domingo, 14 de outubro de 2007

Adriano Correia de Oliveira


Adriano Correia de Oliveira

25 anos depois da sua partida


  • Adriano Correia de Oliveira nasceu no Porto a 9 de Abril de 1942;
  • Meses depois foi morar para Avintes, na Quinta das Porcas, local pitoresco do Rio Douro.
  • Fez a instrução primária em Avintes, entre 1948 e 1952.
  • Fez o Curso Liceal no Liceu Alexandre Herculano (entre 1952-59), no Porto, tendo-se revelado um bom aluno.
  • Em 1957 foi fundada a União Académica de Avintes (UAA), da qual foi um dos fundadores; iniciou-se no Teatro Amador; a UAA tinha uma forte vertente desportiva, sendo uma das suas primeiras iniciativas a construção de um campo de voleibol.
  • Adriano acompanhou esta equipa desde os campeonatos regionais até à consagração de campeões nacionais da I Divisão.
  • Em 1959, com 17 anos de idade, matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra; tornou-se atleta da secção de Voleibol na AAC (Associação Académica de Coimbra); integrado no Conjunto Ligeiro da Tuna Académica, abrilhantou bailes de estudantes, cantando e tocando guitarra eléctrica, ao lado de José Niza, José Cid, Proença de Carvalho, e outros...
  • Apesar de caloiro, foi primeiro tenor no Orfeão Académico de Coimbra; fez também parte do Grupo Universitário de Danças Regionais da AAC; integrou o CITAC (Círculo de Iniciação Teatral de Coimbra), onde foi actor e participou em várias peças; iniciou-se no fado, acompanhando o Grupo Eduardo Melo, nas serenatas pelas noites frias das ruas da cidade de Coimbra.
  • Em 1960, foi campeão regional de Voleibol da II Divisão; gravou o seu primeiro disco “Noite de Coimbra”, acompanhado pelas guitarras de António Portugal, Jorge Martinho e Durval Meirinhas; serenata nos Jardins da A. A. Coimbra.
  • Foi, principalmente, o Orfeão Académico de Coimbra que proporcionou a Adriano o contacto com alguns dos melhores intérpretes e renovadores do fado de Coimbra.
  • Nas digressões feitas pelo Orfeão Académico de Coimbra, desde 1961 Adriano conviveu, actuou e sofreu, naturalmente, a influência de Zeca Afonso, Machado Soares, José Niza, entre outros.

No Campo Político:

  • Desde 1960 que Coimbra era palco de lutas desenvolvidas pelos estudantes, no sentido de se construir uma Academia Livre, Isenta, Justa, Democrática, um baluarte da Paz e da Igualdade.
  • Adriano Correia de Oliveira participou activamente nas lutas travadas pelo movimento associativo académico, que viria a culminar nas greves académicas de 1962.
  • Em 1963 agarrou um poema de Manuel Alegre e gravou aquele que seria o hino de resistência de uma geração, quiçá das gerações futuras: “Trova do Vento Que Passa”.
  • Os poemas que canta mobilizam e agitam quem os ouve.
  • Nos inícios de 1964, a voz de Adriano é já um apelo de combate; numa festa de recepção aos caloiros, na Faculdade de Medicina de Lisboa, Adriano cantou, pela primeira vez em público, “Trova do Vento que Passa”.
  • Uma onda de viragem começou a correr o País. A Poesia veio para a rua e com as vozes de Adriano Correia de Oliveira, Zeca Afonso; Francisco Fanhais; Luís Cília; Manuel Freire (entre outros), a cantiga tornou-se uma arma!
  • A voz e as canções de Adriano Correia de Oliveira denunciaram a Guerra Colonial, a injustiça e a opressão. A sua presença está ligada a toda uma luta estudantil, operária e camponesa contra a ditadura, a guerra colonial e a falta da Liberdade, desde a década de 60 até ao 25 de Abril.
  • Músicos e vozes como Adriano Correia de Oliveira, Zeca Afonso, José Niza, Rui Pato, António Portugal, Machado Soares, entre tantos outros, transformaram a canção numa arma contra a ditadura, uma forma de mobilização de consciências que deram origem ao PAÍS DE ABRIL.

Adriano partiu!... mas não devemos deixar cair nas brumas do esquecimento que foi com os seus sonhos, as suas canções, a sua voz e a sua generosidade que ajudou a construir este País de Abril.

Recordar-te aqui hoje, Adriano, como amanhã em qualquer ponto deste País, é manter-te bem vivo e actuante, é empunhar uma bandeira de esperança, é continuar a lutar por um Portugal, mais livre, mais fraterno, mais justo e mais solidário, tal qual como tu o sonhaste.

É esta a homenagem que te posso fazer, amigo Adriano.


É tempo de Adriano voltar a cantar!



José Gomes


14 comentários:

  1. Viajei no tempo, até aos anos da meninice, em que o meu pai colocava no gira-discos músicas de quando a isnpiração musical passava também pela inttervenção política.

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  2. Foi com enorme emoção que li esta tua homenagem ao Adriano.
    A melhor forma de o homenagearmos, como dizes, é continuarmos a luta em que ele desde cedo se empenhou...
    Estou certa que ele continuará a caminhar ao nosso lado...

    Abraço

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  3. Belo tributo. Muito bem merecido. Parabéns.
    Um abraço com amizade

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  4. Sempre dentro da mesma linha mais um post admirável. Obrigada, Zé por me permitires reviver momentos de ouro da minha juventude. Este sonhador, que eu sempre admirei, merece todas as homenagens que lhe queiramos fazer.
    Beijinhos

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  5. Saibamos sempre homenagiar os grandes valores e seguir-lhes o caminho.

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  6. No passado dia 12, na SPA, tocou-me a mim lembrar uma mão cheia das cantigas do Adriano, numa pequena sessão que foi mais uma espécie de reunião de amigos.
    Fiz milhares de kilómetros inesquecíveis com ele.
    Já se sabe que os amigos que partem não são nunca substituidos. Enquanto ia cantando fui, como sempre que o faço, confirmando que também não há nada que possa substituir aquela voz!

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  7. Lenalorosae16/10/07 12:59

    Parabéns, José, por esta belíssima homenagem a Adriano!
    Nestes tempos em que os Valores andam muito "esquecidos" continua a fazer todo o sentido aquilo em que acreditámos, aquilo que defendíamos. A melhor maneira de honrar Adriano e outros companheiros da sua "estirpe" é mantermos viva a nossa integridade, o nosso direito à indignação.

    Obrigada, José!

    P.S. Espero que não leves a mal se eu fizer referência a esta homenagem no meu blog...

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  8. URGENTE
    Para a lenalorosae, por favor, Lena, manda-me o link do teu blog e, já agora, o teu email.
    Obrigado.
    José Gomes

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  9. Mais um momento de homenagem a que o "Beja" se associa direccionando para o "Chuviscos" os amigos que queiram participar nesta recordação.


    Um fraternal abraço

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  10. Belo tributo a Adriano! Cada vez mais preciso e urgente! É triste que a sua voz se ouça tão pouco, se os valores que apregoa são aqueles que não devemos nunca deixar cair no esquecimento!
    Bji amigo

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  11. Gostaria de deixar uma palavra especial a...

    a.filoxera---sabe sempre tão bem viajar no tempo e recordar aqueles momentos que nos tocaram...

    Maria---Há muitos anos, amiga, que tento não esquecer Adriano e fazer com que aqueles que me acompanham nesta caminhada lembrem Adriano e tantos outros que ajudaram a construir este país de Abril.

    Passaro Azul---Obrigado pelo comentário; como é bom saber que a mensagem que transmito caia em mais um coração que sonha com um mundo mais fraterno.

    Sophiamar---Sabes, amiga, que os teus comentários têm o condão de sentir que estou a trilhar o caminho certo.
    Eu admiro Adriano por tudo aquilo que ele foi, especialmente o sonhador que semeou SONHOS... espero que todos saibamos colher aquilo que ele Sonhou!

    JOSÉ FARIA--- A melhor forma de homenagear Adriano é não deixar, nunca, que a sua voz se cale!
    samuel---sabes, estás-me a dar uma raiva por não ouvir a tua voz ao vivo. Para recordar Adriano e o Zeca já me tenho servido do Fanhais e do Freire... um dia vou-te desafiar!
    Sei que os amigos que partem não são substituídos, mas cabe aqueles que com eles conviveram de perto, tudo fazer para que as suas vozes nunca se calem; e que melhor meio não há para transmitir o "espírito de luta" que o exemplo vivido e convivido com eles!

    Lenalorosae--- Ai, Helena, este despiste só pode ser devido ao stress destas últimas semanas!!! Mesmo remando contra a maré tento lembrar esses grandes vultos que foram, à sua maneira, os pilares de Abril.
    Quanto aos Valores andam muito "esquecidos", compete a todos nós que acreditamos neles, tudo fazer para os lembrar e fazer com que sejam lembrados!
    Lumife---Sempre contei com o vosso apoio e só assim poderemos fazer com que estas VOZES nunca se calem e estes exemplos sejam seguidos por cada vez mais gente que acredita num MUNDO NOVO A SÉRIO! disse...

    A todos vós, meus amigos, àqueles que comentaram ou àqueles que apenas leram este artigo, um grande, grande abraço.

    José Gomes

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  12. Para

    PAULA RAPOSO (Maçãs e Páginas)--- é uma pena teres encerrado os comentários! Gosto da tua poesia e embora não comente com a assiduidade com que gostaria, neste momento gostaria de ter dito qualquer coisa. Passa-me o teu email, se não vires inconveniente, claro!!!
    Um braço

    José Gomes

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  13. Venho deixar um Abraço e dizer que, apesar de não deixar comentário, venho aqui muitas vezes... :) Como vês não te/vos esqueci... Obrigada pelas palavras de conforto.. **

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