quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Uma viagem com história - 1

Realmente, só faltou andar de barco!...

Num só dia experimentámos quase todos os meios de transporte: carro, avião, a pé, avião, camioneta, a pé (à chuva e ao frio!!!), autocarro, metro, comboio e táxi… em 18 horas, devemos ter estabelecido novo “record” para o Guiness! E tudo por causa de uma mala!!! …

Mas comecemos a história pelo princípio.

Às 7 horas da madrugada estávamos sentados no avião, já com uma leve claridade a despontar sob a asa deste, anunciando o nascer de uma linda manhã. Tudo previa um voo sem história, dentro dos parâmetros que tínhamos estabelecido. Foi então que apareceu a dita cuja mala!

Avião cheio. Hora da partida. Azáfama na porta de entrada. Um funcionário de colete alaranjado entrava e saía da cabine de pilotagem, subia e descia as escadas. Pouco passava das 8 horas quando fomos informados que havia um problema com as bagagens e que o voo seria atrasado mais 15 minutos. Meia hora depois o comandante informou que, devido a haver uma mala a mais no porão, toda a bagagem seria retirada do avião e colocada ao lado deste para que todos os passageiros as identificassem. Enquanto grupos de 6 passageiros desciam do avião pelas escadas da frente, identificavam as suas malas e entravam pela porta de trás, eu e a Zia – que tínhamos marcado um voo em Girona, Espanha, que nos levaria a Blackpool, Inglaterra, para não perdermos tempo não levámos bagagem no porão – chamamos logo a atenção da hospedeira para este facto.

Esta respondeu prontamente que “a Ryanair era alheia ao sucedido, cabendo toda a responsabilidade aos serviços de terra do aeroporto”. Passámo-nos, mas mantivemos toda a calma, esperançados na rápida verificação das bagagens e na recuperação do tempo pela aeronave. O pior foi quando chegou a nossa vez de verificar as bagagens… a Zia, no seu melhor inglês, disse-lhe que não saíamos, uma vez que não tínhamos qualquer bagagem no porão e por isso a nossa saída não era necessária. Foi então que estalou o verniz da dita hospedeira que nos obrigou a sair, descer as escadas, passar pelas malas que estavam ao lado do avião, dizer-lhes “olá”, subir pelas escadas traseiras e voltar aos nossos lugares! Hora e meia depois voávamos rumo a Girona, com três passageiros a menos e sem qualquer explicação.

Quando chegámos a este aeroporto o voo para Blackpool já tinha partido! No balcão da Ryanair (bastante atenciosos) arranjaram-nos um voo para as 14 horas, rumo a Londres, mas, claro, tivemos que pagar a mudança de voo. De Londres só teríamos que apanhar o comboio rumo ao nosso destino.

Às 14 horas, já estávamos na porta de embarque 11, quando o letreiro que dizia Londres passou subitamente para Madrid. O nosso voo foi-se sucessivamente atrasando e nós saltando de porta em porta, da 5 para a 3, até que às 17,30 horas lá embarcámos para um voo sem história, rumo a Londres.


(Finalmente, a caminho de Londres!...)

Foi então que a Zia criou o novo slogan para a Ryanair: “Se quiserem chegar atrasados ao vosso destino, voem com a nossa companhia!

No aeroporto de Londres fomos recebidos por uma chuva miudinha, irritante e fria. Do aeroporto à cidade propriamente dita foi uma hora e pico a bordo de uma camioneta onde conseguimos dormitar alguma coisa. Depois, foi um salto até ao metro (pasme-se!!! A estação estava fechada para obras e tivemos de ir de autocarro até à estação seguinte!!!) e daqui até à estação dos comboios.

Fizemos aqui uma pequena paragem para comer alguma coisa, enquanto preparavam o comboio que nos levou até Preston (era um pendular, de linhas arrojadas, mas de velocidade pouco superior à de uma carroça puxada a bois!). Ao fim de 3 horas de viagem chegámos à estação onde, meia hora depois, embarcávamos noutro comboio que nos levou a Blackpool.

Para terminar a noite o motorista de táxi, por erro de sotaque, deixou-nos no nº 18 da rua onde supostamente estaria o nosso hotel. Só que o número da porta era o 80… lá tivemos que enfrentar a chuva, o vento e o frio! Fomos recebidos por um senhor muito simpático que já nos esperava há muito tempo e que nos levou ao nosso quarto já aquecido e mergulhámos no calor dos nossos lençóis.

Adormecemos ao sabor do anúncio criado nesta nossa saga:

Ryanair – se quiser chegar atrasado ao seu destino, voe na nossa companhia”.

Sábado e domingo em Blackpool foram suficientes para esquecer todos estes acontecimentos. Mas isso já será outra história.

José Gomes


7 comentários:

  1. obrigada por estas lembranças... na altura só me apetecia chorar e bater nalguém... mas hoje ri-me e bem!!! ah só uma coisinha... o slogan era "PARA CHEGAR ATRASADO, VOE RYANAIR!" ou "VOOS ATRASADOS, SÓ NA RYANAIR" ou "QUER CHEGAR TARDE? VOE RYANAIR"... e mudei o nome da ryanair para shitair!

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  2. Escritores da Liberdade é o prémio que tenho para ti no "BEJA .
    Passa por lá e leva-o para o teu blog que bem o merece.


    Abraço

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  3. Felizmente que a estadia vos fez esquecer as peripécias da viagem. Foi mesmo para perder a paciência.

    Beijinhosss

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  4. Parabéns pelo prémio Escritores da Liberdade
    Fica um beijo
    Pi

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  5. Que peripécias:)))))
    Beijos

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  6. Não te conhecia esta faceta de cronista. Parabéns e continua. Um abraço.

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  7. Manuela F11/1/08 17:10

    Realmente amigo, só faltou um barco! Ufa!!! Foi um viagem e tanto!
    Gostei muito da tua história! A boa disposição e o sorriso que nos causa, contrasta certamente com o teu semblante durante a aventurosa viagem!
    O slogan da Zia é bem merecido!
    Agora vou há parte dois...
    Bji

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