quarta-feira, 26 de março de 2008

Entrevista a Fernando Pessoa


Daqui entrevistei Fernando Pessoa...


Entrevista a Fernando Pessoa

Boa noite, Fernando Pessoa. É um prazer tê-lo aqui, assim como aos seus heterónimos Ricardo Reis, Alberto Caeiro e Álvaro de Campos. Agradeço-lhes terem acedido ao meu convite. Fernando Pessoa nasceu em Lisboa, no dia de Santo António, em 13 de Junho de 1888. Foi um menino precoce na arte das letras e com sete anos escreveu o seu primeiro poema intitulado À Minha Querida Mamã. Desde esse dia e até 30 de Novembro de 1935, data em que veio a falecer, construiu uma extensa obra literária.

Em vida publicou apenas Mensagem, livro que recebeu o prémio da Secretaria da Propaganda Nacional. Já doente e internado no hospital, terá sido esta a sua última frase: ``I know not what tomorrow will bring'' (Não sei o que o Amanhã nos trará).

Feita esta apresentação posso começar a nossa entrevista?

Claro, quando quiser! – responderam.


— Quem é a pessoa atrás de Pessoa?
(Responde Ricardo Reis):

Vivem em nós inúmeros;
Se penso ou sinto, ignoro
Quem é que pensa ou sente.
Sou somente o lugar
Onde se sente ou pensa.

Tenho mais almas que uma.
Há mais eus do que eu mesmo.
Existo todavia
Indiferente a todos.
Faço-os calar: eu falo.

Os impulsos cruzados
Do que sinto ou não sinto
Disputam em quem sou.
Ignoro-os. Nada ditam
A quem me sei: eu 'screvo.

— Como é o seu processo criativo?
(Responde Alberto Caeiro):

Não me importo com as rimas. Raras vezes
Há duas árvores iguais, uma ao lado da outra.
Penso e escrevo como as flores têm cor
Mas com menos perfeição no meu modo de exprimir-me
Porque me falta a simplicidade divina
De ser todo só o meu exterior

— O que é que os deuses querem de um homem como Fernando Pessoa?
(Responde Álvaro de Campos):

Queriam-me casado, quotidiano, fútil e tributável?
Queriam-me o contrário disso, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!

O senhor acredita em Deus?
(Responde Fernando Pessoa):

Às vezes sou o Deus que trago em mim
E então eu sou o Deus, o crente e a prece
E a imagem de marfim
Em que esse Deus se esquece.

Às vezes não sou mais que um ateu
Desse Deus meu que eu sou quando me exalto.
Olho em mim todo um céu
E é um mero oco céu alto.

O senhor tem um lado Zen. O que é pensar em nada?
(Responde Álvaro Campos):

Pensar em nada
É ter a alma própria e inteira.
Pensar em nada
É viver intimamente
O fluxo e o refluxo da vida.

O senhor foi maluco pela beleza?
(Responde Fernando Pessoa):

Fui doido e tudo por Deus.
Só a loucura incompreendida
Vai avante para os céus.
(…)
Só a loucura é que é grande!
E só ela é que é feliz!

— Existe algum mistério no Universo?
(Responde Alberto Caeiro):

O único mistério do Universo é o mais e não o menos.
Percebemos demais as cousas — eis o erro, a dúvida.
O que existe transcende para mim o que julgo que existe.
A Realidade é apenas real e não pensada.

— O principal desejo do poeta é a eternidade?
(Responde Fernando Pessoa):

Ama o infinito porque mais do que todos
se apega à vida, desejando-a infinda,
sob a simulação de resignar-se com a transitoriedade.

— O Senhor é saudosista?
(Responde Alberto Caeiro):

Eu amo tudo que foi,
Tudo que já não é,

A dor que já não me dói.

A antiga e a errónea fé,

O ontem que dor deixou,

O que deixou alegria
Só porque foi e voou

E hoje é já outro dia.

O senhor é um sábio?
(Responde Ricardo Reis):

Sábio é o que se contenta
Com o espectáculo do mundo,
E ao beber nem recorda
Que já bebeu na vida,
Para quem tudo é novo
E imarcescível sempre.

Como definiria a VIDA neste mundo de Deus?
(Responde Álvaro Campos):

A vida é um hospital
Onde quase tudo falta.
Por isso ninguém se cura
E morrer é que é ter alta.

Quem é o poeta? O que busca na poesia?
(Responde Fernando Pessoa):

O poeta é um fingidor,
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

Tem algum mote que o acompanhe?
(Responde Fernando Pessoa):

Tudo vale a pena quando a alma não é pequena.

Qual o conselho que pode dar aos jovens de espírito?
(Responde Ricardo Reis):

Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.


A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós próprios.


Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.

Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Estás além dos deuses.


Mas serenamente

Imita o Olimpo

No teu coração.

Os deuses são deuses

Porque não se pensam.


(Esta entrevista foi baseada no texto “Fernando Pessoa - Uma colagem de Rodrigo Sousa Leão”).


José Gomes

quinta-feira, 20 de março de 2008

Páscoa Feliz


Boa Páscoa e lembra-te sempre que…

- Se ficas feliz… eu fico feliz!

- Se ficas triste… eu fico triste!

Então, por favor, FICA-ME RICO, bolas!!!!


Um abraço,

José Gomes

quarta-feira, 19 de março de 2008

Espero que digam coisas...






Acabam de me alertar que os "Chuviscos" tem tido problemas nas palavras acentuadas e. especialmente, no som.

Agradeço que me digam se ainda se mantêm esses problemas.

Para o G.M., espero que consigas ouvir, agora, os "Senhores da Guerra", do Grupo Outubro. Diz-me alguma coisa.

Um abraço,
José Gomes


terça-feira, 18 de março de 2008

IRAQUE - 5 Anos de Vergonha!


5 Anos de Vergonha!

Há cinco anos que, numa tarde de Março de 2003, os olhos do Mundo estiveram centrados na Base das Lajes, Açores, onde o presidente norte-americano e os então primeiros-ministros britânico, espanhol e português protagonizaram a “Cimeira da Guerra” no Iraque. George Bush, Tony Blair e José Maria Aznar, recebidos pelo primeiro-ministro português de então, Durão Barroso, reuniram-se, na tarde de 16 de Março de 2003, naquela que também ficou conhecida como a Cimeira das Lajes, que culminou, 4 dias depois, na madrugada de 20 do Março, com o início da intervenção militar no Iraque.

Desencadeada por uma coligação militar internacional, liderada pelos Estados Unidos e pelo Reino Unido, e apoiada por Portugal e Espanha, entre outros países, a operação conduziu à ocupação militar do Iraque, que ainda hoje se mantém, e ao derrube do regime do ditador Saddam Hussein, que viria a ser capturado e morto, por enforcamento, depois de julgado e condenado à pena capital por um tribunal iraquiano. Milhares e milhares de vidas se perderam, entre cidadãos iraquianos e forças da coligação.

Cinco anos se passaram e não se vê ainda um fim para este crime continuado. Dedicada a Blair, Aznar, Bush e Durão Barroso, aqui fica a letra de uma canção do Grupo Outubro, que embora feita há mais de vinte anos, lhes assenta como uma luva:


Os senhores da guerra
(Letra e música: Pedro Osório)


Os senhores da guerra
São os reis da competência
Matam dez mil homens
Sem problemas de consciência


Se não fosse a economia
De mercado concorrente
Decerto os senhores da guerra
Não matavam tanta gente


A guerra é um bom negócio
Que não se pode perder
As armas só dão lucro
Se houver a quem as vender
E todos nós tarde ou cedo
Temos de morrer


Os senhores da guerra
Fazem contas cuidadosas
Deixam dois por cento
Para obras caridosas


Calcula-se o rendimento
Em função do investido
O lucro é de 3000 dólares
Por cada corpo abatido


Biafra ou Palestina
Bangla Desh ou Polinésia
O Chile ou a Argentina
A Coreia ou a Indonésia
Fornecem carne p'ra canhão
Em primeira mão


Os senhores da guerra
São pessoas respeitáveis
Vão passar as férias
Em montanhas saudáveis


Mergulham as carnes tenras
Em piscinas de água quente
Enquanto os seus mercenários
Matam muita muita gente


E cada nova guerra
Que conseguem fabricar
Será mais um mercado
P'ra morrer e p'ra pagar


Até que o dia chegará
Em que a bomba rebentará
Nas suas mãos
E a guerra terminará.




4.ª Feira

- 19 de Março -

a partir das 17:30,

na Praça da Batalha – PORTO

MOVIMENTO PELA PAZ

Participa!





quarta-feira, 12 de março de 2008

O coelhinho Jerónimo

No dia 6 de Março de 2008 eu e a Maria Mamede estivemos na Escola E. B. 1 de Moutinhos (Águas Santas) a dinamizar uma actividade de leitura com alunos desta.
Foi uma actividade muito interessante e enriquecedora tanto para nós como para os alunos que nos ouviram a ler poesia e um conto; nós ouvimo-los a fazer leituras individualmente ou em grupo. Foi muito interessante a peça de teatro de marionetes que fizeram especialmente para nós.
Para esta experiência preparei-lhes este texto. Eles ouviram-me em silêncio e com muita atenção e no fim fizeram muitas perguntas pertinentes.



O coelhinho Jerónimo

Era uma vez, um ratinho que vivia na floresta, triste e sozinho. Gostava de brincar, saltar e mesmo assim, apesar do seu espírito brincalhão, os outros animais fugiam dele com medo!

O elefante, o bicho mais corpulento da floresta, era aquele que mais medo tinha do ratinho, a seguir vinha a zebra que até mudava de cor sempre que o via e depois os outros animais! Engraçado, nenhum deles sabia dizer qual era a razão porque tinham tanto medo do ratinho!...

Sem ter ninguém para brincar ou para conversar o ratinho e apesar de não se sentir propriamente infeliz, manifestava uma certa tristeza:

— Eles não querem brincar comigo, não sei bem porquê?!!! Nunca lhes fiz mal, mas quando me vêem, fogem de mim, assustados!

Certo dia decidiu dar uma volta pela floresta à procura de outros animais que quisessem brincar com ele, sem mostrarem qualquer medo. Preparou, então, a mochila, uma pequena tenda, comida e começou a viagem.

A meio do caminho, encontrou um coelhinho a chorar.

— O que é que tu tens, pequenino? – perguntou.

O coelhinho olhou para ele, sem mostrar medo, e respondeu-lhe a soluçar:

— Sniff! Sniff! Perdi-me da minha mamã... e não consigo encontrá-la! Sniff! Sniff! Será que podes ajudar-me a procurá-la?

— Sim, claro, que te ajudo! Mas… como é ela?

— Não sei lá muito bem, mas... – olhando fixamente para o rato - Olha! ... A mamã até é parecida contigo, mas com as orelhas mais compridas que as tuas. – disse-lhe o coelhinho.

— Vamos andando e vais ver que vamos encontrar a tua mãe.

O coelhinho limpou as lágrimas, deu a mão ao ratinho e lá foram os dois pela floresta fora.

Um pouco mais à frente, encontraram um ouriço.

— Bom dia, senhor ouriço, por acaso não viu uma coelha passar por aqui? – perguntou o rato.

O ouriço olhou-o, depois o coelhinho e perguntou:

— Bom dia! Como é que é essa coelha?

— Um pouco parecida com ele... Mas a mamã tem as orelhas mais compridas. – choramingou o coelhinho, apontando para o rato.

— Ah!!Ah!!!Ah!! – riu o ouriço – É a coisa mais engraçada que ouvi em toda a minha vida!

— Pára de te rires! – disse-lhe o ratinho já zangado – Afinal, viu ou não viu uma coelha a passar por aqui?

O ouriço parou de rir e olhou muito sério para os dois:

— Por aqui não passou ninguém!

Os dois agradeceram e faziam-se, de novo, à estrada quando o ouriço os chamou:

— Ei, esperem aí por mim!!! Eu vou convosco, talvez os possa ajudar!

— Ajudar?!! Como assim?!! – perguntou o ratinho.

— Eu conheço esta floresta como os dedos das minhas patas!

— Então está bem, mais um par de olhos é sempre uma boa ajuda!

E assim, lá foram os três, caminho fora. Já noite, chegaram ao pé de uma árvore muito velha e frondosa.

— Vamos descansar aqui. – disse o ouriço — De noite é perigoso caminharmos às escuras.

O ratinho montou a sua tenda, conversaram enquanto comiam alguma coisa e acabaram por adormecer.

Ao raiar do sol, acordaram esfomeados. O ratinho tirou um pedaço de queijo da mochila, o ouriço colheu, para si, umas bagas suculentas e umas cenouras tenrinhas que deu ao coelhinho.

Satisfeitos com aquele pequeno-almoço, arrumaram as coisas e puseram-se a caminho.

De repente, ouviram-se uns ruídos muito estranhos e ficaram todos cheios de medo! Até o corajoso ratinho se encostou ao ouriço e o coelhinho agarrou-se a ele, começando a tremer e a chorar...

— Será a mamã coelha? Será um monstro? – perguntou o ouriço, batendo os dentes, olhando em todas as direcções e eriçando os picos.

Nem uma coisa, nem outra! Era um esquilo amoroso que andava à procura de nozes.

Todos respiraram bem fundo!

— Desculpe, senhor esquilo – perguntou o ratinho – por acaso não viu passar por aqui uma coelha?

O esquilo olhou os animais à sua frente, fixou o ratinho bem nos olhos e disse:

— Não passou por aqui ninguém.

— Tem a certeza? – perguntou o ratinho.

— Absoluta! Mas... o que é que aconteceu?

— Encontrei este coelhinho a chorar. Perdeu-se da mãe e agora não sabe onde ela está. – disse-lhe o ratinho.

O esquilo olhou à sua volta, encolheu os ombros e disse:

— As nozes que fiquem para mais tarde! Vamos lá procurar a mãe do pequeno coelho!

Partiram os quatro em busca da mãe coelha. Caminharam durante todo o dia, mas não encontraram ninguém. Passou-se mais um dia sem encontrarem a mãe coelha. O coelhinho, já desesperado, choramingou:

— Nunca mais vou encontrar a minha mamã...

— Claro que vais! – disse o ouriço, tentando acalmá-lo e dar-lhe ânimo.

— Muito em breve vais vê-la! – disseram, quase ao mesmo tempo, o ratinho e o esquilo.

— Têm a certeza? Não me estão a enganar? – disse o coelhinho.

— Certeza absoluta! – responderam todos em coro.

Entretanto caiu a noite, o ratinho montou a tenda, jantaram e como já estavam muito cansados acabaram por adormecer.

O sol tinha acabado de se levantar quando uma voz os acordou. Era uma voz tão doce e melodiosa que os deixou maravilhados.

— De quem será esta voz? – perguntaram uns aos outros.

Era a dona pata que gostava de cantar logo que nascia o sol.

— Bom dia, dona pata! - cumprimentaram – Mas que linda voz a senhora tem!

A pata sorriu e disse-lhes:

— Bons dias, meus jovens e muito obrigada pelo elogio! Mas... o que é que estão a fazer aqui tão longe das vossas casas?

— Estamos à procura da mãe deste coelhinho. – disse o ratinho – Por acaso a senhora não a viu?

— Uma coelha?!!… deixem-me cá pensar!... Sim, sim. Há pouco tempo passou uma coelha por aqui, com os olhos cheios de lágrimas! Se correrem ainda a apanham.

— É a mamã!!! É a mamã!!!– gritou o coelhinho, saltando de contente - Muito obrigado, dona pata.

Andaram mais de meia hora quando, de repente, viram a tal coelha de que a pata tinha falado.

- Psst!!! Psst!!! D. coeeelhaaaaa!... – chamaram todos em coro.

A coelha parou, olhou para trás e viu o seu filhote. Os seus olhos abriram-se muito, as lágrimas começaram a cair e gritou, correndo ao seu encontro:

— Jerónimo, meu Jerónimo, meu filhinho!

— Mamã! Mamã... é a minha mamã! – gritou o coelhinho, pulando de alegria e correndo para os braços da mãe.

Abraçaram-se, deram muitos beijinhos e riram de alegria.

Jerónimo apresentou os seus amigos à mãe.

A coelha secou os olhos e agradeceu a todos tudo o que fizeram pelo filho.

A partir daquele dia o ratinho nunca mais se sentiu sozinho. Os outros animais já brincavam com ele e reuniam-se todos à noite, à luz da lua, para ouvirem as suas histórias... engraçado!...

O elefante continuou, apesar de toda a sua corpulência, a ter um medo de morte dos ratos!!!

Os verdadeiros amigos são aqueles que aparecem quando precisamos deles, que nos ajudam e se mantêm sempre ao nosso lado.

Não importa a aparência física, quando o que conta é a luz do nosso coração.


6 de Março 08

José Gomes




sexta-feira, 7 de março de 2008

8 Março - Dia Internacional da Mulher


Porque hoje é o vosso dia, aqui fica - em forma de homenagem - o historial da vossa luta através do Tempo. Um bom e Feliz dia, para todas as MULHERES do Mundo.



Dia Internacional da Mulher

As mulheres do Século XVIII estavam submetidas a um sistema desumano de trabalho, com jornadas de 12/16 horas diárias, espancamentos e ameaças sexuais.

Hoje, em pleno século XXI, a MULHER continua a ser descriminada e vítima das mais variadas sevícias e explorações, mesmo naqueles países que se dizem civilizados.

8 DE MARÇO

As comemorações do dia 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, estão ligadas às acções desenvolvidos pelas mulheres que lutaram por melhores condições de trabalho, por uma vida mais digna e por uma sociedade mais justa.

Esta luta foi-se desenvolvendo com avanços e recuos ao longo da História, pelas mulheres que souberam resistir ao machismo e à discriminação, mesmo com o sacrifício das suas vidas.

O Dia Internacional da Mulher – sua perspectiva histórica

Em 1789, com o advento da revolução francesa, as mulheres reivindicaram melhores condições de vida e de trabalho, a participação política, o fim da prostituição, o acesso à instrução e a igualdade de direitos.

Em 1791, Olympe de Gouges apresentou a "Declaração dos Direitos da Cidadã", onde reivindicava o "direito feminino a todas as dignidades, lugares e empregos públicos segundo as suas capacidades". Defendeu que "se a mulher tem o direito de subir ao cadafalso, ela também tem o direito de poder subir à tribuna".

Como resultado desta “rebeldia” Olympe de Gouges foi julgada e condenada à morte. Em 3 de Março de 1793 foi guilhotinada por "ter querido ser um homem de estado e ter esquecido as virtudes próprias do seu sexo".

Nesse mesmo ano, as associações femininas francesas recentemente criadas, foram proibidas.

Na segunda metade do século XVIII, as grandes transformações científicas e sociais resultantes da Revolução Industrial, trouxeram uma série de modificações. Os industriais, como forma de baixar os salários e aumentar os lucros, apostaram no trabalho feminino. A mulher operária foi obrigada a fazer jornadas de trabalho que chegavam até às 17 horas diárias. Além de receberem salários que chegavam a ser 60% inferiores ao dos homens, trabalhavam em condições doentias, submetidas a espancamentos e ameaças sexuais.

Em Inglaterra, como exemplo tipo do ambiente fabril da época, as operárias da tecelagem Tydesley trabalhavam 14 horas por dia a uma temperatura de 29º, num local húmido, com portas e janelas fechadas. Na parede estava afixado um cartaz que proibia, entre outras coisas, a ida à casa de banho, beber água, abrir as janelas ou acender as luzes.

Como resposta a estas situações desumanas de trabalho surgiram na Europa e nos Estados Unidos manifestações operárias contra estas condições.

Em 1819, depois de um confronto entre a polícia e os trabalhadores, a Inglaterra aprovou uma lei em que a jornada de trabalho das mulheres e dos menores dos 9 aos 16 anos foi reduzida para 12 horas.

No dia 8 de Março de 1857, a luta desenvolvida pelas operárias têxteis de Nova Iorque pela redução do horário de trabalho, por melhores salários e condições de vida mais justas, transformou-se num marco importante: 129 tecelãs da Fábrica de Tecidos Cotton pararam o seu trabalho, reivindicando o direito à jornada de 10 horas.

Como resposta a esta acção de luta, a polícia, a mando dos patrões, reprimiu-as violentamente, fazendo com que as operárias se refugiassem dentro da fábrica. Os donos desta, juntamente com a polícia, trancaram-nas dentro da fábrica, uma indústria têxtil mal ventilada que ocupava os 3 últimos andares de um prédio de 10 andares e atearam-lhe fogo. O soalho coberto de materiais inflamáveis e de lixo que se amontoava por todos os cantos, sem saídas de incêndio, foi rapidamente pasto de um grande incêndio que envolveu 500 mulheres jovens, a maior parte imigrantes judias e italianas.

Quando os bombeiros chegaram já 147 mulheres tinham morrido carbonizadas ou estateladas na calçada da rua, para onde saltavam, ao tentar escapar das chamas.

No funeral das operárias, a líder sindical Rosa Scneiderman organizou um comício com 120.000 trabalhadoras para lamentar “o assassínio bárbaro, frio e calculista das 147 trabalhadoras” e solidarizarem-se com todas as mulheres trabalhadoras.

Em 3 de Maio de 1908, em Chicago, comemorou-se o primeiro "Dia da Mulher”, que foi presidido por Lorine Brown. Participaram neste comício mais de 1.500 mulheres que denunciaram a exploração e a opressão a que eram submetidas. Defenderam a igualdade dos sexos, a autonomia das mulheres e o voto feminino. Foi reivindicada a igualdade económica e política das mulheres.

Em 28 de Fevereiro de 1909, em Nova Iorque, comemorou-se o "Dia da Mulher”. Foi uma actividade organizada pelo Comité Nacional das Mulheres Socialistas. O tema desta jornada de luta foi a defesa do voto das mulheres, a sua emancipação, pela jornada de 10 horas de trabalho e pela a marcação da comemoração anual do "Dia da Mulher” para o último domingo de Fevereiro.

De Novembro de 1909 a Fevereiro de 1910 os operários têxteis de Nova Iorque desencadearam grandes acções de massas e greves. 80% destes grevistas eram mulheres e esta terminou 12 dias antes do "Dia da Mulher” (27 de Fevereiro). Esta foi a primeira grande greve das mulheres trabalhadoras em que foram denunciadas as condições de vida e de trabalho. Muitas destas operárias participaram no "Dia da Mulher” e engrossaram a luta pelo seu direito ao voto (que foi conquistado em 1920, dez anos depois, nos Estados Unidos).

Em Agosto de 1910, durante a II Conferência Internacional das Mulheres Socialistas realizada na Dinamarca, a activista pelos direitos femininos e dirigente do Partido Social-democrata alemão, Clara Zetkin, propôs o dia 8 de Março como “Dia Internacional da Mulher”, em homenagem “ao confronto heróico das tecelãs de Nova Iorque que foram vítimas do incêndio de 8 de Março de 1857”.

Este dia passou a ser comemorado em todo o mundo como símbolo da resistência operária e como forma de mobilizar amplas massas femininas contra a opressão capitalista.

Em 1913, na Rússia, sob o regime czarista, foi realizada a “Primeira Jornada Internacional das Trabalhadoras pelo Sufrágio Feminino”. As operárias russas que participaram nesta Jornada Internacional em S. Petersburgo foram violentamente reprimidas.

Em 1914, na Rússia, as organizadoras da Jornada ou do Dia Internacional das Mulheres foram presas, o que tornou impossível qualquer comemoração naquele ano.

No dia 8 de Março de 1914, na Alemanha, o “Dia Internacional da Mulher” foi comemorado sob o tema do direito ao voto para as mulheres.

Em 23 de Fevereiro de 1917 (8 de Março, segundo o calendário ocidental), S. Petersburgo foi palco de uma grande manifestação de operárias russas que protestavam contra a guerra, contra a fome e contra o czarismo. Esta foi o rastilho de um processo de grandes mobilizações e greves que vieram precipitar o início das acções revolucionárias que tornaram vitoriosa a revolução russa.

Em 1921, na Conferência Internacional das Mulheres Comunistas uma camarada búlgara propôs o dia 8 de Março como data oficial do Dia Internacional da Mulher, lembrando a iniciativa das mulheres russas.

A partir de 1922, o “Dia Internacional da Mulher” passou a ser celebrado, em todo o mundo no dia 8 de Março.

José Gomes



Marcha da Indignação

Marcha da Indignação!

Marcha da Indignação!

Este blog está solidário com os Professores

Só os professores sabem porque no Sábado não ficam em casa!


(copiado do blog Momentos e Documentos - http://momentosydocumentos.wordpress.com/).
Obrigado, Ludo.



segunda-feira, 3 de março de 2008

Kique


Só para deixar uma foto que faça mais jus à maravilha de canino que foi o Kique... até sempre maninho...

sábado, 1 de março de 2008

O Kique acabou de partir...

Às 6,30 horas de hoje, sábado, O Kique, serenamente, naturalmente, partiu... sem um ai e sem a minha mão a acariciá-lo!
Partiu no mesmo dia, dezassete anos depois, em que nasceu!
Descansa em Paz, meu Amigo!