segunda-feira, 25 de junho de 2007

A Rosalia de Castro


Canção de Ninar
Para Rosália de Castro, Morta

Ergue-te, minha amiga,
Que já cantam os galos do dia!
Ergue-te, minha amada,
Porque o vento muge como uma vaca!

Os arados vão e vêm
De Santiago a Belém.

De Belém a Santiago
Um anjo chega num barco.
Um barco de prata fina
Trazendo a dor de Galícia.

Galícia deitada e queda
Transida de tristes ervas.
Ervas que cobrem teu leito
E a negra fonte dos teus cabelos.
Cabelos que vão ao mar
Onde tem as nuvens ninho pombal!

Ergue-te, minha amiga!
Que já cantam os galos do dia!
Ergue-te, minha amada
Porque o vento muge como uma vaca!

Frederico Garcia Lorca



quinta-feira, 21 de junho de 2007

Ao General Vasco Gonçalves...


Dois anos depois do seu desaparecimento físico, deixo aqui a minha saudade e o meu reconhecimento ao Homem, ao Militar e ao Amigo.

O General Vasco Gonçalves nasceu a 3 de Maio de 1921 em Lisboa e faleceu no Algarve, a 11 de Junho de 2005

Apareceu no Movimento dos Capitães na reunião alargada da Comissão Coordenadora que se efectuou na Costa da Caparica.

Integrou a Comissão de Redacção do Programa do Movimento das Forças Armadas, sendo o elemento de ligação com o General Costa Gomes.

Foi membro da Comissão Coordenadora do MFA e mais tarde primeiro-ministro dos II, III, IV e V governos provisórios.

Durante o seu governo iniciou-se a reforma agrária, criaram-se as condições para as nacionalizações dos principais meios de produção privados (bancos, seguros, transportes públicos…), foi estabelecido o salário mínimo, o subsídio de férias e o subsídio de Natal.

Vasco Gonçalves tinha 52 anos quando a Revolução irrompeu. Por ela havia esperado e para ela se havia preparado. Foi a maior alegria da sua vida «participar no 25 de Abril e viver aqueles momentos como primeiro-ministro»

“ (…)

Mas a História não se desenvolve às avessas, como se o passado pudesse ser determinado a partir do futuro. A inviabilidade da Revolução Portuguesa numa Europa da qual a URSS desapareceu não pode servir de justificação política à contra-revolução.

Para quantos se situam na perspectiva de Vasco Gonçalves — entre eles me incluo — a Revolução Portuguesa foi uma revolução assassinada. Assim a devemos tentar compreender, contemplada deste início do século XXI, quando alguns dos principais responsáveis civis pela contra-revolução, pequenos políticos caricaturais, se pavoneiam pelo mundo mascarados de campeões da democracia.

No Inverno da vida, Vasco Gonçalves está consciente de que «as maiores conquistas que o povo português alcançou ao longo dos seus oito séculos de história, se verificaram em 74-75 e nelas desempenharam um papel fundamental os militares do MFA».

O projecto revolucionário, como o concebera, não se concretizou. Mas não há calúnia nem agressão à história que possa apagar o significado da participação decisiva na Revolução de Vasco Gonçalves, cidadão, soldado e patriota. Ele foi com Álvaro Cunhal um dos grandes portugueses do século XX.

(última parte do artigo “Vasco Gonçalves – O general do povo que fez história”, da autoria de Miguel Urbano Rodrigues, sobre o livro “Vasco Gonçalves – Um General na revolução”, entrevista de Maria Manuela Cruzeiro).

Para que a história o não esqueça…

(E que raiva eu sinto ao ouvir este hino que seria de força, de união e de luta! O que é que aconteceu à “muralha de aço” e o que é que está a acontecer ao sonho de Abril?).

José Gomes

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Álvaro Cunhal


Novas Lutas…


Álvaro Cunhal (Coimbra, 10 de Novembro de 1913 — Lisboa, 13 de Junho de 2005) foi um político e escritor português, conhecido por ser um dos mais importantes resistentes ao Estado Novo e ter dedicado a sua vida ao seu ideal comunista.

Fez na quarta-feira (13 de Junho) dois anos que partiu um revolucionário que nunca abdicou do seu ideal. Partiu para novas lutas…

Deixo aqui a minha homenagem.

- “roubado” de Momentos & Documentos


- Em sua memória, dedico-lhe "Venceremos" na Voz de Samuel.

José Gomes

quarta-feira, 13 de junho de 2007

O nascimento de um Panda


O nascimento deste Panda


Panda, com 120 dias de vida...

A partir de um email que recebi da Margarida (http://fabulas1.blogspot.com/), desenvolvi este vídeo. É uma animação em que tentei mostrar a evolução deste animal de olhos meigos desde o nascimento até aos 180 dias de vida.

O Panda é uma espécie que não se reproduzia fora do seu ‘habitat’ natural; com o esforço dos veterinários conseguiu sobreviver em cativeiro e assim está livre de entrar em extinção".

Matheus Steiner, em 10/05/2007.



Deixo-vos com mistica dos índios americanos, nestas palavras do Chefe Seatle, da tribo Duwamish:



"O que é o homem sem os animais?
Se todos os animais desaparecessem, os homens morreriam de uma grande solidão de espírito.

Pois, tudo o que acontece aos animais, logo acontece com o homem. Todas as coisas estão ligadas".



Tendo como fundo "1492 - Conquista do Paraíso", as imagens misturam-se com a música. Para ver, ouvir e divulgar.


José Gomes



quinta-feira, 7 de junho de 2007

O sangue das palavras


O Sangue das Palavras

O poeta que nasce é uma criança
parida pela água torturada
uma nave que surge uma nuvem que dança
ao mesmo tempo livre e condensada.

O poeta que nasce é a matança
da palavra demente e enjeitada
que o chicote do poema torna mansa
depois de possuída e mal amada.

Quando o poeta nasce a madrugada
aperta os versos num abraço rouco
até que a noite fique esvaziada.

E enquanto das palavras pouco a pouco
surge a forma perfeita ou agitada

no mundo morre um deus ou nasce um louco.


José Carlos Ary dos Santos


Acordei com este poema do Ary a cantarolar no meu ouvido.
Partilho-o com todos vós! Um bom fim de semana.

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"Verdes Anos" - Carlos Paredes
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José Gomes

terça-feira, 5 de junho de 2007

Dia Mundial do Ambiente


DIA MUNDIAL DO AMBIENTE


Neste dia em que a Terra está no primeiro plano das notícias do mundo, em sua homenagem, transcrevo um princípio seguido pelos índios americanos:

"Houve um tempo em que a Natureza fortalecia e instruia o homem, curando-lhe as feridas e lhe dava a força para viver.

O homem serntia-se cheio de compaixão e de amor maternal pela Terra. Sabia que o coração do homem afastado da natureza seca e acaba por se tornar duro.

Esse tempo não desapareceu. Está dentro de ti, é indestrutível. Basta modificar o teu olhar sobre as coisas, fazer calar o tumulto do mundo e recuperar a palavra do coração".

In "Sabedoria Ameríndia"