terça-feira, 10 de outubro de 2006

A Pablo Neruda

1904 - 1973


Quem morre?



Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajectos,
quem não muda de marca, não arrisca vestir uma cor nova
e não fala com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão,
quem prefere o escuro ao invés do claro
e os pingos nos “ís” a um redemoinho de emoções,
exactamente as que resgatam o brilho nos olhos,
o sorriso nos lábios e coração aos tropeços.
Morre lentamente quem não vira a mesa
quando está infeliz no trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto, para ir atrás de um sonho.
Morre lentamente quem não se permite,
pelo menos uma vez na vida, ouvir conselhos sensatos.
Morre lentamente quem não viaja, não lê,
quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da sua má sorte,
ou da chuva incessante.
Morre lentamente quem destrói seu amor próprio,
quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem abandona um projecto antes de iniciá-lo,
nunca pergunta sobre um assunto que desconhece
e nem responde quando lhe perguntam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em suaves porções,
recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior
que o simples ar que respiramos.
Somente com infinita paciência conseguiremos a verdadeira felicidade!

Pablo Neruda

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A música é para ouvir baixinho e compenetrarmo-nos no poema de Pablo Neruda...
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12 comentários:

  1. Afinal, pelo que me apercebo, a coisa está a funcionar bem.
    Apreciem a música e deliciem-se com o poema.
    Obrogado.

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  2. Também me lembrei deste senhor, ontem precisamente.O fundo musical está muito bem casado com o poema.
    Um Abraço

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  3. nã ouço pq diz k lhe/me faltam aqui no "bichinho" umas "Pulgas-in" e está a demorar imenso tempo de k não disponho por ora.
    Bj.
    Luz e paz

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  4. Ta excelente, Ze
    Tens d me explicar como se faz isto...mas como se eu tivesse 2 aninhos...

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  5. Sandra Daniela11/10/06 21:02

    está lindo! tudo funciona! e escolheste um dos meus ppoemas favoritos de pablo neruda! beijocas!!!

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  6. mensageira11/10/06 21:10

    Adorei o poema, e reflecte excatamente aquilo que eralamente nao devemos fazer, pelo menos com muita frequencia. Devemos arriscar,viver a vida e explorar novos horizontes quando tal seja possivel.

    Beijo.

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  7. RosaTeixeiraBastos13/10/06 02:40

    Está excelente, Zé!
    Beijinhos,
    Rosa

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  8. ola ze.
    és um poço de informação sobre pessoas que deram o seu contributo à formação de mentalidades.
    gosto dos teus posts pela seriedade que comportam.
    está na hora de visitar o movimentum e saber como foi a noite de poesia.

    abraço da leonoreta

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  9. A inteligência e a sensibilidade de Pablo Neruda foi um excelente início de tarde.

    Gostei de o ter encontado e ao seu Blog.

    Bom domingo.

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  10. ...morre quem deixa de acreditar em si mesmo! um beijinho

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  11. Muito Bom mesmo. Desculpa a invasão mas não resisto a Neruda...

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