quinta-feira, 21 de junho de 2007

Ao General Vasco Gonçalves...


Dois anos depois do seu desaparecimento físico, deixo aqui a minha saudade e o meu reconhecimento ao Homem, ao Militar e ao Amigo.

O General Vasco Gonçalves nasceu a 3 de Maio de 1921 em Lisboa e faleceu no Algarve, a 11 de Junho de 2005

Apareceu no Movimento dos Capitães na reunião alargada da Comissão Coordenadora que se efectuou na Costa da Caparica.

Integrou a Comissão de Redacção do Programa do Movimento das Forças Armadas, sendo o elemento de ligação com o General Costa Gomes.

Foi membro da Comissão Coordenadora do MFA e mais tarde primeiro-ministro dos II, III, IV e V governos provisórios.

Durante o seu governo iniciou-se a reforma agrária, criaram-se as condições para as nacionalizações dos principais meios de produção privados (bancos, seguros, transportes públicos…), foi estabelecido o salário mínimo, o subsídio de férias e o subsídio de Natal.

Vasco Gonçalves tinha 52 anos quando a Revolução irrompeu. Por ela havia esperado e para ela se havia preparado. Foi a maior alegria da sua vida «participar no 25 de Abril e viver aqueles momentos como primeiro-ministro»

“ (…)

Mas a História não se desenvolve às avessas, como se o passado pudesse ser determinado a partir do futuro. A inviabilidade da Revolução Portuguesa numa Europa da qual a URSS desapareceu não pode servir de justificação política à contra-revolução.

Para quantos se situam na perspectiva de Vasco Gonçalves — entre eles me incluo — a Revolução Portuguesa foi uma revolução assassinada. Assim a devemos tentar compreender, contemplada deste início do século XXI, quando alguns dos principais responsáveis civis pela contra-revolução, pequenos políticos caricaturais, se pavoneiam pelo mundo mascarados de campeões da democracia.

No Inverno da vida, Vasco Gonçalves está consciente de que «as maiores conquistas que o povo português alcançou ao longo dos seus oito séculos de história, se verificaram em 74-75 e nelas desempenharam um papel fundamental os militares do MFA».

O projecto revolucionário, como o concebera, não se concretizou. Mas não há calúnia nem agressão à história que possa apagar o significado da participação decisiva na Revolução de Vasco Gonçalves, cidadão, soldado e patriota. Ele foi com Álvaro Cunhal um dos grandes portugueses do século XX.

(última parte do artigo “Vasco Gonçalves – O general do povo que fez história”, da autoria de Miguel Urbano Rodrigues, sobre o livro “Vasco Gonçalves – Um General na revolução”, entrevista de Maria Manuela Cruzeiro).

Para que a história o não esqueça…

(E que raiva eu sinto ao ouvir este hino que seria de força, de união e de luta! O que é que aconteceu à “muralha de aço” e o que é que está a acontecer ao sonho de Abril?).

José Gomes

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