sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Uma viagem com história - 2

Fim-de-semana na “Piscina Negra”

O meu primeiro fim de semana do ano foi passado em terras de Sua Majestade. Estive em Blackpool, uma cidade situada no litoral oeste de Inglaterra. Na opinião dos seus habitantes esta é a cidade favorita dos Ingleses para uma temporada à beira mar.


Um dos monumentos que
mais me impressionou foi a sua torre à qual chamei Torre Eiffel” de Inglaterra, pois era o que realmente fazia lembrar. Foi pena o frio e o vento gélido que quase me fazia levantar voo!


Se quiserem fazer uma ideia do frio que fazia, basta dizer-vos que andei de gorro de lã enterrado até às orelhas, luvas forradas e um casacão apertado até ao pescoço, com a gola levantada. Para fotografar, segurava a máquina com a mão esquerda com a luva calçada e tirava a fotografia com a luva da mão direita na boca, para a calçar logo, logo de seguida, pois o frio quase me arrancava os dedos!

Desta vez, e para variar, fui acompanhar a Zia num trabalho de fotografia que fez no “backstageno musical CATS, no seu último dia de exibição em Blackpool. Deixei a Zia no teatro às 12,00 horas e, desde essa hora e até às 23,30 horas (hora a que regressámos ao hotel) estive entregue a mim mesmo, em terra estranha, chuvosa, fria e ventosa, mas ao mesmo tempo feliz e contente no meio de pessoas que não me conheciam e muito menos me entendiam. Fotografei a costa, o mar, a praia, as gaivotas, as iluminações, as casas e tudo aquilo que despertou a minha curiosidade.

Evidentemente fui ver a sessão das 14,30 horas dos CATS. A Zia fez uma pausa no seu trabalho fotográfico e correu ao meu encontro para ver o espectáculo comigo. Ela chegou esbaforida, e mal se sentou no seu lugar as luzes do teatro apagaram-se e deram início ao espectáculo. O CATS é uma peça que me agrada e que de todas as vezes que a vi (talvez por escolher sempre ângulos diferentes) encontro sempre coisas novas ou que não dei a devida atenção das outras vezes.

Foi agradável saber que o Dean (Munkustrap) e o Stuart (Rum Tum Tugger) andaram à nossa procura pelo teatro (a Zia deu-lhes as indicações erradas) e quando finalmente o Dean (Munkustrap) deu com a Zia, espetou-lhe o dedo no ouvido e muito calmamente fitou-me e disse, em bom português, “Boa tarde”!


Já no fim do espetáculo ri-me a bom rir com o “focinho” de espanto do Phil (Coricopat) quando deu de caras comigo – a Zia esqueceu-se de lhe dizer que eu também vinha...

As danças continuam a encantar-me, as interpretações do irreverente Rum Tum Tugger e do mágico-acrobático Mister Mistoffelees foram mesmo fora de série. O actor que deu vida ao velho Deuteronomy (James Paterson) fez um trabalho extraordinário.

Findo o espectáculo, a Zia voltou às suas lides com o elenco do musical, e eu voltei à rua, agora já de noite, mas esperançado que o vento e o frio tivessem serenado. Como estava redondamente enganado!!! Continuava frio e ventava, só a chuva é que tinha parado. Ainda fiz algumas fotos mas o frio não me ajudou mesmo nada! Resolvi regressar ao hotel e esperar notícias da Zia.

Foi então que me perdi! Talvez por ser de noite e os meus pontos de referência terem desaparecido. O mais aborrecido é que não sabia o nome do hotel e muito menos o nome da rua. Apenas sabia que o número da porta era o 80 e, para azar meu, a Zia desligara o telemóvel! Ou regressava ao teatro (a torre de Blackpool era um ponto de referência) ou tentava descobrir o hotel, por exclusão de ruas, rezando para que não houvesse outro 80!!! Pouco passava das 18,30 horas quando encontrei, finalmente, o hotel. Preparava-me para descansar quando recebi uma mensagem da Zia a dizer-me que tinha conseguido um bilhete para eu poder ver a sessão final em Blackpool às 19,30 horas… e desligou, novamente, o telemóvel!

Regressei ao teatro e pouco antes de começar o espectáculo da noite, apareceu a Zia de corrida, entregou-me o bilhete, disse-me que o trabalho estava a exceder as suas expectativas e desapareceu tão depressa como tinha aparecido.

Lá entrei, de novo, para a plateia e desta vez, contrariamente a esta tarde que ficamos na coxia à frente, sentei-me numa fila mais ao menos a meio do teatro, novamente na coxia. Tinha uma visão diferente de todos os espectáculos que assistira. Talvez por ser o último espectáculo nesta cidade os actores esmeraram-se e bateram todas as expectativas do público que os ovacionou como nunca tinha ouvido em tantos espectáculos que assisti.

Quando os actores se passearam novamente pelo público, o Phil (Coricopat) deu novamente de caras comigo e cumprimentou-me. Ao voltar para o palco, deve ter dado um aviso à Lauren (Cassandra), pois ambos meteram-se comigo: ele disse um “Olá” e a gata piscou-me o olho e esfregou-me carinhosamente a careca... o que me valeu foi a Milú não estar presente!!!

Grizzabela, na sua interpretação de Memory, de tal maneira sentida, arrancou do público uma estrondosa salva de palmas e gritos de “bis” que a comoveu – a ela e aos actores com quem contracenava, reparei eu!


Um outro quadro que achei muito bem conseguido (mas que desta vez foi diferente e mais comovente) foi a ascensão ao “plano superior da vida”, com a canção interpretada por todos enquanto a roda subia no espaço e Grizzabela subia a escada (ouçam o fundo musical deste post). Foi empolgante! Com a devida vénia (http://aishitenight.blogs.sapo.pt/2007/02/) deixo-vos com um excerto do post de 8 de Fevereiro de 2007, CATS: Acto II, Cena 8, A viagem para a camada celestial:

“(…) Ao sinal da pata de Deuteronomy, o pneu começa a flutuar, elevando-se e movendo-se lentamente para a frente enquanto os gatos continuam a entoar um cântico alegre a plenos pulmões, que indicia o que vai acontecer “para cima até à Camada Celestial, para além da Lua Jelical, até à Camada Celestial”.

Finalmente o pneu atinge a altura necessária para que Griz possa alcançar uma escadaria que faz lembrar uma nuvem cheia de luzes (e porque não a entrada para um disco voador?!). Do alto alguém estende a mão a Griz, ajudando-a a dar os últimos passos no nosso espaço astral, enquanto todos os toms e queens lhe acenam um adeus final, deixando no ar mais uma referência à mística deusa Egípcia Bast: “vida à Gata imortal”…” – (sonhado por randomninity).

O público não se cansou de ovacionar todos os participantes do CATS que se vieram despedir, várias vezes, ao palco. Foi um espectáculo inesquecível (pelo menos para mim), parte integrante do público e, penso, para os actores, parte integrante do musical CATS.

Antes de abandonar o hotel, com a permissão dos donos, não resisti a tirar algumas fotografias… conhecem este?

Regressamos no domingo de manhã. Ainda fizemos mais algumas fotos pois o dia estava lindo, pouco ventoso e aguentava-se bem o frio. Do hotel ao aeroporto de Blackpool foram 15 minutos de táxi. Um aeroporto convidativo, recente (novo terminal desde 2006), com amplos espaços e com uma capacidade anual para dois milhões de passageiros.

Desta vez o avião levantou voo a horas e chegou a Girona dentro do horário. Fizemos horas dentro do aeroporto, à espera do voo que nos deixaria no aeroporto do Porto. A paisagem vista do ar (cidades iluminadas) foi deslumbrante, pena não terem sido referidas os locais por onde passávamos. Chegamos ao Porto (perdão, à Maia – o aeroporto está situado numa freguesia da Maia, mais propriamente em Pedras Rubras!), foi um voo sem história, em que se cumpriram horários… e lá estava a Milú à nossa espera, sorridente como sempre!

Pouco depois estávamos em casa, a saborear um belo pitéu que a Milú nos preparou… ahhh! E com direito a bolo!!!

Nota:
As fotos do Cats que inseri neste artigo foram "roubadas" ao site oficial da tournée do CATS em Inglaterra. Espero que eles não se importem... sei que com tanta fotografia seria mais interessante fazer uma animação, mas não tive tempo para isso.

José Gomes



10 comentários:

  1. Deliciosa descrição:))))
    E roubaste bem as fotos que estão magníficas!:)
    beijos

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  2. Pois é... só é pena realmente o Stuart não nos ter encontrado quando queria... aí é que ias ter uma história para contar: consigo imaginar tu a pô-lo a rir-se sem parar! Para a próxima vou ver se me lembro que a dta é dta e não esquerda... coitados deles à nossa procura ahahah... mas lá nos descobriram não foi? A minha orelha que o diga ahahah...
    Se eu pudesse até tinha-te emprestado das fotos que tirei... mas sabes como é... :o)
    Obrigada por mais um relato destes...

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  3. Rica vida amigão, eh,eh,eh!
    continuação...


    Um @bração do
    Zé do Telhado

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  4. Muito bem Amigo, em grande, mesmo em grande.
    Um Abraço e Bom Fim de Semana

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  5. Ele há grandes vidas!!! :)

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  6. Um começo de ano cheio de peripécias mas que tb te presenteou com mtos bons momentos ;-)

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  7. Que belo relato! Bem-disposto e bem retratado.
    Parabéns!

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  8. Belas fotos!!!
    e que belas aventuras!!! muito bem!!! :-))))

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  9. Eu tive a sorte de as ter visto todinhas. Mas não vejo o comentário! Lembro-me que me referia ao fim de semana que apesar de atribulado, na ida, acabou por ser uma maravilha. Só espectáculos!

    Beijinhosssss

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