sexta-feira, 7 de março de 2008

8 Março - Dia Internacional da Mulher


Porque hoje é o vosso dia, aqui fica - em forma de homenagem - o historial da vossa luta através do Tempo. Um bom e Feliz dia, para todas as MULHERES do Mundo.



Dia Internacional da Mulher

As mulheres do Século XVIII estavam submetidas a um sistema desumano de trabalho, com jornadas de 12/16 horas diárias, espancamentos e ameaças sexuais.

Hoje, em pleno século XXI, a MULHER continua a ser descriminada e vítima das mais variadas sevícias e explorações, mesmo naqueles países que se dizem civilizados.

8 DE MARÇO

As comemorações do dia 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, estão ligadas às acções desenvolvidos pelas mulheres que lutaram por melhores condições de trabalho, por uma vida mais digna e por uma sociedade mais justa.

Esta luta foi-se desenvolvendo com avanços e recuos ao longo da História, pelas mulheres que souberam resistir ao machismo e à discriminação, mesmo com o sacrifício das suas vidas.

O Dia Internacional da Mulher – sua perspectiva histórica

Em 1789, com o advento da revolução francesa, as mulheres reivindicaram melhores condições de vida e de trabalho, a participação política, o fim da prostituição, o acesso à instrução e a igualdade de direitos.

Em 1791, Olympe de Gouges apresentou a "Declaração dos Direitos da Cidadã", onde reivindicava o "direito feminino a todas as dignidades, lugares e empregos públicos segundo as suas capacidades". Defendeu que "se a mulher tem o direito de subir ao cadafalso, ela também tem o direito de poder subir à tribuna".

Como resultado desta “rebeldia” Olympe de Gouges foi julgada e condenada à morte. Em 3 de Março de 1793 foi guilhotinada por "ter querido ser um homem de estado e ter esquecido as virtudes próprias do seu sexo".

Nesse mesmo ano, as associações femininas francesas recentemente criadas, foram proibidas.

Na segunda metade do século XVIII, as grandes transformações científicas e sociais resultantes da Revolução Industrial, trouxeram uma série de modificações. Os industriais, como forma de baixar os salários e aumentar os lucros, apostaram no trabalho feminino. A mulher operária foi obrigada a fazer jornadas de trabalho que chegavam até às 17 horas diárias. Além de receberem salários que chegavam a ser 60% inferiores ao dos homens, trabalhavam em condições doentias, submetidas a espancamentos e ameaças sexuais.

Em Inglaterra, como exemplo tipo do ambiente fabril da época, as operárias da tecelagem Tydesley trabalhavam 14 horas por dia a uma temperatura de 29º, num local húmido, com portas e janelas fechadas. Na parede estava afixado um cartaz que proibia, entre outras coisas, a ida à casa de banho, beber água, abrir as janelas ou acender as luzes.

Como resposta a estas situações desumanas de trabalho surgiram na Europa e nos Estados Unidos manifestações operárias contra estas condições.

Em 1819, depois de um confronto entre a polícia e os trabalhadores, a Inglaterra aprovou uma lei em que a jornada de trabalho das mulheres e dos menores dos 9 aos 16 anos foi reduzida para 12 horas.

No dia 8 de Março de 1857, a luta desenvolvida pelas operárias têxteis de Nova Iorque pela redução do horário de trabalho, por melhores salários e condições de vida mais justas, transformou-se num marco importante: 129 tecelãs da Fábrica de Tecidos Cotton pararam o seu trabalho, reivindicando o direito à jornada de 10 horas.

Como resposta a esta acção de luta, a polícia, a mando dos patrões, reprimiu-as violentamente, fazendo com que as operárias se refugiassem dentro da fábrica. Os donos desta, juntamente com a polícia, trancaram-nas dentro da fábrica, uma indústria têxtil mal ventilada que ocupava os 3 últimos andares de um prédio de 10 andares e atearam-lhe fogo. O soalho coberto de materiais inflamáveis e de lixo que se amontoava por todos os cantos, sem saídas de incêndio, foi rapidamente pasto de um grande incêndio que envolveu 500 mulheres jovens, a maior parte imigrantes judias e italianas.

Quando os bombeiros chegaram já 147 mulheres tinham morrido carbonizadas ou estateladas na calçada da rua, para onde saltavam, ao tentar escapar das chamas.

No funeral das operárias, a líder sindical Rosa Scneiderman organizou um comício com 120.000 trabalhadoras para lamentar “o assassínio bárbaro, frio e calculista das 147 trabalhadoras” e solidarizarem-se com todas as mulheres trabalhadoras.

Em 3 de Maio de 1908, em Chicago, comemorou-se o primeiro "Dia da Mulher”, que foi presidido por Lorine Brown. Participaram neste comício mais de 1.500 mulheres que denunciaram a exploração e a opressão a que eram submetidas. Defenderam a igualdade dos sexos, a autonomia das mulheres e o voto feminino. Foi reivindicada a igualdade económica e política das mulheres.

Em 28 de Fevereiro de 1909, em Nova Iorque, comemorou-se o "Dia da Mulher”. Foi uma actividade organizada pelo Comité Nacional das Mulheres Socialistas. O tema desta jornada de luta foi a defesa do voto das mulheres, a sua emancipação, pela jornada de 10 horas de trabalho e pela a marcação da comemoração anual do "Dia da Mulher” para o último domingo de Fevereiro.

De Novembro de 1909 a Fevereiro de 1910 os operários têxteis de Nova Iorque desencadearam grandes acções de massas e greves. 80% destes grevistas eram mulheres e esta terminou 12 dias antes do "Dia da Mulher” (27 de Fevereiro). Esta foi a primeira grande greve das mulheres trabalhadoras em que foram denunciadas as condições de vida e de trabalho. Muitas destas operárias participaram no "Dia da Mulher” e engrossaram a luta pelo seu direito ao voto (que foi conquistado em 1920, dez anos depois, nos Estados Unidos).

Em Agosto de 1910, durante a II Conferência Internacional das Mulheres Socialistas realizada na Dinamarca, a activista pelos direitos femininos e dirigente do Partido Social-democrata alemão, Clara Zetkin, propôs o dia 8 de Março como “Dia Internacional da Mulher”, em homenagem “ao confronto heróico das tecelãs de Nova Iorque que foram vítimas do incêndio de 8 de Março de 1857”.

Este dia passou a ser comemorado em todo o mundo como símbolo da resistência operária e como forma de mobilizar amplas massas femininas contra a opressão capitalista.

Em 1913, na Rússia, sob o regime czarista, foi realizada a “Primeira Jornada Internacional das Trabalhadoras pelo Sufrágio Feminino”. As operárias russas que participaram nesta Jornada Internacional em S. Petersburgo foram violentamente reprimidas.

Em 1914, na Rússia, as organizadoras da Jornada ou do Dia Internacional das Mulheres foram presas, o que tornou impossível qualquer comemoração naquele ano.

No dia 8 de Março de 1914, na Alemanha, o “Dia Internacional da Mulher” foi comemorado sob o tema do direito ao voto para as mulheres.

Em 23 de Fevereiro de 1917 (8 de Março, segundo o calendário ocidental), S. Petersburgo foi palco de uma grande manifestação de operárias russas que protestavam contra a guerra, contra a fome e contra o czarismo. Esta foi o rastilho de um processo de grandes mobilizações e greves que vieram precipitar o início das acções revolucionárias que tornaram vitoriosa a revolução russa.

Em 1921, na Conferência Internacional das Mulheres Comunistas uma camarada búlgara propôs o dia 8 de Março como data oficial do Dia Internacional da Mulher, lembrando a iniciativa das mulheres russas.

A partir de 1922, o “Dia Internacional da Mulher” passou a ser celebrado, em todo o mundo no dia 8 de Março.

José Gomes



8 comentários:

  1. Já sabia, mas fizeste um excelente post:)
    Beijos

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  2. Um excelente post à semelhança do que já nos habituaste.Enquanto a mulher não caminhar ao lado do homem, não tiver igualdade de oportunidades no trabalho, no acesso aos quadros das empresas como os homens, na política e em todas as circunstâncias, justificar-se-á um DIA INTERNACIONAL DA MULHER.

    Bem hajas.

    beijinhossss

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  3. Para que não esqueçamos que muitas lutas há ainda por travar. Viva a Mulher!
    Um Abraço e Bom Fim de Semana.

    PS: Não esqueçamos que hoje muitas destas mulheres estão em luta, como professoras e mães, nas ruas de Liboa a Lutar pelos seus direitos.

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  4. Obrigada amigo por tão completo esclarecimento e homenagem.
    E desculpa vir cá tão tarde, já passou para o dia 9, mas estive no lançamento do livro de uma amiga e também lá se fez referência a estes acontecimentos históricos do dia Internacional da Mulher. Foi um belo lançamento de uma mulher que tem tido uma vida madrasta e hoje teve um dia muito feliz e a escolha deste dia também foi muito feliz.
    Tudo de bom para ti.
    Beijinhos.

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  5. Obrigada Zé. Um óptimo post. Beijos.

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  6. Muito bom, como era de esperar...
    Beijos.

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  7. José Gomes,

    Alguns dados apresentados estão factualmente incorrectos.

    Cumprimentos

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