sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Até sempre, meu Amigo!


O Kique está a travar a sua batalha decisiva... seja qual for o resultado, meu amigo, nunca esqueceremos os 17 anos que estiveste entre nós.

Que a Força esteja contigo.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Zeca Afonso - 21 anos depois!


Que melhor forma poderia encontrar para fazer lembrar ZECA AFONSO, que esta prosa poética proferidas pelo Sérgio Marques, na homenagem que fizemos ao Zeca no 7º aniversário da sua morte:
ZECA AFONSO - CRÓNICA DE UMA MORTE ANUNCIADA
A 23 de Fevereiro de 1987, há 21 anos, em pleno inverno, no outono da vida, morreu Zeca Afonso.
Sem pé-de-meia, sem fundo de maneio, sem saco azul, sem subsídios, sem ajudas de custo, sem reforma.
Morreu como sempre viveu, pobre, à 3ª badalada da madrugada de 23 de Fevereiro, vítima de esclerose lateral niotrópica. Num leito anónimo do hospital de Setúbal, acontecia o triste epílogo duma morte anos antes anunciada: morria o poeta, morria o cantor, morria o amigo, morria o companheiro, morria o Zeca.
Enquanto galegos, bascos e madrilenos cirandavam numa roda-viva, homenageando o segrel, os portugueses reunidos na praça da indiferença e do egoísmo esqueciam-se no crepúsculo da sua vida. "Estou sozinho no mar negro sem medo à noite cerrada. Ó minha mãe, minha mãe, minha mãe, minha amada".
Foi no povo, nos seus anseios e nas suas raízes, nas verdadeiras raízes deste caleidoscópio de gentes, de costumes e de raças, que o cantor encontrou a razão, as razões de muitas das suas cantigas.
(…)
Homem do Povo, nunca se cansou de cantar para o seu Povo. Com a mesma atenção escutavam-no ricos, escutavam-no pobres e enquanto a voz cristalina do Zeca se escoava como metal incandescente por becos e ruelas estreitas, uma lágrima de ternura resvalava à socapa dos olhos baços da velha dor do Augusto barbeiro e de tantos outros que o amavam.
Lá, no rés-do-chão da casa que foi em tempos do padre e depois virou "República dos Corsários", no quarto do Luban sob o olhar atento de Antero de Quental imortalizado num punhado de versos pintados a negro no fundo branco de uma parede, enquanto Mário Silva, o Topi e outros pintores daquela época desenhavam e coloriam decretos contestatários, o Zeca temperava na forja do seu descontentamento o aço das canções do folclore açoriano, com o mesmo afinco e com o mesmo carinho com que temperava as canções da Beira Baixa, do Minho, de Trás-os-Montes, do Algarve e do Alentejo que tanto, tanto amava. "Chamava-se Catarina o Alentejo a viu nascer, Serranas viram-na em vida, Baleizão a viu morrer".
(…)
Poeta de vanguarda, músico, cantor e compositor, cantou o Fado de Coimbra, cantou a Balada, cantou a Canção de Intervenção. "Cantai bichos da treva e da aparência, na absolvição por incontinência, cantai, cantai no pino do inferno, em Janeiro ou em Maio é sempre cedo. Cantai cardumes de guerra e da agonia neste areal onde não nasce o dia".
Cantou para ricos, cantou para pobres e sempre no mesmo tom. Cantou para galegos, cantou para bascos, cantou para flamengos, cantou para sul-americanos, cantou para índios, cantou para negros, cantou para cabo-verdianos, cantou, cantou sempre, até que a doença lhe amarrou a voz e aos poucos lhe roubou a vida. "Fui cantor porque deixei de ser professor e finalmente sou coisa nenhuma porque deixei de ser cantor".
Sem clamar vingança contra os que, no crepúsculo da sua vida, o apunhalaram na praça do silêncio e do egoísmo, tal como os irmãos Vicários cobardemente apunhalaram Santiago Nazara à porta de sua mãe Plácida Linero, às 3 da madrugada, numa cama anónima do hospital de Setúbal, morreu o Zeca Afonso.
Morreu como sempre viveu: sem pé-de-meia, sem fundo de maneio, sem saco azul, sem subsídios, sem ajudas de custo, sem reforma, sem nada.
Neste dia relembrar o Zeca não é mais do que homenagear o amigo, o poeta e o músico que. no dizer de João de Freitas Branco, tem um significado muito importante no panorama da cultura musical portuguesa.

JOSÉ FERRAZ ALÇADA (do seu livro: "ANAMNESE").

José Gomes
(Fev. 1994)


Uma nota, alguns anos depois...

Em 19 de Fevereiro de 1994, pelas 21,00 horas, no Salão Nobre da Junta de Freguesia de S. Mamede Infesta, Movimentum - Arte e Cultura e o Grupo Dramático e Musical Flor de Infesta, homenagearam José Afonso. com um trabalho intitulado "Uma noite recordando... José Afonso".

Resultados da procura

Na sexta feira seguinte, dia 25 de Fevereiro, nas nossas habituais Noites de Poesia, nessa altura no Salão Nobre da Junta de Freguesia de S. M. Infesta, ouvi o Sérgio ler (e de que maneira e com que sentimento!)  este texto. Talvez por isso ao escrever este blog dei o Sérgio como autor deste texto.
Ao seu autor, JOSÉ FERRAZ ALÇADA e ao Sérgio Marques, as minhas desculpas pelo erro.
Agradeço ao José Ferraz a inspiração e ao Sérgio a interpretação que deu ao texto, uma forma que ambos encontraram para recordar essa figura ímpar que se chama José Afonso.

Um abraço,

José Gomes / Março 2011

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

António Nobre - 2

António Nobre
(1867 - 1900)

Matriculou-se em 1888 no curso de Direito na Universidade de Coimbra. Desistiu de Coimbra e partiu para Paris, onde frequentou a Escola Livre de Ciências Políticas. Licenciou-se em Ciências Jurídicas. De regresso a Portugal, a tuberculose impediu-o de iniciar qualquer carreira.

Ocupou o resto dos seus dias em viagens, da Suíça à Madeira, em busca de um clima onde pudesse recuperar a sua frágil saúde.

Em vida publicou a sua obra poética mais conhecida - "" (Paris, 1892).

Dois anos depois da sua morte foi publicado "Despedidas" (1902) e, mais tarde, em 1921, "Primeiros Versos".

Do livro de poemas intitulado “Despedidas”, deixo-vos com:

AO MAR


Ó meu amigo Mar, meu companheiro

De infância! dos meus tempos de colégio,

Quando para vir nadar como um poveiro

Eu gazeava à lição do mestre-régio!

Recordas-te de mim, do António trigueiro?

(O contrario seria sacrilégio)

Lembras-te ainda desse marinheiro

De boina e de cachimbo? Ó mar, protege-o!

Que tua mão oceânica me ajude,

Leva-me sempre pelo bom caminho,

Não me faltes nas horas de aflição.

Dá-me talento e paz, dá-me saúde,

Que um dia eu possa enfim, poeta velhinho!

Trazer meus netos a beijar-te a mão...

António Nobre



José Gomes


terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

A António Nobre...



“Na praia lá da Boa Nova, um dia,
Edifiquei (foi esse o grande mal)
Alto Castelo, o que é a fantasia,
Todo de lápis-lazulli e coral!

(…)”

Lembrei-me hoje de António Nobre — “Só, é o poeta-nato, o lua, o santo, o cobra!”, um poeta que gosto bastante. Que, no Olimpo dos Poetas descanses em Paz das vicissitudes e das agruras dos tempos em que viveste entre nós!

António Nobre nasceu no Porto, na Rua Santa Catarina, numa manhã de Agosto de 1867 e foi registado na Igreja de Santo Ildefonso com o nome de António Pereira Nobre.

Filho de uma família de recursos, estudou no Porto e tentou tirar o curso de direito em Coimbra mas, inadaptado ao ambiente desta cidade, acabou por terminá-lo em Paris.

Era um rapaz alto, magro e muito pálido, de natureza frágil e egocêntrico, Encontrou refúgio para a saudade, o fatalismo e a morte na imensidão do mar, fazendo longas caminhadas desde a Foz do Douro até Leça da Palmeira. Foi aqui que passou as suas férias, irmanando-se com a Natureza e aprendeu com o mestre Oceano (seu confidente e amigo) as histórias dos naufrágios e das tempestades...

A praia de Leça era, nessa altura, frequentada pela fina-flor da colónia inglesa radicada no Porto. Foi aqui que conheceu os seus primeiros amores, viveu os seus romances e acariciou o calor loiro dos cabelos das doces britânicas...

Desde muito novo, nos rochedos da Boa Nova batidos pela espuma das ondas do Atlântico ou dentro de pequenos botes baloiçando na candura das águas, que António Nobre declamava os seus versos, tendo como ouvintes atentos o oceano ou as lindas moçoilas que lavavam no “Rio Doce” (nome dado, nesse tempo, ao Rio Leça, ainda límpido e pululante de vida) …

Oh Rio Doce! Túnel d’água e de arvoredo
Por onde Anto vogava em vagão dum bote...
E, ao Sol do meio-dia, os banhos em pelote
Quando íamos nadar, à Ponte do Tavares!

A sua poesia reflecte os conhecimentos, as crenças, as lendas, as músicas, as danças, as bruxas, as almas-penadas, conceitos que lhe foram transmitidos pelos pescadores e pelos aldeões. Vemos, sentimos e ouvimos as sachas, as ceifas e as vindimas da sua aldeia no Douro; sentimos o dedo da morte nos carpinteiros de caixões, nos enterramentos, nos cavadores e nos coveiros...

A sua obsessão pelo fim está retratada nos pedintes, nos paralíticos, nos gangrenados, nos moribundos que pululam a sua obra poética.

Influenciado pelos poetas e artistas europeus da sua época (especialmente britânicos e franceses), tornou-se numa figura típica e exótica na maneira de se vestir, passeando-se pelos areais de Leça até à Praia da Memória, envergando uma indumentária exuberante, adornos extravagantes, um livro debaixo do braço, com os cabelos pretos em desalinho e um pequeno buço aparado que aguçava ainda mais o seu rosto esguio…

Em Coimbra influenciou e foi influenciado por um pequeno grupo de amigos, intelectuais, poetas e sonhadores. Não se misturou com a chamada “boémia tradicional coimbrã”, antes formou o seu ciclo de intelectuais que o achavam insolente como um príncipe e adorável como uma criança, olhos como estrelas....

Na última semana em Coimbra, antes de partir para Paris, deixou o Penedo da Saudade onde vivia, instalando-se numa das torres da muralha medieval, a Torre de Sub-Ripas, mais tarde conhecida por Torre d’Anto, hoje ex-libris da cidade.

Foi desta torre que António Nobre descreveu a Coimbra outonal “... essa paisagem religiosa, milagrosa, o Mondego sem água, os choupos, meus queridos corcundas, sem folhas e vergados pelos anos, pareceu-me que estava num mundo extinto, todo espiritual, onde só um homem vivia, que era o Anto encantado na sua Torre.

A tuberculose que o viria a vitimar e de que cedo se apercebeu, reflectiu-se nos seus poemas. A morte, a degradação, a tristeza e a solidão estão sempre presente na sua obra, assim como a tragédia, os amores não concretizados e a solidão.

Tentou a cura da sua "tísica galopante" em todas as cidades europeias, mas a doença, implacável, não respondeu aos tratamentos e venceu-o.

Em 18 de Março de 1900, na Foz do Douro onde vivia e com apenas 33 anos de idade, António Nobre, o autor de , deixou a sua costa de areias doiradas, os seus pôr-do-sol de cores matizadas, o seu mar verde-esmeralda, pintalgado com auréolas prateadas de espuma, os seus rochedos agrestes da Boa Nova e foi aconchegar-se “…na ‘COVA’ onde a Mãe o esperava para o prometido reencontro…”.

"Aqui, espero-te, há que tempo enorme!
Tens o lugar quentinho…
".


De António Nobre, dois poemas que sempre admirei:


MEMÓRIA

À Minha Mãe
Ao meu Pai

Aquele que partiu no brigue Boa Nova
E na barca Oliveira, anos depois, voltou;
Aquele santo (que é velhinho e já corcova)
Uma vez, uma vez, linda menina amou:


Tempos depois, por uma certa lua nova,
Nasci eu… O velhinho ainda cá ficou,
Mas ela disse: - «Vou, ali adiante, à Cova,
António, e volto já…» - e ainda não voltou!


António é vosso. Tomai lá a vossa obra!
«Só» é o poeta-nato, o lua, o santo, a cobra!
Trouxe-o dum ventre: não fiz mais do que o escrever…


Lede-o e vereis surgir do poente havidas mágoas,
Como quem vê o Sol sumir-se, pelas águas,
E sobe os alcantis para o tornar a ver!

(António Nobre)


SONETOS

Na praia lá da Boa Nova, um dia,
Edifiquei (foi esse o grande mal)
Alto Castelo, o que é a fantasia,
Todo de lápis-lazulli e coral!


Naquelas redondezas, não havia
Quem se gabasse dum domínio igual:
Oh Castelo tão alto! Parecia
O território dum Senhor feudal!


Um dia (não sei quando, nem sei donde)
Um vento seco de Deserto e spleen
Deitou tudo por terra, ao pó que tudo esconde,


O meu condado, o meu condado, sim!
Porque eu já fui um poderoso Conde,
Naquela idade em que se é conde assim…


(António Nobre)


José Gomes

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Mulher

Tentei traduzir este poema que dá corpo a "Woman", composto por John Lennon:


Mulher

(John Lennon)

Mulher, eu mal posso expressar

As minhas emoções confusas na minha negligência

Apesar de tudo, eu estarei sempre em dívida contigo

E mulher, eu tentarei expressar

Os meus sentimentos mais profundos e a gratidão

Por me mostrares o significado do sucesso

Mulher, eu sei que compreendes

A criancinha dentro do homem

Por favor, lembra-te, a minha vida está nas tuas mãos

E, mulher, abraça-me bem apertado ao teu coração

Apesar da distância, não nos mantenhas separados

Afinal de contas, está escrito nas estrelas...

Mulher, por favor deixa-me explicar

Eu nunca quis causar-te tristeza ou dor

Então deixa-me dizer-te uma vez mais

Eu amo-te, agora e sempre

Eu amo-te, agora e sempre

Eu amo-te, agora e sempre...


Dedico este vídeo a todas as mulheres do Universo: