quinta-feira, 26 de outubro de 2006

Reportagem da Júlia...

Vasco Gonçalves e as Campanhas de Dinamização Cultural e Acção Cívica do MFA





Passados seis meses do 25 de Abril de 1974, na vigência do III Governo Provisório chefiado por Vasco Gonçalves, é apresentado no Palácio Foz em Lisboa o Programa de Dinamização Cultural que iria ser coordenado pela Comissão Dinamizadora Central (CODICE), estrutura da 5ª Divisão do Estado-Maior General das Forças Armadas, em colaboração com a Direcção-Geral da Cultura e Espectáculos.

Para o então Primeiro-Ministro, um dos principais objectivos desta iniciativa
«era levar os militares, o MFA, às populações e apoiá-las no desenvolvimento, na tomadas de consciência dos problemas que elas tinham. [...] Pretendíamos, sobretudo, transformar as ideias de fundo dessas populações. Não pretendíamos transformar essas populações em socialistas ou em comunistas. Queríamos transformá-las em gente democrática, gente aberta a analisar as situações e arrancá-las de toda aquela carga de fascismo que durante 48 anos tinha pesado sobre elas».

A par destes objectivos, Vasco Gonçalves defendia, também, que as Campanhas tiveram um importante papel na democratização e dinamização das Forças Armadas, sublinhando o facto de os militares que as protagonizaram regressarem «mais politizados» devido ao contacto com as diferentes realidades que procuravam transformar. Nesse sentido, e numa perspectiva cara à Primeira República, Vasco Gonçalves evocou, numa sessão de esclarecimento realizada no Sabugo (Sintra) em Fevereiro de 1975, a figura do «militar-educador». Este deveria aprender com aqueles que procurava educar, com aqueles que procurava ensinar, com aqueles que procurava ajudar. Na sua óptica, a expressão que melhor caracterizava a Dinamização Cultural era o «trabalho quotidiano» porque as Campanhas constituíam uma aprendizagem mútua, um processo de conhecimento do país que a revolução surpreendeu.

Para Vasco Gonçalves o grande impulsionador das Campanhas de Dinamização Cultural e Acção Cívica do MFA fora Ramiro Correia, o «comandante-médico que até fazia versos [...] um idealista no bom sentido do termo». Na génese desta iniciativa, salientava a importância da Acção Psico-social utilizada na guerra colonial, assegurando que «muitos militares vieram influenciados com isso e consideravam-se em condições de desenvolver uma acção desse nível dentro do nosso proprio país, com os seus compatriotas».

[...] a relação entre os militares e a população adquiriu novos contornos com a transição democrática e, para Vasco Gonçalves, as Campanhas de Dinamização Cultural e Acção Cívica do MFA seriam uma ferramenta axial no fortalecimento desta relação, eternizada na expressão aliança Povo-MFA a qual condensava os ideais da facção progressista do MFA «que eram sobretudo os da libertação da nossa pátria, do nosso povo, da realização das aspirações básicas». Utilizava o termo «missão» para aludir às Campanhas, afirmando serem estas «um trabalho gigantesco para as nossas possibilidades», referindo-se à insuficiência de meios técnicos e humanos que dispuseram para a concretização desta proposta da agenda revolucionária. «Foi uma das nossas debilidades fundamentais» - afirmava.

Num dos muitos cartazes que desenhou [...] João Abel Manta pareceu representar a «esperança e a confiança» que Vasco Gonçalves depositava nesta iniciativa ao atribuir-lhe uma centralidade no célebre cartaz MFA-Vasco-Povo. Povo-Vasco-MFA (1975), onde surge ladeado por duas figuras híbridas meio soldado, meio povo, reforçadas pela frase «Força, Força Companheiro Vasco / Nós Seremos a Muralha de Aço».

E foi da seguinte forma que Vasco Gonçalves se referiu a este cartaz: «O cartaz é muito terno, eu era o companheiro Vasco, mas para certo sector da população, não para o país».


(Texto de Sónia Vespeira de Almeida, com base em entrevista a Vasco Gonçalves (2002) no âmbito da sua tese de doutoramento em Antropologia.
Inserido no folheto comemorativo da homenagem a Vasco Gonçalves, realizada na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa, em 21 de Outubro de 2006).

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Foi esta a reportagem que a Júlia inseriu no seu blog e, uma vez que eu tinha alertado os meus amigos para a homenagem a Vasco Gonçalves, pensei que deveria publicar esta reportagem nos Chuviscos.

Para quem quiser deliciar-se com o original visitem, por favor,
http://ascausasdajulia.blogspot.com/ .

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Como tema musical escolhi "Força, Força, Companheiro Vasco" interpretado por Carlos Alberto Moniz e Maria do Amparo.

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José Gomes
26 Out. 06


sexta-feira, 20 de outubro de 2006

ATÉ BREVE...

Por motivos óbvios, vou ter que interromper por uns tempos os blogs em que tenho participado.

Peço desculpa.

Um abraço e um beijo para todos.


No entanto, não queria despedir-me sem vos sugerir uma visita ao blog abaixo:


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Meus amigos,

Acabo de actualizar o meu blog:

http://ascausasdajulia.blogspot.com/

Um abraço

Julia Coutinho
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Até um dia destes ou até sempre.

Um abraço,

José Gomes

terça-feira, 10 de outubro de 2006

A Pablo Neruda

1904 - 1973


Quem morre?



Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajectos,
quem não muda de marca, não arrisca vestir uma cor nova
e não fala com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão,
quem prefere o escuro ao invés do claro
e os pingos nos “ís” a um redemoinho de emoções,
exactamente as que resgatam o brilho nos olhos,
o sorriso nos lábios e coração aos tropeços.
Morre lentamente quem não vira a mesa
quando está infeliz no trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto, para ir atrás de um sonho.
Morre lentamente quem não se permite,
pelo menos uma vez na vida, ouvir conselhos sensatos.
Morre lentamente quem não viaja, não lê,
quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da sua má sorte,
ou da chuva incessante.
Morre lentamente quem destrói seu amor próprio,
quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem abandona um projecto antes de iniciá-lo,
nunca pergunta sobre um assunto que desconhece
e nem responde quando lhe perguntam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em suaves porções,
recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior
que o simples ar que respiramos.
Somente com infinita paciência conseguiremos a verdadeira felicidade!

Pablo Neruda

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A música é para ouvir baixinho e compenetrarmo-nos no poema de Pablo Neruda...
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segunda-feira, 2 de outubro de 2006

Feliz Aniversário, Sónia....

Papá, já viste quão belas são as estrelas que brilham no céu?


Há uma boa meia dúzia de anos que não tinhamos o prazer de passar juntos o teu dia de aniversário e muito menos irmos almoçar os três (porque não deixaram entrar o Kique!!!...) ao teu restaurante chinês favorito, dar o nosso passeio pela Foz, ouvir os teus projectos em termos de Futuro.

Já não nos lembravamos do teu sorriso, do teu rir franco e aberto, da tua alegria... e como foi tão bom passar aquela terça feira juntos!!!

Quero agradecer o teu pedido para almoçar e lanchar ontem (dominngo) - em nossa casa - com os mais velhos (o avô adorou, sabes isso muito bem!) e alguns dos nossos amigos.




O bolo foi uma surpresa que te encantou... mas cortares o Rei Leão foi um pouco difícil para ti, pois estes são os dois personagens da peça que mais gostas.

Foi um dia agradável em que nos fizeste ficar felizes.

Parabéns do Avô, da Céu, da D. Margarida, da Jó (que não pôde estar presente, como gostaria), da D. Rosete, do Kique, da Mamã e do Papá.


Filha, já reparaste que os teus olhos são um pedaço do brilho,
da força e da beleza dos milhões de estrelas que pulsam em ti?

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Escolhi "Busa", uma canção do filme "The Lion King" - espero que gostes...
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José Gomes
2 Outubro 06