de trabalho.
    Por isso digo que é verdade que há 34 anos, depois do dia da Libertação, um mar de gente encheu as ruas da cidade... cidades!

    Só não é verdade que todos saibam que muitos trabalhadores de luta e coragem, homens e mulheres, morreram para que fosse abolida uma exploração de trabalho sem horário.
    Viva o 1º de Maio!

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  6. Bela homenagem amigo, que a voz nunca nos doa para gritarmos bem alto, VIVA VIVA a LIBERDADE!!!

    E Maio, o meu Mês, que nunca deixemos que acabe, e lutemos contra esta nova ditadura que nos querem impor, o novo código do trabalho, vai trazer mais miséria, mais fome, se o deixar-mos...

    Abraços do Beezz

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  7. Belo poema o de Fernando Peixoto a traduzir o nosso sentir, muito próprio da sensibilidade de um homem que entendeu desde cedo as lutas laborais, que estão de novo na ordem do dia - "porque Maio é ainda necessário."
    E essa fotografia,esse primeiro 1º de Maio após a libertação, eu também o vivi aqui nas ruas do Porto, não era só a Avenida, eram todas as ruas circundantes, lembro-me que se cantava por Passos Manuel, pela Rua de Santa Catarina, lembro-me que ali mesmo no cruzamento de uma com outra onde é agora a FNAC e pela rua fora quer para o lado da Batalha quer para o outro lado estavam muitos grupos sentados no chão de cravo vermelho e a cantar. Eu tinha 19 anos e subi a pé todas essas ruas com o meu grupo a caminho da família na parte alta da cidade e até ao campo 24 de Agosto encontrei sempre grupos a festejar. Uma loucura de felicidade inigualável e eu que tinha ouvido sempre o meu avô falar de outros 1ºs de Maio tão escondidos, tão à socapa e de como a polícia rondava sempre as imediações da Praça nos anos anteriores e de como fazia sempre prisioneiros e corria atràs de alguns mais audazes pelas ruas circundantes, era algo que a maior parte de nós desconhecia porque nem chegava a ter tempo de se aperceber e se se apercebia nem sabia o porquê. Tempos tão cinzentos!
    Não deixemos morrer este espírito de Maio, é bem preciso para que não se precipitem situações menos respeitosas para com os trabalhadores e que já vão acontecendo por aí.
    Beijinhos

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  8. Viva o 1º de Maio, que as lutas nunca sejam esquecidas! Viva o Trabalhador.
    Façamos deste Maio uma jornada de luta e de esperança!
    Um Abraço

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  9. Caro Zé:
    Não te agradeço o teres publicado este poema que, já com vários anos, se mantém (infelizmente) actual, «porque Maio é ainda necessário». Agradeço-te, sim, o cuidado e a perseverança em manter-nos a todos tão despertos para factos, datas e pessoas que marcaram a nossa vida e que não temos o direito de olvidar.
    É que a nossa memória colectiva(por vezes curta e acomodatícia), pode ser (tem de ser) um poderoso e importante instrumento de formação cultural, educação política, mas sobretudo de intervenção cívica.
    Um abraço do
    FERNANDO PEIXOTO

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  10. Tanto trabalho do operário,
    que quase que não deixa nenhum para o empresário, ficando este só com o trabalho monetário! Coitado!
    (Figas de Saint Pierre de lá-Buraque)

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  11. O 1º de Maio, quando estamos desempregados, dói...
    Beijinhos.

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