quarta-feira, 12 de março de 2008

O coelhinho Jerónimo

No dia 6 de Março de 2008 eu e a Maria Mamede estivemos na Escola E. B. 1 de Moutinhos (Águas Santas) a dinamizar uma actividade de leitura com alunos desta.
Foi uma actividade muito interessante e enriquecedora tanto para nós como para os alunos que nos ouviram a ler poesia e um conto; nós ouvimo-los a fazer leituras individualmente ou em grupo. Foi muito interessante a peça de teatro de marionetes que fizeram especialmente para nós.
Para esta experiência preparei-lhes este texto. Eles ouviram-me em silêncio e com muita atenção e no fim fizeram muitas perguntas pertinentes.



O coelhinho Jerónimo

Era uma vez, um ratinho que vivia na floresta, triste e sozinho. Gostava de brincar, saltar e mesmo assim, apesar do seu espírito brincalhão, os outros animais fugiam dele com medo!

O elefante, o bicho mais corpulento da floresta, era aquele que mais medo tinha do ratinho, a seguir vinha a zebra que até mudava de cor sempre que o via e depois os outros animais! Engraçado, nenhum deles sabia dizer qual era a razão porque tinham tanto medo do ratinho!...

Sem ter ninguém para brincar ou para conversar o ratinho e apesar de não se sentir propriamente infeliz, manifestava uma certa tristeza:

— Eles não querem brincar comigo, não sei bem porquê?!!! Nunca lhes fiz mal, mas quando me vêem, fogem de mim, assustados!

Certo dia decidiu dar uma volta pela floresta à procura de outros animais que quisessem brincar com ele, sem mostrarem qualquer medo. Preparou, então, a mochila, uma pequena tenda, comida e começou a viagem.

A meio do caminho, encontrou um coelhinho a chorar.

— O que é que tu tens, pequenino? – perguntou.

O coelhinho olhou para ele, sem mostrar medo, e respondeu-lhe a soluçar:

— Sniff! Sniff! Perdi-me da minha mamã... e não consigo encontrá-la! Sniff! Sniff! Será que podes ajudar-me a procurá-la?

— Sim, claro, que te ajudo! Mas… como é ela?

— Não sei lá muito bem, mas... – olhando fixamente para o rato - Olha! ... A mamã até é parecida contigo, mas com as orelhas mais compridas que as tuas. – disse-lhe o coelhinho.

— Vamos andando e vais ver que vamos encontrar a tua mãe.

O coelhinho limpou as lágrimas, deu a mão ao ratinho e lá foram os dois pela floresta fora.

Um pouco mais à frente, encontraram um ouriço.

— Bom dia, senhor ouriço, por acaso não viu uma coelha passar por aqui? – perguntou o rato.

O ouriço olhou-o, depois o coelhinho e perguntou:

— Bom dia! Como é que é essa coelha?

— Um pouco parecida com ele... Mas a mamã tem as orelhas mais compridas. – choramingou o coelhinho, apontando para o rato.

— Ah!!Ah!!!Ah!! – riu o ouriço – É a coisa mais engraçada que ouvi em toda a minha vida!

— Pára de te rires! – disse-lhe o ratinho já zangado – Afinal, viu ou não viu uma coelha a passar por aqui?

O ouriço parou de rir e olhou muito sério para os dois:

— Por aqui não passou ninguém!

Os dois agradeceram e faziam-se, de novo, à estrada quando o ouriço os chamou:

— Ei, esperem aí por mim!!! Eu vou convosco, talvez os possa ajudar!

— Ajudar?!! Como assim?!! – perguntou o ratinho.

— Eu conheço esta floresta como os dedos das minhas patas!

— Então está bem, mais um par de olhos é sempre uma boa ajuda!

E assim, lá foram os três, caminho fora. Já noite, chegaram ao pé de uma árvore muito velha e frondosa.

— Vamos descansar aqui. – disse o ouriço — De noite é perigoso caminharmos às escuras.

O ratinho montou a sua tenda, conversaram enquanto comiam alguma coisa e acabaram por adormecer.

Ao raiar do sol, acordaram esfomeados. O ratinho tirou um pedaço de queijo da mochila, o ouriço colheu, para si, umas bagas suculentas e umas cenouras tenrinhas que deu ao coelhinho.

Satisfeitos com aquele pequeno-almoço, arrumaram as coisas e puseram-se a caminho.

De repente, ouviram-se uns ruídos muito estranhos e ficaram todos cheios de medo! Até o corajoso ratinho se encostou ao ouriço e o coelhinho agarrou-se a ele, começando a tremer e a chorar...

— Será a mamã coelha? Será um monstro? – perguntou o ouriço, batendo os dentes, olhando em todas as direcções e eriçando os picos.

Nem uma coisa, nem outra! Era um esquilo amoroso que andava à procura de nozes.

Todos respiraram bem fundo!

— Desculpe, senhor esquilo – perguntou o ratinho – por acaso não viu passar por aqui uma coelha?

O esquilo olhou os animais à sua frente, fixou o ratinho bem nos olhos e disse:

— Não passou por aqui ninguém.

— Tem a certeza? – perguntou o ratinho.

— Absoluta! Mas... o que é que aconteceu?

— Encontrei este coelhinho a chorar. Perdeu-se da mãe e agora não sabe onde ela está. – disse-lhe o ratinho.

O esquilo olhou à sua volta, encolheu os ombros e disse:

— As nozes que fiquem para mais tarde! Vamos lá procurar a mãe do pequeno coelho!

Partiram os quatro em busca da mãe coelha. Caminharam durante todo o dia, mas não encontraram ninguém. Passou-se mais um dia sem encontrarem a mãe coelha. O coelhinho, já desesperado, choramingou:

— Nunca mais vou encontrar a minha mamã...

— Claro que vais! – disse o ouriço, tentando acalmá-lo e dar-lhe ânimo.

— Muito em breve vais vê-la! – disseram, quase ao mesmo tempo, o ratinho e o esquilo.

— Têm a certeza? Não me estão a enganar? – disse o coelhinho.

— Certeza absoluta! – responderam todos em coro.

Entretanto caiu a noite, o ratinho montou a tenda, jantaram e como já estavam muito cansados acabaram por adormecer.

O sol tinha acabado de se levantar quando uma voz os acordou. Era uma voz tão doce e melodiosa que os deixou maravilhados.

— De quem será esta voz? – perguntaram uns aos outros.

Era a dona pata que gostava de cantar logo que nascia o sol.

— Bom dia, dona pata! - cumprimentaram – Mas que linda voz a senhora tem!

A pata sorriu e disse-lhes:

— Bons dias, meus jovens e muito obrigada pelo elogio! Mas... o que é que estão a fazer aqui tão longe das vossas casas?

— Estamos à procura da mãe deste coelhinho. – disse o ratinho – Por acaso a senhora não a viu?

— Uma coelha?!!… deixem-me cá pensar!... Sim, sim. Há pouco tempo passou uma coelha por aqui, com os olhos cheios de lágrimas! Se correrem ainda a apanham.

— É a mamã!!! É a mamã!!!– gritou o coelhinho, saltando de contente - Muito obrigado, dona pata.

Andaram mais de meia hora quando, de repente, viram a tal coelha de que a pata tinha falado.

- Psst!!! Psst!!! D. coeeelhaaaaa!... – chamaram todos em coro.

A coelha parou, olhou para trás e viu o seu filhote. Os seus olhos abriram-se muito, as lágrimas começaram a cair e gritou, correndo ao seu encontro:

— Jerónimo, meu Jerónimo, meu filhinho!

— Mamã! Mamã... é a minha mamã! – gritou o coelhinho, pulando de alegria e correndo para os braços da mãe.

Abraçaram-se, deram muitos beijinhos e riram de alegria.

Jerónimo apresentou os seus amigos à mãe.

A coelha secou os olhos e agradeceu a todos tudo o que fizeram pelo filho.

A partir daquele dia o ratinho nunca mais se sentiu sozinho. Os outros animais já brincavam com ele e reuniam-se todos à noite, à luz da lua, para ouvirem as suas histórias... engraçado!...

O elefante continuou, apesar de toda a sua corpulência, a ter um medo de morte dos ratos!!!

Os verdadeiros amigos são aqueles que aparecem quando precisamos deles, que nos ajudam e se mantêm sempre ao nosso lado.

Não importa a aparência física, quando o que conta é a luz do nosso coração.


6 de Março 08

José Gomes




5 comentários:

  1. Bonita história meu Amigo. Realmente, os verdadeiros amigos são aqueles que aparecem quando precisamos deles, que nos ajudam e se mantêm sempre ao nosso lado...
    Um Abraço e Bom Fim de Semana

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  2. Que história mais bela e ternurenta:)
    E tens razão quanto aos amigos!:)
    Beijos

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  3. Olá querido amigo José...não resisti...tive que vir até aqui descansar o meu stress e deixar-me, uma vez mais, mimar pela magnífica história que eu e os meus alunos escutámos de forma quase encantada...
    Obrigada a si e à Maria por nos terem dado a chance de partilhar convosco parte do nosso dia. Nunca vos esqueceremos e aqui, publicamente, vos quero dizer a ambos: voltem, voltem de novo para junto de nós, e deixem que nos envolvamos, de novo, no mundo encantado dos contos de fada... Bjo muito grande de todos nós,
    a amiga
    Ana Neto

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  5. Uma bonita história, Zé!
    Uma actividade muito interessante.

    Beijinhossss

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