sexta-feira, 3 de novembro de 2006

20 Poemas de Amor

O mar na Foz do Douro, revolto como este tempo outonal...



Corpo de Mulher

Corpo de mulher, brancas colinas, coxas brancas,
assemelhas-te ao mundo na tua atitude de entrega.
O meu corpo selvagem de camponês te escava
e faz saltar o filho do mais fundo da terra.

Fui só como um túnel. De mim fugiam os pássaros,
e em mim a noite forçava a sua invasão poderosa.
Para sobreviver forjei-te como uma arma,
como uma flecha no meu arco, como uma pedra na minha funda.

Mas desce a hora da vingança, e eu amo-te.
Corpo de pele, de musgo, de leite ávido e firme.
Ah, os copos do peito! Ah os olhos de ausência!
Ah as rosas do púbis! Ah a tua voz lenta e triste!

Corpo de mulher minha, persistirei na tua graça.
Minha sede, minha ânsia sem limites, meu caminho indeciso!
Escuros regos onde a sede eterna continua,
e a fadiga continua, e a dor infinita.


Pablo Neruda

9 comentários:

  1. Lindo poema...
    Beijos
    Mi

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  2. Pablo amava as mulheres e como tal os seus poemas são belos!
    Beijos

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Neruda, o eterno Neruda...e o amor...
    Bom Fim de Semana

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  5. ola ze. so conheço o carteiro desse escritor. vi-o encenado em teatro, vi o filme. e li o livro pois claro.
    de todas as vezes nao consegui compreende-lo muito bem assim como os poetas da america latina á excepçao dos brasileiros.
    hoje ha noite de poesia, ja sei.
    um dia mando um poema sem tema so para destrambelhar o ambiente. destrambelhar nao. desconstruir.rsss promete que lês de surpresa sem avisar ninguem.

    abraço da leonoreta

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  6. LIndo!!!!! Neruda, o Poeta do amor...

    Beijo e bom domingo ;)

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  7. Cantou tão bem o amor como a luta e a aspiração porque morreu!

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  8. ola ze. venho responder-te a proposito do comentario que deixaste no post da semana passada. nao importa se es o ultimo, o penultimo. o que interessa é que passaste por la.

    abraço da leonoreta

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