quinta-feira, 27 de setembro de 2007

13 Outubro 07 - Tributo a Che Guevara (2)


Acima de tudo procurem sentir no mais profundo de vocês qualquer injustiça cometida contra qualquer pessoa em qualquer parte do mundo. É a mais bela qualidade de um Revolucionário.

(Che Guevara)


Não esquecer:

"Uma noite com... Che Guevara"

Sábado, 13 Outubro 07

21,30 horas

Anfiteatro do GDM Flor de Infesta

Rua Padre Costa, 118

4465 S. Mamede Infesta






domingo, 23 de setembro de 2007

13 Outubro 07 - Tributo a Che Guevara

No dia 8 de Outubro completam-se 40 anos sobre o assassinato de Che Guevara, na Bolívia.

No dia 13 de Outubro próximo, Movimentum - Arte e Cultura em colaboração com o Grupo Dramático e Musical Flor de Infesta, apresenta "Uma Noite com... Che Guevara", com a participação de Albino Santos, Carlos Andrade, Fernando Fernandes, Fernando Peixoto, Maria Mamede e Roberto Merino.

Che Guevara merece que o Anfiteatro do G. D. M. Flor de Infesta esteja cheio de uma mole humana que mostre aqueles que o assassinaram que CHE está bem vivo na nossa memória colectiva.

"A estrela de teu boné brilha mais forte, a força de teus olhos guia gerações pelas lutas da justiça, teu semblante sereno e firme inspira confiança aos que combatem pela liberdade".
- Frei Betto (antropólogo, filósofo, jornalista e escritor brasileiro).

Contamos com a vossa presença e o vosso empenhamento na divulgação deste evento.

(José Gomes)

domingo, 16 de setembro de 2007

Natália Correia - uma Mulher de garra!



Natália Correia



Natália Correia nasceu a 13 de Setembro de 1923 em Ponta Delgada, em Fajã de Baixo, uma freguesia arreigada a tradições e mitos, onde a magia e o oculto se interligam.

Veio, ainda criança, estudar para Lisboa. Iniciou-se muito cedo na escrita. Foi uma figura muito importante da poesia portuguesa contemporânea, exercendo a sua actividade criadora como Poeta, Dramaturga, Cronista, Ensaísta, Deputada, Oradora, Tradutora, Editora...

Foi na Poesia que o seu talento de vanguardista e de independente ganhou plena expressão, assegurando-lhe um lugar de destaque na cultura portuguesa da segunda metade do século XX.

Destacou-se na luta contra o fascismo, tendo apoiado a candidatura à Presidência da República do General Humberto Delgado.

A partir daqui viu vários dos seus livros serem apreendidos pela censura!

Frequentou, juntamente com Vitorino Nemésio, Ary dos Santos, Vinícius de Morais, David Mourão Ferreira, entre outros, as recepções dadas pela Amália Rodrigues. Mas cedo veio a afastar-se da fadista, não só pela sua postura de vida – Amália revolucionou o mundo cantando Camões; e Natália desafiou regime ao escrever “O Homúnculo, peça sobre Salazar -, como pelas suas posições religiosas - Amália Rodrigues, segundo Natália, era uma beata que já não a podia suportar mais; Natália Correia era uma herege insuportável, dizia Amália.

Foi eleita deputada à Assembleia da República pelo Partido Social Democrata, tendo-se destacado pela defesa das liberdades e garantias da Mulher.

Inigualável nos caprichos, nas iras, na coragem e na esperança, Natália Correia cantava e dançava, declamava, discursava, improvisava e, de tal maneira, que cada improviso chegava à raia do satírico e da polémica.

No dia 3 de Abril de 1982, o então deputado do CDS João Morgado, num debate sobre a legalização do aborto, na Assembleia da República, afirmou que «O acto sexual é para ter filhos». A resposta de Natália Correia, em poema, foi pronta e fez rir todas as bancadas parlamentares, sem excepção, tendo os trabalhos parlamentares sido interrompidos por causa disso:

Já que o coito - diz Morgado -
tem como fim cristalino,

preciso e imaculado
fazer menina ou menino;
e cada vez que o varão
sexual petisco manduca,
temos na procriação
prova de que houve truca-truca.
Sendo pai só de um rebento,
lógica é a conclusão
de que o viril instrumento
só usou - parca ração! –
uma vez. E se a função
faz o órgão - diz o ditado –
consumada essa excepção,
ficou capado o Morgado.

(Natália Correia - 3 de Abril de 1982)


A partir de 1962, com Dórdio Guimarães (seu 4º marido), trabalhou para o cinema e televisão.

Com Isabel Meyrelles abriu o “Botequim”, um pequeno bar, espaço de convívio e tertúlia, onde se encontraram grandes vultos das letras e das artes do País.

Em 16 de Março de 1993 a poetisa sofreu um acidente cardiovascular e morreu em poucos minutos. A vigília do seu corpo, na Casa dos Açores, levou de todos os cantos do País milhares de pessoas e ondas de flores! Por lá passaram amigos e inimigos, músicos e cantores, ministros e intelectuais, tunas e artistas, vadios e desportistas, autarcas e videntes, astrólogos e sacerdotes que olharam o esquife aberto com ela lá dentro, serena, muito branca e feliz, finalmente transformada em deusa pagã.

Foi cremada no cemitério do Alto de S. João.

“(...)

Basta o que o tempo traz na sua anilha
Como uma rosa traz Abril no seio.
E que o mar dê o fruto duma ilha
Onde o amor por fim tenha recreio.”

Natália Correia - “Passaporte” (1958).

José Gomes

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Chile - 11 Setembro 1973

Salvador Allende
Assassinado em 11 de Setembro de 1973

Em 11 de Setembro de 1973, as forças armadas chilenas comandadas pelo general Augusto Pinochet e com o apoio e financiamento dos Estados Unidos, derrubaram o governo de Unidade Popular de Salvador Allende, democraticamente eleito 3 anos antes.

Em nome da democracia, dos valores cristãos e da liberdade, Pinochet instaurou uma ditadura de 17 anos em que foram brutalmente assassinadas 3.197 pessoas (este número inclui 49 crianças de 2 a 16 anos e 126 mulheres, algumas delas grávidas).

Neste dia, apesar dos vários pedidos feitos ao presidente Allende para renunciar ao cargo (e até lhe ofereceram e à sua família refúgio no exterior!), Allende não aceitou a proposta.

“ (…) Trabalhadores de minha Pátria, tenho fé no Chile e no seu destino. Outros homens hão-de superar este momento cinza e amargo em que a tradição pretende impor-se. Prossigam vocês, sabendo que, bem antes que o previsto, de novo se abrirão as grandes alamedas por onde passará o homem livre, para construir uma sociedade melhor. Viva o Chile! Viva o Povo! Viva os Trabalhadores!

Estas são minhas últimas palavras e tenho a certeza de que o meu sacrifício não será em vão. Tenho a certeza de que, pelo menos, será uma lição moral que castigará a deslealdade, a covardia e a traição."

Salvador Allende
Santiago do Chile, manhã do dia 11 de Setembro de 1973.
Pouco minutos passavam das 9 horas...

Tanques e aviões bombardearam o palácio presidencial. 20 mísseis foram disparados pelos caças que levaram destruição e atearam fogo ao palácio. Allende cumpriu a sua palavra de sair de La Moneda só depois de morto… e assim morreu o presidente do Chile, democraticamente eleito, de armas na mão resistindo ao golpe e defendendo o regime constitucional.

Começou então uma ditadura sanguinária com assassinatos, torturas, pessoas desaparecidas em nome da paz, da democracia e da liberdade. Os sectores conservadores dos EUA não toleraram um governo democrático de esquerda e ignoraram durante muitos anos os assassinatos, torturas e violações dos direitos humanos que eram cometidos.

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Deixo-vos com estes três vídeos, de autoria de Cesar Carrasco Caviedes, sobre o golpe de estado no Chile. Tem por base a recolha de documentos gráficos e apontamentos de reportagem desses dias sangrentos e que pertencem à colecção do autor.

Estes vídeos têm uma carga emocional muito forte, fazem-me sentir arrepios mas foi a forma que encontrei para homenagear Salvador Allende, os mártires dos anos de terror e todo o Povo do Chile.
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Chile, Venceremos El Olvido! (Parte 1 de 3)




Chile, Venceremos El Olvido! (Parte 2 de 3)



Chile, Venceremos El Olvido! (Parte 3 de 3)




11 Setembro 2007

José Gomes