quinta-feira, 16 de novembro de 2006

O dia do Mar


Hoje, 16 de Novembro, celebra-se em Portugal o Dia Nacional do Mar.

Em 1994 entrou em vigor a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM) que estabeleceu um novo quadro jurídico para o direito do mar. Ao ratificar a CNUDM, a 14 de Outubro de 1997, Portugal assumiu responsabilidades numa das áreas marítimas mais extensas da Europa, e a maior da União Europeia, com uma dimensão 18 vezes superior ao território nacional.

Em 1998, o dia 16 de Novembro foi institucionalizado pela Resolução de Conselho de Ministros n.º 83/1998, de 10 de Julho, como o Dia Nacional do Mar e, desde então, tem vindo a ser evocado através de uma série de eventos e iniciativas.

Em 2006 as comemorações do Dia Nacional do Mar são subordinadas ao tema “O Mar e o desenvolvimento sustentável.

A comemoração deste dia engloba um vasto conjunto de iniciativas de âmbito nacional, regional e local, que incluem diversas actividades de natureza cultural, desportiva, cientifica, etc.

Estas actividades envolvem vários ministérios e outras entidades públicas e privadas ligadas ao mar.


Foz do Douro - Nov. 2006 (o mar como eu gosto...)


Solidarizando-me com esta iniciativa, dedico ao MAR dois poemas de duas grandes senhoras da Poesia portuguesa: - Florbela Espanca e Sophia Mello Breyner Anderson:



VOZES DO MAR

Quando o sol vai caindo sobre as águas
Num nervoso delírio d'oiro intenso,
Donde vem essa voz cheia de mágoas
Com que falas à terra, ó mar imenso?...

Tu falas de festins, e cavalgadas
De cavaleiros errantes ao luar?
Falas de caravelas encantadas
Que dormem em teu seio a soluçar?

Tens cantos d'epopeias? Tens anseios
D'amarguras? Tu tens também receios,
Ó mar cheio de esperança e majestade?

Donde vem essa voz, ó mar amigo?...
... Talvez a voz do Portugal antigo,
Chamando por Camões numa saudade!

Florbela Espanca
Poesia Completa



MAR

Mar, metade da minha alma é feita de maresia
Pois é pela mesma inquietação e nostalgia,
Que há no vasto clamor da maré cheia,
Que nunca nenhum bem me satisfez.
E é porque as tuas ondas desfeitas pela areia
Mais fortes se levantam outra vez,
Que após cada queda caminho para a vida,
Por uma nova ilusão entontecida.

E se vou dizendo aos astros o meu mal
É porque também tu revoltado e teatral
Fazes soar a tua dor pelas alturas.
E se antes de tudo odeio e fujo
O que é impuro, profano e sujo,
É só porque as tuas ondas são puras.

Sophia Mello Breyner

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Como tema musical escolhi " La mer" na voz inesquecível de Charles Trénet.

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José Gomes
16 Nov. 06

7 comentários:

  1. triste é saber que o potencial do mar português não por nós explorado.

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  2. Olá Zé!
    gostei muito, mesmo muito desta união entre estes dois belos Poemas destas duas Poetas que muito amo (amamos)e esta canção imortal.

    Muito bem Zé!
    Beijossssssssss
    MM

    Ah, é verdade,a foto desse mar de que tu gostas, está esplêndida e ele também, claro!!!

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  3. bela maneira de homenagear o mar; Boa música e duas grandes senhoras da nossa poesia. Obrigado pela visita e pelos parabéns.

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  4. Para ti:
    Realmente, desde que instalei a versão Beta que há alguns problemas.
    Mas se tiveres dificuldades comenta no meu email.
    Obrigado.
    José Gomes

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  5. Bela fotografia!
    Quando o mar está assim, ainda nos sentimos mais pequeninos!
    É este um chamamento no silêncio. Um aviso que só escutam os que
    amam verdadeiramente o mar e nunca se esquecem que ele é de todos.
    São belos os dois poemas, embora me identifique mais com o de Sophia.
    Continua a navegar José...

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  6. ola ze
    obrigado pela tua visita que eu sempre aprecio.
    adoraste o temporal porque nao andaste metido nele. de ver tambem eu gosto. de fazer parte dele nao, rsss
    apanhei uma molha de manha e outra á tarde. estava tao encharcada que o vp teve que ir buscar-me.
    aqui na capital tudo mete agua. tudo.

    abraço da leonoreta

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