segunda-feira, 9 de abril de 2007

Abril e Liberdade
25 de Abril, sempre!













É Tempo de Adriano voltar a cantar!

Adriano Correia de Oliveira nasceu no Porto (Rua Formosa, 370) em 9 de Abril de 1942 e foi com poucos meses morar para Avintes, na Quinta das Porcas.

Neste dia em que festejamos o seu 65º aniversário quero homenagear, duma forma singela, o Amigo, o Sonhador, o Homem digno que nunca se deixou subverter pelo estatuto de vedeta e que sempre acreditou que um dia Abril seria aquela ponte que nos levaria a um Mundo Novo.

Conheci Adriano nos meus tempos do liceu — ele, no Alexandre Herculano e eu no D. Manuel II — quando nos cruzávamos à esquina do Carolina Michaellis (próximo do liceu D. Manuel II) ou à esquina do liceu Rainha Santa Isabel (no outro extremo da cidade e mais próximo do Alexandre) à espera da saída das jovens e bonitas meninas desses liceus femininos!

A troca daqueles comentários próprios de rapazes que começavam a olhar para a sombra e o sentir que estávamos a pisar em terreno alheio, deu azo a frases que tinham a ver com a nossa constituição física: — ele e eu éramos “gigantes”, mas só em altura! Ele, muito mais corpulento e eu um magricelas…

Adriano chamava-me “Estica” ou “Torre dos Clérigos”, alcunhas de que não gostava mesmo nada e que me aferroavam de tal maneira que me obrigava a tomar atitudes que instigavam, ainda mais, o gozo dos meus “adversários”.

Mas pior que tudo isto, quem mais ria eram as ditas miúdas, alunas daqueles Liceus, onde eu ia alegrar “o olho”, e que acabavam sempre por assistir a um espectáculo que não estava no meu programa!!!

Com o tempo estas querelas da juventude foram sendo substituídas por conversas mais interessantes, desde o desporto ao teatro, do cinema à música, terminando quase sempre nos nossos ideais de um País em construção.

Ainda encontrei Adriano por Avintes e, mais tarde, no Porto e em outros locais, em noitadas académicas, em jornadas de luta ou no meio de amigos comuns.

Um dia, já depois do 25 de Abril, voltei a encontrá-lo no Pavilhão do Académico, no Porto, envolto na sua capa de estudante, viola pousada no chão, com a sua barba característica — que contrastava com a minha longa pêra, bigode e cabelos compridos— esperando a sua vez de actuar. Olhou para mim, soltou uma gargalhada e disse-me:

— Oh, pá, quase que nem te conhecia, pareces mesmo o J.C.!

E rimos, no meio do pessoal que nos rodeava. Depois de um longo abraço falamos da revolução dos cravos, dos nossos sonhos para o futuro, da nossa utopia...

Foi a última vez que falamos, embora não tenha sido a última que o vi!

Adriano,

Por ti, por tudo aquilo em que acreditamos e planeamos na nossa juventude, por tudo o que representaste naqueles tempos difíceis, continuo a lutar para que a tua voz nunca se cale e que os teus poemas sejam cantados e vividos por toda a gente.

Recordar-te aqui hoje é manter-te bem vivo e actuante, é empunhar uma bandeira de esperança, é continuar a lutar por este País, para que seja mais livre, mais fraterno, mais justo e mais solidário, tal qual tu o sonhaste.

É Tempo de Adriano voltar a cantar!

Sábado, dia 21 de Abril de 2007, às 21H30, em Avintes, uma homenagem a Adriano Correia de Oliveira promovida pela CDU de Gaia.

Um abraço

José Gomes


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Canção do Soldado (no cerco do Porto) - Adriano Correia de Oliveira

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13 comentários:

  1. Gostei de ler as tuas memórias:)
    beijos

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  2. Era giro, era...
    Seu malandreco...

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  3. Adelante vamos... no nos quedemos por escritos... HAGAMOS ALGO!

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  4. Olá Zeca, bom dia!
    que bom o que aqui li; muito bem meu Amigo, porque sei que não te esqueces e continuarás a dizê-lo aos outros, principalmente aos vindouros, para que eles saibam e nunca esqueçam. É preciso que o futuro conheça e respeite o passado e saiba o que foi, a fim de que ele não volte; e se voltar, esse passado os inspire e saibam ganhar força para a luta.
    Um beijo enorme
    da Maria Mamede

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  5. Gostei muito de ler esta tua bela e saudosa homenagem.
    Há memórias que felizmente nunca nos abandonam, que nos confortam e dão força para continuarmos a acreditar no futuro.
    Parabéns!
    Bj

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  6. Um homem e uma voz a não esquecer!

    Bjs.

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  7. Ze, tenho os olhos em lagrimas... Beijo

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  8. O HACER ALGO! É Dizer que podemos fazer muito mais. Isso queria dizer meu amigo.
    Um abraço

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  9. conheci Adriano na sua voz, vi e ouvi diversas vezes, mas não tive o prazer de dialogar com ele

    bela homenagem, numa mistura das suas memórias que adorei ler.

    consigo ainda ouvir Adriano cantar:

    ....
    Mesmo na noite mais triste
    em tempo de servidão
    há sempre alguém que resiste
    há sempre alguém que diz não.

    um poema de Manuel Alegre

    é realmente tempo de Adriano voltar a cantar!

    e com ele sonho a esperança de este País se tornar cada vez mais livre!


    obrigada por o recordar

    um abraço

    lena

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  10. João Galamba2/5/07 00:10

    Lembro-me de ler no livro "Adriano, presente!" de Manuel Reis uma frase do Adriano: "Espero que o trabalho que está feito sirva para estimular os jovens na procura de soluções que retractem os problemas do seu tempo."
    Que a sua voz esteja sempre presente e nunca nos cansemos de procurar por um outro futuro, que há-de chegar! Um grande abraço.

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