quinta-feira, 7 de junho de 2007

O sangue das palavras


O Sangue das Palavras

O poeta que nasce é uma criança
parida pela água torturada
uma nave que surge uma nuvem que dança
ao mesmo tempo livre e condensada.

O poeta que nasce é a matança
da palavra demente e enjeitada
que o chicote do poema torna mansa
depois de possuída e mal amada.

Quando o poeta nasce a madrugada
aperta os versos num abraço rouco
até que a noite fique esvaziada.

E enquanto das palavras pouco a pouco
surge a forma perfeita ou agitada

no mundo morre um deus ou nasce um louco.


José Carlos Ary dos Santos


Acordei com este poema do Ary a cantarolar no meu ouvido.
Partilho-o com todos vós! Um bom fim de semana.

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"Verdes Anos" - Carlos Paredes
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José Gomes

5 comentários:

  1. Adoro a Poesia do Ary...conheço muito bem este poema...

    Beijinhos para todos (pensavas que era só para ti... eheheh) e bom feriado ;))

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  2. Adoro Ary dos Santos. Adorá-lo-ei sempre. Sabes, Zé ( posso tratar-te assim?) não conheci o Adriano que tu, tão bem conheceste,pessoalmente claro,mas estive muitas vezes à conversa com o Ary e com o também nosso saudoso Zeca.Com um estive muitas noites e tardes, em Lisboa, o Zé Carlos,com o outro, conversei algumas tardes, muitas, nos cafés Aliança e Atlântico em Faro.
    Este acordar foi, com certeza, muito bom.
    Beijinhos

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  3. venho deixar um abraço longo : um abraço que encerra todos os não tenho dado

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  4. Vou deixar umas “palavrinhas” aos amigos que me deixaram comentários neste post e no anterior.

    - Começo pelo LR, realmente todos nós poderíamos fazer mais um pouquinho que seja para proteger o Ambiente. E não estar à espera que apareça um “dia de qualquer coisa” para lembrar que é preciso defender esta nave que nos transporta pelo espaço… o planeta é de todos, sim, mas o Futuro está nas mãos de cada um de nós.

    - Rodrigo, fiz uma visita ao teu blog, é curioso e tem trabalhos interessantes. Vou falar à Zia que te mostre os trabalhos dela nessa área.

    - bom dia Isabel, fiquei corado até às orelhas pelo teu comentário. Fui dar uma vista de olhos ao blog do JG (usa as minhas iniciais, mas não sou eu!) e perdi-me por lá. Para voltar mais vezes e para isso já o inseri nos meus favoritos (um dia destes vou rever os meus links e então “linkarei” o seu blog).
    Claro, podes tratar-me por Zé, é mais terra a terra! Não conheci o Ary tão bem como o Adriano, apesar de nos termos encontrado algumas vezes. Curioso, temos muitos pontos em comum! Agora aviva-me a memória: onde é que ficam os cafés Atlântico e Aliança em Faro? Será junto à Marina, junto às Pirâmides?

    - Ana, curioso que sou segui as tuas instruções. Aconselho aos meus leitores que façam, também, a vossa "pegada ecológica" através do sítio:

    http://www.earthday.net/footprint/info.asp?language=portuguese&country=portugal
    … vão ver que vão ficar mais que admirados!!!

    - enina _marota, bem sabes que é sempre um prazer quando apareces por uma das minhas casotas. Bem sei que os beijinhos não são só para mim, mas todos ficamos contentes quando os mandas. A propósito, a Milú pediu para te enviar as fotos da última noite de poesia. Vou fazer isso, depois deste “trabalho”.

    - Wind, continuas a ser persistente e a visitar-me todos os dias. Muito obrigado, és muito fixe!!!

    - Deixo para o fim o comentário a uma grande senhora que já não aparecia por aqui há anos (eheheh!!!). Obrigado, Seilá , pelo teu abraço e mando-te outro do tamanho do Universo!

    Um grande abraço para todos os que passaram por esta cantinho...


    José Gomes

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