quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

O Tempo e o Relógio




Era uma vez...

Embora o Tempo e o Relógio passem juntos todo o santo dia (mas sempre de costas voltadas um para o outro!), um dia o Tempo resolveu pôr os pontos nos “ii” e dizer ao Sr. Relógio umas certas verdades que já engolia há muito, muito tempo!

Atirou-se, então, ao Relógio com unhas e dentes e disse-lhe que tinha tantas saudades daqueles tempos em que não existiam relógios e, curioso, nessa altura toda a gente tinha tempo!

Mas o “bicho homem”, predador e destruidor de tudo por natureza e feitio, sempre à procura de qualquer coisa para lhe alimentar o ego, fabricou o primeiro relógio que começou a marcar o tempo, melhor, pôs o tempo a marcar passo!...

Curioso!... a partir deste momento nunca mais ninguém conseguiu ter tempo! A partir dessa altura o homem ficou escravo do seu invento, esmigalhado na sucessão dos segundos, dos minutos, das horas, dos anos que acabara de criar!

— Ahhh – disse o Tempo - como eu recordo com saudade aqueles dias em que o Homem trabalhava de Sol a Sol e ainda tinha tempo para apreciar a natureza, deliciar-se com as tonalidades do pôr-do-sol, saborear as cores do arco-íris, deliciar-se com o bailado das estrelas no céu escuro, sem o brilho pálido da luz da Lua...

E o Relógio, no seu tic-tac metálico, ouviu, ouviu, mas não tinha tempo para responder, com medo de se atrasar...

— Antigamente – continuou o Tempo – nascia-se no tempo certo, sem ser preciso cesarianas nem incubadoras para aqueles que passavam ou se atrasavam no seu tempo de nascer. A natureza sabia, bem a tempo, quando era chegado o tempo de nascer... Hoje, o Homem, obedece-te, Relógio, mesmo antes de nascer... até os médicos, escravos do teu tic-tac, estão cada vez mais apressados e não têm tempo a perder!

E o Relógio, no seu tic-tac metálico, ouviu, ouviu, mas não tinha tempo para responder, com medo de se atrasar...

— Ainda me lembro – continuou o Tempo – quando o Homem crescia sem pressas, quando ainda tinha tempo para ser criança! Comia só quando tinha fome e dormia quando tinha sono. Não tinha horário para comer, para dormir e muito menos para amar... Envelhecia ao ritmo natural, na calma e tranquilidade duma vida sem estar a olhar constantemente para ti, Relógio, simplesmente porque tu ainda não existias!... Depois, encolhia-se calmamente no ventre da Mãe Terra e partia ao meu encontro, para aquele abraço duma Vida que sempre leváramos juntos...

E o Relógio, no seu tic-tac metálico, ouviu, ouviu, mas não tinha tempo para responder, com medo de se atrasar...

— Mas desde que foste inventado nunca mais o ciclo da vida foi o mesmo! O Homem, ainda criança, vai para a escola onde lhe dão um horário. Depois, mal aprende a saber contar as horas, o pai dá-lhe logo um relógio... e, então, nunca mais tem tempo na vida! Corre para o emprego, come apressado, dorme sem sono pois sabe que de manhã, bem cedinho, estás a gritar-lhe aos ouvidos, arrancando-o da cama quando ele queria dormir nem que fossem só mais cinco minutinhos!...

E o Relógio, no seu tic-tac metálico, ouviu, ouviu, mas não tinha tempo para responder, com medo de se atrasar...

— E a amar?!! Não sei se ainda hoje alguém faz amor!... Há tanta gente que já não tem tempo nem para respirar! Quando, de repente, se apercebem... já estão velhos, cansados, sem terem tido tempo de ver o Tempo passar...! E enterram-no, apressados, para a Vida poder continuar.

O Relógio corou!... O seu tic-tac metálico, ouviu, ouviu, mas continuou a não ter tempo para responder, com medo de se atrasar...


José Gomes


sábado, 19 de janeiro de 2008

Orion - 44 anos depois

13 horas: fotografia da subida do ORION - Fonte: Jornal de Notícias, 20 Janeiro 1964

Esse dia 19 de Janeiro de 1964 foi um domingo soalheiro de inverno, com um céu azul, sem nuvens, o vento quase nulo, um mar chão muito calmo e que verdejava lá em baixo, arrancando reflexos dourados às águas que vinham beijar as areias, nessa altura ainda limpas, deixando a flutuar franjas irregulares de espuma branca.

— Faltam 60 minutos para a Hora Zero! – disse, tirando o relógio do pulso e colocando-o no peitoril da janela da casamata, ao lado do caderno que nos servia de "check in" e dando baixa neste – É preciso verificar o ângulo de inclinação da rampa de lançamento e a temperatura exterior do corpo do Orion - sussurrei ao Jaime.

Aproveito e vou com o Daniel verificar as ligações eléctricas e o sistema de ignição. Com tanta gente à volta do foguetão, não me espanta nada que lhe tenham dado um encontrão e que se tenha desligado qualquer coisa – sugeriu Jaime, pegando nos materiais necessários para alguma substituição de última hora.

Enquanto este e o Daniel se afastavam, subi a pequena ravina na base da qual se encontravam os restos do que fora em tempos passados um abrigo - e que chamávamos "casamata" - que nos servia de base de lançamento.

Espraiei os olhos à minha volta: estava rodeado de um grande número de curiosos que procurávam o melhor local para assistir ao lançamento do Orion. Lá no fundo, para os lados da Casa de Chá e do Farol da Boa Nova, uma densa multidão apressada aproximava-se do local de lançamento, desafiando os esforços dos nossos jovens “seguranças” que tentavam fazer com que essa “mole humana” se dirigisse para o perímetro de segurança que fixáramos previamente.

Olhei o corpo majestoso do foguetão, bem apontado para o céu e que cintilava beijado pelos raios de sol.

O Eduardo, um dos responsáveis pela segurança do Projecto, juntamente com outros amigos, empurravam a custo o batalhão de fotógrafos, operadores de cinema e de TV para uma duna situada a cerca de 100 metros do local de lançamento. Mas mal se virava as costas, os jornalistas regressavam a ponto inicial (mas muito mais perigoso), ávidos dos melhores ângulos para as suas fotografias ...

Regressei à casamata, verifiquei a lista à minha frente, olhei para o relógio e disse quase maquinalmente:

(Dando uma vista de olhos ao foguetão)

— 20 minutos para a Hora Zero!

O Jaime e o Daniel que acabavam de chegar, olharam o relógio que se aproximava das 13 horas (este lançamento esteve marcado para as 12 horas mas, devido ao grande número de visitantes, tivemos de adiá-lo uma hora).

(Dando uma vista de olhos ao foguetão)

Hora zero menos quinze minutos – e virando-me para o Eduardo, recomendei – mantenham as pessoas nos perímetros de segurança.

Este, furioso, começou a barafustar:

Não entendo estes jornalistas! Voltaram a romper o cordão de segurança e por mais que se faça, não obedecem! Já não sei mais que fazer!

Olhei os jornalistas que, pouco a pouco, se aproximavam (e logo se instalavam de armas e bagagens cada vez mais perto da zona perigosa. Olhei o relógio e desta vez perdi a calma:

— Se estes gajos não recuam já para trás das dunas, aborto mesmo o lançamento! Eduardo, Gaspar, levem toda a gente disponível e façam recuar os jornalistas e digam-lhes mesmo ou eles recuam para as zonas delimitadas ou nós abortámos esta porra! Se há um azar e esta coisa explode, ficam que nem picado e quem se lixa somos nós!

Observei as negociações jornalistas/seguranças do Projecto. O Gaspar esbracejava e passeava-se de um lad0 para outro e, de repente, correu na nossa direcção e, com um amplo sorriso, disse:

— Pronto, pronto, não se preocupem! Vão pôr toda a maquinaria fora das dunas e apontadas para o Orion e vão abrigarem-se dentro da zona que fixámos. Se houver qualquer “chatice “ garantiram-nos que assumiam toda a responsabilidade! Vão-se as máquinas, ficamos sem as nossas fotos, mas os gajos ficam. Com um grande susto, mas ficam!

Muito bem, mas gostava der ver tudo isso passado a escrito! — disse o Jaime, encolhendo os ombros — Fernando, toma-me agora conta do “check-in”. Estamos a cinco minutos…

Hora Zero menos cinco minutos... — disse eu, olhando da casamata o corpo do foguetão que brilhava no meio do descampado.

Um razoável perímetro de segurança estabelecera-se, finalmente, à volta do Orion. De repente, um silêncio sepulcral invadiu toda a região. Parecia que toda aquela multidão, ululante até aí, tivesse de repente deixado de respirar, ficando suspensa no que iria suceder no minuto seguinte. Só o suave murmurar do mar, alguns metros lá em baixo, se associava à ligeira brisa que soprava...

Hora zero menos...

Porra, porra!!! Pára-me essa contagem, Zé! - gritou o Eduardo, completamente fora de si! - Párem, párem tudo! A merda daquela avioneta está a aproximar-se! Rápido, os gajos da rádio, que lancem um aviso...

Algum dos repórteres ao meu lado – não me lembro bem quem – que faziam a cobertura em directo do lançamento (ou alguém no aeroporto que os estava a ouvir), devem ter com a avioneta que acabou por dar meia volta, deixando livre o nosso espaço aéreo.

Depois de terem sido feitos os acertos nas rotinas de segurança, recomecei a contagem, atrasada agora mais alguns minutos:

Hora Zero menos dez minutos!

Respirei fundo! Olhei à minha volta e o Jaime a verificar com uma das mãos as ligações do cabo de ignição e a roer as unhas da outra, com um ar muito compenetrado. O Daniel, apesar de todas as normas de segurança, acendeu mais um cigarro que juntou ao outro que mantinha aceso nos lábios, ajustou a braçadeira na sua bata branca e fez-me um sinal com a cabeça que estava tudo bem.

Olhei para cima, para o que fora o telhado da casamata e vi dezenas de caras que observavam os nossos gestos, as câmaras de TV que nos seguiam, os “flashes” que aumentavam ainda mais a minha dor de cabeça...

De repente apercebi-me que até eu estava a roer as unhas!

Hora Zero menos cinco minutos...

Olhei o céu que se mantinha limpo, as várias equipas nos seus postos, os jornalistas atrás das dunas. Cocei a cabeça!

Hora Zero menos dois minutos... – senti um calafrio a subir-me pela espinha e encostei-me ao parapeito da janela da casamata...

... 30 segundos...

Está tudo OK! – disse o Jaime, enquanto pousava o dedo no interruptor da ignição.

Olhei para o meu Pai que me espreitava lá de cima. Sorri-lhe. Até dois dias antes nunca tinha acreditado no Projecto Orion! Sorri-lhe e continuei com a contagem:

20 segundos...

Ignição preparada! – disse o Jaime em voz calma e bem segura.

Daniel aproximou-se mais da janela e assestou os binóculos no Orion. Limitei-me a prosseguir com a contagem:

10 ...

O suor, em camarinhas, começou a escorrer-me pela cara, a camisa estava colada às costas. As minhas pernas começavam a parecer que eram feitas de manteiga! Lá, muito ao longe ouvia a minha voz...

7... 6... 5...

É agora! – sussurrou Jaime

Os meus olhos, muito abertos, estavam fixos no foguetão:

4... 3... 2... 1... IGNIÇÃO!!!

O berro com que concluí a contagem foi abafado pelo roncar dos gases expelidos pela tubeira do Orion, enquanto este se erguia majestosamente nos céus da Boa Nova, largando um elegante novelo de fumo branco, seguido por uma estrondosa salva de palmas da multidão que assistia ao lançamento do primeiro foguetão português.

Mal gritei “IGNIÇÃO” saí a correr da casamata em direcção à rampa de lançamento ainda envolta em fumaça. Lembro-me de ver o corpo cilíndrico do foguetão a subir no céu. Não me lembro da separação do segundo andar.

Corri, depois, em direcção ao mar, com a multidão atrás de mim!

(…)

(in “Orion – O início de um sonho… - José Gomes).


Para continuar a história, nada melhor que seguir a animação que está abaixo. Está feita em Power Point, com som, colada no "slideshare" só que não funciona como pensei nem a música está a tocar. Espero, com este trabalho, recordar o lançamento do Orion e de todos aqueles jovens que trabalharam conosco para construir um Projecto em Portugal.

José Gomes


sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Uma viagem com história - 2

Fim-de-semana na “Piscina Negra”

O meu primeiro fim de semana do ano foi passado em terras de Sua Majestade. Estive em Blackpool, uma cidade situada no litoral oeste de Inglaterra. Na opinião dos seus habitantes esta é a cidade favorita dos Ingleses para uma temporada à beira mar.


Um dos monumentos que
mais me impressionou foi a sua torre à qual chamei Torre Eiffel” de Inglaterra, pois era o que realmente fazia lembrar. Foi pena o frio e o vento gélido que quase me fazia levantar voo!


Se quiserem fazer uma ideia do frio que fazia, basta dizer-vos que andei de gorro de lã enterrado até às orelhas, luvas forradas e um casacão apertado até ao pescoço, com a gola levantada. Para fotografar, segurava a máquina com a mão esquerda com a luva calçada e tirava a fotografia com a luva da mão direita na boca, para a calçar logo, logo de seguida, pois o frio quase me arrancava os dedos!

Desta vez, e para variar, fui acompanhar a Zia num trabalho de fotografia que fez no “backstageno musical CATS, no seu último dia de exibição em Blackpool. Deixei a Zia no teatro às 12,00 horas e, desde essa hora e até às 23,30 horas (hora a que regressámos ao hotel) estive entregue a mim mesmo, em terra estranha, chuvosa, fria e ventosa, mas ao mesmo tempo feliz e contente no meio de pessoas que não me conheciam e muito menos me entendiam. Fotografei a costa, o mar, a praia, as gaivotas, as iluminações, as casas e tudo aquilo que despertou a minha curiosidade.

Evidentemente fui ver a sessão das 14,30 horas dos CATS. A Zia fez uma pausa no seu trabalho fotográfico e correu ao meu encontro para ver o espectáculo comigo. Ela chegou esbaforida, e mal se sentou no seu lugar as luzes do teatro apagaram-se e deram início ao espectáculo. O CATS é uma peça que me agrada e que de todas as vezes que a vi (talvez por escolher sempre ângulos diferentes) encontro sempre coisas novas ou que não dei a devida atenção das outras vezes.

Foi agradável saber que o Dean (Munkustrap) e o Stuart (Rum Tum Tugger) andaram à nossa procura pelo teatro (a Zia deu-lhes as indicações erradas) e quando finalmente o Dean (Munkustrap) deu com a Zia, espetou-lhe o dedo no ouvido e muito calmamente fitou-me e disse, em bom português, “Boa tarde”!


Já no fim do espetáculo ri-me a bom rir com o “focinho” de espanto do Phil (Coricopat) quando deu de caras comigo – a Zia esqueceu-se de lhe dizer que eu também vinha...

As danças continuam a encantar-me, as interpretações do irreverente Rum Tum Tugger e do mágico-acrobático Mister Mistoffelees foram mesmo fora de série. O actor que deu vida ao velho Deuteronomy (James Paterson) fez um trabalho extraordinário.

Findo o espectáculo, a Zia voltou às suas lides com o elenco do musical, e eu voltei à rua, agora já de noite, mas esperançado que o vento e o frio tivessem serenado. Como estava redondamente enganado!!! Continuava frio e ventava, só a chuva é que tinha parado. Ainda fiz algumas fotos mas o frio não me ajudou mesmo nada! Resolvi regressar ao hotel e esperar notícias da Zia.

Foi então que me perdi! Talvez por ser de noite e os meus pontos de referência terem desaparecido. O mais aborrecido é que não sabia o nome do hotel e muito menos o nome da rua. Apenas sabia que o número da porta era o 80 e, para azar meu, a Zia desligara o telemóvel! Ou regressava ao teatro (a torre de Blackpool era um ponto de referência) ou tentava descobrir o hotel, por exclusão de ruas, rezando para que não houvesse outro 80!!! Pouco passava das 18,30 horas quando encontrei, finalmente, o hotel. Preparava-me para descansar quando recebi uma mensagem da Zia a dizer-me que tinha conseguido um bilhete para eu poder ver a sessão final em Blackpool às 19,30 horas… e desligou, novamente, o telemóvel!

Regressei ao teatro e pouco antes de começar o espectáculo da noite, apareceu a Zia de corrida, entregou-me o bilhete, disse-me que o trabalho estava a exceder as suas expectativas e desapareceu tão depressa como tinha aparecido.

Lá entrei, de novo, para a plateia e desta vez, contrariamente a esta tarde que ficamos na coxia à frente, sentei-me numa fila mais ao menos a meio do teatro, novamente na coxia. Tinha uma visão diferente de todos os espectáculos que assistira. Talvez por ser o último espectáculo nesta cidade os actores esmeraram-se e bateram todas as expectativas do público que os ovacionou como nunca tinha ouvido em tantos espectáculos que assisti.

Quando os actores se passearam novamente pelo público, o Phil (Coricopat) deu novamente de caras comigo e cumprimentou-me. Ao voltar para o palco, deve ter dado um aviso à Lauren (Cassandra), pois ambos meteram-se comigo: ele disse um “Olá” e a gata piscou-me o olho e esfregou-me carinhosamente a careca... o que me valeu foi a Milú não estar presente!!!

Grizzabela, na sua interpretação de Memory, de tal maneira sentida, arrancou do público uma estrondosa salva de palmas e gritos de “bis” que a comoveu – a ela e aos actores com quem contracenava, reparei eu!


Um outro quadro que achei muito bem conseguido (mas que desta vez foi diferente e mais comovente) foi a ascensão ao “plano superior da vida”, com a canção interpretada por todos enquanto a roda subia no espaço e Grizzabela subia a escada (ouçam o fundo musical deste post). Foi empolgante! Com a devida vénia (http://aishitenight.blogs.sapo.pt/2007/02/) deixo-vos com um excerto do post de 8 de Fevereiro de 2007, CATS: Acto II, Cena 8, A viagem para a camada celestial:

“(…) Ao sinal da pata de Deuteronomy, o pneu começa a flutuar, elevando-se e movendo-se lentamente para a frente enquanto os gatos continuam a entoar um cântico alegre a plenos pulmões, que indicia o que vai acontecer “para cima até à Camada Celestial, para além da Lua Jelical, até à Camada Celestial”.

Finalmente o pneu atinge a altura necessária para que Griz possa alcançar uma escadaria que faz lembrar uma nuvem cheia de luzes (e porque não a entrada para um disco voador?!). Do alto alguém estende a mão a Griz, ajudando-a a dar os últimos passos no nosso espaço astral, enquanto todos os toms e queens lhe acenam um adeus final, deixando no ar mais uma referência à mística deusa Egípcia Bast: “vida à Gata imortal”…” – (sonhado por randomninity).

O público não se cansou de ovacionar todos os participantes do CATS que se vieram despedir, várias vezes, ao palco. Foi um espectáculo inesquecível (pelo menos para mim), parte integrante do público e, penso, para os actores, parte integrante do musical CATS.

Antes de abandonar o hotel, com a permissão dos donos, não resisti a tirar algumas fotografias… conhecem este?

Regressamos no domingo de manhã. Ainda fizemos mais algumas fotos pois o dia estava lindo, pouco ventoso e aguentava-se bem o frio. Do hotel ao aeroporto de Blackpool foram 15 minutos de táxi. Um aeroporto convidativo, recente (novo terminal desde 2006), com amplos espaços e com uma capacidade anual para dois milhões de passageiros.

Desta vez o avião levantou voo a horas e chegou a Girona dentro do horário. Fizemos horas dentro do aeroporto, à espera do voo que nos deixaria no aeroporto do Porto. A paisagem vista do ar (cidades iluminadas) foi deslumbrante, pena não terem sido referidas os locais por onde passávamos. Chegamos ao Porto (perdão, à Maia – o aeroporto está situado numa freguesia da Maia, mais propriamente em Pedras Rubras!), foi um voo sem história, em que se cumpriram horários… e lá estava a Milú à nossa espera, sorridente como sempre!

Pouco depois estávamos em casa, a saborear um belo pitéu que a Milú nos preparou… ahhh! E com direito a bolo!!!

Nota:
As fotos do Cats que inseri neste artigo foram "roubadas" ao site oficial da tournée do CATS em Inglaterra. Espero que eles não se importem... sei que com tanta fotografia seria mais interessante fazer uma animação, mas não tive tempo para isso.

José Gomes



quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Uma viagem com história - 1

Realmente, só faltou andar de barco!...

Num só dia experimentámos quase todos os meios de transporte: carro, avião, a pé, avião, camioneta, a pé (à chuva e ao frio!!!), autocarro, metro, comboio e táxi… em 18 horas, devemos ter estabelecido novo “record” para o Guiness! E tudo por causa de uma mala!!! …

Mas comecemos a história pelo princípio.

Às 7 horas da madrugada estávamos sentados no avião, já com uma leve claridade a despontar sob a asa deste, anunciando o nascer de uma linda manhã. Tudo previa um voo sem história, dentro dos parâmetros que tínhamos estabelecido. Foi então que apareceu a dita cuja mala!

Avião cheio. Hora da partida. Azáfama na porta de entrada. Um funcionário de colete alaranjado entrava e saía da cabine de pilotagem, subia e descia as escadas. Pouco passava das 8 horas quando fomos informados que havia um problema com as bagagens e que o voo seria atrasado mais 15 minutos. Meia hora depois o comandante informou que, devido a haver uma mala a mais no porão, toda a bagagem seria retirada do avião e colocada ao lado deste para que todos os passageiros as identificassem. Enquanto grupos de 6 passageiros desciam do avião pelas escadas da frente, identificavam as suas malas e entravam pela porta de trás, eu e a Zia – que tínhamos marcado um voo em Girona, Espanha, que nos levaria a Blackpool, Inglaterra, para não perdermos tempo não levámos bagagem no porão – chamamos logo a atenção da hospedeira para este facto.

Esta respondeu prontamente que “a Ryanair era alheia ao sucedido, cabendo toda a responsabilidade aos serviços de terra do aeroporto”. Passámo-nos, mas mantivemos toda a calma, esperançados na rápida verificação das bagagens e na recuperação do tempo pela aeronave. O pior foi quando chegou a nossa vez de verificar as bagagens… a Zia, no seu melhor inglês, disse-lhe que não saíamos, uma vez que não tínhamos qualquer bagagem no porão e por isso a nossa saída não era necessária. Foi então que estalou o verniz da dita hospedeira que nos obrigou a sair, descer as escadas, passar pelas malas que estavam ao lado do avião, dizer-lhes “olá”, subir pelas escadas traseiras e voltar aos nossos lugares! Hora e meia depois voávamos rumo a Girona, com três passageiros a menos e sem qualquer explicação.

Quando chegámos a este aeroporto o voo para Blackpool já tinha partido! No balcão da Ryanair (bastante atenciosos) arranjaram-nos um voo para as 14 horas, rumo a Londres, mas, claro, tivemos que pagar a mudança de voo. De Londres só teríamos que apanhar o comboio rumo ao nosso destino.

Às 14 horas, já estávamos na porta de embarque 11, quando o letreiro que dizia Londres passou subitamente para Madrid. O nosso voo foi-se sucessivamente atrasando e nós saltando de porta em porta, da 5 para a 3, até que às 17,30 horas lá embarcámos para um voo sem história, rumo a Londres.


(Finalmente, a caminho de Londres!...)

Foi então que a Zia criou o novo slogan para a Ryanair: “Se quiserem chegar atrasados ao vosso destino, voem com a nossa companhia!

No aeroporto de Londres fomos recebidos por uma chuva miudinha, irritante e fria. Do aeroporto à cidade propriamente dita foi uma hora e pico a bordo de uma camioneta onde conseguimos dormitar alguma coisa. Depois, foi um salto até ao metro (pasme-se!!! A estação estava fechada para obras e tivemos de ir de autocarro até à estação seguinte!!!) e daqui até à estação dos comboios.

Fizemos aqui uma pequena paragem para comer alguma coisa, enquanto preparavam o comboio que nos levou até Preston (era um pendular, de linhas arrojadas, mas de velocidade pouco superior à de uma carroça puxada a bois!). Ao fim de 3 horas de viagem chegámos à estação onde, meia hora depois, embarcávamos noutro comboio que nos levou a Blackpool.

Para terminar a noite o motorista de táxi, por erro de sotaque, deixou-nos no nº 18 da rua onde supostamente estaria o nosso hotel. Só que o número da porta era o 80… lá tivemos que enfrentar a chuva, o vento e o frio! Fomos recebidos por um senhor muito simpático que já nos esperava há muito tempo e que nos levou ao nosso quarto já aquecido e mergulhámos no calor dos nossos lençóis.

Adormecemos ao sabor do anúncio criado nesta nossa saga:

Ryanair – se quiser chegar atrasado ao seu destino, voe na nossa companhia”.

Sábado e domingo em Blackpool foram suficientes para esquecer todos estes acontecimentos. Mas isso já será outra história.

José Gomes